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História de viagem no tempo 11 a 12 anos Leitura 21 min.

A estrela-âncora e a cidade das passarelas luminosas

Inês e Tomás descobrem uma máquina do tempo atrás da biblioteca que os leva à futurista Aurória, onde enfrentam um Prego-de-Tempo travesso e aprendem, entre regras e aventuras, a importância de pensar antes de mexer no tempo.

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Garota de 12 anos, cabelo castanho em rabo de cavalo, roupas práticas e coloridas, olhar concentrado e corajoso, segura um pequeno caderno aberto e um adesivo-estrela luminoso na palma, em frente a um poste velho e enferrujado; menino de ~11 anos com mochila grande, expressão surpresa e preocupada, recuado à direita apontando um cartaz de papel rasgado; pequena criatura luminosa em forma de vírgula, maliciosa, em néons rosa e amarelo, flutua perto do poste com sorriso travesso; cena numa rua lateral de Aurória com passarelas suspensas, fitas luminosas verdes e azuis, jardins flutuantes circulares e edifícios futuristas de formas suaves; o poste contrasta com tinta descascada, parafusos aparentes e um cartaz amarelado onde se lê parcialmente “GRANDE FEIRA”; atmosfera em cores saturadas, contornos espessos e sombras planas ao estilo pop art, brilhos neon e textura granulada no metal; ação principal: confronto calmo e curioso entre a garota determinada e a pequena criatura temporal enquanto o menino observa e o futuro luminoso de Aurória se desenrola ao redor. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O achado atrás da biblioteca

Inês tinha 11 anos e uma mania útil: reparar em tudo. Reparava nos parafusos soltos do corrimão, na sombra das nuvens a correr no chão e até no barulho diferente que as portas fazem quando alguém está nervoso.

Nesse fim de tarde, ela e o Tomás — vizinho, colega e dono de uma mochila sempre demasiado pesada — andavam atrás da biblioteca municipal. Era o lugar perfeito para “missões” pequenas: encontrar gatos escondidos, apanhar folhas com formas estranhas, imaginar mapas.

— Aposto que aqui dá para descobrir um túnel secreto — disse o Tomás, empurrando uns ramos.

— Aposto que aqui dá é para descobrir uma aranha do tamanho de um prato — respondeu Inês, a rir, mas com o olhar atento.

Foi então que ela viu uma coisa que não combinava com o resto do mundo: uma tampa metálica no chão, meio coberta de folhas, com um símbolo que parecia um relógio a derreter… mas desenhado de propósito, como num cartaz de ficção científica.

Inês ajoelhou-se e passou os dedos pela borda. O metal estava quente, como se tivesse apanhado sol, mas ali era sombra.

— Tomás. Ajuda-me aqui.

Os dois puxaram a tampa. Não era pesada como parecia. Abriu com um suspiro, como se o ar lá dentro estivesse à espera.

Lá em baixo, havia uma escadinha curta e uma porta redonda. No centro da porta, um botão verde e outro amarelo. Por baixo, uma frase escrita com letras simples:

“ANTES DE CARREGAR, PENSE.”

— Isso é… suspeitosamente educado — murmurou Tomás.

Inês sentiu um friozinho bom, daqueles que dão vontade de investigar.

— Regra número um — disse ela, como se estivesse a escrever num caderno invisível. — Nada de carregar sem entender.

— Regra número dois — acrescentou Tomás. — Se correr mal, eu digo “eu avisei”.

Inês riu. Depois apontou para a frase na porta.

“Pense”. Parece um aviso para… espírito crítico. Tipo: não faças coisas só porque parece brilhante.

— Eu adoro coisas brilhantes — confessou Tomás. — Mas pronto. Vamos pensar.

Inês aproximou o ouvido da porta. De dentro vinha um som baixinho, como um relógio muito distante, misturado com um zumbido.

Ela respirou fundo e, com a calma de quem não quer acordar um dragão (mesmo que não existam dragões ali), carregou primeiro no botão amarelo.

A porta abriu-se com um clique impecável.

Capítulo 2 — A máquina que fala com luz

A sala era pequena e redonda, com paredes cinzentas e limpas. No meio, estava uma cadeira com cintos e, à frente, um painel cheio de luzes. Não eram luzes normais: pareciam gotas de cor a flutuar no vidro.

Inês entrou devagar. Tomás veio logo atrás, a mochila a bater-lhe nas costas.

— Isto parece o interior de uma cápsula… — disse ele, com os olhos a brilhar como se tivessem lâmpadas próprias.

No painel, havia três coisas fáceis de entender:

1) Um mostrador com “AGORA”.

