Começo
A Inês tinha 3 anos e um sorriso cheio de sol. Era Páscoa. A casa cheirava a bolo e a chocolate.
“Quero um cesto!” disse ela, batendo palmas.
A mamã olhou em volta. “Vamos fazer um, com coisas velhas. Coisas que viram coisas novas!”
A Inês gostou dessa ideia. Parecia magia.
Na mesa, apareceram um pote vazio de iogurte grande, uma caixa de cereais, fitas que sobraram de um embrulho e um botão amarelo.
“Olá, pote!” disse a Inês. “Vais ser um cesto!”
O pote ficou quietinho. Mas parecia ouvir.
Meio
A mamã cortou a caixa de cereais em tiras. A Inês colou tiras no pote, uma a uma.
“Cola, cola, colinha!” cantava ela.
Depois fizeram uma asa com cartão. A Inês segurou com força, como quem segura um tesouro.
“Está torta,” disse ela, com cara séria.
“Está… engraçada,” respondeu a mamã. “E os cestos também podem rir.”
A Inês pegou nas fitas. Uma fita rosa, uma fita verde. Deu um nó, depois outro nó.
“Parece uma borboleta!” disse.
E, de repente, a fita fez um “plim” bem baixinho, como uma campainha de fada.
A Inês abriu muito os olhos. “Ouviste?”
“Ouvi,” disse a mamã, a sorrir. “A Páscoa gosta de enfeites.”
A Inês colou o botão amarelo na frente. “É um sol!”
Depois desenhou pintinhas com lápis de cera: azul, vermelho, roxo. Pintinhas, pintinhas, pintinhas.
O cesto ficou colorido como um jardim.
Quando terminaram, a Inês encostou o ouvido ao cesto.
“Cestinho, estás feliz?”
E o cesto, muito baixinho, pareceu dizer: “Sim.”
Fim
No dia seguinte, o coelhinho da Páscoa passou. Ninguém o viu. Mas viram pistas: papelinho brilhante no chão e uma penugem branca na janela.
A Inês correu até ao seu cesto feito de reutilização.
Lá dentro havia ovos de chocolate, um ovinho de açúcar e uma cenourinha de brinquedo.
“Uau! Ele encontrou o meu cesto!” disse ela.
A Inês partilhou um chocolate com a mamã. Depois sentou-se no tapete, abraçada ao cesto.
“Obrigado, cestinho,” murmurou.
E a casa ficou calma, doce e brilhante, como uma Páscoa a dormir feliz.