Parte 1 – O Mistério do Etang Redondo
Era uma manhã de sol brilhante e macio. Clara e Sofia, duas meninas de seis anos, caminhavam com alegria para o parque das flores amarelas. Tinham combinado um piquenique junto ao grande lago redondo, que todos chamavam de etang redondo. O etang era um lugar mágico, cheio de sapos, juncos verdes e peixes que saltavam como se quisessem brincar com elas.
Clara era curiosa e sempre fazia perguntas engraçadas. Sofia gostava de observar e contar segredos aos passarinhos. As duas sentaram-se numa toalha colorida, tiraram da mochila maçãs, bolachas e um sumo fresco.
Quando estavam a comer, ouviram um barulho estranho, como um zumbido. Pousaram as maçãs. O som vinha de trás dos juncos, do outro lado do etang. Clara ficou com os olhos muito abertos. Sofia apertou-lhe a mão.
— Ouviste isso, Sofia? — sussurrou Clara.
— Sim… Parece uma abelha gigante! — respondeu Sofia, rindo baixinho, mas um pouco nervosa.
As meninas deviam lembrar-se das regras da escola: “Nunca te aproximes de coisas estranhas sem um adulto.” Clara sabia bem essa regra e disse em voz baixa:
— Vamos ficar por aqui e observar. Se for perigoso, fugimos para junto dos adultos.
Sofia assentiu com a cabeça. Esconderam-se atrás de um arbusto florido, espreitando para o etang redondo.
Parte 2 – O Encontro Brilhante
De repente, algo subiu à superfície da água. Era uma bola prateada, com luzes coloridas que giravam lentamente. Flutuava como se fosse muito leve. Clara sentiu o coração bater rápido de emoção e um bocadinho de medo.
A bola abriu-se com um estalido suave e, de dentro, saíram três seres pequeninos, verdes, com olhos grandes e azuis e antenas ondulantes. Traziam fatos brilhantes e tinham sorrisos simpáticos.
Clara sussurrou:
— Sofia, são… extraterrestres!
Os seres olharam em volta, viram as duas meninas espreitando, e acenaram com as mãos. Não pareciam perigosos. Aproximaram-se devagar, sorrindo.
Um deles fez um som engraçado, parecido com “blup-blup”, e apontou para o lago. Tiraram do bolso um aparelho que parecia um brinquedo, com luzes a piscar.
Clara lembrou-se de outra regra de segurança da escola: “Se encontrares alguém que não conheces, não te afastes do teu lugar seguro.” Então decidiu explicar aos seres verdes, falando devagar e apontando para a margem do lago:
— Aqui, nós não entramos na água sem pedir aos adultos. É uma regra de segurança.
Os seres olharam para ela, depois para o lago, depois para elas novamente. Fizeram um som de “bliiiip” que parecia divertido. Um deles tirou uma caixinha do bolso e, de repente, uma voz saiu dela, falando português, mas com um sotaque engraçado:
— Olaaa, amigas! Viemos visitar este lugar redondo. Procuramos água limpa. Vocês ajudam?
Clara e Sofia sorriram, sentindo-se corajosas e especiais. Sofia disse:
— Podemos ajudar sim! O etang tem água boa, mas não se pode beber. É só para os peixes e sapos.
Os extraterrestres acenaram, compreendendo.
Parte 3 – A Descoberta no Etang Redondo
Enquanto conversavam, ouviram um novo som vindo do centro do lago. Era como um grito baixinho. Olharam e viram um pequeno peixe preso numa garrafa de plástico.
Sofia tapou a boca, assustada:
— O peixinho está preso! Temos de o ajudar!
Os seres verdes trocaram olhares rápidos e, num piscar de olhos, tiraram do aparelho brilhante um tubo flexível e esticaram-no até à garrafa. O tubo brilhou e fez um “tchiii” suave, puxando a garrafa devagarinho para junto da margem.
Clara ficou maravilhada:
— Uau! O vosso brinquedo é incrível!
O extraterrestre mais pequenino fez um som de “bloop” e sorriu, todo contente. Sofia, cuidadosa, abriu a garrafa e soltou o peixinho de volta ao lago. O peixinho deu uma volta à volta das meninas, feliz, como se dissesse “obrigado”.
Os seres verdes imitaram o gesto, balançando as mãos junto ao peito. Clara percebeu logo:
— Estão a dizer “obrigado” como o peixinho!
O ser com antenas maiores aproximou-se e disse, com a caixinha de voz:
— Vocês são boas amigas dos seres de água. Nós também!
Clara olhou para Sofia, orgulhosa. Tinham seguido as regras de segurança e ainda ajudaram alguém.
Parte 4 – Ajuda Inesperada e Gratidão
Quando pensaram que a aventura estava a terminar, Clara reparou que o piquenique tinha desaparecido! Olharam em volta e viram um grupo de patos muito atrevidos a fugir com as bolachas. As meninas riram-se, mas também ficaram um pouco tristes.
Os seres verdes olharam para as patinhas dos patos e depois para as meninas. Um deles piscou o olho e apontou o aparelho brilhante para o chão. De repente, apareceu uma pequena mesa holográfica cheia de frutas coloridas, parecidas com maçãs, mas com riscas roxas e verde-limão.
Sofia arregalou os olhos:
— São frutas do vosso planeta?
O extraterrestre respondeu, sorrindo:
— Sim! Frutas de Gratilu. Muito doces, muito boas para partilhar!
Clara e Sofia provaram as frutas. Sabiam a mel e morango ao mesmo tempo! Sentiram-se felizes, como se tivessem recebido um presente especial.
O sol já ia baixo. Os extraterrestres agradeceram mais uma vez, fazendo um gesto com as mãos em forma de coração.
Clara lembrou-se de agradecer também:
— Obrigada por nos ajudarem a salvar o peixinho e pelo lanche maravilhoso!
Sofia acrescentou:
— E obrigada por serem nossos amigos do espaço!
Os seres verdes sorriram, entraram na sua bola prateada e desapareceram devagarinho no céu azul-rosa.
Clara e Sofia ficaram a olhar para as estrelas a nascer, com o coração cheio de alegria. Tinham aprendido que ajudar e agradecer deixa tudo mais bonito — até um etang redondo, cheio de vida e surpresas.
No caminho para casa, de mãos dadas, as meninas prometeram lembrar-se sempre das regras de segurança, proteger o etang e agradecer por cada amigo novo… mesmo que venha das estrelas.