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História sobre a Páscoa 3 a 4 anos Leitura 8 min.

O ovo arco-íris e a magia da Páscoa

Lara passa a Páscoa a pintar ovos com a família e descobre um pincel mágico que transforma a brincadeira em pequenos momentos de surpresa e ternura.

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Menina de 4 anos, rosto redondo e bochechas coradas, cabelos castanhos em rabo de cavalo, sorriso concentrado, pinta um ovo branco numa cadeira alta de madeira com um pincel; mãe (~30 anos), cabelo castanho claro preso, expressão suave, sentada ao lado, estende um copo de tinta amarela; pai (~35 anos), barba curta, apoia-se na mesa rindo, segura um ovo pintado com listras azuis e vermelhas à esquerda da menina; cesta de palha com ovos coloridos de madeira, incluindo um grande ovo arco‑íris brilhante, no centro da mesa ao alcance; mesa com toalha creme de bolinhas vermelhas, copos de tinta vivas (amarelo, azul, vermelho, verde) e pincéis espalhados, gotas de tinta na toalha; luz quente e dourada entra pela janela, realçando a tinta molhada e criando atmosfera festiva; estilo: diorama de brinquedos de madeira pintados à mão, texturas de madeira e palha visíveis, cores saturadas e formas simples, ambiente acolhedor e lúdico. reportar um problema com esta imagem

Parte 1

A Lara tinha 3 anos e mãos pequeninas que gostavam de fazer coisas grandes. Na cozinha, a mesa estava pronta: uma toalha com pintinhas, um prato com ovos cozidos e copinhos com tinta de muitas cores.

“Hoje é Páscoa!” disse a mamã, com um sorriso brilhante.

“Páscoa tem chocolate!” disse a Lara, muito séria, como se fosse uma regra do mundo.

“E tem ovos pintados,” respondeu o papá. “Ovos que ficam a parecer estrelas, flores e… bolinhas malucas.”

A Lara riu. “Bolinhas malucas!”

Ela sentou-se na cadeira alta. Os pés balançavam no ar, um, dois, um, dois. A mamã deu-lhe um pincel e a Lara segurou como quem segura uma varinha.

“Este é o meu pincel mágico,” sussurrou ela.

A mamã piscou o olho. “Então faz magia com calma, devagarinho.”

A Lara escolheu o primeiro ovo. Era branco e liso, como uma lua pequenina. Mergulhou o pincel no amarelo.

“Amarelo é sol!” disse ela.

E pintou uma risca, depois outra, depois outra. O ovo ficou com um chapéu de sol. A Lara achou que o ovo estava a sorrir. Talvez fosse só a risca torta. Talvez fosse mesmo um sorriso.

Quando ela mudou para o azul, aconteceu uma coisa estranha e engraçada: o pincel fez “plim!” e uma gota saltou, bem redondinha, para cima do ovo.

“Olha!” disse a Lara. “A tinta saltou sozinha!”

O papá aproximou o rosto. “Uau… isso foi um salto olímpico.

A Lara riu tanto que quase fez “plim” com o nariz.

Ela pintou mais ovos: um com riscas cor-de-rosa, outro com pintas verdes, outro com manchas roxas que pareciam nuvens de sumo de uva. A cozinha cheirava a bolo e a festa. Lá fora, o sol fazia cosquinhas na janela.

No fim, havia um ovo especial, maior e mais pesado. A mamã disse: “Este é para guardarmos no centro da mesa.”

A Lara olhou para ele com atenção. “Este vai ser… arco-íris!”

Ela molhou o pincel no vermelho. Depois no laranja. Depois no azul. As cores misturaram-se e brilharam como rebuçados.

E então… “plim, plim, plim!”

Três gotinhas de tinta caíram no ovo sozinhas, bem certinhas, como se alguém invisível estivesse a ajudar.

A Lara arregalou os olhos. “Mamã… o meu pincel está a fazer cócegas no ovo!”

A mamã riu baixinho. “Na Páscoa, até as coisas gostam de brincar.”

A Lara sentiu-se segura, quentinha por dentro. Continuou a pintar, devagar. O ovo arco-íris ficou tão colorido que parecia ter música lá dentro.

Parte 2

Quando todos os ovos estavam pintados, a mamã colocou-os num cesto com palha macia. Pareciam dormir num ninho de ouro claro.

“Agora vamos pôr a mesa,” disse o papá.

A Lara ajudou com um guardanapo e uma colher. A colher fez “cloc” e a Lara disse: “A colher está a falar!”

“Está a dizer ‘cloc, cloc, feliz Páscoa',” brincou o papá.

