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História de viagem no tempo 9 a 10 anos Leitura 7 min.

A máquina do tempo do sótão

Pedro e Inês constroem uma máquina do tempo e viajam a uma antiga gráfica, onde descobrem o trabalho das letras, enfrentam contratempos e aprendem lições sobre responsabilidade e método.

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Pedro, menino de 10 anos, rosto redondo, manchas de tinta e mechas castanhas desgrenhadas, maravilhado e concentrado, segura com as duas mãos enluvadas um grande "A" de metal inclinado sobre uma mesa de madeira coberta de tipos de chumbo; ao lado, Inês, menina de 10 anos, cabelo preto em trança, óculos redondos, sorriso sereno e olhar malicioso, aponta com um dedo um pouco manchado de tinta uma linha de texto enquanto organiza os tipos numa chapa; ao fundo, o mestre impressor de cerca de 40 anos, barba pontiaguda e bata cinzenta manchada de tinta, observa com ar benevolente apoiado numa prensa de madeira maciça; o local é uma antiga tipografia de paredes de pedra, luz quente entrando por uma janela empoeirada, grandes prensas e rolos de madeira, caixas abertas cheias de letras metálicas e respingos de tinta preta no chão; cena principal: as crianças montam uma página juntos, letras que quase parecem mover-se, atmosfera de magia artesanal, tensão alegre e trabalho meticuloso, plano próximo das mãos posicionando os caracteres e da página final pronta para impressão. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — Um Projeto Fora de Hora

Pedro era um menino de nove anos curioso demais para o sossego da sua casa. Ele vivia inventando coisas: catapultas, robôs com olhos de botão, até bolinhas saltitantes feitas com elásticos de dinheiro. Mas o sonho mesmo era viajar no tempo. Ele pensava nisso toda noite antes de dormir, olhando para o teto.

Numa terça-feira de chuva, Pedro chamou sua melhor amiga, Inês, para mais uma aventura no sótão.

— Inês, escuta: se a gente pudesse viajar no tempo, preferia ver os dinossauros ou descobrir como eram feitos os primeiros livros? — perguntou, segurando uma mola enferrujada como se fosse um microfone de televisão.

— Primeiro livros, claro! Com dinossauro, se espirrar, já era! — ela respondeu, tirando um caderno do bolso. — Mas como vamos fazer isso, se nem máquina temos?

Pedro sorriu de lado, puxando um lençol e revelando um amontoado de peças, fios, e um velho relógio de cuco.

— Bem-vinda ao Projeto Tempofluxo 5000!

Passaram a tarde encaixando peças, colando botões e desenhando esquemas no quadro. Ao lado, o caderno de bordo de Inês registrava tudo: "Dia 1 — Objetivo: visitar uma gráfica antiga. Regras: não mexer com o passado... nem com os impressos!"

À noite, a máquina estava pronta — pelo menos, parecia. Pedalaram juntos. As luzes piscavam, o relógio tocava coo-coo sem parar... e, de repente, tudo girou como se o sótão fosse um liquidificador de tempo.

Capítulo 2 — O Cheiro da Tinta Antiga

Pedro abriu os olhos. Sentiu cheiro de papel molhado, tinta grossa e um calor abafado. Ao redor, homens de roupas estranhas empurravam grandes rolos de madeira e arrastavam caixas cheias de letras de chumbo.

— Que lugar é esse? — Inês cochichou.

— Parece uma gráfica de verdade! — Pedro sussurrou, maravilhado.

Um homem de barba pontuda passou resmungando:

— Mais rápido! O mestre Gutemberg vai nos deixar de castigo se não entregarmos esses panfletos!

Pedro ficou de olhos arregalados. Pulou até um canto, anotando tudo mentalmente para contar depois.

— Precisamos entender como funciona tudo, mas sem atrapalhar — disse Inês, com ar de professora.

Os dois andaram devagar, observando uma roda de meninos pequenos, quase todos sujos de tinta, enquanto giravam pressas e organizavam letras como se fossem peças de um quebra-cabeça gigante.

Pedro não se conteve:

— Se eu pudesse ajudar, encaixaria todas as letras em tempo recorde! — falou, rindo.

Uma senhora ouviu e se aproximou:

— Nunca vi vocês por aqui. São aprendizes novos? Sabem a regra: sem bagunça e sem misturar as letras dos tipos!

