Na manhã de Páscoa, o sol entrou pela janela e fez risquinhos dourados no chão. Tomás e Bento, os dois com quatro anos, pularam da cama bem depressa. A casa cheirava a pão doce e a chocolate.
Na mesa, havia uma cesta com ovos coloridos. Vermelhos, azuis, amarelos. Também havia um bilhete pequeno.
Tomás leu devagar, com a ajuda do dedo: “Para Tomás e Bento. Hoje é dia de partilhar. Sigam as pegadas. Com carinho, Coelho da Páscoa.”
Bento arregalou os olhos. “Pegadas?”
No chão da cozinha, apareciam marquinhas brancas, como se alguém tivesse passado com patinhas cheias de farinha. Patim, patim, patim. As marcas iam até à sala.
Os meninos seguiram. “Vamos, vamos!”, disse Tomás, rindo baixinho. Bento segurou a mão dele. A sala estava tranquila, com a luz a dançar nas cortinas.
Perto do sofá, havia um saquinho de chocolates embrulhados em papel brilhante. Tomás pegou um e sacudiu. “Faz barulhinho!”
Bento cheirou outro. “Cheira a doce!”
No saquinho havia mais um bilhete: “Partilhem com quem gostam. E vejam bem: a magia aparece quando o coração é gentil.”
Tomás pensou um pouco. “Vamos dar para a mamã e o papá. E para a avó. E para a vizinha.”
Bento bateu palmas. “E para o cão Tobias!”
Eles dividiram os chocolates em montinhos. Um, dois, três. Tomás contava e Bento repetia: “Um, dois, três.” Repetir era gostoso. Dava certeza.
Quando terminaram, as marquinhas brancas voltaram a aparecer, agora indo para o corredor. Patim, patim, patim.
No corredor, uma coisa brilhava no tapete: um ovo grande, cor-de-rosa, com pintinhas verdes. Bento sussurrou: “Uau.”
Tomás tocou devagar. O ovo não era pesado. Era morno, como sol de manhã. E então… fez “plim”.
Do ovo saiu uma luzinha suave, como uma estrelinha pequena, e a luzinha desenhou no ar um laço brilhante. Não assustava. Era calma, como um abraço.
Bento riu. “É uma estrela de Páscoa!”
A luzinha voou baixinho pela casa. Parou perto da fruteira, perto do livro, perto do vaso. E em cada lugar apareceu uma pegadinha nova, bem pequena, como se a casa toda estivesse a brincar.
Tomás falou baixinho: “A magia está a dizer ‘obrigado'.”
Os dois pegaram os montinhos de chocolates e foram entregar. Na cozinha, a mamã recebeu um chocolate e deu um beijo na testa dos dois. O papá ganhou outro e disse: “Que alegria!”
A avó chegou e abriu os braços. “Meus queridos!” Eles deram chocolates e a avó riu, com olhos brilhantes.
Na porta ao lado, a vizinha recebeu um embrulho e disse: “Que gentileza!” Até o cão Tobias ganhou um biscoito de chocolate próprio para cão, e abanou o rabo, abanou, abanou.
De volta à sala, a luzinha fez mais um “plim” e entrou no ovo cor-de-rosa outra vez. O ovo ficou quietinho, como se estivesse a dormir.
Bento bocejou. “A Páscoa cansa… mas é bom.”
Tomás encostou a cabeça no ombro dele. “Partilhar é bom.”
Os dois sentaram no tapete, com a cesta vazia e o coração cheio. Lá fora, o dia estava claro. Dentro de casa, tudo parecia mais colorido. E, bem no chão, uma última pegadinha branca dizia, sem palavras: a Páscoa tinha passado por ali.