2) Um mostrador com “DEPOIS/ANTES”.

3) Um grande interruptor com a palavra “VIAJAR”.

E uma mensagem a piscar, como se a máquina tivesse paciência mas não infinita:

“SELECIONE UM TEMPO. CONFIRME. RESPEITE AS REGRAS.”

Inês procurou as regras. Num canto, estava uma placa com letras bem grandes, como as de uma sala de aula:

REGRAS TEMPORAIS:

— NÃO TOQUE NO “VOCÊ” DO PASSADO.

— NÃO LEVE OBJETOS VIVOS.

— NÃO TROQUE NOMES.

— SE VIR UM PARADOXO, NÃO O ALIMENTE.

Tomás apontou, confuso.

— Paradoxo… isso é tipo… quando uma coisa dá nó na lógica?

— Exato — disse Inês. — Quando uma ideia se morde a si própria. Tipo: “voltei ao passado para impedir que eu nascesse”. Se eu impedir, não volto. Se não volto, não impeço. Nó.

Tomás fez uma cara séria.

— Então… o paradoxo é como um hamster a correr numa roda?

— Sim, mas um hamster malandro — respondeu Inês.

Ela olhou para o mostrador “DEPOIS/ANTES”. Havia setas para cima e para baixo. E, ao lado, uma linha que dizia:

“CIDADE: AURÓRIA — ANO 2189 (RECOMENDADO)”

— Recomendado? — Tomás arregalou os olhos. — A máquina recomenda destinos?

— Ou alguém programou isto — disse Inês. — O que significa que alguém esperava que alguém viesse.

Ela sentiu uma pontinha de medo… mas era um medo pequeno, do tamanho de uma pergunta. E perguntas, para Inês, eram portas.

Pegou no cinto da cadeira.

— Sentamo-nos e confirmamos tudo. Sem pressas.

No painel, a mensagem mudou:

“CONFIRMAR? SIM/NÃO”

Inês leu as regras outra vez. Tomás repetiu em voz baixa, como se estivesse a decorar para um teste.

— Não tocar no eu do passado. Não levar seres vivos. Não trocar nomes. Não alimentar paradoxos.

Inês pensou em voz alta:

— Nós somos seres vivos.

Tomás ficou pálido.

— Ah. Pois somos.

No canto do painel, apareceu outra nota, como se a máquina fosse uma professora paciente:

“EXCEÇÃO: PASSAGEIROS AUTORIZADOS.”

— Ah! — Tomás voltou a respirar. — Ufa. A máquina gosta de nós.

— Não. A máquina não “gosta”. A máquina… permite. E nós temos de merecer. Com cuidado.

Inês carregou em “SIM”.

A cadeira apertou os cintos sozinha, gentil mas firme. As luzes começaram a girar no painel, e o zumbido virou música de máquina, como uma canção feita de engrenagens.

— Se eu vomitar no tempo, isso conta como paradoxo? — perguntou Tomás.

— Só conta como falta de dignidade — disse Inês, a rir.

Ela puxou do bolso um mini caderno — o seu “Diário de Bordo” — e escreveu, mesmo com a cadeira a tremer:

“Nota 1: A curiosidade é boa. Mas a curiosidade com regras é melhor.”

E então, Inês puxou o interruptor: “VIAJAR”.

Capítulo 3 — Aurória, a cidade das passarelas luminosas

Não foi como cair. Nem como subir. Foi como piscar os olhos e, durante o piscar, sentir o mundo a mudar de roupa.

Quando a cadeira parou, as luzes ficaram quietas. A porta abriu-se.

Inês e Tomás saíram… e ficaram parados, de boca aberta.

À frente deles havia uma cidade que parecia desenhada com linhas de luz. Passarelas elevadas cruzavam o ar como fitas brilhantes, verdes, azuis e douradas. Pessoas andavam por cima delas, e as passarelas acendiam debaixo dos pés, como se reconhecessem cada passo.

No chão, jardins redondos flutuavam a um palmo do solo, com plantas que mexiam as folhas devagar, como se estivessem a respirar em grupo. E os edifícios eram altos, mas suaves, sem cantos agressivos: pareciam conchas e pedras polidas.

— Estamos mesmo… — começou Tomás.

— No futuro — terminou Inês, com um sorriso pequeno, para não deixar o espanto fugir.

Um painel na parede da saída mostrou:

“AURÓRIA — 2189”

“BEM-VINDOS, VISITANTES AUTORIZADOS.”

— Eu queria dizer que isto é tipo… um centro comercial, mas com poesia — disse Tomás.

