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História sobre a festa de ano novo 11 a 12 anos Leitura 11 min.

A véspera das três promessas

Lia, uma menina de doze anos, decide colar seus desejos para o Ano Novo em um caderno de fotografias, aprendendo sobre paciência, coragem e paz através das memórias e da dança com sua família. Em uma noite mágica, ela descobre que os gestos simples podem transformar relacionamentos e momentos especiais.

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Uma menina de 12 anos, com longos cabelos castanhos e olhos brilhantes de alegria, está colando fotos em um caderno sobre uma mesa de madeira. Ela usa um suéter vermelho vivo decorado com flocos de neve e exibe um grande sorriso, cheia de empolgação para a festa de Ano Novo. Ao lado dela, sua mãe, uma mulher na casa dos trinta anos com cabelos castanhos presos em um coque, prepara um bolo de festa, adicionando cuidadosamente velas coloridas. Ao fundo, seu irmão mais novo, um menino de 8 anos, se diverte fazendo caretas enquanto segura uma guirlanda brilhante, pronto para decorar o ambiente. A cena acontece em uma cozinha acolhedora, iluminada por luzes de Natal e cheia do cheiro de bolos recém-assados. Balões coloridos flutuam no teto, e um grande relógio na parede indica que está quase meia-noite. A situação principal mostra a menina, cheia de entusiasmo, compartilhando seus desejos para o novo ano com a família, criando uma atmosfera alegre e festiva. reportar um problema com esta imagem

1. As tesouras e as fotografias

Lia tinha sempre um restinho de fita-cola presa entre os dedos e um pedaço de papel que poderia virar lembrança. Aos doze anos, colecionava fotos como quem coleciona segredos bons: recortava bordas, sobrepunha sorrisos e escrevia pequenas notas ao lado das imagens. Seu caderno de colagens parecia um mapa de verão — sorvetes em dias de chuva, um gato que decidiu entrar na foto, o avô soprando as velas com cara de conspirador.

Na véspera de Ano Novo, a mesa da cozinha virou ateliê. Papéis cintilantes, canetas coloridas e um pacote de fotos antigas esperavam. Lia tinha uma missão clara: anotar três desejos para o ano que chegava e colá-los perto de três fotos que, para ela, guardavam promessa. Não eram pedidos grandiosos. Eram pedidos de menina que já tinha aprendido a valorizar o pequeno.

— Três só, Lia — lembrou o irmão, meio rindo, meio aborrecido ao tentar roubar um pedaço de fita.

— Só três — respondeu ela, em voz firme. — Um por foto. Patience, irmão, paciência.

Ela sorriu, porque “pacience” soava até engraçado vindo de uma pessoa de doze anos. E paciência seria, de fato, o primeiro pedido. Escreveu com letra miúda: “Quero aprender a esperar sem perder a alegria.” Dobrou o papel e prendeu-o ao lado de uma fotografia de um piquenique em que uma nuvem tinha roubado metade do bolo.

2. O relógio, as luzes e a espera

A casa enchia-se de luzinhas e cheiros. Havia bolo de canela, chá de frutas e uma playlist que a mãe de Lia preparara com faixas que prometiam fazer o sofá dançar. As vozes subiam e desciam como bolhas no ar. Às vezes, Lia levantava a cabeça e olhava para o relógio da sala, que ticava com a paciência de um velho amigo. Faltava pouco para a meia-noite e, por um motivo que Lia guardava no peito, ela esperava ver alguém à janela.

— Vai ser divertido — disse a prima Sofia, rebolando uma fita —. Vamos brincar do jogo das memórias?

O jogo consistia em pegar uma foto ao acaso do caderno de Lia, contar a história por trás daquela imagem e escolher um gesto para simbolizá-la. Mas, naquela noite, algo mudou. A contagem para o Ano Novo fazia o tempo se esticar como um elástico; as conversas que antes eram rápidas tornaram-se silenciosas, cheias de olhos atentos.

— Paciência é chata, às vezes — murmurou Lia para si mesma, enquanto colava o segundo papelito. — Mas também é mágica quando você espera a hora certa.

Ela terminou o segundo desejo: “Quero mais coragem para dizer o que sinto.” Colou-o junto a uma foto em que aparecia mollhada de tanto rir.

3. A chegada na meia-noite

Quando o relógio marcou onze e cinquenta e nove, as luzes da rua acenderam-se como vaga-lumes presos em vidro. Lia foi até a janela mais por hábito do que por esperança. Viu passos apressados na calçada, sacolas brilhantes, capas que voavam.

— Olha! — Sofia apontou para a rua.

E ela apareceu: a mãe de Lia. Não era comum vê-la tão tarde na rua naquela noite, porque desde que o pai mudara de cidade por trabalho, a mãe costumava dividir as festas entre dois mapas. Mas naquela véspera, ela vinha para a meia-noite. Lia sentiu um aperto que parecia borboletas tremendo dentro da garganta.

A mãe entrou pela porta como se tivesse trazido uma luz própria. O abraço foi longo. Os olhares entre mãe e filha disseram tudo que as palavras demorariam a dizer. A mãe depositou um envelope sobre a mesa, com a escrita de Lia. Dentro, um bilhete curto: “Cheguei. Feliz Ano Novo.”

— Desculpe o atraso — disse a mãe, sussurrando. — Mas não queria que eu mesma perdesse o relógio batendo.

Lia fixou o olhar no bilhete, depois no relógio, que marcava poucos segundos para a virada. Sentiu a paciência valer a pena, como moeda rara trocada por algo simples e precioso.

