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História de extraterrestre 11 a 12 anos Leitura 19 min.

As lanternas cósmicas e o mapa de poeira estelar

Um grupo de crianças e a professora encontram uma pequena criatura luminosa chamada Lume durante um passeio noturno com lanternas cósmicas e unem-se para procurar um mapa de poeira estelar perdido. Durante a busca, aprendem sobre humildade, respeito e a importância de ouvir antes de agir.

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Menino de 12 anos, rosto redondo e olhos grandes e brilhantes, expressão meiga, cabelo castanho despenteado, veste moletom azul e ténis vermelhos, segura uma lanterna esférica luminosa e se inclina para uma pequena poeira de estrelas; menina Inês, ~11 anos, cabelos trançados, sorriso calmo, ajoelhada junto a um canteiro de hortelã, guia a luz de sua lanterna com respeito; menino Duarte, ~12 anos, bem-humorado e atrapalhado, cabelo curto, encostado num banco com um telemóvel desligado, observando surpreso; professora Mila, 30–40 anos, vestido leve e cabelo curto, ajoelhada junto a um carvalho, postura protetora, olhar benevolente para as crianças e o alienígena; criatura extraterrestre “Lume”, do tamanho de uma lanterna, corpo de vidro azul-azulado com filamentos dourados ondulantes, flutua sobre um pequeno recipiente com poeira de estrelas, curiosa e amigável; jardim comunitário ao crepúsculo com relva, carvalho oco, canteiros, portão de ferro e postes distantes, chão úmido com gotas a cintilar; cena íntima e mágica em que todos ajudam Lume a recuperar um fio de poeira que sobe em um laço brilhante até o recipiente, atmosfera suave em tons pastel (azul, rosa, lavanda), composição em plano aproximado à altura das crianças, leve profundidade de campo, texturas suaves e contornos nítidos, estilo kawaii luminoso e render digital limpo e acolhedor. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — As lanternas cósmicas

O Tomás tinha onze anos e uma mochila onde cabia quase tudo: uma garrafa de água, um casaco fino e a convicção de que as coisas estranhas aconteciam sempre aos outros. Nessa noite, porém, a rua inteira parecia conspirar para o contrariar.

No largo da escola, a professora Mila distribuía lanternas que não eram bem lanternas. Eram esferas de vidro fosco, do tamanho de uma laranja, com um pequeno anel metálico. Quando alguém as segurava, acordavam por dentro com um brilho que lembrava auroras em miniatura.

— São lanternas cósmicas — anunciou a professora, como quem diz “bolachas de chocolate”. — Foram emprestadas pelo Observatório Municipal. Ajudam-nos a ver sem assustar os animais. E… — ela piscou o olho — dizem que também ajudam a ver o que normalmente se esconde.

O Duarte, que tinha a mania de ser o primeiro em tudo, abanou a sua lanterna como um sino.

— Se eu vir um alien, chamo-o para o meu canal! — disse, já a imaginar likes imaginários.

A Inês, mais prática, aproximou-se de Tomás.

— Trouxeste o mapa do percurso?

Tomás encolheu os ombros.

— Eu trouxe… entusiasmo.

— Isso não dá para dobrar nem para guardar no bolso — resmungou ela, mas sorriu.

Partiram em fila, com as lanternas a flutuarem ligeiramente acima das mãos, como se preferissem o ar ao chão. A luz não era branca nem amarela; era uma mistura de cores calmas, que deixava as sombras com ar de segredo e as árvores com ar de serem velhas amigas.

Tomás caminhava a meio do grupo. O céu ainda guardava um resto de crepúsculo, um roxo macio por cima dos telhados. O cheiro a jasmim escapava de jardins escondidos. E, por baixo de tudo, havia uma vibração leve, como se a cidade estivesse a ouvir música baixinho.

— Por favor, sem correrias — avisou a professora Mila. — A ideia é passear. Ouvir. Observar. E, acima de tudo, sermos humildes. O universo é grande. Nós… somos uma vírgula.

— Uma vírgula com ténis novos — murmurou o Tomás, para a Inês. Ela riu-se.

