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História de extraterrestre 5 a 6 anos Leitura 7 min.

O amigo das estrelas e o mistério do clocher

Lucas, um menino curioso, encontra no velho clocher uma pequena criatura do espaço chamada Tili; juntos exploram constelações, segredos das estrelas e formam uma amizade que abre portas para aventuras.

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Capítulo 1: O Mistério do Sino Silencioso

Lucas era um menino de seis anos, com cabelos castanhos e olhos curiosos. Ele adorava olhar para o céu de noite, tentando reconhecer as estrelas que o seu avô lhe ensinara. Morava numa vila pequena onde havia um velho clocher, o grande sino da torre, que não tocava há muitos anos. Ninguém sabia por quê. Alguns diziam que era porque o tempo estava cansado, outros diziam que era porque o vento tinha levado o som embora.

Uma noite, Lucas subiu até o sótão com o seu binóculo. Pela janela, via o clocher quase tocando as estrelas. Ele apontou o binóculo para o céu e, de repente, viu algo diferente. Uma luz piscava, azul, depois verde, depois amarela. Não era uma estrela. Lucas ficou animado.

– Quem será que está lá? – pensou ele, sentindo o coração bater depressa.

Ao descer para a cozinha, contou à mamã, que sorriu e lhe deu um copo de leite quente.

– Talvez seja um amigo de outro planeta, Lucas – disse ela, rindo.

Lucas riu também, mas não conseguia parar de pensar naquela luz misteriosa.

Capítulo 2: O Visitante do Espaço

Na noite seguinte, Lucas não conseguia dormir. Resolveu subir ao clocher, mesmo que fosse um pouco assustador. Pegou a lanterna e subiu, degrau por degrau, até o topo. O sino estava coberto de poeira e teias de aranha, mas Lucas não se importou.

De repente, a luz azul apareceu de novo, agora muito perto da janela do clocher. Lucas abriu a janela devagarinho e… viu um ser pequenino, com três olhos brilhantes e pele cor-de-laranja. Tinha uma mochila às costas e uma risada engraçada.

– Olá! – disse a criatura, acenando com uma mãozinha de quatro dedos. – Eu sou Tili, do planeta Zora!

Lucas arregalou os olhos, mas sentiu-se feliz. Tili não era nada assustador. Parecia simpático e até um pouco desastrado, pois tropeçou numa corda da torre e quase caiu.

– Eu sou o Lucas – respondeu, sorrindo.

Tili saltou para dentro do clocher, sacudindo o pó da sua mochila. Abriu um mapa cheio de estrelas coloridas.

– Estou a estudar as constelações da Terra. No meu planeta, temos estrelas em forma de triângulo e de espiral. E aqui? – perguntou Tili, curioso.

Lucas pegou um livro de estrelas que levava sempre consigo e mostrou a Tili as constelações: o Urso, o Caçador, a Serpente.

– No meu planeta, temos a Constelação do Gelado! – exclamou Tili, desenhando um gelado cor-de-rosa no ar com uma luzinha da mochila.

Lucas riu tanto que quase acordou os pombos que dormiam nas vigas do clocher.

Capítulo 3: O Segredo das Estrelas

Os dois amigos passaram a noite trocando histórias e desenhos de estrelas. Tili ensinou Lucas a desenhar constelações usando luzes coloridas. Lucas mostrou-lhe como fazer um desejo quando uma estrela cadente passava.

– As estrelas são diferentes, mas todos gostamos de olhar para elas – disse Lucas, pensativo.

De repente, ouviram um barulho estranho. Era como se alguém estivesse a espreitar atrás de um velho cortinado que cobria a entrada do sino. O cortinado mexia-se devagar.

– Quem está aí? – perguntou Lucas, com um pouco de medo.

Tili apontou um raio de luz para o cortinado, que brilhou como o arco-íris. Um vento suave soprou e o cortinado balançou mais forte. Da sombra saiu um pequeno rato cinzento! Ele olhou para Lucas e Tili, assustado, e depois correu a esconder-se atrás de uma caixa.

Lucas e Tili riram-se. O rato parecia gostar do silêncio do sino tanto quanto eles.

Tili mostrou então a Lucas um pequeno aparelho que parecia uma bolacha luminosa.

– Isto é um tradutor de estrelas – explicou. – Ele consegue ouvir os sons das constelações.

Lucas ficou maravilhado. Tili encostou o aparelho ao sino. De repente, o sino, que era mudo há anos, começou a vibrar suavemente. Não era um som alto, mas um zumbido baixinho, como se as estrelas estivessem a cantar.

– As estrelas da Terra e de Zora podem conversar, afinal! – exclamou Lucas, feliz.

Capítulo 4: A Surpresa do Clocher

O céu começou a clarear. Lucas sabia que era quase hora de ir para casa. Tili preparou a mochila, mas antes de partir, tirou um presente para Lucas: uma pequena estrela feita de pedra brilhante.

– Para te lembrares que as estrelas unem os amigos, mesmo que vivam longe – disse Tili, emocionado.

Lucas abraçou o amigo extraterrestre. Sentiu-se orgulhoso de ter tido coragem de conhecer alguém de outro planeta. Sentiu-se feliz por poder partilhar as suas estrelas com alguém tão diferente e tão parecido ao mesmo tempo.

– Prometes voltar? – perguntou Lucas.

– Prometo! – respondeu Tili, piscando os três olhos ao mesmo tempo.

De repente, o cortinado mexeu-se de novo. Lucas e Tili olharam e viram o rato a espreitar, agora com um pedaço de queijo que tinha encontrado. O rato olhou para eles, abanou o nariz e desapareceu outra vez atrás do cortinado. Mas alguma coisa mágica tinha acontecido: o cortinado ficou dourado, brilhando suavemente, como se as estrelas tivessem deixado ali um pouco da sua luz.

Tili subiu à janela e acenou. Com um salto, desapareceu num flash prateado, deixando Lucas a sorrir.

Quando Lucas desceu do clocher, o céu já estava azul-claro e o sino continuava silencioso, mas ele sabia que o segredo das estrelas estava guardado ali, no velho clocher e atrás do cortinado que agora brilhava como um convite para novas aventuras.

Lucas olhou para o presente do amigo, sentiu-se forte, curioso e cheio de vontade de conhecer o universo inteiro. Afinal, aprender coisas novas e conhecer pessoas diferentes é sempre uma aventura maravilhosa.

E sempre que o cortinado do clocher mexia ao vento, Lucas sorria, certo de que, algures entre as estrelas, Tili também estava a sorrir para ele.

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Clocher
A torre onde fica o sino da vila, lugar alto e antigo.
Sótão
O espaço em cima da casa, junto ao telhado, onde se guardam coisas.
Binóculo
Objeto com duas lentes para ver coisas longe, como estrelas.
Constelações
Grupos de estrelas que formam desenhos no céu à noite.
Teias de aranha
Fios finos feitos por aranhas, que ficam entre móveis e cantos.
Vigas
Grandes peças de madeira que seguram o telhado ou o teto.
Tradutor de estrelas
Aparelho que, na história, tenta transformar os sons das estrelas em som.
Flash prateado
Uma luz rápida e brilhante, de cor prateada, como um relâmpago pequeno.
Vibrar
Mexer-se muito rápido, como quando algo toca e faz um som suave.

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