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História sobre a primavera 3 a 4 anos Leitura 8 min.

Três flores para a vovó e muitas para as abelhas

Inês passeia com a mamã na primavera, descobre folhas e flores, observa abelhas e borboletas e aprende a importância de partilhar entre a vovó e a natureza.

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Menina de 4 anos, rosto redondo e bochechas rosadas, cabelos castanhos em rabo de cavalo curto, olhar maravilhado e sorriso tímido, segurando três pequenas flores coloridas; mãe de ~30 anos, cabelo preso em coque, casaco pastel, atrás da menina com a mão no ombro, expressão doce e protetora; avó de ~70 anos, cabelo grisalho preso, avental florido, abrindo um portão de madeira e estendendo as mãos para receber as flores; um zangão amarelo e preto e uma pequena borboleta branca voam próximos, ambos em estilo modelado com textura visível; cenário: jardim primaveril diante de uma casa com cascalho claro, canteiros de flores rosas, amarelas e violetas, relva com gotas de orvalho e portão azul com pintura descascada; ação principal: a menina oferece as três flores à avó no limiar do portão, mãe observa, atmosfera luminosa, cores suaves e texturas arredondadas. reportar um problema com esta imagem

A Inês tinha 4 anos. Era de manhã, e a luz entrava macia pela janela. O frio do inverno já não mordia. O ar parecia mais leve.

A Inês abriu a porta de casa e respirou fundo. “Cheira a… cheira a limpo”, disse ela, com um sorriso pequeno.

A mamã pôs-lhe o casaco fininho. “Hoje é primavera”, disse a mamã. “Vamos dar um passeio.”

A Inês deu a mão à mamã. Lá fora, o céu estava azul-claro, como uma manta lavada. Havia passarinhos a cantar, piu-piu, piu-piu, como se estivessem a dizer “bom dia” a toda a gente.

No caminho, a Inês viu gotas brilhantes na relva. Ela agachou-se. “São bolinhas de água!”

“São gotinhas”, respondeu a mamã. “A relva bebeu a chuva.”

A Inês tocou com a ponta do dedo. Estava fresquinho. Ela cheirou a relva e fez uma cara contente. “Cheira a verde.”

Andaram devagar, sem pressa. A Inês gostava de andar devagar. Assim, podia ver tudo.

Passaram por uma árvore com ramos finos. Agora tinha pontinhos novos, pequeninos. “Olha, mamã! A árvore tem bebés!”

A mamã riu baixinho. “São folhas a nascer. A árvore acordou.”

A Inês encostou a mão ao tronco. Era áspero, mas quente do sol. Ela ficou a ouvir. Não ouviu palavras, mas sentiu que a árvore estava viva.

Mais à frente, havia um canteiro com flores. Algumas eram amarelas, outras roxas. A Inês aproximou o nariz. “Hummm… cheira doce.”

De repente, passou um inseto a voar, bem perto. A Inês abriu muito os olhos. “Uma abelha!”

A abelha pousou numa flor amarela. A Inês ficou quieta. A abelha mexia as patinhas e enfiava a cabeça na flor. Parecia estar a trabalhar.

“Ela está a comer?”, perguntou a Inês, em voz baixa, como quem fala num segredo.

“Ela está a beber néctar”, disse a mamã. “É como um suminho das flores. E, quando ela vai de flor em flor, ajuda as plantas.”

A Inês observou com atenção. O sol fazia a abelha brilhar um pouco. O zumbido era baixinho, como um motor pequenino.

A Inês apontou para um montinho de flores cor-de-rosa. “Mamã, posso apanhar estas flores para a vovó? Ela gosta de flores.”

A mamã agachou-se ao lado dela. “Podemos levar algumas, sim. Mas vamos pensar: se levarmos todas, o que é que as abelhas e as borboletas vão beber?”

A Inês olhou para as flores. Depois olhou para a abelha. Depois olhou para a mamã. A cara dela ficou pensativa.

A mamã falou com doçura. “Partilhar é também com a natureza. Nós podemos deixar flores para os insetos.”

A Inês fez um “ahh” baixinho. “Então… eu posso apanhar só um bocadinho?”

“Sim”, disse a mamã. “Escolhemos poucas. E deixamos muitas aqui. Assim, a vovó fica feliz e os insetos também.”

A Inês gostou dessa ideia. Ela começou a contar, com a voz suave: “Uma flor… duas flores… três flores.” Só três. Ela escolheu as mais altas e cheirosas.

Depois, ela pousou a mão perto das outras flores e falou como se elas entendessem. “Fiquem aqui. São para as abelhas. São para as borboletas.”

