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História de extraterrestre 11 a 12 anos Leitura 22 min.

Tomás e o olá das antenas

Tomás, um menino curioso, encontra Liom, um pequeno extraterrestre, e juntos tentam consertar a nave e estabelecer comunicação, aprendendo sobre confiança e amizade.

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Garoto de 12 anos, expressão maravilhada e concentrada, cabelos castanho despenteados, camiseta listrada azul e calças caqui um pouco sujas, segura uma grande chapa metálica enferrujada contra o casco escuro da pequena nave; Liom, pequeno extraterrestre de antenas finas e pele verde-oliva, olhos negros brilhantes, agachado ao lado da nave ativando um brilho azul no pulso; dois outros extraterrestres ao fundo — um mais alto de antenas curvas e outro sério de antenas curtas — observam desde a coluna de luz da grande nave; local: campo de pousio dourado com ervas secas, pedras e um velho poste de madeira com pregos enferrujados em primeiro plano, céu claro com nuvens finas e a silhueta de uma grande nave acima; cena principal: o garoto e Liom reparando a nave, foco no gesto de colocar a chapa, na faísca azul da ferramenta de Liom e na cumplicidade entre a criança e o extraterrestre, atmosfera suave e mágica. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

Tomás tinha onze anos e um tipo de curiosidade que não cabia nos bolsos. No bolso esquerdo, ele guardava um canivete sem lâmina (a mãe não deixava), no direito, uma chave velha que ninguém sabia de que porta era, e na cabeça… bem, na cabeça ele guardava planos.

Naquela tarde, ele atravessou a rua de terra e seguiu para o campo em pousio atrás do celeiro do senhor Damião. Era um terreno grande, meio amarelo, com tufos de erva seca e flores pequenas teimosas que apareciam aqui e ali como pontos de confete. Ninguém plantava ali fazia tempo. O vento passava e fazia um som de escova em papel.

Tomás vinha porque gostava do silêncio. E porque o céu ali parecia mais perto.

Ele se agachou perto de um monte de pedras e tirou da mochila o seu “Projeto Orelhas”, que na verdade era um arco de arame com duas molas e dois pedacinhos de alumínio na ponta. Ele prendeu o arco na cabeça, como se fosse uma tiara esquisita.

— Se eu conseguisse captar sinais… — murmurou.

O arame balançou quando ele mexeu as sobrancelhas. Parecia ridículo, mas era ridículo com propósito, e isso era melhor do que ser ridículo à toa.

Um som diferente cortou o vento. Um zumbido, fino, como quando a lâmpada da cozinha está prestes a queimar. Tomás levantou a cabeça.

O chão tremeu um pouco, não como terremoto, mas como se alguém tivesse batido um tapete enorme do outro lado do mundo. As ervas secas se inclinaram todas na mesma direção.

Então, bem no meio do campo em pousio, o ar se dobrou. Não é que tenha aberto uma porta. Foi mais como quando se puxa um lençol esticado e ele cria uma ruga brilhante.

Da ruga saiu uma coisa do tamanho de um carrinho de mão, lisa e escura, com luzes azuis que piscavam como olhos sonolentos.

Tomás ficou com a boca aberta. A tiara de arame também, por pouco.

— Tá… — ele sussurrou, porque “olá” parecia grande demais para a garganta. — Tá acontecendo.

A coisa pousou sem fazer barulho. Uma parte dela se abriu, como uma concha, e de lá saiu… alguém.

Era baixo, mais baixo do que Tomás, com um corpo magro e braços compridos. A pele parecia a cor de folha de oliveira molhada. E na cabeça, duas antenas finas se erguiam, flexíveis, como raminhos curiosos.

O ser olhou em volta. Depois olhou direto para Tomás.

Tomás sentiu as pernas quererem correr, mas sua cabeça falou mais alto: “Se eu correr, nunca vou saber”.

Ele engoliu em seco. Levantou uma mão devagar.

— Oi.

As antenas do ser se mexeram, como se estivessem escutando.

Capítulo 2

O alienígena não respondeu com palavras. Ele inclinou a cabeça, e as antenas fizeram um movimento cuidadoso: uma encostou na outra, depois se abriram como um V suave.

Tomás piscou.

— Isso foi… um cumprimento?

