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História sobre a primavera 3 a 4 anos Leitura 5 min.

A sementinha mágica e o ritmo da primavera

Tomás e a amiga Lia plantam uma semente na escola e, com paciência e carinho, aprendem a respeitar o tempo e os cuidados que a natureza pede.

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Um menino de 4 anos, rosto redondo e bochechas rosadas, cabelo castanho curto e sorriso suave, segura delicadamente um pequeno vaso de barro com uma minúscula muda verde; ao lado, uma menina de cerca de 4 anos, cabelos pretos em trança e olhar curioso, toca a borda do vaso sem tocar a planta; uma educadora de ~30 anos, cabelo castanho claro preso e sorriso afetuoso, ajoelhada atrás deles com a mão no ombro do menino; cena numa sala de aula iluminada pela manhã, chão de madeira, mesa baixa com vasos e pequenas pás coloridas, janela ampla para um jardim; foco: as crianças observam juntas a muda, atmosfera terna e tranquila, cores em aquarela pastel e luz suave nas folhas. reportar um problema com esta imagem

Parte 1

Hoje o sol entrou pela janela bem cedinho. Tomás, um menino de três anos, abriu os olhos e sorriu. O quarto estava morninho. Lá fora, um passarinho cantava: “piu-piu, piu-piu”.

Na cozinha, a mamã mexia o leite. Cheirava a pão quentinho.

“Bom dia, Tomás”, disse ela.

“Bom dia! Está clarinho!”, respondeu Tomás, esfregando as mãos.

Tomás foi até à varanda. Viu folhas novas, bem verdinhas. O vento era leve e fazia cócegas no rosto.

“Cheira a primavera”, disse a mamã, chegando perto.

Tomás respirou fundo. “Cheira a jardim.”

No caminho para a escola, ele reparou em pequenas flores amarelas perto do passeio.

“Olha, mamã! Estão a acordar!”

“Sim”, disse ela. “A natureza acorda devagarinho. No ritmo dela.”

Na escola, Tomás encontrou a amiga Lia. Ela tinha um casaco fino, azul.

“Lia, vamos plantar uma semente?”, perguntou Tomás, com os olhos brilhantes.

“Uma semente?”, Lia inclinou a cabeça. “Ela já vira flor hoje?”

Tomás riu baixinho. “Acho que não. Mas podemos cuidar.”

Parte 2

A educadora trouxe um vasinho, terra escura e macia, e um copo de água.

“Hoje vamos plantar”, disse ela. “As plantas gostam de calma e de tempo.”

Tomás pegou na pazinha pequena. A terra parecia chocolate, mas ele sabia que não era para provar.

“É fofinha!”, disse ele.

Lia tocou com um dedo. “É fria.”

“É a terra a descansar”, explicou Tomás, como se fosse um segredo.

A educadora colocou uma semente na mão de Tomás. Era tão pequena!

“Parece uma migalhinha”, disse Lia.

Tomás fechou a mão com cuidado. “É uma migalhinha mágica. Mas sem pressa.”

Eles fizeram um buraquinho.

“Agora, a semente dorme aqui”, disse Tomás.

Lia olhou bem. “Ela não tem medo?”

Tomás abanou a cabeça. “Não. A terra abraça.

Lia ajudou a tapar a semente. Depois, Tomás deitou um pouquinho de água.

“Só um pouco”, lembrou a educadora. “Nem muito, nem pouco. Assim está bem.”

Tomás ouviu a água fazer “plim, plim” na terra.

Lia sorriu. “Gosto desse som.”

Nos dias seguintes, Tomás e Lia iam ver o vasinho.

Tomás dizia: “Bom dia, semente.”

Lia dizia: “Estás a crescer?”

Às vezes não havia nada para ver. Só terra.

Lia fazia um beicinho. “Ainda nada…”

Tomás segurava a mão dela. “A natureza não corre. Ela caminha.”

Na janela da sala, o sol fazia quadradinhos de luz no chão. O ar cheirava a sabonete e a lápis de cor. Lá fora, mais passarinhos cantavam.

Parte 3

Numa manhã calma, Tomás chegou e foi direto ao vasinho. Ele parou, muito quietinho.

“Lia… vem ver.”

Lia correu, mas parou perto, devagar, como Tomás.

Ali estava: um pontinho verde, bem pequenino, a espreitar.

“É um bebé planta!”, sussurrou Lia.

Tomás sorriu grande. “Eu disse. No ritmo dela.”

Lia tocou no ar, sem encostar. “Ela é tão frágil…”

“Vamos cuidar com carinho”, disse Tomás.

A educadora aproximou-se. “Vocês foram pacientes. Respeitaram o tempo da semente.”

Lia olhou para Tomás. “Desculpa. Eu queria que fosse rápido.”

Tomás abanou a cabeça. “Eu também queria ver logo. Mas esperar é como ouvir uma canção lenta.”

No fim do dia, Tomás contou à mamã.

“Plantámos e esperamos”, disse ele.

A mamã beijou-lhe a testa. “A primavera ensina isso. Cada coisa no seu tempo.”

À noite, na cama, Tomás fechou os olhos. Imaginou a semente a beber água, a sentir a terra quentinha, a esticar-se devagar. Lá fora, o vento suave cheirava a folhas novas.

“Boa noite, plantinha”, murmurou ele.

E adormeceu tranquilo, como a natureza, calma e feliz.

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Primavera
Estação do ano em que há flores e dias mais quentes.
Vasinho
Pequeno vaso onde se põe terra para plantar sementes.
Educadora
Pessoa que cuida e ensina as crianças na escola.
Pazinha
Uma pá pequenina que se usa para mexer na terra.
Migalhinha
Um pedacinho muito pequeno, como uma migalha de pão.
Abraça
Quando se envolve com os braços para mostrar carinho.
Frágil…
Muito delicado; pode partir ou estragar com facilidade.
Plim, plim
Som que as gotas de água fazem ao cair na terra.

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