A Lara olhou para o cesto. O ovo arco-íris estava mesmo no meio, como um rei pequenino. De repente, aconteceu outra coisa: uma luz muito suave, quase como um brilho de bolha de sabão, apareceu em volta dele. Não era forte, não assustava. Era só… bonita.

A Lara aproximou o nariz. “Cheira a chocolate?”

E cheirava mesmo. Um cheirinho doce, quentinho, como quando se abre uma caixa nova.

“Será que o Coelhinho da Páscoa passou por aqui?” perguntou a Lara, num sussurro.

A mamã respondeu com a voz calma: “Talvez tenha passado com as patinhas bem leves. E talvez tenha deixado um bocadinho de magia para agradecer os teus ovos.”

A Lara ficou muito contente. “Obrigada, coelhinho!”

Nesse momento, uma pequena marca apareceu na palha do cesto: duas pegadinhas pequeninas, como as de um coelho a dançar. A Lara soltou um “oh!” redondo.

“Ele dança!” disse ela.

O papá fez uma cara surpresa e engraçada. “Então é um coelho bailarino. Deve gostar de música.”

A Lara bateu palmas, bem devagar, para não acordar os ovos. “Tum, tum, tum.” E as pegadinhas pareciam seguir o ritmo, uma, duas, uma, duas, como se a palha tivesse pés.

A Lara riu baixinho. “A palha tem pés!”

A mamã puxou a Lara para o colo por um instante. “A magia da Páscoa é assim. Pequena, doce e a rir.”

Depois, ouviram a campainha: “trim-trim!”

Era a avó, com um saco. “Feliz Páscoa, meus amores!”

A Lara correu e deu um abraço apertado. A avó tinha cheiro a sabonete e a bolachas.

“Ovos! Ovos pintados!” disse a Lara, puxando a avó pela mão até à mesa.

A avó viu o cesto e abriu a boca de surpresa. “Que cores lindas! Este aqui parece um jardim. Este parece um céu. E este… este arco-íris parece que brilha!”

A Lara endireitou o corpo. “Ele brilha porque tem cócegas.”

Todos riram.

A avó tirou do saco um coelhinho de chocolate embrulhado em papel dourado. “E este veio para ti.”

A Lara segurou o coelhinho com cuidado. “Eu não vou comer já.”

“Não?” perguntou o papá.

“Não. Primeiro ele vai ver os ovos,” disse a Lara, muito decidida.

Ela pôs o coelhinho de chocolate ao lado do cesto. E, por um segundo, pareceu que o papel dourado fez “plim”, como uma estrela a piscar. A Lara sorriu, tranquila.

Sentaram-se à mesa. Comeram um pedacinho de bolo, um pedacinho de chocolate, e falaram das cores: vermelho, azul, amarelo, verde. A Lara repetia as cores como uma canção.

Quando a tarde ficou mais macia, a Lara bocejou. A mamã pegou nela ao colo.

“Queres levar um ovo para o quarto?” perguntou a mamã.

A Lara escolheu um pequenino, com pintas verdes. “Este é o ovo das pintinhas felizes.”

No quarto, a mamã colocou o ovo numa prateleira, bem seguro. A Lara deitou-se, abraçada ao seu coelhinho de chocolate ainda fechado.

“Páscoa é… brilhante,” murmurou ela.

“É sim,” disse a mamã. “E amanhã as cores continuam, dentro de ti.”

A Lara fechou os olhos. Na sua cabeça, os ovos dançavam devagar, sem pressa. E o ovo arco-íris, lá na cozinha, parecia guardar a casa com um brilho doce, como um sorriso a dormir.

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Páscoa
Festa em que muitas famílias pintam ovos e comem chocolate juntos.
Pintinhas
Pequenos pontos desenhados em algo, como bolinhas na casca do ovo.
Copinhos
Pequenos copos, usados para pôr tinta ou bebidas pequeninas.
Olímpico
Palavra que lembra grandes jogos de desporto, como competição forte.
Palha
Fios secos e finos, usados para fazer um ninho macio para os ovos.
Invisível
Algo que não se vê, está lá mas os olhos não conseguem ver.
Bailarino
Pessoa ou animal que dança com movimentos leves e bonitos.
Pegadinhas
Marquinhas pequenas deixadas por pés, como as de um coelho.
Campainha
Pequeno objeto que faz som quando alguém toca à porta.
Prateleira
Tábuazinha na parede onde se põem coisas para guardar.
Brilha
Quando algo aparece com luz ou reflexo, parece que sorri.
Coelhinho de chocolate
Doce em forma de coelho feito de chocolate, que se come.

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