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História de viagem no tempo 9 a 10 anos Leitura 7 min. (1)

O relógio que viajava no tempo

Miguel encontra um relógio misterioso que o transporta ao passado, onde faz amizade com moradores e aprende a resolver problemas usando um método simples. A aventura ensina-o a observar, testar e ajustar sem revelar o desfecho.

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Um menino de 10 anos, rosto redondo e cabelo castanho desgrenhado, com expressão maravilhada e concentrada, segura um pequeno relógio de bolso brilhante com corrente numa mão e toca levemente o botão com a outra; à sua direita está Kor, também cerca de 10 anos, pele bronzeada e cabelo preto trançado, sorrindo e segurando um espeto perto do fogo, ligeiramente inclinado para o menino principal; à esquerda está Tika, 9–11 anos, cabelo preso em rabo de cavalo e olhar travesso, mostrando pedaços de pão rústico sobre uma pedra; o cenário é um acampamento pré-histórico ao crepúsculo — círculo de pedras, grande fogo laranja com faíscas douradas, erva alta verde, peles e cordas, e uma parede de caverna com pinturas vermelhas e ocres —, os três reunidos em volta do fogo crepitante com luz quente nos rostos enquanto o menino descobre o relógio mágico e Kor e Tika o encorajam, criando uma atmosfera de aventura e descoberta, com texturas de tinta visíveis e contrastes vívidos entre sombras azuladas e o brilho do fogo. reportar um problema com esta imagem

O relógio curioso

Miguel tinha nove anos, cabelos sempre despenteados e um cheiro de aventuras no olhar. Numa tarde de sábado, no sótão da avó, encontrou um objeto escondido dentro de uma caixa de antiguidades: um relógio de bolso com botões estranhos e um visor que tremia como se guardasse estrelas. Havia, também, um pequeno caderno com a palavra “Método” escrita na capa.

Miguel abriu o caderno. Dentro, linhas calmas explicavam passos simples: observar, anotar, testar, ajustar. “Bom para quando as coisas saem do roteiro”, leu ele, sorrindo. Sem perceber, pressionou um botão redondo do relógio. O mundo tremeu, como se alguém tivesse virado a página de um livro muito grosso.

Caderno de Miguel — Entrada 1: “Relógio estranho. Apertei botão. Senti frio e cheiro de fumaça. Vou tentar pensar com método.

Salto no tempo

Quando voltou a pisar no chão, Miguel estava deitado sobre uma relva alta. O céu era de um azul diferente, e o ar cheirava a musgo e pedras quentes. Perto dali, um fogo aceso lançava faíscas que dançavam como vaga-lumes gigantes. Havia pessoas com roupas de couro, cabelos longos e olhos curiosos. Não eram como nos livros de história, mas pareciam felizes junto ao fogo.

Miguel levou a mão ao bolso e encontrou o relógio. O visor havia mudado: mostrava dois ponteiros que apontavam para “ontem” e “muito antes”. Ele respirou fundo e seguiu um caminho de pedras até o círculo onde as pessoas riam e cozinhavam. O cheiro do fogo o aqueceu. Um menino da sua idade olhou para ele com espanto.

“Quem é você?” perguntou o menino, em voz sorridente. Miguel respondeu com o que sabia: “Meu nome é Miguel. Eu... vim de longe.” O menino sorriu mais largo e apontou para o fogo. “Venha! Coma. Conte!”

Caderno de Miguel — Entrada 2: “Estamos na pré-história? Fogo, pessoas. Sinto que devo observar primeiro.”

Fogo e amigos estranhos

Miguel percebeu que a primeira regra do caderno era útil. Ele sentou perto do fogo, observou os gestos, os sinais e como todos cozinhavam pedaços de carne em espetos. O menino, chamado Kor, mostrou a Miguel como segurar um espeto sem se queimar. Havia também animais grandes que rondavam a borda do acampamento: não eram ferozes naquele momento. Um cachorro selvagem, curioso, aproximou-se e Miguel o acariciou.

Eles ensinaram Miguel a fazer pães simples com farinha de raízes — uma receita prática que requeria paciência e medir com os dedos. Miguel aprendeu que a ciência do fogo é método: afastar a fumaça, controlar a chama, colocar pedaços de madeira em ordem. Ele fez um pequeno experimento: queimou uma lasca muito fina e percebeu que o fogo sobe rápido; as lascas grossas queimavam mais devagar.

