Parte 1
Ana acordou com um raio de sol na cara. O dia cheirava a terra molhada. Ela abriu a janela e sentiu o ar fresco. Pássaros cantavam devagar. Flores pequenas balançavam no jardim.
"Mãe, olha!" disse Ana, apontando para a janela.
"É primavera," respondeu a mãe. "As plantas acordam. Os animais também."
Ana calçou os sapatos e saiu com a mãe. O chão estava macio. Havia gotas nas folhas. Ana cheirou uma flor. Era doce e suave.
Parte 2
No caminho, Ana viu uma trilha de formigas. As formigas caminhavam em fila. Cada uma carregava um pedacinho. Um pedaço de folha. Um grãozinho. Um fio de cabelo de lã.
"Ai, que trabalhinhas!" murmurou Ana. Ela agachou devagar. Não queria assustar. As formigas não pararam. Seguiam firmes pelo caminho.
"Olá, pequenas," disse Ana baixinho. "Bom trabalho."
A mãe sorriu. "Respeitamos as formigas," disse ela. "Elas também cuidam da casa."
Ana observou as patas das formigas. Eram finas e rápidas. Pareciam pequenas bailarinas. O sol brilhava nas costas delas. Havia um cheiro de pão vindo de longe. As formigas levavam alimento para casa. Levaram devagar. Levaram juntas.
Ana tocou a terra com o dedo. A terra estava fria e viva. Sentiu minhocas que se mexiam por baixo. Escutou um som suave: o som das abelhas fazendo o mel. Tudo estava acordando.
"Por favor, não pisar," disse Ana. Ela guardou os pés. Caminhou perto das plantas. Respeitou o caminho das formigas. Respeitou as pétalas das flores.
No parque, Ana colheu uma folha caída. Não arrancou flores. "As flores ficam aqui para todos," disse ela à mãe. A mãe a elogiou com um beijo na testa.
Parte 3
A tarde ficou morna. Ana comeu uma maçã. Tinha gosto de sol. Depois, ela e a mãe sentaram na sombra. Olharam as nuvens. Os passarinhos voltaram. Um cheiro de grama cortada veio longe.
"Primavera é tempo de cuidar," disse a mãe. "Vamos cuidar das plantas e dos animais."
Ana pegou um balde de água e regou as plantas pequenas. A água fez barulho feliz no regador. As folhas brilharam. As flores balançaram como se dissessem obrigado.
Ao chegar em casa, Ana pendurou o casaco grosso no armário. Ela olhou para ele com um sorriso. O casaco lembrava o frio do inverno. Agora estava guardado. Haveria dias frios outra vez, mas por enquanto o céu era quentinho.
Ana suspirou contente. O cheiro do quarto era de lençóis limpos. A mãe cantou uma canção baixa. Ana fechou os olhos. Pensou nas formigas, nas flores e no casaco no armário. Sorriu devagar.
"Boa noite, primavera," disse Ana. E dormiu com paz no coração.