Inês apontou para uma passarela que brilhava mais do que as outras. O brilho formava setas.

— Parece que a cidade nos está a guiar.

Eles caminharam. Assim que puseram o pé na passarela, ela acendeu-se num tom quente, como sol de fim de tarde. O ar cheirava a chuva limpa.

— Diário de Bordo — murmurou Inês, abrindo o caderno. — “Nota 2: O futuro pode ser bonito. Mas bonito não significa seguro.”

Tomás olhou para baixo, para o espaço entre as passarelas.

— Eu sabia que a minha mãe não ia deixar.

— A tua mãe tem bom senso — disse Inês. — E nós temos… — ela procurou a palavra — …equilíbrio.

Mais à frente, um quiosque transparente apareceu do nada… ou, pelo menos, pareceu. Uma esfera de luz flutuava por cima dele e escreveu no ar:

“INFORMAÇÃO. PERGUNTE.”

Tomás aproximou-se com respeito, como quem fala com um animal desconhecido.

— Hum… Olá. Onde estamos, exatamente?

A esfera respondeu com letras claras:

“VOCÊS ESTÃO EM AURÓRIA. CIDADE DE PASSARELAS LUMINOSAS. MOBILIDADE SEM RUÍDO. ENERGIA LIMPA.

Inês foi direta:

— Por que é que a máquina nos trouxe para cá?

A esfera demorou um segundo a responder, como se estivesse a escolher palavras.

“PARA OBSERVAR. PARA APRENDER. PARA NÃO MEXER.”

Tomás riu-se.

“Para não mexer” é a minha frase favorita agora.

Inês inclinou a cabeça.

— E se alguém mexer?

As letras ficaram mais pequenas, como se a esfera falasse baixo:

“PARADOXOS TÊM FOME.”

Inês sentiu um arrepio, mas não de medo: de atenção.

— Nós não vamos alimentar nada — prometeu.

E então, ao lado do quiosque, surgiu um aviso a piscar:

“ANOMALIA DETECTADA: OBJETO FORA DO TEMPO.”

Tomás apontou para uma rua lateral. Lá, entre dois jardins flutuantes, havia algo muito estranho: um poste antigo, enferrujado, com um cartaz de papel meio rasgado… papel! No meio daquele futuro brilhante, aquilo parecia um pedaço do passado perdido.

Inês apertou o caderno na mão.

— Isso não pertence aqui.

— E o aviso disse “fora do tempo” — sussurrou Tomás. — É… o tal paradoxo com fome?

Inês respirou fundo.

— Vamos ver. Mas com os olhos. Não com as mãos.

Capítulo 4 — O paradoxo malicioso e o cartaz teimoso

A rua lateral era mais escura, como se a luz das passarelas não quisesse entrar ali. O ar também parecia diferente, mais pesado, como antes de uma trovoada.

O poste enferrujado estava preso a uma base que não combinava com o chão liso de Aurória. E o cartaz tinha letras antigas:

“GRANDE FEIRA DE CIÊNCIAS — HOJE!”

“Hoje”… de quando? — murmurou Tomás.

Inês aproximou-se o suficiente para ler sem tocar. O papel tremia, como se estivesse nervoso.

No canto inferior do cartaz havia uma assinatura: “Clube Jovem de Inventores — Escola Básica de São Martinho”.

Inês engoliu em seco.

— Essa é… a nossa escola.

Tomás abriu a mochila sem perceber e depois fechou logo, como se a mochila também pudesse meter-se em problemas.

— Mas isto está no futuro. Como é que um cartaz da nossa escola…

A resposta veio com um som: um “plim” de risada, quase.

Uma pequena coisa saltou de trás do poste. Não era um animal. Era como uma dobragem do ar, uma mancha luminosa com olhos desenhados de luz. Parecia uma vírgula viva, com vontade de fazer traquinices.

— Olá, visitantes! — disse a coisa, com uma voz fina e rápida. — Eu sou o Prego-de-Tempo!

Tomás piscou.

— Prego… de tempo?

— Sim! — a vírgula fez uma pirueta. — Eu prendo coisas em sítios errados! É tão divertido!

Inês cruzou os braços, tentando parecer mais alta.

— Não é divertido. É perigoso. Estás a misturar épocas.

O Prego-de-Tempo fez uma cara ofendida… mas a cara era só luz, então parecia mais cómica do que assustadora.

— Perigoso? Só um bocadinho. As pessoas gostam de surpresas!

— As pessoas gostam de surpresas quando não partem a realidade — disse Inês.

Tomás apontou para o cartaz.

— Como é que isso veio parar aqui?

