Na véspera de Natal, a neve fazia “shhh” lá fora e a casa cheirava a canela. No tapete, perto da lareira, vivia o Raposinho Ruivo. Ele tinha orelhas pontudas, rabo fofo e um grande plano: decorar bolachas de Natal.
Em cima da mesa havia uma travessa de bolachas em forma de estrela, sino e pinheirinho. Havia também glacé branco num saco de apertar, confeitos coloridos e umas bolinhas prateadas que brilhavam como mini luas.
“Hoje eu vou fazer as bolachas mais lindas do bosque!”, disse o Raposinho, esticando o peito. Depois olhou para o saco de glacé e engoliu em seco. O glacé parecia um pouco… escorregadio.
A Mamã Raposa sorriu, com um avental cheio de farinha. “Devagarinho, meu querido. Primeiro uma estrela.”
O Raposinho pegou numa estrela. “Uma estrela, eu consigo. Eu consigo. Eu consigo.” E repetiu, para dar coragem ao coração.
Ele apertou o saco de glacé. Pssss! Saiu um fio branco. Só que saiu rápido demais. Fez uma nuvem em cima da estrela, como um chapéu enorme.
O Raposinho abriu muito os olhos. “Oh… a minha estrela virou um boneco de neve!”
O Papá Raposa riu baixinho. “Boneco de neve também é Natal.”
A irmãzinha, a Raposinha Mimi, bateu palmas. “Quero um boneco de neve! Quero!”
O Raposinho respirou fundo. Não queria desistir. O Natal era tempo de tentar outra vez.
“Eu sou corajoso”, sussurrou. “Corajoso e… um bocadinho pegajoso.”
Ele pegou numa colher pequena e alisou o glacé, com cuidado. A nuvem virou um círculo bonito. “Olhem! Agora é uma lua!”
E então aconteceu uma coisa mágica: uma bolinha prateada rolou sozinha e parou bem no meio da bolacha. Brilhou, brilhou, e parecia mesmo a lua no céu de inverno.
“Uau”, disse o Raposinho. “A lua escolheu a minha bolacha.”
A Mamã Raposa piscou o olho. “O Natal gosta de quem tenta.”
O Raposinho ficou mais contente. Foi para a próxima bolacha, um pinheirinho. Desta vez apertou levinho, levinho. Saiu um fio fininho. Ele fez riscas verdes com confeitos. Uma risca, outra risca. “Uma risca, outra risca”, cantou, para não se atrapalhar.
Mas, de repente, ploc! Um confeto vermelho saltou e caiu no seu nariz.
O Raposinho cruzou os olhos para ver. “Agora eu sou uma rena?”
O Papá Raposa fez voz grossa: “Ho-ho-ho! Rena Raposa!”
Todos riram. Até a lareira pareceu rir, com o crepitar do fogo.
“Eu não vou parar”, disse o Raposinho, limpando o nariz. “Vou fazer um sino.”
O sino era difícil, porque tinha curvas. O Raposinho sentiu um friozinho na barriga. E se fizesse outra nuvem? E se o sino virasse uma batata?
Ele olhou para a janela. Lá fora, as luzinhas da rua piscavam. Pareciam dizer: pisc… pisc… “Tu consegues.”
Então ele fez uma coisa corajosa: pediu ajuda. “Mamã, podes segurar no prato? Só para eu não tremer.”
“Claro”, disse ela, segurando firme.
O Raposinho apertou o glacé com calma. Contornou o sino. Um traço aqui, outro ali. E no fim colocou três bolinhas prateadas em baixo. Tin-tin-tin! Parecia que o sino tinha som, mesmo sem tocar.
“Consegui!”, gritou ele, com os olhos a brilhar.
A Mimi cheirou uma bolacha. “Cheira a abraço.”
A Mamã Raposa juntou todas num prato grande. “Vamos deixar arrefecer e depois provar.”
Mais tarde, com pijamas quentinhos, sentaram-se juntos. O Raposinho mordeu a sua estrela-lua. Era doce e crocante.
“Sabes”, disse o Papá, “a coragem é isso. Tentar, rir, pedir ajuda, e tentar outra vez.”
O Raposinho encostou-se à família. Lá fora, a neve continuava a fazer “shhh”. Lá dentro, as bolachas brilhavam como pequenas estrelas. E o Natal, bem baixinho, parecia sorrir também.