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História de extraterrestre 11 a 12 anos Leitura 21 min.

A semente de luz no parque

Tomás encontra dois extraterrestres perdidos no parque e, com coragem e criatividade, ajuda-os a consertar a cápsula e a escapar aos olhares curiosos, descobrindo que o desconhecido pode tornar‑se amigo.

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Tomás, menino de 12 anos de rosto redondo, cabelo castanho despenteado e olhar curioso e determinado, agachado com as mãos perto de uma pequena cápsula prateada como se a consertasse; atrás dele o extraterrestre Lumo, pele verde-menta lisa, grandes olhos dourados, orelhas finas e colete transformável, inclina a cabeça aliviado segurando uma esfera luminosa flutuante; Niri, criatura do tamanho de um gato com corpo metálico prateado e olhos que mudam de azul para amarelo, pousado numa caixa de madeira ao lado da cápsula, curioso e receoso; cenário numa pequena horta comunitária num parque urbano com canteiros de terra escura, tomates vermelhos, manjericão, girassóis altos, cerca de madeira gasta e céu em tons pastéis ao crepúsculo; a cena mostra a reparação discreta da cápsula com ferramentas luminosas (chave brilhante, fita prateada), tomada escondida atrás de um arbusto e luz dourada filtrada entre as folhas; estilo: ilustração vetorial nítida, cores saturadas suaves, contornos limpos, texturas planas com sombras subtis, composição centrada nos personagens e na cápsula, atmosfera de amizade e descoberta. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: Uma Luz no Parque

O Tomás tinha 11 anos e uma teimosia útil: quando decidia ajudar alguém, ajudava mesmo. Naquela tarde, foi ao parque com a mochila às costas e um binóculo velho pendurado ao pescoço, como se fosse explorador.

O parque cheirava a relva cortada e a pipocas. Havia crianças a correr, um cão a ladrar para a própria sombra e um senhor a tocar saxofone, desafinado mas feliz.

Tomás sentou-se no banco ao lado do lago, a observar as nuvens. Foi então que viu: um brilho rápido, como um peixe de luz, a atravessar o ar e a desaparecer atrás de um grupo de arbustos.

“Ok… isto não foi um drone”, murmurou.

A curiosidade puxou-o pelos ténis. Tomás aproximou-se devagar, afastou ramos, e encontrou algo do tamanho de uma caixa de sapatos: uma cápsula redonda, amassada, com riscos azuis a pulsar.

E, ao lado, uma criatura agachada, a respirar como quem acabou de correr uma maratona.

Tinha pele verde-menta, olhos grandes e dourados, e umas orelhas finas que tremiam como folhas ao vento. Vestia uma espécie de colete prateado cheio de bolsos.

Quando viu o Tomás, a criatura levantou as mãos.

— Não… esmagar! — disse numa voz fininha.

Tomás arregalou os olhos. A ideia de alienígenas era fixe… até aparecer um de verdade no meio do parque.

— Eu não vou esmagar ninguém — respondeu ele, tentando parecer mais calmo do que se sentia. — Estás… perdido?

A criatura apontou para a cápsula e depois para o céu, com uma expressão aflita.

— Eu… Lumo. Amigo… caiu. Preciso… achar.

“Um amigo extraterrestre perdido no parque”, pensou Tomás. “Isto é o tipo de coisa que nunca acontece… e agora está a acontecer comigo.”

Tomás respirou fundo.

— Está bem, Lumo. Eu ajudo. Mas temos de ser discretos. As pessoas… ficam esquisitas com o desconhecido.

Lumo inclinou a cabeça.

— Desconhecido… pode ser amigo.

Tomás sorriu, apesar do coração estar a bater como um tambor.

— Pode. Vamos provar isso. Primeiro: onde foi a última vez que viste o teu amigo?

Lumo fechou os olhos, como quem ouve uma música distante, e apontou para o caminho de pedra que levava ao outro lado do parque.

— Cheiro… verde. Terra molhada. Folhas que picam.

— Isso soa a… horta comunitária! — disse Tomás. — Vem. E tenta… parecer um pouco menos extraterrestre.

Lumo olhou para o próprio colete, confuso.

— Menos… brilhante?

— Exatamente.

Lumo tocou num botão e, com um “plim” tímido, o colete ficou da cor de um casaco castanho. Ainda assim, os olhos dourados continuavam a gritar “sou de outro planeta”, mas Tomás decidiu que ninguém repararia se ele andasse com confiança.

