Era noite de Halloween. A lua parecia uma banana fininha no céu. O vento fazia shhh baixinho. As luzes nas abóboras piscavam devagar. Cheiro de açúcar e canela. Cheiro doce, cheiro bom.
Lara tinha três anos. Lara era pequena, curiosa e sorridente. Ela usava uma capa roxa com estrelas. A capa fazia fru-fru quando ela andava. Na mão, um balde laranja com um sorriso desenhado.
A mamã disse: "Hoje, Lara, tens uma missão. Vais classificar os doces."
Lara abriu muito os olhos. "Eu consigo. Eu arrumo. Eu sou a Organizadora de Doces!"
O papá riu. "Com cuidado e com respeito, está bem?"
"Está bem", disse Lara, com um aceno.
Na mesa havia muitos doces. Doces de abóbora. Doces de morango. Doces verdes, roxos, laranjas. Gomas macias. Caramelos que faziam cric-cric no papel. Pirulitos coloridos. A mesa parecia um arco-íris de açúcar.
Lara esticou a capa. Pôs o balde no chão. "Primeiro, as cores", disse ela. "Laranja aqui. Roxo ali. Verde acolá." Ela falava baixo. Ela falava doce. As mãos eram pequenas, mas muito cuidadosas.
De repente, ouviu-se um buu. Mas foi um buu suave. Foi um buu fofinho.
Um fantasminha entrou pela janela aberta. Ele tinha olhos redondos e um chapéu pequenino torto.
"Olá", disse o fantasma. "Eu sou o Nino. Eu digo buu, mas é um buu gentil."
Lara sorriu. "Olá, Nino. Queres ajudar?"
"Quero", disse Nino. "Eu sou leve. Eu sopro de mansinho."
Nino soprou. Os doces roxos foram para a fila roxa. Os laranjas foram para a fila laranja. Foi um sopro macio, quase um beijo de vento.
"Obrigada", disse Lara. "Sopras com respeito."
"Eu respeito os doces e respeito a Lara", disse Nino.
Um miado baixinho veio debaixo da mesa. Era um gato preto. Mas era um gato brincalhão. Tinha um laço verde no pescoço.
"Olá", disse o gato. "Eu sou o Pipo. Posso tocar nos doces?"
"Pode", disse Lara. "Mas com patas limpas."
Pipo mostrou as patas. "Limpas, limpinhas." Ele empurrou um caramelo com o nariz. Empurrou devagar. O caramelo parecia um barquinho a navegar no tapete.
Tique-taque do relógio. Plim-plim das luzes. Cric-cric do papel. Tudo era leve. Tudo era alegre.
Entrou também uma bruxinha pequenina. Ela tinha sardas e um chapéu com uma estrela. Não era uma bruxa assustadora. Era uma bruxa simpática.
"Boa noite", disse a bruxinha. "Eu sou a Mimi. Eu trago um truquinho de magia, mas só um bocadinho."
"Que truquinho?" perguntou Lara.
"Magia de ordem", disse Mimi. "Mas a magia pede por favor e diz obrigada."
"Por favor, magia", disse Lara, com um riso.
A varinha fez plim. Só um plim. As filas ficaram direitinhas. Laranja. Roxa. Verde. Amarela. Uma fila de pirulitos que fazia um arco. Uma fila de gomas fofinhas que parecia um colar.
De repente, Nino espirrou. "Atchim!"
Confete brilhante caiu devagar. Parecia neve de açúcar.
Lara deu uma risadinha. "Saúde, Nino."
"Obrigadinho", disse Nino. "Desculpa, doces. Foi um atchim com respeito."
Um doce redondo tentou rebolar para fora da fila. Pipo foi atrás, pé ante pé. "Volta, bolinha", disse Pipo, rindo.
Lara ajoelhou. Pegou no doce com as duas mãos. "Voltamos para a fila, está bem? Aqui é a tua casa."
O doce ficou quietinho. A fila ficou bonita de novo.
"Agora por tamanhos", disse Lara. "Pequenos aqui. Médios aqui. Grandes aqui."
Mimi contou suavemente. "Um, dois, três. Devagar. Sem apressar."
Nino soprou mais um pouquinho. "Pffff. Pffff. Prontinho."
Lara olhou para as filas. Eram lisas e calmas. Pareciam trilhos coloridos. Pareciam um caminho de arco-íris. O balde laranja sorriu ainda mais.
"Podemos provar um doce?" perguntou Pipo.
"Sim", disse Lara. "Mas vamos fazer uma fila. Uma fila arrumada. Cada um espera a sua vez. Com respeito."
Todos concordaram. Mimi ficou primeiro. Nino ficou atrás. Pipo fez uma reverência e ficou por último. Lara ficou ao lado, a ver, muito orgulhosa.
"Por favor", disse Mimi, pegando um docinho roxo.
"Obrigada", disse Nino, pegando um doce laranja.
"Com licença", disse Pipo, pegando um caramelo.
"Obrigada por esperarem", disse Lara. Ela brilhou de contente.
A mamã entrou de mansinho. "Que filas tão lindas. Que organização tão doce."
O papá bateu palmas baixinho. "E que respeito bonito."
Lara encostou a cabeça na capa roxa. Bocejou. Um bocejo pequenino.
As abóboras piscaram devagar. A lua ficou um pouco mais redonda. O vento disse shhh. A sala cheirava a açúcar, a canela e a calma.
Os doces ficaram em filas direitinhas. Uma fila arrumada. Todos dormiam quase a sorrir. Nino boiou para cima. Mimi apagou a varinha. Pipo enroscou-se ao lado do balde.
Lara fez um carinho no ar. "Boa noite, amigos. Boa noite, doces." E tudo ficou quieto. Doce. Macio. Em paz.