Parte 1
Era verão. O sol era morno e dourado. A relva cheirava a doce. O Coelho Lino acordou cedo na toca. Bocejou. Espreguiçou as orelhas. E sorriu.
Lá fora, as férias de verão pareciam um abraço. Havia flores amarelas. Havia sombras frescas. Havia um vento leve a fazer “fuuu”.
O Lino levou uma cesta pequena. Dentro, pôs uma cenoura, uma maçã e uma garrafa de água. “Hoje vou brincar lá fora”, disse ele, baixinho.
No caminho, encontrou a Tartaruga Tina. Ela estava perto do lago, a olhar para a água brilhante.
“Olá, Tina!”, disse o Lino.
“Olá, Lino”, respondeu a Tina, com voz lenta e doce.
O Lino viu que a Tina mexia devagar, devagar. Os olhos dela piscavam muito. Parecia cansada.
“Queres brincar comigo?”, perguntou o Lino.
A Tina tentou sorrir. “Quero… mas as minhas patas estão pesadas.”
O Lino sentiu um apertinho no peito. Ele gostava muito da Tina. Queria que ela ficasse bem.
“Então vamos devagar”, disse o Lino. “Podemos sentar um bocadinho na sombra.”
A Tina suspirou. “Na sombra… sim, por favor.”
Eles foram até uma árvore grande. A sombra era fresquinha. O chão estava macio, com folhas.
O Lino tirou a garrafa de água. “Tina, queres um gole?”
“Quero”, disse ela.
A Tina bebeu devagar. “Obrigada, Lino.”
O Lino olhou para o lago. A água fazia brilhos como estrelas pequenas. Pássaros cantavam. O mundo parecia calmo.
“Eu queria correr”, disse o Lino, mexendo as patas. “Mas também quero ficar contigo.”
A Tina sorriu mais. “Ficar contigo é bom.”
O Lino teve uma ideia. “Vamos fazer uma pausa de verdade. Uma pausa de férias.”
“Como é uma pausa de verdade?”, perguntou a Tina.
O Lino encostou as costas ao tronco. “Assim. Sentar. Respirar. E ouvir.”
Eles ouviram. Ouviram “cri-cri” dos grilos. Ouviram “ploc” de uma gota. Ouviram o vento.
O Lino disse: “Quando alguém está cansado, uma pausa ajuda. Uma pausa é carinho.”
Parte 2
Depois de um tempo, apareceu o Esquilo Pipo. Ele saltava muito rápido. Tinha uma bola redonda e vermelha.
“Lino! Tina! Vamos jogar! Vamos já!”, gritou o Pipo, com energia.
Ele rolou a bola. A bola parou perto das patas do Lino.
O Lino gostava de jogar. A bola era bonita. Mas ele olhou para a Tina. Ela estava quieta. A cabeça dela estava um pouco baixa.
O Lino sentiu duas vontades dentro dele. Uma dizia: “Corre!” A outra dizia: “Cuida!”
O Pipo saltou outra vez. “Vão, vão! Depressa!”
O Lino respirou fundo. Lembrou-se da pausa de verdade.
“Pipo”, disse ele com voz calma, “eu quero jogar. Mas agora a Tina está cansada.”
O Pipo parou. Piscou os olhos. “Cansada?”
A Tina falou baixinho: “Estou um pouco cansada, sim.”
O Lino continuou, com cuidado: “Hoje eu digo não ao jogo rápido. Eu digo sim à pausa. Podemos jogar mais tarde.”
O Pipo fez uma cara de surpresa. “Tu dizes não?”
O Lino assentiu. “Sim. Eu posso dizer não, com calma. Não é zangado. É só para cuidar.”
O Pipo olhou para a bola. Depois olhou para a sombra fresca. A sombra parecia convidar.
“Eu… também estou um pouco cansado”, confessou o Pipo, mais baixinho. “Eu só não reparei.”
O Lino sorriu. “Então vem. Senta aqui.”
O Pipo sentou. No começo, mexia-se muito. Depois, ficou mais quieto. O vento fez cócegas no nariz dele. Ele riu.
O Lino abriu a cesta. “Querem um pedaço de maçã?”
“Sim!”, disseram os dois.
Eles comeram devagar. “Croc, croc.” A maçã era fresca. A cenoura era doce. A água era boa.
“Obrigado por dizeres não”, disse a Tina. “Assim eu consigo ficar contigo.”
O Lino ficou quentinho por dentro. “Eu aprendo a ouvir o meu corpo e o teu.”
O Pipo pegou na bola e falou mais calmo: “Podemos jogar um jogo lento.”
“Um jogo lento?”, perguntou o Lino.
“Sim”, disse o Pipo. “Rolar a bola devagar. Sem correr.”
O Lino olhou para a Tina. “O que achas?”
A Tina sorriu. “Acho bom. Devagar eu consigo.”
Eles fizeram uma linha na relva. A bola rolava devagar, devagar. Às vezes parava. E tudo bem. Eles riam baixinho.
Quando o sol ficou mais baixo, o céu ficou cor-de-rosa. O ar cheirava a verão e a terra.
“Eu gostei do dia”, disse a Tina.
“Eu também”, disse o Pipo. “A pausa foi boa.”
O Lino fechou a cesta. “Nas férias, a gente brinca. E a gente descansa. E a gente pode dizer não, para ficar bem.”
Eles ficaram mais um pouco na sombra. Só a ouvir o vento. Depois, cada um foi para a sua casa, com o coração leve e tranquilo. O verão continuava, doce e brilhante, como um sorriso.