As lanternas balançavam, e o passeio noturno começou a parecer uma pequena procissão de planetas domésticos, a deslizar por ruas familiares rumo ao desconhecido.

Capítulo 2 — O jardim ao crepúsculo

O percurso terminava no jardim comunitário do bairro, um lugar que de dia era só um retângulo de relva com canteiros e um banco de madeira. Ao crepúsculo, com as lanternas cósmicas, transformava-se num palco.

O portão rangia como se contasse piadas antigas. Dentro, as folhas das árvores pareciam placas solares a beber a última luz do céu. Um gato preto atravessou o caminho com a dignidade de um guarda noturno e desapareceu atrás do compostor.

— Aqui vamos fazer uma pausa — disse a professora Mila. — Sentem-se, se quiserem. Ou fiquem de pé. Mas silenciosos por um minuto.

As crianças espalharam-se. O Duarte foi logo para a parte mais escura, à procura de “conteúdo”. A Inês ajoelhou junto de um canteiro de hortelã e cheirou uma folha.

Tomás ficou perto do banco, a lanterna pousada na palma como um coração luminoso. Tentou ser silencioso, mas o seu cérebro fazia barulho: Será que os alienígenas existem mesmo? E se forem verdes? E se forem… normais?

O minuto de silêncio esticou-se e, no fim, o jardim pareceu responder.

No canto mais afastado, junto a uma sebe alta, a terra tremeu — não como um terramoto, mas como alguém a espirrar por baixo. Um círculo de relva levantou-se devagar, como uma tampa.

Tomás engoliu em seco.

— Professora… — sussurrou ele.

A professora Mila aproximou-se, mas com calma, como quem vai ver um pássaro raro.

— Não toquem em nada. Observem.

Do buraco não saiu um monstro. Saiu uma coisa parecida com um guarda-chuva fechado, feito de metal escuro e folhas finas que se dobravam com precisão. Depois, abriu-se em pétalas e revelou um brilho azul, mais frio do que o das lanternas.

A Inês levantou-se, os olhos grandes.

— Isto é… uma máquina?

— É um… florescópio? — arriscou o Duarte, ainda a filmar com o telemóvel, que, claro, decidiu ficar sem bateria naquele momento. — Ah, sério?!

A coisa metálica fez um som como água a cair num copo. A lanterna do Tomás respondeu com um pulso de luz, como se cumprimentasse.

E, então, uma voz muito baixa, muito clara, saiu do ar, sem boca nem alto-falante.

— Boa noite, visitantes pequenos.

O Tomás sentiu o cabelo da nuca levantar-se. Mas não foi de medo. Foi como sentir a primeira nota de uma música que ainda não se conhece, mas que já dá vontade de ouvir até ao fim.

Capítulo 3 — O visitante do tamanho de uma lanterna

A voz repetiu, com uma paciência quase divertida:

— Boa noite.

O Duarte deixou cair o telemóvel morto na relva.

— Alô? — disse ele, como se estivesse a atender uma chamada.

A professora Mila colocou-se à frente do grupo, mas sem fazer barreira. Era mais um gesto de cuidado do que de defesa.

— Boa noite — respondeu ela, devagar. — Quem… quem está aí?

O brilho azul moveu-se, subindo, e algo pequeno flutuou para fora das “pétalas” metálicas. Tinha o tamanho aproximado de uma das lanternas cósmicas, mas não era redondo. Era como um pequeno cometa de vidro, com fios luminosos a dançarem dentro, como algas num aquário.

— Eu sou Lume — disse a voz. — Eu viajo com a minha semente-nave. Estou a… como dizem? A passear.

Tomás piscou os olhos.

— Tu… pareces uma lanterna.

— Obrigado — respondeu Lume, e a luz dele pareceu corar, ficando um pouco mais quente. — Vocês também. É por isso que eu vim. As vossas luzes falam uma linguagem parecida com a minha.

A Inês aproximou-se um passo, as mãos à frente, abertas.

— Nós não queremos fazer mal.

— Eu também não — disse Lume. — O meu povo prefere curiosidade a conquista. Conquista dá muito trabalho e pouca aprendizagem.

O Tomás deixou escapar uma risadinha, sem querer. Lume virou-se para ele, ou pelo menos a luz dele apontou na sua direção.

