Parte 1
O Tomás tinha 3 anos. Era verão. O sol fazia a rua brilhar. As férias tinham chegado.
De manhã, o Tomás acordou e disse: “Mãe, hoje é dia de férias!”
A mãe sorriu: “É sim. E nas férias fazemos coisas calmas e felizes.”
O Tomás calçou as sandálias. Sentiu os pés fresquinhos. Na cozinha havia melancia. Vermelha e doce. O Tomás comeu devagar. O sumo escorreu um pouco.
“Que bom,” disse ele.
“Verão sabe a melancia,” disse a mãe.
Depois foram ao parque. O ar cheirava a relva. Havia sombra e havia luz. O Tomás ouviu pássaros. Ouviu também crianças a rir.
No parque estava a Inês, a vizinha. Ela tinha uma bola amarela.
“Queres brincar?” perguntou a Inês.
“Quero!” disse o Tomás, com olhos grandes.
A Inês estendeu a bola. “É a minha bola. Usamos com cuidado.”
O Tomás segurou a bola com as duas mãos. Era leve. Era lisa.
“Eu cuido,” disse ele.
Eles chutaram a bola devagar. Um chute. Outro chute. A bola rolava e voltava. O Tomás ria. A Inês ria.
O pai do Tomás disse: “Que férias boas. Estamos juntos.”
O Tomás olhou para o céu azul. Sentiu-se com sorte.
Parte 2
A certa altura, a bola rolou para perto de um banco. O Tomás viu um pouco de terra na bola. E viu uma marca escura, como chocolate. O Tomás ficou quieto.
“Fiz mal?” perguntou baixinho.
A Inês olhou para a bola e franziu a testa. Depois respirou fundo.
“Não sei. Pode limpar,” disse ela, com voz calma.
A mãe do Tomás aproximou-se. “Vamos resolver. Sem pressa.”
O Tomás sentiu um aperto na barriga. Ele gostava de brincar. E gostava de fazer as coisas bem.
“Eu quero devolver como recebi,” disse o Tomás, devagar.
A mãe tirou da mochila um paninho e uma garrafinha de água.
“Vamos lavar a bola,” disse ela. “Como lavamos as mãos.”
O pai fez sombra com o corpo para o sol não incomodar.
A Inês sentou-se ao lado, a olhar.
O Tomás molhou o paninho. Fez “ploc, ploc”. Depois passou na bola. Uma vez. Duas vezes. Três vezes.
A mancha ficou mais clara. O Tomás continuou. Com calma. Com cuidado.
“Esfrega suave,” disse a mãe.
“Suave,” repetiu o Tomás.
A bola ficou amarelinha outra vez. Brilhante.
A Inês sorriu. “Está como antes.”
O Tomás sentiu o peito leve. “Obrigado por esperares,” disse ele.
A Inês respondeu: “Obrigado por cuidares.”
Parte 3
Eles voltaram a brincar. Agora o Tomás dizia sempre: “Com cuidado, com cuidado.”
E a bola ia e vinha. Ia e vinha. Como uma onda pequena.
Mais tarde, sentaram-se na toalha. A mãe deu água fresca.
“Nas férias, o corpo descansa,” disse ela.
O Tomás bebeu e ouviu o som da água: “gluglu”.
O vento fazia cócegas no rosto.
O pai mostrou uma folha grande. “Olha, parece um leque.”
O Tomás abanou a folha. “Fuuuu,” fez ele.
Todos riram baixinho.
Quando o sol ficou mais manso, era hora de ir para casa.
A Inês pegou na bola. O Tomás olhou para ela, com atenção.
“Está limpa,” disse ele. “Como quando me deste.”
A Inês acenou. “Sim. Obrigada, Tomás.”
No caminho, o Tomás segurou a mão da mãe.
“Mãe, eu tenho sorte?”
A mãe apertou a mão dele. “Tens. Tens férias, tens família, tens tempo para brincar.”
O Tomás pensou um pouco. Depois sorriu.
“Eu vou lembrar,” disse ele. “E vou cuidar das coisas.”
Em casa, tomou banho morno. Vestiu o pijama leve. A janela estava aberta e entrava cheiro de verão.
A mãe fez um carinho na cabeça.
“Boa noite, Tomás.”
“Boa noite,” disse ele, tranquilo.
E adormeceu a pensar na bola amarela, na melancia doce e no sol feliz das férias.