— Roubei! — disse o Prego, feliz. — Eu adoro coisas com a palavra “hoje”. “Hoje” é um petisco! Porque “hoje” muda sempre!

Inês sentiu a cabeça a funcionar depressa, como uma bicicleta a descer.

— Escuta. Se levas coisas do nosso tempo para o futuro, alguém pode vê-las, copiar ideias, mudar decisões. E depois… o nosso “hoje” pode deixar de existir como era.

O Prego-de-Tempo inclinou-se.

— Oh. Isso soa… sério.

— É sério — confirmou Inês. — E eu não acredito em ti só porque falas bonito. Quero provas. Quero entender.

O Prego riu, um riso de “plim-plim”.

— Espírito crítico! Gosto disso. Mas eu também gosto de confusão.

Tomás deu um passo à frente.

— Então faz um teste. Devolve o cartaz. Se não acontecer nada mau, ótimo. Se acontecer… tu paras.

O Prego-de-Tempo coçou a cabeça inexistente.

— Hummm. Testes. Eu não gosto de testes.

— Ninguém gosta — disse Tomás. — Mas ajudam a não estragar tudo.

Inês apontou para as regras que tinha na cabeça.

— Regra: não alimentar paradoxos. Tu és um paradoxo com pernas de luz. Se te alimentas de “hoje”, ficas mais forte e fazes mais confusão. Se pararmos agora, resolves-se.

O Prego aproximou-se do cartaz e abraçou-o como se fosse uma almofada.

— Mas é tão… crocante.

Inês teve uma ideia simples e concreta, como uma chave.

— Troca.

— Troca? — repetiu o Prego, desconfiado.

— Sim. Tu queres “hoje”. Mas o “hoje” daqui é 2189. Tens muitas coisas com “hoje” no futuro. Deixa o nosso cartaz em paz e vai brincar com… um “hoje” que já é teu.

Tomás sorriu.

— Boa. Assim não roubas fora do tempo.

O Prego-de-Tempo ficou quieto. As luzes nos olhos tremeram.

— Isso… é lógico. Que irritante.

— Obrigada — disse Inês. — A lógica é suposto irritar a confusão.

O Prego suspirou e, com um estalido, o cartaz descolou-se do poste e dobrou-se no ar, como se fosse uma folha guiada por vento inteligente.

— Está bem. Eu devolvo. Mas… — ele olhou para Inês — se eu te der uma lembrança, prometes não usar para mexer no tempo?

Inês hesitou. Espírito crítico outra vez.

— Depende da lembrança.

O Prego abriu a “mão” de luz e mostrou algo minúsculo: uma estrela adesiva, daquelas de caderno. Só que esta brilhava de verdade, como um pedacinho de noite.

— Isto é uma Estrela-Âncora — disse ele. — Não muda nada. Só marca que tu lembraste. Uma memória colada.

Tomás abriu a boca.

— Uma estrela que brilha… e cola?

— Cola no teu diário — disse o Prego. — Para te lembrares: o tempo não é um brinquedo. Mas pode ser um professor.

Inês estendeu a mão… e parou a meio.

— Não podemos levar objetos vivos. Isto não é vivo, certo?

— Sou só luz organizada — garantiu a estrela, com uma voz ainda mais pequenina, como um segredo.

Inês decidiu.

— Aceito. Mas só se devolveres o cartaz e parares de prender coisas erradas.

O Prego-de-Tempo levantou as “mãos”.

— Feito.

E, com um “plim” final, o poste enferrujado começou a desfazer-se em poeira de luz, como se a cidade o estivesse a engolir de volta para arrumar a casa.

O ar ficou leve outra vez.

Inês escreveu no Diário de Bordo, rápido:

“Nota 3: A melhor forma de vencer uma traquinice é fazer perguntas e propor uma solução que não humilhe ninguém.”

Capítulo 5 — A corrida pelas passarelas e a regra do regresso

A esfera de informação reapareceu na esquina, como se estivesse a vigiar de longe.

“ANOMALIA RESOLVIDA. JANELA DE REGRESSO: 12 MINUTOS.”

Tomás empalideceu.

— Janela? Tipo… fecha?

Inês guardou a estrela no bolso do caderno, com cuidado, como quem guarda uma promessa.

— Fecha. E nós não queremos ficar presos em 2189 a pedir boleia a passarelas.

Eles correram. As passarelas acendiam-se à frente, como se fossem tapetes luminosos a dar incentivos.

— Eu nunca corri tanto por causa da ciência! — ofegou Tomás.

— Eu corro por causa da lógica! — respondeu Inês. — E da possibilidade de jantar.