— Tu achas graça?

— Desculpa — disse Tomás, corando. — É só que… eu estava a pensar que alienígenas eram sempre… enormes. Ou assustadores. E tu és… fofo.

O Duarte soltou um “pff” indignado.

— Eu não disse fofo.

— Eu aceito “fofo” — afirmou Lume, como se fosse uma medalha. — E aceito “pequeno”. Ser pequeno ajuda a passar despercebido… até eu querer ser visto.

A professora Mila ajoelhou-se ao nível do brilho.

— Lume, estas lanternas que usamos… elas são do observatório. Não sabíamos que “falavam”.

— Tudo fala — respondeu Lume. — A questão é: quem ouve?

O jardim parecia mais silencioso ainda, como se até as folhas quisessem escutar.

— O que fazes aqui? — perguntou Tomás, antes que o Duarte inventasse uma teoria maluca.

Lume flutuou um pouco mais alto. As pétalas metálicas da semente-nave fecharam e abriram, como se respirassem.

— Eu perdi uma coisa importante — disse ele. — Um mapa de poeira estelar. Sem ele, posso voltar para casa… mas posso voltar pelo caminho errado. E há caminhos que passam por lugares demasiado frios. Ou demasiado vazios.

A Inês franziu a testa.

— E achas que está… no nosso jardim?

— Eu sinto o rasto aqui — disse Lume. — O vosso crepúsculo é um bom esconderijo. A luz ainda não é noite, mas já não é dia. É como uma porta entre salas.

Tomás olhou para a sua lanterna cósmica. Ela pulsou outra vez, como se dissesse: Vamos.

— Podemos ajudar — disse ele, e surpreendeu-se por dizer aquilo com tanta certeza. — Mas… como?

Lume pairou mais perto da lanterna do Tomás.

— Com humildade — respondeu. — E com olhos atentos. A poeira estelar não gosta de quem se acha dono do mundo.

O Duarte abriu a boca para dizer algo, provavelmente “eu sou o melhor detector”, mas a professora Mila levantou um dedo.

— Tomás tem razão. Vamos ajudar. Mas com calma, sem estragar o jardim, sem pisar as plantas. E sem… exibicionismos.

O Duarte engoliu o protesto.

— Tá bem. Mas se eu achar primeiro…

Lume fez um som de água outra vez.

— Se tu achares primeiro, nós celebramos juntos. Se tu achares por último, nós celebramos juntos. Eu gosto de “juntos”.

Tomás sentiu que aquela palavra, dita por uma luz vinda do espaço, tinha um peso especial. Como se pudesse ser guardada na mochila ao lado do entusiasmo.

Capítulo 4 — A caça à poeira estelar

Dividiram-se em pequenos pares. A professora Mila ficou a coordenar, apontando zonas do jardim como um maestro. As lanternas cósmicas, obedientes, baixavam a luz quando se aproximavam de flores, para não as ofuscar.

Tomás e Inês ficaram com a parte perto do banco e do velho carvalho. Lume flutuava com eles, silencioso, às vezes deixando cair pequenos pingos de luz que se apagavam antes de tocar no chão.

— Como é que a poeira estelar se parece? — perguntou Tomás.

— Como… pó? — respondeu Inês, mas sem gozo. — Só que… mais bonito?

Lume fez a luz dele ondular.

— A poeira estelar parece-se com aquilo que vocês desejam ver — explicou. — Para alguns, é como glitter. Para outros, como cinza. Para os humildes… é só poeira, mas com um brilho que lembra que tudo vem das estrelas.

Tomás parou um instante. O carvalho tinha um buraco no tronco, como uma pequena porta para um apartamento de esquilos. Ele apontou a lanterna para lá. A luz cósmica entrou e revelou… nada além de folhas secas e uma bolota antiga.

— Não aqui — disse ele.

— Não faz mal — respondeu Inês. — Continuamos.

Enquanto procuravam, ouviam ao longe as vozes dos outros.

— Encontrei uma minhoca alien! — gritou o Duarte.

— Duarte, isso é uma minhoca normal! — corrigiu a professora Mila.

— Normal para vocês! — insistiu ele, e alguém riu.

