O martelo Tico acordou cedo. A rua bocejava. Os telhados piscavam luz. Tico tinha uma missão: instalar uma campainha ao amanhecer. Ele estava muito animado. Ele bateu no próprio corpo. "Vamos!" disse Tico.
Rita, a fita métrica, enrolou-se ao redor de Tico. "Cuidado," sussurrou Rita. Pingo, o prego, balançou. "Eu sou pequenino, mas forte," disse Pingo. Um sininho dourado brilhava na sacola. Ele piscava como uma estrela. "Eu quero tocar," disse o sininho.
Tico caminhou até a porta. A porta era velha e boazinha. Ela rangia um pouco de sono. "Bom dia," disse a porta. "Bom dia," disse Tico. O sol acordou devagar. Era quase amanhecer.
Tico tentou martelar. Pingo escorregou e foi parar no pé de uma cadeira. Pingo riu. "Quase!" disse Tico. Rita mediu e mediu. "Mais para cima." Rita puxou. O sininho pulou. "Ops!" fez o sininho. Um pequenino feitiço da manhã fez as coisas ficarem engraçadas. O martelo bateu e... fez cócegas na madeira. A madeira riu. A madeira sacudiu e soltou uma flor de papel. Todos riram.
Tico respirou fundo. "Eu consigo," murmurou. Ele tentou de novo. Desta vez, Tico cantou uma canção enquanto martelava. A canção fez as ferramentas mais certas. Pingo entrou no lugar certinho. O sininho pendurou-se com orgulho. A porta sorriu. O sol esticou os raios.
Mas algo engraçado aconteceu. Quando Rita mediu de novo, a campainha ficou virada para o lado. "Tocar de lado?" perguntou o sininho. Tico pensou. Ele girou Pingo com cuidado. Girar não é ruim. Girar é divertido. O sininho ficou perfeito.
O amanhecer chegou. Os passarinhos assobiaram. Tico deu o último martelo. "Pronto!" disse ele. O sininho tocou. Um som pequeno e feliz subiu pela rua. Todos — a porta, a cadeira, Rita, Pingo — bateram palmas com as unhas e os cantos. O sininho tocou de novo. Era tão gentil.
Tico olhou para o sol. Ele se sentiu grande por tentar. Ele sorriu. Coragem é tentar. Coragem é sorrir quando algo dá errado. E naquela rua calma, a cada amanhecer, alguém tocaria a campainha e todos se lembrariam de rir.