O ser repetiu o gesto, mais lento, como quem ensina. Encostar. Abrir. Encostar de novo. E, por um instante, as pontas das antenas brilharam de leve, um azul clarinho que lembrava vaga-lumes.

Tomás olhou para sua tiara de arame. Ridículo com propósito, lembrava?

— Tá. Ok. Eu posso tentar.

Ele mexeu as sobrancelhas, o arame mexeu junto, as molas vibraram… e os dois pedacinhos de alumínio bateram um no outro com um “tic” minúsculo. Depois ele abriu o arco, afastando as pontas com os dedos, tentando imitar o V.

— Olá com antenas — disse, e a frase saiu tão séria que ele mesmo quase riu. — Eu sou o Tomás.

O ser soltou um som curto, como um estalo de bolha.

— Lii… — ele tentou, e parecia estar empurrando o som para fora com cuidado. — Lii-om.

— Liom? Esse é seu nome?

O alienígena — Liom, então — apontou para o próprio peito. As antenas tremeram. Depois apontou para Tomás.

— To… más — disse, com as sílabas arredondadas, como se estivesse provando uma fruta nova.

Tomás sentiu um calor no rosto. Não era vergonha. Era uma alegria nervosa.

— Isso. Tomás. Você… entende?

Liom abriu as mãos, as palmas para cima, e fez um gesto de pergunta. Em seguida, tocou uma pequena pulseira no pulso. A pulseira acendeu e projetou no ar três símbolos simples: um círculo, uma linha e um pontinho que se mexia.

Tomás franziu a testa.

— Um mapa?

O pontinho se movia dentro do círculo e se aproximava de uma borda brilhante. A linha parecia um caminho.

Liom apontou para o céu e fez um som mais longo, como um assobio distante.

— Você veio de lá — Tomás falou, mais para organizar as ideias do que para explicar. — E… está perdido?

Liom inclinou a cabeça e as antenas tocaram uma na outra, depois se separaram. Sim. Ou pelo menos, “sim” em antenês.

Tomás respirou devagar. Um passo de cada vez. Sem gritar, sem desmaiar, sem fazer promessas malucas.

— Tá bom. Eu posso ajudar. Eu sou… confiável — ele disse, e a palavra “confiável” soou estranha e importante na boca dele. — Mas você também precisa confiar em mim.

Liom observou o rosto de Tomás como se estivesse lendo um livro. Então levantou as antenas e fez o gesto do cumprimento, bem suave.

Tomás respondeu com seu “tic” e o V improvisado.

Por um instante, o campo em pousio pareceu menos vazio. Como se as ervas secas também estivessem ouvindo.

Capítulo 3

O problema com ajudar um extraterrestre é que você não pode simplesmente dizer: “Entra na minha casa, pega um copo d'água e vamos conversar com meus pais”. Primeiro, porque os pais. Segundo, porque os pais.

Tomás pensou na mãe, que desconfiava até de promoções de supermercado. Pensou no pai, que ia querer medir a nave com uma trena. E pensou no senhor Damião, que ia correr com uma enxada achando que era um ladrão de galinhas.

Então ele escolheu o caminho do meio: manter a calma e manter o segredo por… um tempo pequeno. Só até entender o que Liom precisava.

Ele apontou para uma sombra perto de um arbusto.

— Vem. Aqui é mais discreto.

Liom seguiu, com passos leves, como se o chão fosse um lago e ele não quisesse fazer ondas. A nave ficou no meio do campo, quieta, com as luzes em modo de cochilo.

Tomás se sentou numa pedra. Liom se agachou do jeito dele, que parecia um elástico dobrado.

— O que aconteceu com você? — Tomás perguntou, devagar. — Você… caiu? Quebrou?

Liom tocou a pulseira de novo. Desta vez, a projeção mostrou um círculo maior, com vários pontinhos em volta, e um pontinho — ele — que se afastava, como se tivesse sido empurrado por uma rajada.

Depois apareceu uma imagem tremida da própria nave, e um símbolo de “alerta” que parecia um triângulo com um risco.

— Tempestade? — Tomás arriscou.

Liom fez um som afirmativo e as antenas se encostaram e abriram. Sim.

Tomás olhou o céu. Estava claro, com nuvens finas lá longe, como arranhões brancos.

