No bairro colorido, a pequena Lili acordou muito animada. Hoje era o dia das abóboras sorridentes e dos chapéus engraçados: era o dia do Halloween! Lili tinha três anos e adorava se fantasiar. Ela olhou para sua fantasia de bruxinha, com um chapéu que caía sobre um olho, e uma capa que fazia cosquinha nas pernas.
“Mamã, hoje vou ouvir a campainha da torre da igreja! Vou ser muito corajosa!”, disse Lili, dando pulinhos.
A mamã sorriu. “Claro, Lili! Eu vou contigo. Mas primeiro, vamos buscar o balde para os doces!”
Lili pegou o balde laranja com o desenho de um fantasma que bocejava. A rua estava cheia de crianças fantasiadas: uns eram gatos pretos, outros eram abóboras, havia até uma fada com asas de papelão. Todos pareciam felizes e um pouco misteriosos.
Enquanto caminhavam, Lili viu o vizinho Hugo, vestido de múmia, mas com o gorro do avô em cima das faixas. “Olá, Hugo! Vai também ouvir a campainha?”
Hugo respondeu: “Sim! Dizem que hoje a campainha canta uma música especial!”
Lili riu. “Campainha não canta, campainha toca!” Mas ficou curiosa: será mesmo que a campainha tem uma canção de Halloween?
Chegando à praça, todos olharam para a torre alta. Era lá no alto que morava a campainha. O vento fazia as folhas rodopiarem, como se dançassem para Lili.
De repente, uma brisinha gelada passou, e Lili apertou a mão da mamã. “Estou aqui, meu amor”, disse a mamã, suave como o cobertor preferido de Lili. Ela sentiu-se segura.
As crianças ficaram em silêncio. O relógio da igreja estava quase marcando oito badaladas. Lili sentiu o coração bater forte, mas também sentiu cócegas nos pés de tanta vontade de ouvir a campainha.
Tlim-tlom! Tocou a campainha. Uma, duas, três… O som era doce, como campainha de sorveteiro. De cada vez que tocava, uma criança sorria. Lili olhou para cima e acenou: “Obrigada, campainha! Toca de novo, por favor!”
A campainha respondeu com um tilintar extra, só para Lili. Todos aplaudiram. Até os adultos riram, porque naquele momento a noite parecia quente, mesmo sendo de Halloween.
No regresso a casa, Lili dividiu seus doces com Hugo e com uma menina que veio de outro bairro. “Na noite de Halloween todos somos amigos, não somos, mamã?” A mamã assentiu e abraçou Lili, que bocejou contente.
Já na cama, Lili fechou os olhos e pensou: que noite boa, cheia de sons doces, risos e amigos diferentes. E, mesmo em noites misteriosas, tudo estava bem, seguro e feliz.