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História de extraterrestre 5 a 6 anos Leitura 10 min.

O símbolo da paz galáctica e o sapato que fazia “CREEEEC

Lia, uma menina cuidadosa, visita o Mercado Interestelar com o pai e, ao encontrar o Símbolo de Paz, envolve-se num mal-entendido com um extraterrestre que a leva a aprender sobre honestidade e sinais de amizade.

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Uma menina de 6 anos, rosto redondo, cabelos castanhos em rabos-de-cavalo, expressão aliviada e tímida, segura levemente a mão de um adulto enquanto uma gota brilhante toca a tira adesiva colada em seu sapato; um homem de ~35 anos, bigode curto, jaqueta azul, olhar doce e protetor, está ao lado dela, inclinado e com a mão no ombro; um pequeno extraterrestre redondo, pele verde-menta, grandes olhos ovais cor de oliva e mochila, fica na ponta dos pés oferecendo um frasco transparente com purpurina prateada; o mercado interestelar é um corredor largo de lajes suaves com barracas coloridas — frutas que mudam de cor, caixas de fitas brilhantes e lanternas flutuantes rosa e ouro acima — e um poste próximo mostra o símbolo da paz galáctica (círculo branco com três traços curvos azuis) visível atrás dos personagens; a gota derrete a tira adesiva no sapato da menina, mostrando seu alívio, com transeuntes de formas variadas sorrindo ao fundo e uma atmosfera luminosa, suave e acolhedora. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: A Menina e o Símbolo

Lia tinha seis anos e fazia tudo com cuidado. Quando escovava os dentes, contava até vinte. Quando guardava os brinquedos, alinhava as cores. E quando o pai polia o capacete prateado do trabalho, Lia passava um pano macio só para “ajudar um bocadinho”.

O pai trabalhava no Porto Azul, uma estação espacial brilhante que parecia uma bolha de sabão gigante, presa no céu. Às vezes, ele trazia panfletos com desenhos de planetas e avisos importantes.

Numa tarde, ele trouxe um cartão pequeno, do tamanho da mão da Lia. No centro havia um símbolo: um círculo com três riscas curvas dentro, como um sorriso com ondas.

— Isto é o Símbolo de Paz Galáctica — explicou o pai, com voz calma. — Quando o vês, quer dizer: “Sou amigo. Venho em paz.”

Lia aproximou o nariz do cartão, como se o símbolo tivesse cheiro.

— Parece um caracol a rir — disse ela.

O pai riu.

— Também pode ser. Mas lembra-te: é para todos se sentirem seguros.

Lia treinou o símbolo no ar com o dedo. Círculo… três riscas… e pronto. Fez dez vezes. Depois mais dez.

Nessa noite, antes de dormir, Lia guardou o cartão debaixo da almofada, como quem guarda um segredo brilhante.

No dia seguinte, o pai disse:

— Hoje vais comigo ao Mercado Interestelar.

Os olhos da Lia acenderam-se como luzinhas.

O Mercado Interestelar era um lugar calmo, cheio de caminhos largos e lanternas flutuantes. Cheirava a pão doce de cometa e a chá de nuvem. Havia bancas com frutas que mudavam de cor, robôs a vender fitas que cantavam, e criaturas de todo o tipo: altas, baixas, com penas, com antenas, com três narizes.

Lia segurou firme na mão do pai. Ela era aplicada e cuidadosa, e aquele mundo novo era grande. Mas também era bonito.

— Olha sempre para os sinais — lembrou o pai. — E se vires o símbolo…

— Paz galáctica — completou Lia, orgulhosa.

Parte 2: O Mercado e o Mal-Entendido

Enquanto passeavam, Lia reparou que muitas bancas tinham símbolos diferentes. Um tinha um triângulo com uma gota: “água fresquinha”. Outro tinha uma estrela com um garfo: “comida quente”. Lia ia apontando com o dedo, baixinho, para não se perder.

De repente, viu algo que a fez parar.

Num poste perto de uma banca de chapéus, havia o símbolo dela: o círculo com as três riscas curvas. Bem grande. Bem claro.

Lia deu um passo à frente.

Perto do poste, um extraterrestre pequeno tentava subir numa caixa para alcançar uma corda de sinos coloridos. Ele era redondo como uma bolinha, com pele verde-menta e olhos enormes, como duas azeitonas brilhantes. Tinha um saco nas costas e, quando se mexia, fazia um som engraçado: “plim-plim”.

Os sinos, no entanto, estavam a cair. Um deles rolou pelo chão e parou mesmo ao pé da Lia.

Lia apanhou o sino com cuidado. Era azul e tremia um bocadinho, como se estivesse a rir.

O extraterrestre olhou para ela, assustado. Os olhos dele ficaram ainda maiores. Ele começou a apontar para o sino e a dizer coisas rápidas numa língua cheia de “glup” e “zip”.

Lia não entendeu. Mas viu o símbolo no poste. “Sou amigo”, pensou ela. “Venho em paz.”

Ela levantou o sino devagar, com as duas mãos, para mostrar que não queria ficar com ele.

— Eu… devolvo — disse Lia, bem devagar.

O extraterrestre deu um salto pequeno. “Plim!” O saco dele balançou e caiu um objeto no chão: um rolo de fita brilhante.

A fita desenrolou-se sozinha e colou-se no sapato da Lia.

E foi aí que aconteceu o mini-desastre.

A fita era tão pegajosa que, quando Lia tentou mexer o pé, o sapato fez um som alto e comprido:

— CREEEEC!

Várias cabeças viraram. Um robô vendedor parou de piscar. Uma senhora com três tranças e dois chapéus deixou cair uma bolacha.