— Aqui não parece… mas talvez no caminho.

Liom apontou para a nave e fez um gesto de “não”. Depois apontou para a pulseira e para o céu, como se dissesse: “Não consigo chamar”.

— Sem sinal — Tomás concluiu. — Você precisa… de energia? Ou de altura?

Liom olhou em volta do campo. Os olhos dele — escuros e brilhantes — pararam no morro baixo do outro lado, onde havia um velho poste de madeira sem fios, só a haste, como um braço sem mão.

Tomás entendeu.

— Você quer subir ali? Pra transmitir?

Liom fez o cumprimento-antenas com pressa. Tomás interpretou como um “sim, isso!”.

Tomás apontou para a mochila.

— Eu tenho corda. Quer dizer… um cadarço comprido, mas vale. E fita adesiva. Fita adesiva é a solução para metade dos problemas do universo.

Liom soltou aquele som de bolha-estourando. Se era risada, era a risada mais educada que Tomás já ouviu.

Eles atravessaram o campo em pousio juntos. As ervas secas arranhavam as canelas de Tomás. Liom caminhava sem se importar, as antenas captando tudo, como se o vento fosse uma conversa.

No meio do caminho, Tomás parou e apontou para sua tiara de arame.

— Você sabe… eu inventei isso. Pra captar sinais. Não achei que ia funcionar com… você de verdade.

Liom tocou de leve uma das “antenas” de arame. O metal vibrou.

Depois ele fez o gesto do cumprimento e esperou.

Tomás repetiu, e desta vez o “tic” soou menos bobo. Soou como uma chave girando numa fechadura.

Capítulo 4

O poste velho era mais alto do que Tomás lembrava. De perto, ele tinha farpas e um cheiro de madeira quente. Havia pregos enferrujados como pequenos dentes.

— Eu subo — Tomás disse, já sentindo as mãos suarem. — Você fica embaixo.

Liom apontou para si e depois para o poste, insistindo. As antenas tremiam, firmes.

— Você quer subir? — Tomás arregalou os olhos. — Você é… leve?

Liom levantou os braços, como quem diz “confia”.

Tomás pensou na palavra de novo: confiável. Ser confiável não era só cumprir promessa. Era também saber quando você não era a melhor pessoa para uma tarefa.

— Tá. Mas eu vou ajudar. Sem heroísmos.

Ele amarrou o cadarço comprido da mochila em volta da cintura de Liom, como um cinto improvisado, e prendeu a outra ponta na base do poste com fita adesiva e um nó que ele aprendeu num vídeo de escoteiros. Ou quase aprendeu. Deu certo o suficiente.

Liom começou a subir. Os dedos dele se grudavam na madeira como se encontrassem lugares certos sozinhos. As antenas se inclinavam, equilibrando o corpo.

Tomás segurava o “cinto” e falava, mais para si mesmo do que para Liom:

— Devagar. Isso. Sem pressa. Eu tô aqui.

Liom parou a meio caminho e olhou para baixo. As antenas fizeram o gesto do cumprimento.

Tomás respondeu com o arame: “tic”. E, por algum motivo, aquilo o acalmou.

Quando Liom alcançou uma altura boa, ele tocou a pulseira. Ela acendeu forte e lançou uma linha de luz azulada para o céu, fina como um fio de costura.

Tomás prendeu a respiração. A luz tremeluzia, procurando alguma coisa lá em cima.

— Vai, vai… — Tomás murmurou.

Nada aconteceu por alguns segundos. Só o vento. Só um corvo passando longe.

Então a pulseira emitiu um som grave, como um “bom” de sino abafado. E no ar, bem acima deles, um ponto brilhante apareceu — pequeno, mas real, como uma estrela que decidiu chegar cedo.

Liom ficou imóvel. As antenas dele se ergueram, esticadas, e brilharam um pouco.

Tomás soltou o ar.

— Você conseguiu.

Liom desceu mais rápido do que subiu, e quando chegou ao chão, Tomás o segurou pelo braço, firme. Não por medo de queda. Por respeito ao combinado.

— Eu disse que eu ia estar aqui — Tomás falou. — E eu estou.