E assim, os dois atravessaram o parque: um rapaz determinado e um alienígena a tentar não parecer um alienígena.

Capítulo 2: O Mapa que Cheira

Perto do parque infantil, uma menina apontou para o Lumo.

— Olha, mãe! Aquele rapaz trouxe um… duende!

Tomás acelerou o passo.

— Duende? — sussurrou Lumo, ofendido.

— É… uma espécie de elogio — improvisou Tomás. — Quer dizer que és… mágico.

Lumo relaxou.

— Eu sou… um pouco mágico.

Tomás conduziu-o por um caminho lateral, perto de arbustos altos que faziam uma parede verde. Ali, longe de olhares, pararam.

— Tens alguma coisa para nos guiar? — perguntou Tomás. — Um mapa? Um sinal?

Lumo abriu um bolso do colete e tirou uma esfera transparente, como uma bolinha de sabão sólida. Dentro, havia pontos luminosos que se mexiam lentamente, como pirilampos.

Mapa de cheiro — explicou. — Ele mostra pistas… do ar.

Tomás franziu a testa.

— Mapa de… cheiro?

Lumo encostou a esfera ao nariz e inspirou. Os pontos dentro da esfera rearranjaram-se, formando uma linha que apontava para a direita.

— O meu amigo chama-se Niri — disse Lumo. — Niri tem cheiro… de limão e metal. Como chuva em pedra quente.

Tomás tentou imaginar isso. Era difícil, mas também era… bonito.

— E o Niri está a deixar um rasto?

— Sim. Quando está com medo, o corpo solta… luz cheirosa.

— Isso é útil — disse Tomás. — Eu, quando tenho medo, só suo. E não ajuda ninguém.

Lumo fez um som que parecia um risinho.

— Humanos são… engraçados.

— Obrigado, eu acho.

Seguiram o “mapa de cheiro” por um trilho que contornava o lago. A esfera tremia nas mãos do Lumo e, de vez em quando, mudava de direção, como se discutisse consigo mesma.

Passaram por um grupo de idosos a jogar dominó numa mesa.

— Boa tarde, rapaz! — disse um deles ao Tomás. — Quem é o teu amigo?

Tomás engoliu em seco.

— É… é o L… Luís! — disse ele, rápido. — Ele é… primo. Muito… tímido.

Lumo acenou com rigidez, como um boneco.

— Eu… Luís — disse ele, com uma pronúncia esquisita. — Eu… gosto de… dominó.

O idoso riu-se.

— Então volta cá um dia, Luís! Aqui ensinamos.

Quando já estavam longe, Tomás murmurou:

— Dominó, a sério?

Lumo abriu os braços.

— Eu digo o que o teu rosto manda dizer.

Tomás tapou a cara com a mão.

— O meu rosto é péssimo a dar ordens.

A esfera voltou a apontar, agora para um portão de madeira com uma placa: “Horta do Parque — Cuidamos Juntos”.

Um perfume de manjericão e tomate veio ao encontro deles, como um abraço.

— Cheiro… verde — disse Lumo, animado. — Aqui!

Tomás empurrou o portão.

— Então vamos encontrar o Niri.

Capítulo 3: O Potager Perfumado

A horta era um mundo dentro do mundo. Canteros alinhados, terra escura, folhas a brilhar ao sol. Havia girassóis altos como guardas e uma pequena estufa que parecia uma bolha.

O ar estava cheio de cheiros: hortelã fresca, morangos maduros, cebola, e algo doce que Tomás não conseguia identificar.

— Isto é… incrível — disse ele, baixinho, como se não quisesse acordar as plantas.

Lumo caminhou devagar, quase em pontas dos pés. A esfera de cheiro flutuava acima da palma da mão dele, como se estivesse ansiosa.

— Niri… passou por aqui — disse Lumo. — Muito medo.

Tomás agachou-se e viu marcas na terra. Não eram pegadas de sapatos nem de cães. Eram marcas pequenas, em forma de meia-lua, como se alguém tivesse saltado com pés redondos.

— Ele é pequeno? — perguntou Tomás.

— Niri é… compacto — disse Lumo, orgulhoso, como se isso fosse um título.

Um som veio de trás de um canteiro de abóboras: “tlim-tlim”, como colher a bater em vidro.

Tomás levantou o dedo.

— Ouviste?

Lumo assentiu e aproximou-se. Tomás seguiu, com o coração a fazer piruetas.