4. O jogo deslocado que virou dança

O jogo das memórias começou como sempre, com um papel sendo sorteado e uma história contada. Só que, de repente, alguém ligou uma música diferente — um ritmo que parecia empurrar as cadeiras para longe. O jogo deslocou-se no espaço e no tempo; a sala transformou-se num salão onde cada lembrança pedia movimento.

— Representem o verão de 2019! — gritou a mãe, com um sorriso que iluminou a testa de todos.

Lia pegou uma foto, desta vez uma em que ela, menina menor, corria detrás de uma pipa. Em vez de apenas contar, levantou-se e deixou que a música guiasse seus passos. Devagar, um gesto virou passo, um passo virou riso, e logo a sala inteira dançava a história de cada fotografia. O irmão que antes zombara de paciência rodava como um pião; a prima fazia piruetas com uma fita de papel. O jogo, deslocado do modo calmo e sombrio em que começara, virou algo alegre e desajeitado.

— Isto é um jogo de dança! — exclamou Sofia. — Um jogo que pede para o corpo lembrar!

A mãe segurou a mão de Lia e rodopiou com ela. No movimento, Lia sentiu que a espera pela mãe, o relógio e até os momentos de aborrecimento se transformavam em algo mais leve. A paciência tinha se revestido de música.

5. Os três desejos em voz alta

Quando a música baixou, ficou um silêncio gostoso. O relógio já marcava o instante exato. Chegou a hora de pronunciar os pedidos, costume que Lia inventara um ano antes. Abriu o caderno, tirou os três papéis e colocou cada um perto das fotos que escolhera.

— Primeiro desejo — disse ela, firme, olhando no olho de cada pessoa ao redor da mesa —: “Paciência. Que eu saiba esperar sem perder a alegria.”

Os presentes bateram palmas de leve, sabendo que o primeiro era um pedido que precisava ser praticado diariamente.

— Segundo desejo — continuou Lia —: “Coragem para dizer o que sinto. Para pedir desculpas quando erro e para agradecer quando sou amada.”

A mãe apertou sua mão com força, e Lia sentiu o calor de um ‘posso' não dito.

— Terceiro desejo — falou, com a voz suave —: “Que haja paz entre nós. Um gesto simples de paz que transforme as brigas pequenas em abraços maiores.”

Ao terminar, colou o último papel ao lado de uma foto em que duas mãos crianças se apertavam, como se fizessem um pacto silencioso.

— Posso fazer um pedido também? — murmurou o irmão, meio sem jeito.

— Pode — disse Lia.

Antes da contagem regressiva, a mãe deixou um pequeno presente sobre a mesa: um envelope com uma fotografia nova, tirada instantes antes, onde Lia e a mãe apareciam rindo com confete no cabelo. A fotografia tinha um espaço em branco no verso, decorado com caneta dourada.

— Escreva um desejo que possamos guardar juntas — sugeriu a mãe.

Lia escrevou apenas uma palavra: “Juntas.”

6. O gesto de paz e o novo ano

Quando os últimos segundos passaram, todos gritaram: feliz ano! Fogos distantes fizeram bolhas de luz no céu. Mas o fogo mais delicado estava ali, na sala pequena e morna: as pessoas, troca de olhares, as mãos que se alcançavam.

Depois da euforia, ficou algo tranquilo. Lia levou o caderno até o centro da mesa e abriu um espaço para um gesto de paz. Lembrou-se de uma briga recente com a prima Sofia por um pedaço de bolo que não existia mais. Respirou fundo, lembrando do desejo de coragem, e se aproximou.

— Sofia — disse ela, com leveza —. Eu fiquei chateada naquele dia. Sinto muito. Quer colar essa foto comigo?

Sofia olhou surpresa, depois sorriu e deu uma piscadela.

— Sim — respondeu, e abraçaram-se antes que a sala percebesse que era um abraço de verdade, daqueles que consertam pequenas rachaduras.

A mãe juntou as mãos de todas e murmurou:

— Que a paciência nos ensine a esperar o melhor em cada pessoa.

Lia prendeu a nova foto, a que a mãe trouxera, bem no centro do caderno, rodeada pelos três desejos. Era um círculo de promessas: paciência, coragem, paz.

Quando as luzes da casa diminuíram e a playlist tocou uma canção lenta, Lia sentiu-se como se tivesse colado não só imagens, mas também memórias novas. O gesto de paz — um pedido de desculpas, um abraço, uma palavra — transformara a noite. Era simples, como a própria ideia de colar uma fotografia, e forte como prometer ficar até a meia-noite para ver alguém chegar.

Lia ficou alguns minutos olhando para as páginas do caderno. Sabia que aprender a esperar ainda exigiria tropeços e risos, mas também sabia que cada pedido que ela escrevera podia crescer com o cuidado de quem tem paciência. E se, no ano que vinha, ela esquecesse por um dia? Haveria sempre um caderno, uma música que vira dança e uma mãe que chega para a meia-noite.

No fim, desligaram as luzinhas uma a uma, como se cada uma fosse uma palavra boa guardada. Lia apagou a luz do quarto e, com a lanterna do celular, leu os três desejos uma vez mais antes de fechar os olhos. Sentiu paz. Sentiu esperança. Sentiu, sobretudo, que esperar valera muito a pena.

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Lembrança
Uma recordação, algo que faz você lembrar de um momento especial.
Colagens
A arte de juntar diferentes papéis e imagens para criar algo novo.
Promessa
Uma declaração de que se fará ou se evitará algo no futuro.
Desajeitado
Algo que é feito de maneira desastrada, sem coordenação.
Paciência
A capacidade de esperar ou tolerar algo sem se irritar.
Conspirador
Alguém que faz planos secretos, geralmente para algo que não é bom.

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