Passaram por um grupo de pessoas com roupas brilhantes e mochilas fininhas. Uma menina do futuro acenou, curiosa. Inês acenou de volta, mas não parou. Regra: observar, não mexer.

O caminho parecia mais longo na volta, como acontece quando estamos com pressa. O painel de saída apareceu finalmente, e a porta redonda estava aberta, à espera.

Antes de entrar, Inês olhou para trás. A cidade de Aurória cintilava, enorme e tranquila, como se dissesse: “Voltem quando souberem respeitar.”

— Adeus, futuro — murmurou Tomás. — Tens bom estilo.

Inês entrou na cápsula e sentou-se. Tomás ao lado.

No painel, a máquina mostrou:

“REGRESSAR AO AGORA? CONFIRMAR.”

Inês não carregou logo. Olhou para Tomás.

— O que aprendeste?

Tomás pensou, a sério.

— Que nem tudo o que é divertido é boa ideia. E que “hoje” é… frágil.

Inês assentiu.

— Eu aprendi que perguntar “porquê” é como acender uma lanterna. E que as regras não são para estragar a aventura. São para a aventura não nos estragar.

Ela carregou em “CONFIRMAR”.

O zumbido voltou, a canção das engrenagens. As luzes giraram. Inês fechou os olhos e sentiu o mundo a trocar de roupa outra vez.

Capítulo 6 — O presente, o diário e a estrela colada

A porta abriu-se com o mesmo suspiro de antes. O ar cheirava a folhas e a pó da biblioteca. O sol estava mais baixo, mas ainda era o mesmo fim de tarde — como se o tempo tivesse respeitado o seu próprio acordo.

Inês e Tomás subiram a escadinha e fecharam a tampa metálica. As folhas voltaram a cair por cima, como se nada tivesse acontecido.

Tomás olhou para o relógio do pulso.

— Não passou quase nada.

— O tempo é… elástico, mas não é uma fita para puxar à toa — disse Inês.

Eles caminharam até ao banco de jardim ao lado da biblioteca. Inês abriu o Diário de Bordo, as mãos ainda a tremer um pouco, mas de alegria.

Escreveu:

“Nota 4: Vi uma cidade com passarelas luminosas. Conheci um Prego-de-Tempo que adora confusão. Resolvi um problema com perguntas e lógica. O futuro é possível. O presente é valioso.”

Tomás espreitou por cima do ombro.

— E a estrela?

Inês tirou a Estrela-Âncora do bolso. Ela brilhava discreta, como se soubesse que não precisava de gritar para ser especial.

Inês pegou nela e, com cuidado, colou-a na última página do diário. A estrela ficou fixa, brilhando como um ponto de coragem.

Tomás sorriu, aliviado.

— Então… amanhã, a feira de ciências da escola?

Inês fechou o diário.

— Amanhã. E desta vez, em vez de viajar no tempo… vamos construir uma coisa que ajude a pensar melhor. Uma máquina de perguntas.

— Isso existe?

— Vai existir — disse Inês. — Porque o futuro começa com o que fazemos hoje.

A estrela brilhou uma última vez, como se concordasse, e o presente pareceu, de repente, um lugar cheio de possibilidades.

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Corrimão
Barra ao lado de escadas ou rampas para as pessoas apoiarem as mãos e não cair.
Parafusos
Pequenas peças de metal que prendem coisas juntas, apertadas com chave ou chave de fenda.
Tampa metálica
Peça de metal que fecha um buraco no chão ou num recipiente para proteger o que há lá dentro.
Escadinha
Pequena escada com poucos degraus, usada para descer ou subir espaços curtos.
Paradoxo
Situação em que duas ideias se contradizem e não conseguem acontecer ao mesmo tempo.
Anomalia
Algo que aparece fora do normal, diferente do que devia existir naquele lugar.
Cápsula
Pequena sala ou veículo fechado onde alguém pode entrar para viajar ou proteger-se.
Painel
Parte com botões, mostradores e luzes que controla uma máquina ou aparelho.
Interruptor
Pequeno botão ou alavanca que liga ou desliga uma máquina ou luz.
Zumbido
Som contínuo e baixo, como de máquina ou inseto, que se repete sem parar.
Engrenagens
Rodas dentadas que se encaixam e fazem máquinas moverem-se juntas.
Passarelas
Caminhos elevados ou estreitos por onde as pessoas andam acima do chão.
ENERGIA LIMPA
Energia que não polui o ar nem a água, vinda do vento ou do sol.
Estrela-Âncora
Pequeno objeto que marca uma lembrança, usado para lembrar sem mudar o tempo.

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