Caderno de Miguel — Entrada 3: “Aprendi sobre o fogo: observar, testar, ajustar. Os amigos chamam-se Kor e Tika. Risadas. Pão quente.”

O paradoxo da pegada

No terceiro dia, enquanto exploravam uma caverna com pinturas nas paredes, Miguel pisou num chão mole e deixou uma pegada profunda. Kor olhou para a marca e arregalou os olhos. “Essa pegada é estranha”, disse Tika. “Parece de alguém que voltou de muito longe.” Miguel congelou. Lembrou-se das histórias sobre paradoxos: pequenas ações que mudam grandes coisas. E se sua pegada mudasse a história de Kor?

Miguel seguiu o método do caderno. Primeiro, observou: a pegada estava próxima à entrada, onde a chuva poderia apagá-la. Segundo, anotou mentalmente as alterações possíveis: se alguém notasse, poderia contar uma história diferente aos netos e mudar tradições. Terceiro, testou uma solução: usou uma pedra para disfarçar a marca e espalhou folhas para que parecesse um caminho natural. Finalmente, ajustou — verificou se a marca parecia coerente com os arredores.

Kor e Tika riram aliviados. “Bom método”, disse Kor, batendo nas costas de Miguel. Miguel sentiu um alívio leve e uma felicidade calma: aprender a pensar antes de agir é, muitas vezes, a melhor aventura. Ele sorriu e guardou o relógio com mais cuidado.

Caderno de Miguel — Entrada 4: “Pegada! Usei pedras e folhas. Método funcionou. Pensei antes de agir. Respirei.”

Volta segura

Chegou a hora do adeus. Os dias na pré-história tinham sido cheios de descobertas: recipientes feitos com cascas, histórias cantadas ao redor do fogo e perguntas sobre as estrelas. Kor presenteou Miguel com uma pequena pulseira feita de corda e conchas. “Para lembrares de voltar em segurança”, disse ele.

Miguel segurou o relógio e lembrou-se das instruções do caderno: observar, anotar, testar, ajustar. Ele observou o momento certo — quando o fogo lançava menos faíscas e as sombras dançavam devagar. Anotou no ar, como quem guarda uma lembrança. Testou o botão do relógio, sem pressa. Ajustou a posição do ponteiro até que o visor brilhasse com a palavra “casa”.

O salto foi suave desta vez. Miguel sentiu um calor familiar e, num piscar, estava de volta ao sótão da avó, segurando a pulseira de conchas. O relógio agora tinha os ponteiros quietos, como se tivesse aprendido a esperar. A caixa de antiguidades fechava-se ao lado.

Caderno de Miguel — Entrada 5: “Voltei. Pulseira. Vozes de amigos na memória. Método ajudou. Fiquei calmo. Tudo certo.”

Mais tarde, Miguel contou à avó como havia encontrado a pulseira. Ela sorriu, sem surpresa exagerada, como se muitas histórias estranhas já passassem por aquele sótão. Miguel guardou o caderno de método num lugar seguro. Prometeu a si mesmo usar sempre os passos: observar antes de decidir, anotar o que aprendeu, testar ideias pequenas e ajustar quando necessário.

Na noite seguinte, Miguel acendeu uma vela no quarto e, por um instante, imaginou o fogo da pré-história e a risada de Kor. Ele sorriu, sabendo que a curiosidade guiada por um bom método era uma chave poderosa. O relógio descansava no escuro, calmo; o caderno, aberto na última página, tinha uma linha que Miguel escreveu com cuidado:

Caderno de Miguel — Entrada final: “Vi o passado, aprendi a pensar. Vou usar método para descobrir o futuro.”

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Sótão
Parte alta de uma casa, logo abaixo do telhado, onde se guardam coisas antigas.
Antiguidades
Objetos velhos e de valor antigo, que pertenciam a pessoas de outra época.
Relógio de bolso
Relógio pequeno que se guarda no bolso, com tampa e corrente curta.
Visor
Parte onde se vê a informação de um aparelho, como os ponteiros ou números.
Método
Conjunto de passos ou regras que se seguem para fazer algo com cuidado.
Pré-história
Periodo muito antigo antes de haver escrita e livros sobre as pessoas.
Paradoxos
Situações em que uma ação pequena pode causar um grande e estranho resultado.
Vaga-lumes gigantes
Insetos que brilham à noite; aqui descritos como muito grandes e brilhantes.

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