A Lara tinha 4 anos e um riso pequenino que fazia cócegas no ar. Era tempo de Natal. A sala cheirava a canela. As luzinhas da árvore piscavam: pisca, pisca, pisca.
De manhã, a Lara correu até à porta de casa. Queria ver se o Pai Natal já tinha passado. Mas, no meio da porta, havia um autocolante bem brilhante a dizer: “lutin passou aqui”.
A Lara arregalou os olhos.
“O quê? Um lutin?”
A mãe sorriu. “Um lutin farceur. Gosta de brincadeiras.”
A Lara encostou a ponta do dedo ao autocolante. Era liso e frio. E parecia… a sorrir.
A Lara ouviu um “plim!” baixinho, como uma estrela a acordar. E, junto ao tapete, apareceu um bonequinho pequenino, com gorro verde e sapatos de ponta. Tinha bochechas cor-de-rosa e uma gargalhada leve.
“Bom dia!” disse o lutin. “Eu sou o Lilo, o Lutin Farceur do Natal. Deixo pistas. Faço confusão… mas confusão fofinha!”
A Lara riu-se. “Confusão fofinha?”
“Sim!” disse o Lilo. “Sem sustos. Só risos.”
Ele saltitou pela sala. “Primeira farra: trocar as meias!”
Num segundo, as meias do sofá estavam na árvore, e as fitas da árvore estavam no sofá. A Lara ficou a olhar. Depois voltou a rir. A mãe também.
“Lilo!” disse a Lara. “Está tudo ao contrário!”
“É Natal!” respondeu ele. “No Natal, às vezes, o mundo faz piruetas.”
A Lara decidiu entrar no jogo. Pegou numa meia vermelha e disse: “Eu arrumo… mas devagarinho, para o lutin não ficar triste.”
O Lilo fez uma vénia. “Combinado.”
Mais tarde, o lutin subiu para a mesa da cozinha. Havia bolachinhas de manteiga num prato.
“Hum… cheira bem!” disse ele, a esfregar a barriga.
A Lara juntou as mãos. “Essas são para partilhar. Para a família. E para quem chega.”
O lutin piscou um olho. “Partilhar é magia que não acaba.”
Então ele fez outra travessura: pôs um laço enorme no jarro da água e colou pequenos autocolantes no copo da Lara: “glup, glup”. A Lara bebeu e riu-se do som que imaginava.
A seguir, o Lilo abriu um saco de papel e deixou cair estrelinhas de papel pelo chão: uma, duas, três… Muitas!
“Ups!” disse ele, com voz de quem não foi ele.
A Lara olhou para o chão brilhante. “Vamos apanhar juntos.”
“Juntos?” perguntou o lutin, mais baixinho.
“Sim. Eu partilho a tarefa. Tu partilhas as estrelinhas.”
E foi assim. A Lara apanhava uma estrela e dizia: “Uma para mim.” Apanhava outra e dizia: “Uma para a mãe.” Outra: “Uma para o pai.” Outra: “Uma para a avó.” E ainda: “Uma para o vizinho que mora sozinho.”
O Lilo parou, com os olhos redondos. “Isso é um presente.”
A Lara encolheu os ombros. “É só partilhar.”
Quando a tarde ficou dourada, a Lara e o lutin fizeram um prato de bolachinhas para levar à avó. A Lara pôs também uma estrelinha de papel por cima, como se fosse um beijo.
Antes de sair, o Lilo saltou até à porta e colou outro autocolante, bem direitinho, ao lado do primeiro: “lutin passou aqui… e trouxe amizade”.
A Lara leu devagar. “Amizade.”
“E partilha,” acrescentou ele.
Na noite de Natal, a árvore piscou mais suave: pisca, pisca, pisca. A Lara bocejou no colo do pai. O Lilo sentou-se perto das luzinhas, muito quieto, como um segredo bom.
“Lilo?” sussurrou a Lara.
“Hum?”
“Podes voltar amanhã?”
O lutin sorriu. “Se houver risos e mãos que partilham, eu volto sempre um bocadinho.”
A Lara fechou os olhos. A casa ficou quente e tranquila. Lá fora, o Natal continuou a brilhar, e dentro, a alegria ficou a morar.