Liom encarou Tomás por um instante. Então tocou a pulseira e projetou um símbolo novo: duas linhas paralelas que se aproximavam até virar uma só. Depois apontou para Tomás e para si mesmo.

— Juntos — Tomás interpretou, sorrindo.

Liom fez um som animado. As antenas dele fizeram um cumprimento tão alegre que quase parecia uma dancinha.

Tomás riu.

— Ok, ok. Sem exagero. Eu ainda tô com fita adesiva no dedo.

Capítulo 5

O ponto brilhante no céu cresceu devagar, como se estivesse descendo uma escada invisível. Não fazia barulho de motor. Parecia mais um pensamento ficando mais perto.

Tomás e Liom voltaram para o campo em pousio, porque ali era aberto. A nave de Liom ainda descansava no meio do terreno.

— Você vai embora? — Tomás perguntou, e se surpreendeu com a pontada no peito. Não era tristeza inteira. Era um tipo de orgulho misturado com “já?”.

Liom hesitou. As antenas dele fizeram um movimento curto, como um “talvez”.

Ele tocou a pulseira e projetou uma imagem: um grupo de seres parecidos com ele, numa nave maior. Depois, a imagem de algo como uma caixa quebrada com linhas rachadas — a nave pequena dele.

— Eles vêm te buscar, mas sua nave tá… machucada — Tomás disse.

Liom assentiu.

Tomás olhou ao redor. O campo tinha coisas esquecidas: um arame farpado caído, um carrinho de mão velho perto da cerca, latas amassadas, e… perto das pedras, uma placa metálica de alguma máquina antiga, com parafusos.

A cabeça de Tomás começou a trabalhar como uma oficina.

— A sua nave precisa de uma peça? — ele perguntou.

Liom apontou para a nave e desenhou no ar, com o dedo, um retângulo. Depois fez um gesto de “falta”.

Tomás correu até o monte de sucata perto da cerca. O carrinho de mão tinha uma chapa solta. Ele puxou com força. A chapa rangeu, reclamou, e saiu.

— Isso serve? — ele perguntou, mostrando.

Liom aproximou a chapa da nave. A nave respondeu com uma luz rápida, como se reconhecesse algo útil. Liom fez o gesto do cumprimento e depois apontou para Tomás com as duas mãos, como quem diz: “Você”.

Tomás sentiu o peito ficar grande.

— Tá. Vamos consertar.

Eles trabalharam juntos. Liom tinha uma ferramenta que parecia uma caneta, que aquecia o metal sem fogo, só com um brilho suave. Tomás segurava a chapa, passava a fita adesiva onde precisava segurar temporariamente, e entregava parafusos que ele encontrou na placa velha.

— Você confia fácil — Tomás comentou, enquanto apertava um parafuso com a chave velha do bolso (que, descobriu-se, servia para muita coisa que não era porta). — Ou eu tô enganando você com minha cara de anjo?

Liom fez um som de bolha e tocou o próprio peito. Depois tocou o peito de Tomás. E projetou na pulseira uma palavra simples, em letras que a pulseira traduziu com esforço: “Firme”.

— Firme? — Tomás repetiu.

Liom assentiu e fez o gesto do cumprimento, bem devagar, como um juramento.

Tomás entendeu do jeito dele: confiável era alguém firme. Alguém que não mudava de ideia só porque o vento mudou.

Quando terminaram, a nave de Liom piscou duas vezes e fez um som leve, como um gato ronronando.

No céu, a nave maior agora era uma sombra clara por trás das nuvens finas, descendo.

Tomás olhou para Liom.

— Eu vou sentir falta do seu “olá” — ele disse, e levantou a tiara de arame para ajustar. — E eu ainda preciso praticar. Meu cumprimento faz “tic”, o seu faz… mágica.

Liom tocou as pontas das antenas e depois tocou, com cuidado, as pontas de alumínio do arame de Tomás. Um brilho azul passou de um para o outro, rápido e suave, sem choque.

Tomás arregalou os olhos.

— Ei! Agora eu tenho antenas de verdade?

Liom fez o som de risada e projetou um símbolo que parecia um “quase”.

Capítulo 6

A nave maior parou acima do campo em pousio, sem esmagar nada, sem vento forte, só com uma presença calma, como um teto de sombra gentil. Uma abertura se formou na parte de baixo, e uma luz desceu em coluna, iluminando as ervas secas como se fossem fios de ouro.

