Parte 1
Era uma vez uma princesa chamada Lila, no Reino do Brilho-Que-Brilha. O castelo tinha torres altas e bandeiras que dançavam ao vento, como fitas num bolo de aniversário.
A princesa Lila gostava de duas coisas: rir e ajudar. E também gostava de biscoitos. Três coisas. Mas tudo bem.
Numa manhã bem clarinha, a fada Madrinha Pó-Pó apareceu, com asas que faziam “fiu-fiu”.
“Bom dia, Princesa Lila”, disse ela.
“Bom dia, Fada Pó-Pó”, disse Lila, fazendo uma reverência bem caprichada.
A fada sorriu. “Hoje vais aprender uma coisa importante: a polidez dos dragões doces.”
Lila piscou. “Dragões… doces?”
“Doces, sim. Eles não assustam. Eles até cheiram a chá de maçã”, disse a fada. “Mas às vezes eles esquecem as palavrinhas mágicas: ‘por favor', ‘obrigado', ‘com licença'.”
Lila riu baixinho. “Um dragão que esquece ‘com licença' deve esbarrar em muita coisa!”
“Exatamente”, disse a fada. “E tu vais ajudá-los. Mas com responsabilidade. Com cuidado. Com carinho.”
A princesa Lila colocou a coroa direitinha. “Eu posso. Eu vou. Eu sou responsável.”
A fada estalou os dedos e fez aparecer uma mochila pequenina. Dentro havia um caderno, um lápis e um pote de chá de maçã.
“Para quando alguém precisar acalmar o nariz”, explicou a fada.
“Um nariz pode ficar nervoso?”, perguntou Lila.
“Quando um dragão espirra confete, pode”, disse a fada.
E lá foi Lila, saltitando pela estrada de pedrinhas brilhantes. As árvores tinham folhas em forma de coração. Os passarinhos cantavam “lá-lá-lá” e pareciam conhecer a música do castelo.
Logo, Lila encontrou um portão de madeira com uma placa: “Bosque dos Dragões Educados (em treino)”.
Lila respirou fundo. “Eu consigo. Eu vou. Eu sou responsável”, repetiu, só para lembrar.
Parte 2
No meio do bosque, havia uma clareira com um lago. E ao lado do lago, um dragão pequeno e redondinho, cor de menta. Ele tinha uma gravata torta e um chapéu de flor.
Ele tentou beber água, mas o chapéu caiu no lago. Ploc!
O dragão ficou parado. Depois disse bem alto: “EI! MEU CHAPÉU!”
O lago fez bolhinhas. Um peixe apareceu, com cara de “opa”.
A princesa Lila se aproximou devagar.
“Olá”, disse Lila. “Eu sou a princesa Lila. Posso ajudar?”
O dragão olhou para ela, com olhos grandes. “Podes! Meu chapéu caiu!”
Lila sorriu. “Antes, vamos tentar uma palavrinha. Que tal ‘por favor'?”
O dragão fez uma cara engraçada, como quem mastiga nuvem. “Pooooor fa-voooor?”
“Isso! Muito bem!”, disse Lila. “Agora: ‘Você poderia, por favor, me ajudar com o chapéu?'”
O dragão endireitou a gravata torta. “Você poderia, por favor, me ajudar com o chapéu?”
Lila pegou um galhinho comprido, puxou o chapéu com cuidado e colocou de volta na cabeça do dragão. Ping-ping.
O dragão abriu um sorriso enorme. “OBRIGADO!”
Lila bateu palminhas. “Perfeito. Agora o lago também fica feliz.”
O peixe fez uma bolha em forma de coração. Plup!
O dragão se apresentou. “Eu sou o Dragão Pingo. Eu espirro… coisas.”
“Que coisas?”, perguntou Lila.
Pingo coçou o focinho. “Depende do dia. Hoje é dia de confete.”
“Confete é divertido”, disse Lila.
“É… mas eu espirro sem avisar”, disse Pingo. “E aí… eu sujo tudo. Eu esqueço que é minha responsabilidade.”
Lila abriu a mochila e mostrou o caderno. “Então vamos fazer um plano. Um plano simples.”
Ela desenhou três bolinhas: uma boca, um nariz e uma mão.
“Boca: diz ‘com licença'. Nariz: vira para o lado. Mão: segura um lenço. Pode ser uma folha grande.”
Pingo arregalou os olhos. “Eu tenho folhas grandes!”