Atrás das folhas grandes, encontraram uma coisa… que não era bem um animal nem bem um robô. Era uma criatura do tamanho de um gato, com corpo prateado e macio, como metal polido, e olhos redondos que mudavam de cor.

Quando os viu, encolheu-se e soltou um clarão azul. O ar cheirou de repente a limão e a chuva.

— Niri! — exclamou Lumo.

A criatura soltou um som rapidinho, como uma frase em código, e tentou fugir entre as folhas.

Tomás estendeu as mãos, sem tocar.

— Ei, calma! Nós não vamos magoar-te.

Niri parou, mas não se virou. O corpo dele tremia.

Lumo deu um passo.

— Niri, eu aqui. Tomás é… amigo humano.

Niri virou a cabeça devagar. Os olhos mudaram de azul para um amarelo desconfiado.

— Humano… grande — disse Niri, com uma voz que parecia feita de campainhas.

— Eu sei — disse Tomás. — Sou grande, mas sou gentil. E estou a ajudar o Lumo a encontrar-te. Estás perdido?

Niri olhou para a horta, depois para o céu, e fez uma careta.

— Caí. Barulho. Pessoas. Um pássaro… tentou comer a minha antena.

Tomás mordeu o lábio para não rir.

— Pássaros fazem isso. Eles acham que tudo é comida. Uma vez um pombo tentou roubar o meu sanduíche.

Niri inclinou a cabeça.

— Sanduíche é… objeto sagrado?

— É sagrado para mim — disse Tomás, sério.

Lumo aproximou-se mais e estendeu um pequeno disco luminoso.

— Temos de voltar para a cápsula. Ela está ferida. Nós… consertar. Juntos.

Niri hesitou, depois deu um salto elegante para cima de uma caixa de madeira e observou Tomás, como se estivesse a medir a verdade nos olhos dele.

Tomás manteve-se quieto.

— Se quiseres, posso levar-vos por um caminho sem muita gente — disse ele. — E podemos usar a horta para… esconder coisas, se for preciso.

Niri cheirou o ar, literalmente. Depois, os olhos dele ficaram verdes, como sinal de decisão.

— Eu aceito… cooperação.

Lumo pareceu aliviado.

— Cooperação é… o melhor motor.

Tomás levantou uma sobrancelha.

— Melhor do que gasolina?

— Gasolina cheira mal — disse Lumo, com uma sinceridade tão séria que Tomás soltou uma gargalhada.

Niri piscou os olhos em lilás.

— Humor… detectado.

Tomás respirou fundo, feliz por ver que o medo estava a diminuir.

— Então vamos. Mas primeiro… conseguem esconder esse brilho? A horta é tranquila, mas o parque não é.

Niri tocou numa pequena placa no peito e o brilho ficou mais suave, como uma lanterna coberta por pano.

Modo discreto — disse ele.

Tomás fez sinal para o portão.

— Perfeito. Sigam-me, extraterrestres… ou duendes. Como preferirem.

Capítulo 4: A Corrida Discreta

Saíram da horta por um caminho estreito entre arbustos. Tomás ia à frente, a abrir passagem. Lumo seguia com passos leves. Niri deslocava-se em pequenos saltos silenciosos, como se a gravidade fosse uma sugestão.

No meio do caminho, ouviram vozes. Um grupo de adolescentes aproximava-se, a rir alto, com uma bola de futebol.

Tomás parou e sussurrou:

— Problema. Eles vão olhar.

Lumo abriu um bolso e tirou algo que parecia um lenço transparente.

— Eu tenho… dobrador de atenção.

— Isso soa perigoso — disse Tomás.

— Não é perigoso. Só… faz as pessoas pensarem noutra coisa. Como quando tu vês uma nuvem em forma de dragão e esqueces a matemática.

Tomás considerou.

— Ok. Eu aprovo.

Lumo abanou o “lenço” no ar. Um brilho suave espalhou-se, quase invisível.

Os adolescentes passaram e, de repente, começaram a discutir animadamente.

— Juro que vi um gato a usar óculos! — disse um.

— Gato com óculos? Isso não existe! — respondeu outro, mas já estava a olhar para os lados, à procura.

Tomás aproveitou e puxou os dois amigos para trás de um arbusto.

— Funciona mesmo — sussurrou.

Lumo encolheu os ombros.

— A mente humana é… saltitante.

Niri fez um som de aprovação.

Continuaram. O parque parecia diferente agora: cada árvore era um esconderijo, cada banco uma possível ameaça. Mas Tomás sentia-se estranhamente confiante. Ele não estava sozinho. E estava a fazer algo importante.

