Era uma vez um príncipe chamado Tomás, no Reino do Brilho-Que-Ri. O castelo era alto, as torres eram redondas, e até as nuvens pareciam algodão-doce. Quando o vento passava, fazia “fuuu” e as bandeiras do castelo respondiam “flap, flap”, como se batessem palmas.
O príncipe Tomás tinha uma missão muito importante e muito divertida: pôr fanions coloridos por toda a vila para a Festa das Fadas Sorridentes. Fanions eram bandeirinhas pequenas, em linha, vermelhas, amarelas, verdes, azuis… Todas juntas pareciam um arco-íris a fazer cócegas no céu.
Tomás segurou um rolo enorme de corda e um saco de fanions. O saco era tão cheio que parecia uma barriga depois do almoço.
“Hoje eu vou ser responsável!”, disse ele, estufando o peito.
A Fada Madrinha, que era pequenina e usava óculos tortos, flutuou até ele. Quando ela ria, saía um som de sininho.
“Responsável é quem termina o que começa”, disse a fada. “E quem dá nós bem apertados. Nós bem apertados, Tomás. Bem apertados.”
“Bem apertados, sim!” respondeu o príncipe. “Nós bem apertados. Eu repito: nós bem apertados.”
O Coelho-Cavaleiro apareceu a saltitar. Usava um capacete grande demais, que lhe tapava um olho.
“Eu ajudo!” disse o coelho. “Eu sei fazer nós. Quer dizer… eu acho.”
O príncipe riu. “Então vamos juntos.”
Eles foram primeiro ao portão do castelo. O portão tinha um leão de pedra que bocejava de vez em quando. Tomás amarrou a corda numa argola.
“Um nó… dois nós… três nós!” contou ele.
O Coelho-Cavaleiro olhou de lado. “Três nós? Isso é um nó com família?”
“É um nó muito cuidadoso,” disse Tomás. “Responsável!”
A Fada Madrinha bateu palminhas no ar. “Muito bem, muito bem!”
Tomás começou a pendurar os fanions. Vermelho. Amarelo. Verde. Azul. Vermelho. Amarelo. Verde. Azul.
“Parece uma canção,” disse o coelho.
“É a canção do arco-íris,” disse Tomás. “Vermelho, amarelo, verde, azul… vermelho, amarelo, verde, azul…”
Nesse momento, um espirro mágico veio de um lado. “ATCHIM!”
Era o Dragãozinho Pompom. Ele era do tamanho de um cão pequeno e tinha um nariz cheio de pólen brilhante. Quando espirrava, saíam bolinhas de sabão.
“Desculpa!” disse o dragãozinho, abanando a cauda felpuda. “Eu vi uma flor e… ATCHIM!”
Ploft! Ploft! Ploft! Bolhas enormes subiram e ficaram a flutuar na rua.
O coelho tentou apanhar uma bolha com a pata. “Olha! Bolhas!”
Tomás também olhou, mas lembrou-se da missão. “Bolhas depois. Fanions primeiro.”
Só que uma bolha muito grande desceu devagarinho e encostou na linha de fanions. A linha ficou leve, leve, leve… e começou a subir um bocadinho.
“Ué…” disse Tomás. “A minha corda está a fazer cócegas no céu!”
A Fada Madrinha piscou o olho. “Magia brincalhona. Mas calma. Tudo fica bem.”
A linha subiu mais um pouco. Os fanions tremelicaram: flap, flap, flap!
“Eles estão a fugir!” gritou o coelho, sem medo, mas muito animado, como se fosse um jogo.
Tomás segurou a corda com as duas mãos. “Eu cuido! Eu cuido!”
Mas… plim! Um dos nós, o nó do meio, não era tão bem apertado assim. Era um nó meio preguiçoso. E nó preguiçoso gosta de escorregar.
A corda soltou um pedacinho e fez “fiuuu”. A linha de fanions voou para cima, presa a bolhas de sabão, e foi passear pelo céu do reino.
O Dragãozinho Pompom arregalou os olhos. “Oops.”
O coelho pôs as patas na cabeça. O capacete caiu-lhe até ao nariz.
Tomás respirou fundo. Não chorou. Não gritou. Só pensou. Pensou como um príncipe responsável.
“Eu comecei,” disse ele, “então eu vou terminar. E vou consertar.”
“Eu ajudo,” disse a Fada Madrinha, com voz doce. “Mas tu és o chefe dos fanions.”
O príncipe assentiu. “Primeiro: eu preciso de um plano.”
Eles correram pela vila. A linha de fanions passava por cima da fonte, fazia um laço no ar, e quase pousava na torre do relógio, onde morava um Corvo-Poeta que falava em rimas.
O corvo abriu as asas e disse: “Fanions no céu, que confusão! Precisam de mão e de coração!”
O coelho aplaudiu. “Ele rima quando está feliz!”
Tomás apontou para a torre. “Se eu subir ali, talvez eu alcance a corda.”
“Eu subo rápido!” disse o coelho. E subiu, pulando degrau por degrau, como pipoca na panela.
Lá em cima, o vento fazia cócegas nas orelhas. A corda balançava, presa a duas bolhas teimosas.
“Não estoura, bolha! Não estoura,” pediu Tomás lá de baixo.
A Fada Madrinha soprou devagarinho, bem devagarinho. “Soprozinho de cuidado.” As bolhas desceram um pouco, como balões a bocejar.
O Dragãozinho Pompom, muito concentrado, segurou o espirro com a pata no nariz. “Sem ATCHIM. Sem ATCHIM.”
O coelho esticou o braço. “Quase! Quase! Quase!”
Tomás segurou a ponta de uma vara de bandeira e levantou-a como uma colher gigante. “Aqui, Coelho! Usa isto.”
O coelho pegou na vara e puxou a corda devagar. Devagar, devagar. A corda desceu, e os fanions desceram com ela, fazendo “flap… flap… flap…” como se suspirassem de alívio.
Quando a corda ficou ao alcance, Tomás agarrou-a firme. “Agora vem a parte responsável,” disse ele.
Ele desamarrou o nó preguiçoso e fez um novo. Um nó simples. Um nó forte. Um nó bem apertado.
“Um nó… e mais um nó,” contou ele. “Bem apertados. Bem apertados.”
A Fada Madrinha sorriu. “Assim mesmo.”
O Dragãozinho Pompom finalmente respirou. “Posso espirrar agora?”
“Só para o lado,” disse Tomás, a rir.
“ATCHIM!” Ploft! Saíram três bolhinhas pequenas que subiram educadas, longe dos fanions.
Eles voltaram a pendurar tudo. Vermelho. Amarelo. Verde. Azul. Vermelho. Amarelo. Verde. Azul.
O coelho cantou: “Vermelho, amarelo, verde, azul!”
E o corvo lá em cima completou: “Com responsabilidade, tudo fica cool!”
A vila ficou linda. As fadas passaram a dançar, os sapos tocaram tambor com folhas, e o leão de pedra do portão abriu um sorriso de canto.
No fim da tarde, Tomás olhou para as bandeirinhas a balançar, quietinhas e felizes.
“Eu fiz,” disse ele, com voz mansa. “Eu cuidei. Eu consertei.”
A Fada Madrinha pousou no ombro dele. “Responsabilidade é isso: fazer, cuidar e terminar.”
O príncipe bocejou um bocejo quentinho. O vento ficou mais calmo. As cores ficaram mais suaves, como uma manta de arco-íris a cobrir a vila.
E, quando a primeira estrelinha apareceu, os fanions ainda estavam lá, a dizer bem baixinho: “flap… flap… boa noite.”