Parte 1 — A ideia do jogo
No pátio da escola, o vento fazia “shhh” nas folhas. As abóboras tinham sorrisos de luz. Quatro meninas de 3 anos estavam lá. Eram a Lara, a Bia, a Nina e a Ju. Usavam capas leves e chapéus macios. Tudo brilhava um pouquinho.
Lara olhou para as amigas. O coração dela batia rápido, mas era um bater feliz. Ela queria começar um jogo. Um jogo de Halloween. Um jogo doce, com risos.
“Eu tenho uma ideia!”, disse Lara, com voz pequena e firme. “Vamos brincar do Jogo das Sombras Doces!”
Bia bateu palmas. “Que jogo é esse?”, perguntou.
“É simples”, disse Lara. “Quando a luz piscar, a gente faz ‘bú' bem baixinho. Bem de brincadeira. Depois a gente dá risada.”
Nina sorriu. “E quando a sombra passar?”
“Então a gente faz um passo de bruxa”, respondeu Lara, mostrando um passinho engraçado. O chapéu dela caiu um pouco para o lado. Todas riram.
Ju ergueu a lanterna de papel. “Eu ajudo a luz piscar”, disse. “Eu consigo!”
As quatro ficaram perto. Era Halloween. Era um pouquinho misterioso, mas era gostoso. Cheirava a abóbora assada e a folhas secas.
Parte 2 — Luzes, sombras e risos
Ju balançou a lanterna. A luz fez tum-tum, piscou devagar. As meninas sussurraram “bú” bem baixinho. Depois riram. Riram com vontade. O riso era quentinho.
Uma sombra dançou no muro. “Passo de bruxa!”, disse Lara. As quatro deram um passo, depois outro. “Um, dois, três, vassoura!” O passo era fofinho, sem barulho.
Um lençol branco balançou numa corda. Nina arregalou os olhos por um segundo. “É um fantasma?”, perguntou.
Bia segurou a mão de Nina. “É só um pano”, disse. “Ele gosta de dançar.”
Lara tocou o pano. Era macio. “É um fantasminha de brincadeira”, disse. “Ele pode jogar com a gente.”
Elas fizeram um círculo de folhas. Era o campo do jogo. O vento dizia “shhh”. Um sapo de plástico olhava tudo. Ele não pulava. Ele só ria por dentro.
“Vou começar”, disse Lara. “Eu lanço o jogo.” Ela respirou fundo. As amigas chegaram mais perto. “No três. Um. Dois. Três… já!”
A lanterna piscou. “Bú”, sussurraram. Risos pequeninos. A sombra passou. Passo de bruxa. Outro “bú”. Mais risos. A cada piscada, um abraço de som. A cada sombra, um passinho tonto e feliz.
Ju tropeçou na capa. “Ops!”, disse. Bia segurou Ju. “Tudo bem”, disse Bia. “Eu ajudo.”
Nina ajeitou o chapéu de Lara. “Assim fica certinho”, disse. Lara sorriu. “Obrigada.” Era bom brincar juntas. Era melhor ainda ajudar.
Parte 3 — A canção suave
O céu ficou mais escuro. As estrelas vieram chegando, uma a uma. A lanterna brilhava quente e calma. As meninas sentaram no círculo de folhas. O coração batia devagar. A noite estava macia.
“Agora uma canção”, disse Lara. “Uma canção de Halloween docinho.” As quatro respiraram. A voz saiu baixinha, como um cobertor.
“Luz que pisca, sombra que vem,
bú de mentira, tudo está bem.
Passo de bruxa, pé no chão,
mão na mão, coração no chão.
Luz que pisca, sombra que vai,
risos macios, vento que cai.
Doces abraços, pé de algodão,
noite tranquila, paz na canção.
Dorme, risada, dorme também,
noite é amiga, tudo está bem.”
As meninas bocejaram. O vento fez “shhh” de novo. A abóbora sorriu. O sapo de plástico ficou de guarda. As quatro amigas se olharam. “Amanhã tem mais jogo?”, sussurrou Nina.
“Tem sim”, disse Lara, feliz. “Juntas.” E ficaram ali, quietinhas, com o coração quentinho, como uma luz que nunca apaga.