Tomás e Inês seguiram para junto do canteiro de hortelã. Ali o ar cheirava a pasta de dentes e a chá ao mesmo tempo. Tomás agachou-se e viu, entre duas pedras, uma coisa que não combinava: um pó finíssimo, que parecia prateado… mas também azul… e também cor de rosa, dependendo do ângulo.

— Inês… — disse ele, a voz quase a falhar. — Olha.

A Inês aproximou-se devagar, como se temesse que o brilho fugisse.

— É lindo — sussurrou.

Lume parou no ar, e a luz dele ficou mais intensa.

— É isso — disse. — O meu mapa.

Tomás estendeu a mão, mas parou a meio. Lembrou-se do que Lume dissera sobre “donos do mundo”. A poeira parecia tão delicada que um sopro podia levar metade para sempre.

— Como apanhamos sem estragar? — perguntou ele.

Lume abriu as pétalas da semente-nave. Lá dentro havia um recipiente transparente, como uma pequena bolha de sabão presa por um aro.

— Vocês podem guiar com as lanternas — explicou. — A poeira gosta de luz gentil. Ela vem sozinha… se a tratarmos com respeito.

Tomás e Inês levantaram as lanternas cósmicas e aproximaram-nas do brilho no chão, sem tocar. A poeira estelar mexeu-se, como se acordasse. Pequenos grãos levantaram-se e flutuaram, formando um fio brilhante que seguia a luz como um peixe segue migalhas.

— Uau… — disse Tomás, esquecendo-se por um segundo de respirar.

— Não digas “uau” muito alto — brincou Inês. — Vai assustar o pó.

— O pó não se assusta — disse Lume. — Mas gosta quando vocês são cuidadosos. Isso… é raro em muitos mundos.

O fio de poeira entrou na bolha transparente. Lá dentro, os grãos começaram a organizar-se, formando linhas e pontos, como constelações desenhadas por uma mão paciente.

— Conseguimos — disse Tomás, com um alívio que lhe amoleceu os ombros.

Nesse instante, ouviu-se um “AI!” do lado do Duarte.

— Eu tropecei numa mangueira! — queixou-se ele.

— Humildade, Duarte! — chamou a professora Mila, meio a rir. — Até as mangueiras ensinam.

Tomás olhou para o mapa agora seguro na bolha de Lume e sentiu uma pontada estranha: orgulho, sim, mas um orgulho tranquilo, sem fogos de artifício. Ele não tinha “ganho” nada. Tinha ajudado. E isso parecia mais leve, mais certo.

— Obrigado — disse Lume. — Vocês foram… como se diz… bons vizinhos do universo.

Tomás sorriu.

— Ainda bem que não fomos maus vizinhos. Tipo… barulho às três da manhã.

Lume soltou um som que podia ser uma gargalhada líquida.

— Eu já visitei um planeta assim. As estrelas lá estavam sempre cansadas.

Capítulo 5 — Uma tradução de luz

Com o mapa recuperado, o jardim pareceu respirar de alívio. As lanternas cósmicas reduziram o brilho, como se também estivessem satisfeitas.

A professora Mila reuniu o grupo junto ao carvalho. O Duarte vinha a esfregar o joelho, mas com ar de quem também queria participar da história, não só contá-la depois.

— Então, Lume — disse a professora — agora consegues voltar para casa?

— Sim — respondeu Lume. — Mas eu gostaria de deixar uma coisa. Um… agradecimento.

Ele aproximou-se do Tomás, e a bolha com o mapa girou, mostrando constelações que pareciam letras. Tomás inclinou a cabeça.

— Eu não percebo — confessou.

— Não é para perceber com a cabeça — disse Lume. — É para perceber com a forma como vocês tratam os outros.

A professora Mila assentiu, como se aquela frase fosse um bom resumo de muita coisa.

Lume abriu a semente-nave e tirou de lá um objeto pequeno: uma fita fina, transparente, que brilhava por dentro com as mesmas cores das lanternas. Parecia um pedaço de aurora dobrado.

— Isto é um tradutor de gentileza — explicou Lume. — Quando alguém falar com respeito, ele brilha. Quando alguém falar para se mostrar superior… ele apaga.

