O duende e o minutinho
Pirilim é um duende travesso de Natal. Ele é bem pequeno. Usa um gorro verde. O gorro tem um sino que faz “plim-plim”. Seus sapatos são vermelhos e macios. Seus olhos brilham como luzinhas.
Pirilim gosta de brincar. Gosta de fazer farças gentis. Não são farças ruins. São farças de rir, de surpresa boa, de carinho. Ele chega toda noite, bem quietinho. Vem na ponta dos pés. Vem com cheiro de canela e pinho.
A casa está pronta para o Natal. As meias de lã descansam na lareira. As fitas fazem laços. As luzes piscam devagar. As bolachas dormem na lata. As xícaras cochicham na prateleira. Tudo está macio e calmo.
Pirilim passeia. Ele alinha as bolas da árvore. Ele desenha um coração no vidro da janela. Ele troca um laço vermelho por um laço dourado. Ele ri baixinho. “Hihihi.” É só para brincar.
Na cozinha, Pirilim encontra um minutinho. O minutinho tem um ponteiro prateado. O minutinho faz “tic-tic”. Pirilim pisca. “Posso brincar um pouco?”, diz ele, bem baixinho. O minutinho não responde, mas brilha. Parece dizer “sim”.
Pirilim gira o ponteiro. Um, dois, três… gira mais um pouco. Ele quer ouvir “tlim-tlim”. Ele faz a travessura do minutinho. É só um susto de alegria. É só uma surpresa doce.
Ele aponta para as xícaras. “Quando tocar, a gente dança?”, pergunta. As xícaras dão risadinhas. “Dança!”, dizem elas. As meias também querem. “Nós também, nós também!”, falam as meias, macias e listradas.
Tudo fica em espera boa. É a espera que faz cócegas no coração. O minutinho respira: “tic… tac… tic… tac…”
O tlim-tlim que virou risada
De repente, “tlim-tlim! tlim-tlim!” O minutinho canta alto. Canta alegre. Canta brilhando.
As xícaras começam a dançar. Elas balançam devagar. “Clinc-clinc”, cantam elas. As meias fazem passinhos bobos. Elas pulam macio no tapete. As luzes piscam mais rápido. A casa fica contente.
Pirilim bate palminhas. “Que lindo!”, diz ele. “Que divertido!”
Mas, opa! O bolo na mesa também quer brincar. O bolo dá um passinho. O creme balança. O creme quase escorrega. Quase cai uma gota de chantili.
Pirilim corre com cuidado. Ele segura o creme com uma colher. Muito devagar. Muito gentil. “Calma, bolo. Tudo bem”, diz ele, sorrindo. “A gente dança sentadinho, está bem?”
O bolo fica feliz. Ele fica quieto e brilhante. Fica cheirando a baunilha. E dá um risinho baixinho. “Hihi.”
Pirilim olha ao redor. Vê que tudo está bem. Nada quebrou. Ninguém se machucou. É uma farça boa, redondinha e doce.
Ele fala com voz macia: “Desculpa, se assustei. Eu só queria um tlim-tlim de alegria.” As meias respondem: “Está tudo bem!” As xícaras falam: “Foi divertido!” As luzes piscam devagar, como quem concorda.
Pirilim tem outra ideia. “Vamos brincar do Minuto do Abraço?”, pergunta. “O minutinho toca. A gente para. Respira. Sorri. E dá um abraço.”
Todos gostam da ideia. “Sim!”, dizem juntos. O minutinho volta a “tic… tac… tic… tac…” É um tic-tac manso, de coração calmo.
Quando toca “tlim-tlim!”, Pirilim abre os braços. Ele abraça a chaleira, que é quentinha. A chaleira sorri com um “shhh” suave. As meias se abraçam entre si, fofas e listradas. As xícaras encostam bordinhas, bem de leve. É um abraço de casa inteira.
“Obrigada pela farça gentil”, diz a lata de bolachas. A lata é redonda e azul. “Eu também quero brincar.” Pirilim ri. Ele abre a lata com cuidado. Tira uma bolacha em forma de estrela. Tira outra em forma de coração.
“Uma para você, casa querida”, diz ele, e põe a bolacha de estrela no pratinho. “E uma para mim”, diz, mordendo a bolacha de coração. Croc-croc. Doce-doce. Ele divide. Dividir é carinho.
O descanso com cheiro de Natal
Depois da dança e do abraço, é hora de arrumar. Pirilim gosta de deixar tudo bonito. Ele passa um paninho na mesa. Ele ajeita as cadeiras. Ele sopra o pó de açúcar que voou. Sopra bem de leve. Faz um rastro de neve doce.
“Obrigado, Pirilim”, fala o relógio da sala. “De nada”, responde o duende, com um sorriso redondo.
Ele pega o minutinho de novo. “Agora é outro jogo”, diz ele. “É o Minuto do Silêncio.” Todos ficam curiosos. “Como é?”, perguntam. Pirilim explica: “Quando fizer tlim-tlim, a gente fecha os olhos. Pensa numa coisa boa. Pensa num abraço. Pensa num desejo doce.”
O minutinho canta baixinho. “Tic… tac… tic… tac…” A casa respira. As luzes piscam macias. A lareira faz “crac-cric”, como quem conta história.
“Tlim-tlim”, toca por fim. Todos fecham os olhos. Pirilim também. Ele pensa numa noite tranquila. Pensa em estrelas que piscam. Pensa em bondade que abraça o mundo.
Ele abre os olhos e sorri. “Meu desejo é simples”, sussurra. “Que todo mundo tenha riso. Que todo mundo tenha colo. Que todo mundo tenha pão, cobertor e canção.”
A casa fica serena. A árvore cheira a pinho. O vento canta na janela, bem baixinho. A noite está bonita.
Pirilim deixa um bilhetinho na mesa. O bilhetinho diz: “Obrigada por brincar. Vocês são doces. Sejam sempre gentis.” Ele desenha um coração. Desenha uma estrela.
Ele põe o gorro no lugar. O sininho toca “plim-plim”, manso. Ele olha para o minutinho. Dá uma última giradinha. Só um pouquinho. Não é para bagunçar. É para lembrar.
“Tlim”, faz o minutinho, um tlim só, pequenino. É o tlim do boa-noite. É o tlim do carinho.
“Boa noite, casa”, diz Pirilim. “Boa noite, luzinhas. Boa noite, meias. Boa noite, bolachas.” Todos respondem, quase sem voz: “Boa noite, duende.”
Pirilim se encolhe numa prateleira. Ele se cobre com um pano de pão, quentinho. Fecha os olhos. Sorri. A casa suspira feliz. Tudo fica quieto.
E a noite de Natal segue doce. Com risos guardados. Com abraço guardado. Com um tlim-tlim de ternura no coração.