“Ótimo”, disse Lila. “E também tens de avisar antes. Um aviso educado.”
Pingo respirou, respirou… e disse: “Com licença… vai vir um espirro!”
E espirrou: “ATCHIM!”
PLOFT! Confete colorido voou pelo ar como chuva de arco-íris. Caiu no lago, nas árvores e… na cabeça da princesa Lila.
Lila ficou com um montinho de confete na coroa. Ela parecia um bolo com granulado.
Ela começou a rir. Pingo também riu. Até o peixe fez bolhas risonhas: plup-plup-plup.
“Eu avisei!”, disse Pingo, orgulhoso.
“E isso é responsabilidade”, disse Lila. “Tu cuidaste dos outros.”
Pingo pegou uma folha bem grande, como combinado. “E eu também limpo.”
Ele varreu o confete em montinhos pequenos. Montinho, montinho, montinho. Repetiu três vezes, porque três vezes dá certo.
Nesse momento, apareceu outro dragão, bem maior, cor de pão com mel. Ele carregava um carrinho cheio de xícaras.
Ele passou apressado e disse: “SAIAM!”
Pingo e Lila pularam para o lado. O carrinho fez “trrim-trrim” e parou.
Lila levantou uma sobrancelha pequena. “Eu acho que falta uma palavrinha.”
O dragão grande parou, olhou para as xícaras e falou, meio sem graça: “Ah…”
Pingo sussurrou: “Ele é o Dragão Chá-Chá. Ele é doce, mas tem pressa.”
Lila chegou perto e falou bem suave: “Olá, Dragão Chá-Chá. Quando a gente tem pressa, a polidez ajuda a não derramar chá.”
Chá-Chá olhou para ela. “Eu não derramei.”
“Não derramaste”, concordou Lila. “Mas quase. E quase dá susto. E aqui a gente gosta de calma.”
Chá-Chá respirou fundo. “Desculpa.”
“Obrigada por dizer ‘desculpa'”, disse Lila. “E podes tentar de novo?”
Chá-Chá endireitou o carrinho. “Com licença… por favor… podem passar?”
“Podemos!”, disse Lila, sorrindo. “Assim fica mais seguro.”
Chá-Chá ficou feliz. “Obrigado.”
Pingo bateu as asinhas pequenas. “Ele disse!”
E todos os três começaram a caminhar juntos. O bosque parecia mais brilhante, como se as folhas também tivessem ouvido as palavrinhas.
Parte 3
Mais à frente, havia uma mesa de piquenique feita de cogumelos gigantes. Em cima, havia bolinhos, frutas e um bule fumegante.
A fada Pó-Pó apareceu de novo, pousando levinho. “Como foi?”
Lila contou tudo. Do chapéu, do confete, do carrinho de chá.
A fada sorriu. “E o que aprendeste, Princesa Lila?”
Lila pensou um pouquinho. “Que ser responsável é cuidar. É avisar. É falar com educação. E também… é rir sem machucar ninguém.”
Pingo levantou a folha-lenço. “Eu vou sempre avisar!”
Chá-Chá levantou uma xícara. “E eu vou sempre dizer ‘com licença'!”
A fada bateu palminhas. “Maravilha. Agora, um brinde com chá de maçã.”
Lila serviu o chá com cuidado. Um pouquinho para ela, um pouquinho para Pingo, um pouquinho para Chá-Chá. Ela fez isso devagar. Devagar é responsável.
Eles beberam. O chá cheirava a abraço.
Pingo espirrou bem pequenininho: “Atchim!” Só saiu uma estrelinha, que pousou na mesa e virou um açúcar brilhante.
“Com licença”, disse Pingo, rápido.
“Obrigado”, disse Chá-Chá, pegando o açúcar e colocando na xícara, todo contente.
Lila riu baixinho. “Este é o reino mais educado e mais engraçado.”
O sol começou a descer, cor de laranja doce. Os passarinhos cantaram mais devagar: “lá… lá… lá…”
A princesa Lila voltou para o castelo com passos tranquilos. A coroa ainda tinha um confete preso. Ela decidiu deixar ali, só para lembrar: aventura pode ser leve, e responsabilidade pode ser divertida.
E naquela noite, no Reino do Brilho-Que-Brilha, os dragões doces disseram “por favor” nos sonhos, “obrigado” nas risadas e “com licença” até para as estrelas.