Era uma vez um reino pequenino e brilhante. Era o Reino Brinca-Luz. As flores faziam “ting”. As nuvens cheiravam a bolo. E os sapos tocavam colher como se fosse tambor.
Nesse reino morava um príncipe. O príncipe Pipo. Pipo tinha um casaco azul-claro. Tinha botas que faziam “toc, toc, toc”. E tinha uma mochila de truques gentis.
Um dia, Pipo ouviu um “priiim” de grilo-sino.
“Quem precisa de ajuda?”, perguntou Pipo.
“Ora, a Unicórnia Brilhinha está contrariada”, disse o vento, em voz macia.
Pipo correu pela relva fofinha. Chegou ao Prado-Pompom. Lá estava Brilhinha. Ela era branca como leite. A crina dela era arco-íris em fita. Mas a boca estava em linha. Sem risada.
“Olá, Brilhinha”, disse Pipo. “Que se passa?”
“Estou de bico”, disse a unicórnia. “Quero rir. Mas meus risos escorregam. Escapam como sabão. Ploc, ploc. Não ficam.”
Ela mostrou um copinho de suco de nuvem.
“Olha. Tem um furinho. Meu suco foge. Meus risos também.”
Pipo pensou. Pensou um pouquinho. Abriu a mochila.
“Tchã-rã!” Ele tirou um selo brilhante. Um selo anti-vazamentos. Tinha uma estrela desenhada.
“Este selo é do bem”, disse Pipo. “Ele abraça o que quer fugir.”
Pipo colou o selo no copinho. “Plim!”
O suco ficou quietinho. “Ufa”, disse Brilhinha. “Isso já ajuda.”
Mas a boca ainda era linha.
“Vamos tentar risos?” disse Pipo.
Ele pôs o chapéu no cotovelo. Pôs a luva na orelha.
“Assim?” perguntou.
Brilhinha fez “hmm”.
Quase.
Pipo dançou passinhos de formiga. “Tic, tic, tic.” Rodopiou devagar. “Uuuu.”
Quase.
Pipo pegou uma pena de nuvem. Fez cócegas no ar. “Cóc, cóc, cóc.”
As cócegas voaram e bateram na ponta do chifre de Brilhinha. O chifre fez “plim-plim”. Saiu uma nuvem pequenina. Era uma nuvem risonha, mas… pingava confete na testa de Brilhinha. Ping! Ping!
“Ah não, de novo”, disse ela.
Pipo sorriu. Abriu a mochila mais uma vez. O selo anti-vazamentos piscou. Parecia que dizia: “Posso mais!”
Pipo tocou a nuvem pingona com o selo. “Plim de novo!”
A nuvem parou de pingar. Virou nuvem de cócega seca. Muito leve. Muito boba.
Pipo soprou a nuvem-cócega. A nuvem fez “friiih”.
Ela fez cócegas na barriga de Brilhinha. Cós! Cós! Cós!
Brilhinha fechou os olhos. A linha virou sorriso. E então aconteceu:
“Ri, ri, ri! Ha, ha, ha!”
Riso colorido. Riso em arco.
Os sapos bateram colher. As flores tocaram “ting-ting”. O vento bateu palmas bem baixinhas.
Pipo e Brilhinha beberam suco de nuvem. Sem vazamento. Sem pressa.
O céu ficou rosinha. A música ficou macia. O riso virou suspiro.
Bem lá no alto, uma estrela piscou. Piscou de novo. E ficou a velar. Quietinha. Brilhante. Vigiando o reino. Vigiando os amigos. Até o amanhã chegar.