O Duarte ergueu a mão.

— E se alguém falar… meio meio? Tipo… “olha, eu sou incrível, mas obrigado”?

O tradutor de gentileza piscou, como se estivesse a pensar.

— Então ele faz um brilho engraçado — disse Lume. — Um brilho envergonhado.

As crianças riram. Até o Duarte.

Lume colocou a fita no pulso do Tomás, como uma pulseira leve. Ela não apertava, não incomodava. Só estava ali, como um lembrete silencioso.

Tomás olhou para o próprio pulso.

— Porquê eu?

Lume flutuou mais perto, a luz dele suave.

— Porque tu perguntaste “como” em vez de “quanto”. Porque esperaste antes de tocar. E porque riste sem crueldade. Isso mostra humildade. Humildade é uma tecnologia muito avançada.

A Inês cutucou o Tomás, com um sorriso.

— Vês? Afinal o teu entusiasmo serve para alguma coisa.

Tomás sentiu as bochechas aquecerem.

— Mas eu não fiz sozinho.

— Exato — disse Lume. — Por isso mesmo.

A professora Mila observava a cena com um olhar de quem está a guardar um segredo precioso para mais tarde, talvez para contar a outras turmas, talvez para nunca contar a ninguém.

— Lume — disse ela — e se quisermos comunicar contigo outra vez?

Lume apontou para as lanternas cósmicas.

— Continuem a passear à noite. Continuem a ser gentis. A luz encontra luz.

Nesse momento, um vento muito leve passou pelo jardim. O crepúsculo já tinha virado noite, mas uma noite macia, sem pressa. As folhas do carvalho mexeram-se como mãos a acenar.

A semente-nave fechou as pétalas com um clique delicado. Lume entrou, e o brilho azul ficou concentrado, pronto para partir.

— Adeus, visitantes pequenos — disse ele. — Obrigado por não tentarem ser grandes demais.

Tomás abriu a boca para responder, mas de repente sentiu uma gota na testa.

— Está a chover? — perguntou o Duarte, incrédulo, como se a chuva fosse uma teoria.

A professora Mila olhou para o céu.

— Uma chuva muito fina — disse ela. — Quase um sussurro.

As primeiras gotinhas eram tão pequenas que pareciam poeira de água. Tocavam nas lanternas e faziam a luz tremer, como se o universo estivesse a aplaudir baixinho.

Lume subiu, a semente-nave erguendo-se sem barulho, atravessando o ar do jardim como um peixe num lago invisível. E, enquanto partia, a chuva fina aumentava um pouco, sem se tornar tempestade, só uma cortina delicada que tornava tudo mais brilhante.

Tomás olhou para a pulseira no pulso. Ela brilhou, não por causa da chuva, mas porque ele disse, baixinho, só para si e para o jardim:

— Obrigado.

A luz respondeu com um brilho calmo. E o Tomás, com os ténis já a molharem, sentiu-se mesmo uma vírgula no universo — mas uma vírgula útil, no sítio certo da frase.

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Lanternas cósmicas
Lanternas especiais do conto que têm uma luz calma e parecem mágicas.
Crepúsculo
Período entre o dia e a noite, quando o céu está meio escuro.
Fosco
Que não é brilhante; sem brilho e sem reflexos fortes.
Auroras
Luzes coloridas no céu que parecem cortinas de cor, como nas histórias.
Procissão
Grupo de pessoas a andar junto, como numa marcha calma e ordenada.
Compostor
Lugar onde se põem restos de comida e plantas para virar terra boa.
Pétalas
Partes macias e coloridas das flores que rodeiam o centro.
Metálicas
Feitas de metal, duras e com aparência brilhante ou fria.
Semente-nave
Nave pequena do conto, como uma semente que viaja no espaço.
Poeira estelar
Poeira vinda das estrelas, brilhante e rara, importante na história.
Passar despercebido
Ficar sem ser notado pelos outros, sem ser visto.
Humildade
Atitude de não se achar melhor que os outros, ser simples.
Rasto
Marcas ou sinal que algo deixou ao passar por um lugar.
Vírgula
Sinal de escrita usado para separar ideias; aqui é uma pequena pausa.

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