A noite de Halloween chegou devagar. O céu estava morno e cheio de estrelas pequenas. Sofia e Miguel seguravam as mãos. Têm três anos. Ou quase. Eles iam brincar com lanternas e doces.
Miguel usava uma capa de morcego. Sofia tinha um chapéu de bruxa com estrelinhas. Miguel olhou para o caminho com folhas que faziam "cris". Seus olhos ficaram um pouco grandes. "E se houver um monstro?" perguntou ele baixinho.
Sofia sorriu. Ela ouviu o vento como um sussurro. "Os monstros gostam de festa", disse ela. "E de biscoitos. Vem comigo." Miguel apertou a mão dela. Ele estava um pouco inquieto. Sofia pensou em uma ideia.
Eles encontraram o amigo Tomás, que usava um fantasma de lençol com dois buracos para os olhos. Tomás flutuava devagar e cantava uma música engraçada. "Boo, boo!" ele disse, fingindo medo. Sofia riu. Miguel riu também. O riso fez o frio fugir.
No caminho, uma lâmpada de papel balançava com brisa. Tinha uma carinha sorridente desenhada. "Olha," falou Sofia. "Ela sorri para nós." Miguel sorriu de volta. O sorriso da lâmpada era como um abraço de luz.
Eles chegaram a uma árvore que fazia sombras engraçadas. As sombras pareciam bailarinas e coelhinhos. "São só sombras," explicou Tomás. "Brincam com a luz." Sofia pegou uma folha e fez uma sombra de gato na calçada. Miguel ficou fascinado. Ele tocou a sombra. A sombra não doeu. A sombra só se mexeu e riu com eles.
Mais adiante, uma porta se abriu devagar. Saiu um gato de pelúcia vivo. Era a gata Clarinha, da vizinha, com uma mini capa igual à de Miguel. "Miau!" disse Clarinha, e pulou no colo de Miguel. Ele sorriu tanto que esqueceu o medo. "Ela é amiga," disse Sofia. "Até os gatos de pelúcia fazem festa."
Eles bateram nas portas e falaram com vozes doces. "Doces ou travessuras?" perguntavam. As pessoas davam biscoitos e bolachinhas. Um senhor entregou um saquinho com estrelinhas de açúcar. "Para os corajosos," disse ele com um piscadinha. Miguel sentiu seu peito quentinho. Coragem é como uma manta.
No parque, encontraram uma casa com luzes que mudavam de cor. Azul, roxo, amarelo. Havia um coro de crianças pequenas cantando uma canção de Halloween que parecia uma ninar. As vozes eram suaves. Sofia pegou a mão de Miguel e rodaram. Rodaram e riram. O mundo ficou redondo e brilhante.
Quando a lua apareceu inteira, Miguel parou e olhou para o céu. "Ainda sinto um friozinho," disse ele. Sofia pegou um biscoito e quebrou em dois. "Para dividir," explicou. Eles mastigaram devagar. O biscoito era crocante e doce. O friozinho foi embora, como se o biscoito fosse um cobertor.
Voltaram para casa com sacos cheios de doces e risadas. A luz da rua os acompanhou como uma amiga. Sofia colocou a capa de Miguel nas suas costas também, para que ele se sentisse grande e protegido. "Obrigada", sussurrou Miguel. "Obrigada por cuidar de mim."
Antes de dormir, Miguel abraçou a capa de morcego e contou as estrelas na janela. Sofia ficou ao lado, olhando. "A noite gosta da gente," disse ela. Miguel bocejou. Eles fecharam os olhos. A lua sorriu. O vento cantou baixinho.
Tudo estava calmo. Tudo estava quentinho. Eles sonharam com lanternas que dançavam e gatos que contavam piadas. E sabiam: juntos, as aventuras ficam mais doces.