Quando chegaram ao lugar onde a cápsula tinha caído, Tomás viu-a de novo: amassada, com um lado enterrado na terra e os riscos azuis a piscar como um coração cansado.

Niri correu até ela e encostou a testa à superfície.

— Ela está triste — disse ele.

Tomás aproximou-se.

— Dá para consertar?

Lumo abriu mais bolsos do colete e tirou ferramentas que pareciam brinquedos: uma chave que emitia luz, um tubo que soprava ar quente, e uma fita que se colava sozinha.

— Consertar, sim — disse Lumo. — Mas precisamos… de energia. E silêncio.

Tomás olhou em volta. Havia pessoas, mas não muito perto. Mesmo assim, alguém podia aparecer.

— O silêncio eu consigo — disse Tomás. — A energia… talvez também. Aqui perto há uma cabine de manutenção do parque. O meu pai trabalha com eletricidade e já me ensinou algumas coisas. Não para mexer em tudo, mas para… não ser inútil.

Lumo sorriu.

— Tu és… muito útil.

Niri inclinou-se.

— Humano útil. Isso é raro?

Tomás fingiu pensar.

— Depende do dia.

Ele correu até à cabine, fingindo que procurava uma bola perdida. Encontrou uma tomada exterior escondida atrás de um arbusto — usada para luzes de eventos. Tirou do bolso um pequeno adaptador que tinha na mochila (o pai insistia que “uma mochila deve ter coisas úteis”).

Voltou e entregou.

— Não sei se isto serve, mas…

Lumo encaixou o adaptador numa entrada na cápsula com um “clac” perfeito.

— Serve. Tu és… improvável.

— Obrigado? — disse Tomás, rindo.

A cápsula começou a vibrar suavemente, e os riscos azuis ficaram mais firmes. Uma parte amassada endireitou-se devagar, como se estivesse a respirar.

Mas, então, um som agudo ecoou: um alarme pequeno, vindo da cápsula.

Niri recuou.

— Sistema de proteção. Ele pensa que há perigo.

Tomás engoliu em seco.

— Como é que o convencemos a não… entrar em pânico?

Lumo olhou para ele.

— Com voz calma. E… verdade.

Tomás aproximou-se da cápsula, como se falasse com um animal assustado.

— Olá… cápsula. Nós somos amigos. Estamos a ajudar. Ninguém quer roubar nada. Só queremos que o Lumo e o Niri voltem para casa em segurança.

O alarme hesitou, baixando de volume.

Niri juntou-se, tocando com cuidado na superfície.

— Nós cuidamos de ti. Tu cuidaste de nós.

O alarme apagou-se.

Tomás soltou o ar que nem sabia que estava a prender.

— Ufa.

Lumo inclinou a cabeça.

— Tu falas bem com máquinas.

Tomás olhou para a cápsula, contente.

— Talvez porque, às vezes, eu também me sinto como uma máquina barulhenta por dentro.

Lumo pousou uma mão leve no ombro dele.

— Então tu entendeste.

Capítulo 5: A Despedida e o Presente

A cápsula abriu uma fenda e uma rampa pequena desdobrou-se. Lá dentro, tudo era suave e brilhante, como o interior de uma concha luminosa. Havia assentos que pareciam feitos de nuvem sólida e painéis com símbolos que dançavam.

Niri entrou primeiro, olhando para trás.

— Tomás vem?

Tomás deu um passo, mas parou.

— Eu… não posso. Tenho de voltar para casa. A minha mãe vai achar que fui raptado por… duendes.

Lumo riu, um som que parecia vento numa garrafa.

— Nós não raptamos. Nós… convidamos.

Tomás sorriu, mas sentiu um aperto no peito. Era estranho despedir-se de alguém que tinha conhecido há tão pouco tempo e, ainda assim, já parecia importante.

— Posso fazer uma pergunta? — disse ele.

— Três — disse Niri, generoso.

Tomás riu.

— Vocês… têm medo dos humanos?

Lumo pensou um segundo.

— Nós temos medo… do que não entendemos. E nós não entendíamos. Agora… entendemos um pouco mais.

Niri acrescentou:

— Alguns humanos são barulhentos. Mas este humano… é claro.

Tomás corou.

— Obrigado. Eu também aprendi uma coisa: o desconhecido não precisa ser assustador. Pode… cheirar a manjericão e limão.

Lumo abriu um dos bolsos e tirou um objeto pequeno: uma semente prateada, do tamanho de uma ervilha, que brilhava com um brilho quente.