Pedro e Inês trocaram um olhar nervoso mas sorriram, tentando se misturar.

Capítulo 3 — O Paradoxo dos Panfletos Perdidos

Na correria, o chefe da gráfica gritou:

— Onde estão os panfletos da reunião?! Alguém viu? Era pra hoje!

Pedro sentiu um frio na barriga. Sem querer, ao espiar a produção, tinha mexido nas caixas e misturado algumas folhas.

— Ai, Pedro! — murmurou Inês. — Deixaste um paradoxo de verdade. Agora os panfletos sumiram do tempo!

Mas, como bons exploradores, resolveram o problema: observaram com atenção onde as folhas se escondiam, seguiram as pistas de manchas de tinta pelo chão e, com jeitinho, colocaram tudo de volta na ordem. Inês anotava cada passo no caderno: "Dia 1: regra de ouro — manter tudo no mesmo lugar!"

Um aprendiz pequeno agradeceu:

— Ufa, vocês salvaram o dia! Mas nunca mais mudem nada de lugar sem avisar...

Pedro corou. Aprendeu ali que mexer no passado pode dar um nó em todo o presente!

Capítulo 4 — O Desafio das Letras Dançantes

Antes de irem embora, foram convidados a montar uma página inteira juntos. Era difícil: as letras escapavam dos dedos, cada uma pesava mais do que parecia.

— Parece até que têm vida própria! — brincou Pedro, pegando um "A" que rolava.

— Foco, Pedro! Olha o método: linha por linha, letra por letra — ensinou Inês, paciente.

Pedro respirou fundo, concentrou-se. Aos poucos, encaixaram palavras como quem monta uma torre de blocos coloridos.

Quando terminaram, o mestre da gráfica olhou e sorriu:

— Trabalho perfeito! Vocês vão longe... mas lembrem, a regra mais importante é: sem pressa, cada coisa no seu tempo.

Pedro e Inês sorriram, orgulhosos. Era hora de anotar mais uma lição no caderno: "Método e atenção fazem toda a diferença!"

Capítulo 5 — Volta ao Presente e Lições do Tempo

Com tudo resolvido, Pedro tirou do bolso um botão especial da máquina, que brilhava leve como se soubesse a hora certa de usá-lo.

— Pronta para voltar? — perguntou, segurando a mão de Inês.

— Sempre! Mas vou sentir saudades do cheiro de tinta...

Giraram o botão juntos. O mundo pareceu virar um livro que folheava rápido. Em segundos, estavam de volta ao sótão, as gotas de chuva batendo na janela como se nada tivesse acontecido.

Pedro respirou fundo, sentindo o coração bater feito tambor.

Inês abriu o caderno e escreveu:

"Dia 2 — Aventura completa. Descobri que mesmo as maiores invenções precisam de calma e método. E que, para cada viagem especial, o melhor é voltar para casa — com novas histórias para contar!"

Pedro sorriu. Agora sabia: por mais maravilhosa que fosse a viagem, o mais importante era cuidar do presente, uma página de cada vez. E amanhã, quem sabe, poderiam inventar outra máquina... talvez, uma que trouxesse os livros do futuro!

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Catapultas
Brinquedos ou máquinas que lançam coisas para longe com força.
Robôs
Máquinas que se mexem sozinhas ou obedecem a quem as controla.
Elásticos de dinheiro
Tiras elásticas usadas para juntar notas ou objetos pequenos.
Sótão
Parte alta da casa, perto do telhado, onde se guardam coisas velhas.
Mola enferrujada
Peça de metal em espiral com ferrugem, que perde um pouco da força.
Gráfica
Lugar onde se imprimem livros, panfletos e outros papéis.
Letras de chumbo
Peças de metal usadas antigamente para imprimir palavras no papel.
Pressas
Peças de madeira ou metal que apertam o papel para imprimir.
Paradoxo
Situação estranha onde uma coisa muda e cria confusão no tempo.
Panfletos
Folhas impressas usadas para explicar ou anunciar algo.
Aprendiz
Pessoa que está a aprender um ofício, ajudando e praticando.
Tinta
Líquido colorido usado para escrever ou desenhar em papel.
Tipos
Pequenas peças, cada uma com uma letra, usadas para formar palavras.
Método
Jeito certo de fazer algo, passo a passo, com cuidado.
Botão especial
Pequena peça para apertar que desencadeia uma ação importante.

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