Era uma vez um príncipe chamado Tomás, que vivia num reino tão encantado que até as borboletas usavam chapéu e as árvores balançavam de tanto rir. O príncipe Tomás adorava duas coisas: brincar de esconde-esconde e plantar flores. Mas não eram flores comuns, não; eram flores mágicas, que cresciam com risadinhas e mudavam de cor quando alguém fazia cócegas nas pétalas.
Numa manhã de sol, Tomás acordou com uma ideia saltitante: “Vou encher o jardim do castelo com flores mágicas! Vai ser o jardim mais engraçado de todo o reino!” Saltou da cama, calçou as botas vermelhas com pintinhas amarelas e procurou o saco das sementes mágicas. O saco era tão leve quanto um suspiro, mas cheio de promessas alegres.
“Hoje vou plantar flores que dançam!” disse Tomás, piscando para o espelho. O espelho piscou de volta, porque, no reino encantado, até os espelhos sabiam brincar.
Tomás saiu para o jardim, onde a grama parecia um tapete fofinho verde. Os passarinhos piavam melodias engraçadas e os esquilos faziam cambalhotas só para ver quem ria mais alto. Com um sorriso de orelha a orelha, Tomás cavou um buraquinho com a pá mágica. Cada vez que a pá tocava a terra, fazia “plim-plim!” como sininhos de festa.
“Vou começar aqui,” disse, plantando a primeira semente. A semente pulou para dentro do buraco, e Tomás riu: “Anda, semente, vira flor brincalhona!” Cobriu com terra, regou com água de brilho e esperou.
De repente, “puff!” — uma flor brotou, mas não era uma flor qualquer. Era toda azul com pintinhas cor-de-rosa e… pernas! A flor olhou para Tomás e disse: “Vamos brincar de roda-roda?” O príncipe riu tanto que quase caiu sentado.
Enquanto plantava outra semente, ouviu um “espirro!” Era uma flor amarela com pétalas encaracoladas. “Atchim!” fez a flor, soltando pó de arco-íris. Tomás fez cócegas na pétala e a flor ficou laranja — depois azul — depois verde! “Que divertido!” exclamou Tomás, “Estas flores são mesmo brincalhonas!”
Mais flores mágicas apareceram. Uma tinha pétalas que faziam barulho de pato: “Quá-quá!” Outra dava voltas como um pião, rodopiando até ficar tonta. E uma, muito espevitada, saltou para cima do chapéu do príncipe e ficou ali, como se fosse um pompom vivo!
O príncipe Tomás não estava sozinho. Do outro lado do jardim, a Fada Aurora, com asas prateadas, observava tudo, escondida atrás de um cogumelo gigante. Aurora era famosa pelas suas partidas e truques de magia. Ela decidiu brincar também.
Com uma varinha brilhante, Aurora sussurrou: “Flores saltitonas, façam caretas engraçadas!” E, de repente, todas as flores começaram a fazer caretas: umas de língua de fora, outras de olhos tortos, e até uma com cara de peixe. Tomás riu, riu e riu, até as lágrimas rolarem de tanto gargalhar.
De repente, ouviu-se um som engraçado: “Pruu-pruu!” Era o Rei, com a sua coroa torta e sapatos de pompons, a espreitar pela janela. “Tomás, o que se passa aí fora? O jardim está a parecer um circo encantado!” disse o Rei, tentando não rir. “Estou a plantar flores que brincam!” respondeu Tomás, com orgulho.
O Rei saiu para ver de perto. Uma flor saltou-lhe para o ombro e começou a dançar. O Rei rodopiou, rodopiou, e todos gritaram: “Viva o Rei dançarino!” Até os guardas do castelo dançaram, com as flores a saltar de chapéu em chapéu.
Tomás, Aurora e o Rei brincaram até o sol começar a bocejar. As flores mágicas, cansadas de tanta brincadeira, começaram a bocejar também. “Boa noite, flores saltitonas,” disse Tomás, cobrindo-as com folhas macias. Aurora pousou a varinha e bocejou: “Hora de dormir, hora de sonhar com mais brincadeiras.”
O príncipe Tomás sentou-se no banco do jardim, com uma flor que ronronava no colo. O Rei deu-lhe uma manta de lã e Aurora soprou um beijo de fada. O jardim ficou tranquilo, com risadinhas baixinho no ar, como se as flores ainda estivessem a brincar nos sonhos.
E assim, no reino encantado onde espelhos piscam e flores fazem caretas, terminou um dia cheio de jogo, gargalhadas e magia. Tomás fechou os olhos, sentindo o coração levezinho, porque sabia que, no dia seguinte, haveria ainda mais aventuras e brincadeiras floridas à sua espera.
Boa noite, príncipe brincalhão. Boa noite, flores saltitonas. Boa noite, jardim mágico.