Capítulo 1 – O Sinal Brilhante
Era um entardecer dourado quando Sofia, uma menina de cinco anos com olhos curiosos e botas vermelhas, caminhava pelo campo em jachura perto da casa dos avós. O campo era grande, todo coberto de mato, flores silvestres e pequenos montinhos de terra. Sofia gostava de andar por ali porque sempre encontrava algo novo: um inseto diferente, uma pedra brilhante ou até um passarinho enrolado em sono.
Naquele dia, ela tinha um plano. Seu avô lhe ensinara a fazer sinais de fumaça com um pau e um paninho molhado, para avisar alguém distante. Sofia pensou: “E se um dia eu precisar pedir ajuda de verdade? Melhor treinar!” Então, ela caminhou até o meio do campo e começou a balançar o paninho para cima e para baixo.
De repente, ouviu um barulho baixinho, como se alguém estivesse mexendo na grama alta. Ela parou, ficou quietinha, com o coração pulando como um coelho. Será que era um coelho mesmo? Ou talvez um sapo? O barulho ficou mais forte. Sofia apertou o paninho entre as mãos.
– Tem alguém aí? – ela perguntou, tentando ser corajosa.
Para sua grande surpresa, uma luz forte piscou atrás de um arbusto. Era azul, depois verde, depois dourada! Sofia não acreditou. “Será que é uma lanterna diferente?” pensou. Mas, do arbusto, saiu um ser baixinho, redondo, com o corpo cor-de-limão e olhos grandes, redondos como bolas de gude.
Capítulo 2 – O Pequeno Explorador
O ser olhou para Sofia e fez um som engraçado, parecido com “pruuu, pruuu”. Sofia abriu um sorriso, achando graça. O alienígena ficou envergonhado e escondeu um pouco do rosto com as mãos que pareciam almofadas.
– Olá! – disse Sofia com cuidado. – Eu sou Sofia.
O ser respondeu com um aceno, depois apontou para o céu com sua mão almofadada e fez um som de “biiiip”.
Sofia ficou pensativa. Ela se lembrou do livro de extraterrestres que viu na biblioteca; eles não falavam como as pessoas, mas poderiam ser amigos.
– Você está perdido? – perguntou Sofia.
O ser balançou a cabeça devagar. Então, ele tirou do bolso uma coisinha brilhante, igual a uma pedra azul, e apertou. De repente, uma imagem flutuante apareceu: mostrava uma nave redonda presa em cima de uma árvore, não muito longe dali.
Sofia ficou maravilhada. – Sua nave ficou presa! Eu posso ajudar!
O alienígena abriu um largo sorriso e fez um giro contente. A menina, animada, saiu andando pelo campo, olhando para as árvores altas.
– Vem comigo! – disse ela.
Os dois foram andando lado a lado. Sofia segurava sua mãozinha e mostrava onde pisar para não tropeçar. Durante o caminho, ela foi inventando nomes para o novo amigo.
– Vou te chamar de Luno, pode ser? Porque você brilha igual à lua!
Luno fez outro “pruuu” e pulou baixinho, feliz.
Capítulo 3 – A Grande Descoberta
Andaram por entre moitas e flores até chegarem perto de uma grande árvore torta. Lá no alto, entre os galhos, Sofia viu a nave: era como uma bola prateada, com luzinhas coloridas piscando devagar, igual a vaga-lumes.
– Olha, Luno! Achei!
Luno olhou para cima e fez um barulhinho preocupado. A nave estava presa, longe de alcançar. Sofia pensou um pouco.
– Não se preocupe, eu sou boa de ideias!
Ela pegou uma vara longa caída no chão e, com cuidado, empurrou os galhos. Mas a nave não desceu. Luno pegou sua pedrinha azul e apertou de novo. Uma escadinha de luz apareceu, brilhando em degraus dourados.
– Uau! – gritou Sofia, batendo palmas.
Ela ajudou Luno a subir. Luno subiu rápido, como um grilo saltitante. Ele apertou um botão na nave e ela desceu suavemente, pousando na grama do campo.
Sofia olhou maravilhada para a nave, que fazia sons fofos, como roncos de gatinho. Ela tocou na lateral, e a nave ficou ainda mais dourada.
– Sua nave ronrona, Luno! – disse ela, rindo.
Luno deu voltas felizes ao redor de Sofia. Depois, pegou a pedrinha azul, apontou para o céu e para ela.
– Você quer ir para casa? – perguntou Sofia.
Luno assentiu, mas parou e olhou nos olhos dela. Então, fez com as mãos um coração, igual ao que a mãe de Sofia faz quando diz “eu te amo”.
Capítulo 4 – O Adeus e o Ronronar
Sofia sentiu um calor bom no peito. Ela abraçou Luno com cuidado. – Não fique triste, amigo. Pode voltar sempre que quiser.
Luno sorriu, entrou na sua nave e acenou pela janelinha. Sofia fez um grande sinal de adeus com o pano, igual ao sinal de fumaça do avô, só que agora era um sinal de amizade.
A nave subiu devagar, girando como um pião, espalhando luz dourada pelo campo. Sofia ficou olhando até a nave virar um pontinho brilhante no céu. Quando o vento soprou, a menina ouviu um ronronar suave, vindo de longe, como se a nave e Luno ainda estivessem dizendo: “Até logo, amiga!”
Sofia sorriu, sentindo-se corajosa e feliz. Agora ela sabia: às vezes, um simples sinal de amizade pode mudar tudo. E, no campo em jachura, mesmo o desconhecido pode ser brilhante e acolhedor, como o abraço de um novo amigo.
Com o coração leve e os olhos cheios de estrelas, Sofia voltou para casa, pronta para novas aventuras – e talvez, um dia, para ouvir de novo o ronronar distante de Luno.