Parte 1 – O Robinetão da Chuva
Nuno tinha quatro anos e um desejo muito engraçado: ele queria fechar o robinet da chuva. Sim, aquele robinet enorme que, segundo a avó, ficava escondido atrás das nuvens e fazia a água cair do céu.
Nuno olhava pela janela do quarto. Lá fora, tudo estava molhado. As poças brilhavam e as minhocas faziam corridas. Mas Nuno queria brincar no parque sem se molhar até aos ossos.
— Avó, há mesmo um robinet lá em cima? — perguntou Nuno, com os olhos muito abertos.
A avó sorriu e fez um ar misterioso.
— Só os pequenos grandes aventureiros conseguem encontrá-lo, Nuno.
Nuno sentiu-se logo muito corajoso. Pegou na sua capa de chuva amarela, nas botas de borracha e no ursinho Tobias, que também queria ir à aventura.
— Anda, Tobias! Vamos fechar o robinet da chuva!
Nuno abriu a porta e saiu, a rir-se do barulho das gotas a saltar nas folhas.
Parte 2 – O Parque das Surpresas
No parque, Nuno olhou para cima. As nuvens pareciam montanhas fofas. “Onde estará o robinet?”, pensou. De repente, ouviu um barulho estranho: “Ploc, ploc, ploc!”
Era o Sapo Gaspar, sentado numa poça.
— Olá, Nuno! — disse Gaspar, com um sorriso largo — Vais saltar comigo nas poças?
— Não agora, Gaspar. Procuro o robinet da chuva para o fechar. Queres ajudar?
Gaspar coçou a cabeça verde.
— Claro! Se fecharmos o robinet, as poças desaparecem?
— Só por um bocadinho — prometeu Nuno.
Gaspar saltou para o ombro de Nuno. Juntos, procuraram pistas. No baloiço, encontraram a Joaninha Rita, de chapéu cor-de-rosa.
— Rita, viste o robinet da chuva?
— Vi uma coisa brilhante atrás do escorrega! — disse Rita, animada.
Correram juntos, entre risos e saltos. Atrás do escorrega, encontraram... um guarda-chuva velho, todo às cores.
— Isto não é um robinet! — riu-se Gaspar.
— Mas é divertido! — disse Rita, abrindo o guarda-chuva que dançava com o vento.
Nuno não desistiu. “O robinet deve estar mais alto”, pensou.
Parte 3 – O Grande Robinet
Nuno subiu ao topo da casinha do parque. Tobias, Gaspar e Rita foram atrás. Lá de cima, Nuno viu uma nuvem muito especial: tinha riscas azuis, parecia uma escada de algodão-doce.
— Vamos subir! — gritou Nuno, com coragem.
De repente, sentiram-se leves como balões. Flutuaram até à nuvem-risca. No meio da nuvem, estava lá ele: um robinet gigante, dourado, com uma etiqueta a dizer “Cuidado: só fechar com amigos”.
— Que maravilha! — exclamou Nuno.
— Podemos fechar juntos? — perguntou Rita.
— Sim! — disseram todos ao mesmo tempo.
Cada um agarrou numa parte do robinet. Tobias, com as patinhas de peluche. Gaspar, com as pernas saltitonas. Rita, com as asas vermelhas. Nuno, com as mãos pequeninas.
— Um, dois, três... rodar! — gritou Nuno.
Rodaram devagar. A chuva começou a abrandar. O céu ficou mais claro. Um arco-íris apareceu, sorrindo para eles.
— Uau! — disse Gaspar. — Agora podemos brincar no parque!
— E juntos conseguimos fechar o robinet da chuva! — disse Nuno, orgulhoso.
Desceram da nuvem, a rir. O parque estava cheio de cor e alegria. As poças brilhavam com o arco-íris.
Nuno, Tobias, Gaspar e Rita correram, saltaram e dançaram, sabendo que, se um dia precisassem, podiam sempre voltar à nuvem-risca e fechar ou abrir o robinet da chuva, todos juntos.
No fim, Nuno deu a mão aos amigos e sussurrou:
— É mais divertido quando estamos juntos.
E todos concordaram, com o coração quentinho e o sorriso aberto.