Outros dois seres apareceram dentro da luz. Um era mais alto, com antenas grossas e curvas. O outro tinha antenas curtinhas e uma expressão que Tomás juraria ser “sério”.

Liom deu um passo à frente e fez o cumprimento com as antenas, bem formal. Os outros responderam.

Tomás ficou ao lado, segurando a mochila como se ela fosse um escudo e um abraço ao mesmo tempo.

O ser sério olhou para Tomás. As antenas dele se inclinaram, avaliando.

Liom apontou para Tomás e para a nave pequena consertada. Depois projetou na pulseira a imagem da chapa do carrinho de mão e o símbolo “Firme”.

O ser alto respondeu com um gesto diferente: as antenas se cruzaram no ar, como duas fitas se encontrando, e depois se separaram. A pulseira de Liom traduziu numa palavra curta que Tomás conseguiu ler: “Grato”.

Tomás engoliu.

— De nada. Eu só… fiz o que era certo.

O ser sério se aproximou. Ele levantou uma mão e, com a outra, tocou a própria antena, depois apontou para a tiara de Tomás. Parecia curioso.

Tomás entendeu.

— Quer tentar?

Ele tirou a tiara e ofereceu. Por dentro, uma voz gritava: “Você está entregando seu projeto para um extraterrestre!”. Mas a outra voz, mais firme, dizia: “Você escolheu confiar, lembra?”.

O ser sério colocou a tiara na cabeça. As molas ficaram tortas. Ele piscou devagar. Tentou mexer as “antenas” e saiu um “tic” muito tímido.

Liom soltou uma risada de bolha tão clara que Tomás também riu.

— Viu? Não é tão fácil ser humano — Tomás disse.

O ser alto fez um gesto com as mãos, e a nave maior emitiu um brilho suave. Uma pequena esfera desceu pela coluna de luz e parou na altura do peito de Tomás.

A esfera se abriu como uma flor mecânica e revelou… uma coisa simples: um disco pequeno, transparente, com dois risquinhos azuis dentro, como anteninhas desenhadas.

Liom pegou o disco e colocou na mão de Tomás.

A pulseira traduziu: “Saudação”.

— Pra eu aprender? — Tomás perguntou.

Liom assentiu. Depois encostou as antenas uma na outra e abriu em V. Tomás imitou com os dedos no disco: encostou os risquinhos, abriu, encostou.

O disco vibrou levemente, como se aprovasse.

O ser sério devolveu a tiara para Tomás com cuidado. E, antes de entrar na luz, fez um “tic” com os dedos, do jeito mais parecido que conseguiu.

Tomás levou a mão à boca para segurar o riso.

— Adeus… não — ele corrigiu, lembrando do que aprendeu. — Olá. Porque parece que “olá” é uma promessa de encontro, não de fim.

Liom olhou para ele por um segundo longo. As antenas dele brilharam.

— Olá, Tomás — Liom disse, com as palavras mais firmes do que antes.

E então ele entrou na coluna de luz. A nave pequena subiu atrás, como um filhote seguindo o grupo.

A nave maior se elevou devagar e se afastou, virando ponto, virando quase nada.

Tomás ficou no campo em pousio com o disco na mão e a tiara no outro. O silêncio voltou, mas não era vazio. Era cheio de um segredo bom.

Ele guardou o disco no bolso, bem junto do coração, como se fosse uma chave — não de porta, mas de conversa.

O vento mudou. Uma frescura correu pelo campo.

Tomás levantou o rosto. Nuvens finas se juntavam, quase transparentes.

E então começou: uma chuva muito fina, tão leve que parecia poeira de água. As gotas não batiam. Elas pousavam.

Tomás fechou os olhos e deixou a chuva encostar na testa, no nariz, nas mãos. Sorriu sozinho.

— Olá — ele sussurrou para o céu, e mexeu as sobrancelhas só para ouvir o “tic”.

A chuva fina continuou, como se o mundo inteiro estivesse aprendendo a cumprimentar com cuidado.

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Ronronando
Som suave e contínuo, como o que um gato faz quando está tranquilo.
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Seguro e constante, que não muda facilmente; confiável.
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