Parte 1
O Tomás tinha 4 anos. Era noite de Halloween. A rua brilhava com abóboras laranja e luzinhas a piscar. O Tomás vestiu um fato de fantasma, mas era um fantasma sorridente, com um laço azul.
A mamã acompanhou-o. Andavam devagar, de mão dada. O Tomás olhou para a lua e fez “uuuu”, bem baixinho. A mamã riu.
“Que fantasma tão fofinho”, disse ela.
“Sou um fantasma valente… mas pequenino”, disse o Tomás.
O Tomás tinha um plano secreto. Queria agradecer à mamã por o acompanhar. Ela segurava sempre a mão dele, mesmo quando ele ficava com frio ou com cócegas na barriga.
Parte 2
Foram à primeira porta. Havia uma teia de aranha de papel. O Tomás fez olhos grandes.
“É de mentira”, disse a mamã. “Olha, é só papel.”
“Ah… ufa”, disse o Tomás, e riu-se.
Ele tocou à campainha. “Doces ou travessuras!”
A senhora deu um rebuçado e disse: “Olá, fantasma!”
O Tomás respondeu: “Olá!” e fez uma vénia. A mamã aplaudiu com as mãos bem devagar, para não fazer barulho.
Na segunda porta, um gato preto de peluche estava na janela. O Tomás cochichou:
“Ele olha para mim.”
A mamã cochichou também: “Está a olhar porque gosta do teu laço azul.”
O Tomás sorriu. “Então eu gosto dele também.”
Na terceira porta, uma abóbora tinha uma boca muito grande. O Tomás fez “oh!” e depois soltou uma gargalhada.
“Parece que está a comer sopa!”, disse ele.
A mamã disse: “Sopa de risos!”
O saco do Tomás ficou mais pesado. Ele sentiu-se importante. Mas lembrava-se do seu plano. Precisava de um momento especial.
Mais à frente, viram uma lanterninha no chão. Piscava, piscava, e depois parou.
“Está cansada”, disse o Tomás.
A mamã pegou nela e ajeitou a pilha. A luz voltou.
“Obrigada”, disse o Tomás à lanterninha, muito sério. Depois olhou para a mamã e pensou: agora.
Parte 3
O Tomás parou junto de um portão com fitas roxas. Tirou do bolso uma coisinha embrulhada num guardanapo: um desenho. Tinha um fantasma e uma mamã com um coração grande.
Ele entregou.
“Mamã… obrigado por vires comigo. Eu gosto quando me acompanhas. A tua mão é quentinha.”
A mamã agachou-se e deu-lhe um abraço apertado e macio.
“Eu adoro acompanhar-te, Tomás. Obrigada pelo desenho.”
O Tomás sentiu um arrepio doce, como quando se bebe leite morno. Voltaram para casa, tranquilos. Em casa, puseram os doces numa tigela e beberam chocolate quente.
Antes de dormir, o Tomás disse: “Boa noite, Halloween.”
E a mamã respondeu: “Boa noite, meu fantasma sorridente.”
O quarto ficou calmo, com uma luz pequenina a brilhar, e o Tomás adormeceu a sorrir.