Lia ficou vermelha até às orelhas. Ela não queria chamar atenção. Ela só queria ser cuidadosa.

O extraterrestre tapou a boca com as mãos e… começou a rir. Um riso fininho, como bolhinhas a estourar. “Plim-plim-plim!”

Lia piscou. O som do sapato não era perigoso. Era só… engraçado.

Mas Lia sentiu um aperto no peito. E se alguém achasse que ela tinha roubado a fita? E se achasse que ela tinha estragado os sinos?

O pai aproximou-se.

— O que aconteceu aqui?

Lia olhou para ele e respirou fundo, como tinha aprendido quando ficava nervosa.

— Eu apanhei o sino para devolver. E a fita colou no meu sapato. Eu não queria.

Ela falou a verdade, direitinho, sem inventar nada. Honestidade era como escovar os dentes: fazia-se mesmo quando dava preguiça.

O pai assentiu e olhou para o extraterrestre. O pequeno ser apontou para o símbolo no poste e fez um gesto com as mãos, como se abraçasse o ar. Depois abriu o saco e mostrou vários rolos de fita iguais, todos brilhantes.

O pai sorriu.

— Acho que ele está a dizer que a fita é dele… e que é uma fita para concertos. Para prender coisas sem magoar.

O extraterrestre abanou a cabeça com entusiasmo. “Zip-zip!” E ofereceu outro rolo ao pai, como pedido de desculpa.

Lia devolveu o sino com cuidado. O extraterrestre colocou-o de volta na corda, e os sinos ficaram quietinhos, como se nada tivesse acontecido.

Mas a fita continuava no sapato da Lia.

E o sapato continuava a fazer:

— CREEEEC!

Lia suspirou. Aquilo era embaraçoso.

Parte 3: A Marcha que Não Guincha

O extraterrestre fez sinal para que a Lia o seguisse. Ele andava a saltitar, “plim-plim”, guiando-a por um corredor cheio de luzes suaves. O pai veio junto, tranquilo.

Foram até uma banca pequena com frascos alinhados. Dentro deles havia líquidos de cores diferentes: dourado como mel, lilás como uva, azul como o céu.

Um letreiro tinha o Símbolo de Paz Galáctica. Lia sorriu. Ali era um lugar seguro.

O extraterrestre pegou num frasquinho transparente com brilhantes prateados a boiar. Abriu-o e colocou uma gotinha na fita que estava no sapato da Lia. A gota fez “tchic” e a fita soltou-se como se fosse feita de algodão.

Lia mexeu o pé, devagar. Nenhum som.

Ela deu um passo. Silêncio.

Depois outro passo.

Nada de “CREEEEC”.

Lia soltou uma risadinha. O pai também. O extraterrestre bateu palmas pequenas e fez uma reverência exagerada, quase caindo para trás. Foi tão engraçado que Lia riu mais alto.

Lia olhou para o frasquinho e depois para o extraterrestre.

— Obrigada — disse ela. — E… desculpa se eu assustei.

O extraterrestre pousou a mão no próprio peito e apontou para o símbolo no poste, como quem diz: “Amigo”. Depois tirou do saco um autocolante com o mesmo símbolo e colou-o suavemente na manga da Lia.

Lia tocou no autocolante. Sentiu-se importante, como uma pequena guardiã da paz.

O pai inclinou-se ao nível dela.

— Fizeste bem em dizer a verdade. E viste? O símbolo ajudou-te a saber que era um encontro amigo.

Lia assentiu. Ela olhou ao redor: o mercado parecia ainda mais luminoso agora. As lanternas flutuavam como peixes dourados no ar. Uma banca vendia balões que mudavam de forma. Um robô espirrava confetes sem querer e pedia desculpa a toda a gente.

Antes de irem embora, Lia fez uma coisa com muito cuidado. Voltou à banca dos sinos e deixou o rolo de fita que tinha colado no sapato, bem dobrado, ao lado do extraterrestre.

Ela não queria levar nada que não fosse dela. A honestidade também era devolver.

O extraterrestre fez um “plim” feliz e colocou uma das fitas no alto, longe de cair outra vez. Depois apontou para os pés da Lia e fez um gesto de marcha, como um soldadinho. Ele queria ver.

Lia endireitou as costas. Segurou na mão do pai. E começou a andar pelo corredor principal do Mercado Interestelar.

Um passo. Dois passos. Três passos.

A marcha da Lia era silenciosa, leve, e não guinchava nada.

Ela passou por criaturas com penas, por criaturas com antenas, por criaturas com três narizes. Algumas acenaram. Outras sorriram. E uma até fez um som de “plim-plim” em resposta, como se fosse um cumprimento.

Lia sentiu-se corajosa, mas de um jeito macio, como uma manta quentinha.

Quando chegaram à saída do mercado, Lia olhou para trás uma última vez e viu o símbolo de paz brilhando no poste, redondo e simples, como um caracol a rir.

E ela sabia, com clareza no coração: o desconhecido podia ser amigo, quando a gente caminha com cuidado, diz a verdade, e presta atenção aos sinais.

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Estação espacial
Um lugar construído no céu onde pessoas e máquinas vivem e trabalham.
Panfletos
Folhas pequenas com desenhos ou informações para mostrar ou explicar algo.
Símbolo de Paz Galáctica
Um desenho que diz aos outros que alguém é amigo e vem em paz.
Extraterrestre
Um ser que vem de outro planeta, diferente das pessoas da Terra.
Autocolante
Um papel com cola atrás que se cola em roupas ou objetos.
Honestidade
Dizer a verdade e devolver o que não é nosso.
Embaraçoso
Algo que faz ficar com vergonha ou com o rosto quente.
Frascos
Pequenos recipientes de vidro ou plástico para guardar líquidos.

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