— Presente — disse ele. — Semente de luz. Planta na terra. Ela cresce… e lembra-te de olhar para cima.

Tomás segurou a semente. Era morna, como se tivesse um pequeno sol lá dentro.

— Eu vou plantar na horta — disse ele. — No potager perfumado. Assim… ela vai ter bons cheiros.

Niri inclinou-se.

— Boa escolha. Plantas gostam de histórias.

Lumo olhou para o parque lá fora, com um pouco de preocupação.

— As pessoas?

Tomás acenou com a cabeça.

— Eu vou distraí-las. Vocês partem quando o caminho estiver livre.

Ele apontou para o saxofonista ao longe.

— Vou pedir-lhe uma música bem alta. Ninguém presta atenção a nada quando há música.

Tomás correu até ao saxofonista e atirou uma moeda para a caixa.

— Pode tocar a mais animada que tiver? A sério, a mais barulhenta!

O senhor piscou o olho.

— Para já, rapaz!

E começou uma melodia tão saltitante que parecia que o parque inteiro estava a dançar sem querer.

Enquanto isso, atrás dos arbustos, a cápsula fez um som baixo, como um ronronar. Uma luz suave subiu, sem explosões nem sustos, como um balão a levantar voo.

Tomás viu de relance, e o coração dele deu um salto feliz.

Lumo e Niri acenaram pela abertura antes de esta se fechar. Tomás acenou de volta, com a música a empurrar a despedida para o céu.

A luz subiu, passou entre as folhas das árvores e desapareceu nas nuvens como se sempre tivesse pertencido ali.

Tomás ficou parado por um momento, com a semente prateada na mão.

— Adeus… — murmurou. — Ou… até já.

Capítulo 6: O Sonho que Continua

Nessa noite, Tomás foi para a cama mais cedo do que o normal, não por estar cansado, mas por estar cheio de um tipo de energia diferente, como se o mundo tivesse acrescentado uma cor nova.

No dia seguinte, ele plantaria a semente na horta. Mas agora, no escuro do quarto, ele segurou-a só mais um pouco, a sentir o calor.

Adormeceu.

No sonho, estava novamente no potager perfumado. As plantas pareciam mais altas e mais brilhantes. O manjericão sussurrava palavras pequenas. Os tomates tinham estrelas refletidas na pele.

No lugar onde ele tinha imaginado plantar a semente, já havia um rebento prateado a sair da terra, com duas folhas que brilhavam como luas fininhas.

De repente, a horta abriu-se como uma porta. Em vez do caminho de terra, havia um corredor de luz que se estendia para o céu.

Tomás ouviu a voz do Lumo, como se viesse dentro do vento:

— Tomás… olha para cima.

Ele olhou.

Lá em cima, entre as nuvens, havia pontos luminosos a piscar: um, dois, três… como um código de amizade.

Niri apareceu ao lado do rebento, pequenino, com os olhos a mudar de cor.

— Isto é só um sonho — disse Niri, mas sem parecer triste. — Sonhos são… lugares de ensaio.

Tomás riu.

— Então eu vou ensaiar ser corajoso.

Niri acenou.

— E ser aberto.

Tomás estendeu a mão. O rebento prateado cresceu um pouco mais, como se tivesse ouvido.

O corredor de luz tremeluziu, convidativo, e Tomás deu um passo em frente, sentindo o cheiro de limão, terra molhada e manjericão, todos juntos, como uma promessa.

E, enquanto caminhava, pensou que talvez o desconhecido fosse apenas um amigo que ainda não tinha sido encontrado.

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Teimosia
Quando alguém insiste em fazer algo e não desiste facilmente.
Cápsula
Pequeno objecto fechado, como uma caixa, que guarda ou protege coisas.
A pulsar
Que brilha ou bate várias vezes, como uma luz que se repete.
Colete prateado
Peça de roupa curta com cor prateada, usada sobre a camisa.
Mapa de cheiro
Objeto que mostra pistas pelo cheiro e ajuda a seguir um rasto.
Canteros
Pequenos espaços ou canteiros onde se plantam verduras e flores.
Estufa
Construção de vidro ou plástico onde se protegem plantas e faz calor.
Modo discreto
Forma de estar que tenta não chamar a atenção dos outros.
Dominó
Jogo com peças retangulares e pontos, onde se combinam números iguais.
Antena
Pequena peça que capta sinais ou ajuda a comunicar à distância.

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