A mamã beijou-lhe o cabelo. “Que bonito, Inês.”

Continuaram a caminhar. O vento fazia cócegas na cara. A Inês fechou os olhos por um segundo e ouviu: pássaros, folhas a mexer, e passos no caminho. Era uma música calma.

Ao lado de um muro, viram uma borboleta branca. Ela voava devagar, como um pedacinho de papel no ar.

A Inês levantou a mão, mas não tentou tocar. Só acompanhou com os olhos. “Ela é leve.”

A mamã respondeu: “Ela gosta de flores também. Por isso, é bom haver muitas.”

A Inês lembrou-se. “Eu deixei muitas!”

“Deixaste”, disse a mamã. “E isso é partilhar.

Passaram por uma poça pequena que refletia o céu. A Inês olhou lá para dentro. “O céu está no chão!”

A mamã sorriu. “Está a brincar contigo.”

A Inês riu baixinho. Ela gostava dessas brincadeiras.

Quando chegaram ao portão da vovó, a Inês segurou as três flores com cuidado. Bateu palminhas de leve e tocou à campainha.

A vovó abriu a porta. Tinha um avental e mãos cheirosas a sabonete. “Olá, minha florzinha!”

A Inês esticou o braço. “Vovó, são para ti. Só três. Deixei muitas lá fora para as abelhas.”

A vovó ficou com os olhos ternos. “Que menina tão querida. Partilhaste com a vovó e com as abelhas. Isso é um coração grande.”

A Inês encostou-se à vovó, num abraço quentinho. A vovó cheirava a casa. Cheirava a chá e bolachas.

Entraram. A vovó pôs as flores num copo com água, em cima da mesa. As pétalas pareciam sorrir.

“Queres uma bolacha?”, perguntou a vovó.

A Inês assentiu. “Sim, por favor.”

A bolacha era crocante. Fazia “croc” e tinha gosto de manteiga. A Inês bebeu um pouco de água. Sentiu-se bem.

Depois, sentaram-se junto à janela. Dava para ver o jardim. Havia um vaso com uma flor amarela, e a vovó tinha mais vasos com plantas pequenas.

A Inês apontou. “Vovó, podemos ter flores para os insetos aqui também?”

“Podemos, sim”, respondeu a vovó. “Vamos cuidar delas. Regar com carinho. E depois, quando as flores abrirem, os insetos vêm visitar.”

A Inês gostou da palavra “visitar”. Parecia uma festa tranquila.

Quando voltaram para casa, o sol já estava mais baixo. A luz era dourada e macia. A Inês bocejou no caminho. Os pés estavam cansados, mas era um cansaço bom.

Em casa, a mamã deu-lhe um banho morno. A água fazia “ploc-ploc” e cheirava a sabonete. A Inês fechou os olhos e pensou nas flores, na abelha, na borboleta.

No pijama, ela ficou na cama com a sua mantinha. A mamã sentou-se ao lado.

“Hoje aprendeste uma coisa importante”, disse a mamã, com voz de ninho.

A Inês falou devagar. “Eu aprendi a deixar flores para os insetos. Eu partilhei.”

A mamã acariciou-lhe a testa. “Sim. Partilhar deixa o mundo mais bonito.”

A Inês sorriu, já com sono. “A primavera é bonita.”

“É”, disse a mamã. “E amanhã vamos ver mais folhas bebés.”

A Inês apertou a mantinha. O quarto estava quieto. Ela ouviu, ao longe, um passarinho a cantar baixinho, como um “boa noite”.

A Inês fechou os olhos. No pensamento, viu um jardim cheio de flores, e uma abelha contente. Tudo estava calmo. Tudo estava seguro.

E a Inês adormeceu num dodo manso e feliz.

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Primavera
É a estação do ano com flores, folhas novas e dias mais quentes.
Relva
Tapete verde que cresce no chão dos jardins e parques.
Gotinhas
Pequenas gotas de água, como quando choveu ou há orvalho.
Néctar
Sumo doce que as flores têm e que as abelhas bebem.
Canteiro
Lugar no jardim onde se plantam flores juntas.
Tronco
A parte grossa e forte da árvore, que sustenta os ramos.
áspero
Quando uma coisa é rugosa e não é lisa ao toque.
Pétalas
Cada folha colorida que faz parte da flor.
Partilhar
Dar uma parte do que temos para outras pessoas ou animais.
Avental
Peça de tecido que se põe na frente para não sujar as roupas.
Bocejou
Ato de abrir a boca grande quando se está com sono.
Manso
Algo calmo, tranquilo e que não assusta.

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