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História de Natal 3 a 4 anos Leitura 8 min.

O jogo de Natal de ouvir primeiro

Inês, uma menina curiosa e faladora, aprende com a família um jogo de Natal que a ajuda a ouvir antes de responder, enquanto todos decoram a árvore e partilham momentos doces.

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Uma menina de 4 anos, rosto rondo, cabelos castanhos curtos com uma mecha, cachecol vermelho com pequenas pregas, olhar atento e sorriso tímido, estende a mão para pendurar um pequeno sino dourado num ramo baixo do pinheiro; uma avó de ~70 anos, cabelos grisalhos em coque, óculos redondos, sorriso doce, sentada numa cadeira próxima, observa e aplaude suavemente; uma mãe de ~30 anos, cabelo castanho preso, ajoelhada para ficar na mesma altura, com um lápis e um pequeno papel azul ao lado, observa com carinho; um pai de ~30 anos, barba curta, em pé atrás da mãe, segura uma bandeja de biscoitos em forma de estrela e sorri calmamente. Sala acolhedora: tapete vermelho macio, pinheiro verde denso decorado com bolas vermelhas e guirlandas douradas, luzes quentes coloridas, lareiras discretas, cortinas de lã e presentes empilhados. Cena íntima de Natal, foco na mão da menina pendurando o sino; atmosfera luminosa, texturas nítidas, cores vivas e contrastantes. Estilo: ilustração vetorial simples, formas arredondadas, contornos limpos, paleta quente (vermelho, verde, dourado, bege), iluminação suave. reportar um problema com esta imagem

A Inês tinha três aninhos e um cachecol vermelho que fazia cócegas no queixo. Era quase Natal. Na rua, as luzes piscavam devagar, como estrelinhas a sorrir. Em casa, cheirava a canela e a bolo quente. A mãe cantava baixinho. O pai pendurava uma estrela dourada na árvore.

A Inês gostava muito de falar. Falava rápido, rápido, como um passarinho alegre. Às vezes respondia logo, sem esperar. “Sim!” “Não!” “Eu quero!” E depois fazia uma carinha de surpresa, como se as palavras tivessem saído sozinhas.

Nesse dia, a avó chegou com uma caixa de enfeites. A caixa fazia “toc-toc” quando a avó a pousou no chão.

“Feliz Natal, meu amor”, disse a avó, e deu um abraço quentinho.

A Inês abriu a caixa e viu bolas vermelhas, sinos prateados e uma fita brilhante. Também viu um bonequinho de neve com nariz de cenoura.

“É meu!” disse a Inês logo, apertando o bonequinho.

A avó sorriu com calma. “É para a árvore. Vamos pôr juntos.”

A Inês ficou a olhar. Os olhos dela eram grandes e curiosos. A mãe aproximou-se e ajoelhou.

“Inês”, disse a mãe com voz doce, “hoje podemos fazer um jogo. Um jogo de Natal. O jogo do ouvir primeiro.”

“Ouv… o quê?” perguntou a Inês.

“Ouvimos. E só depois respondemos”, explicou a mãe. “Assim, o coração fica mais quentinho.”

A Inês tocou no cachecol. “Eu consigo”, disse ela, muito séria, como se fosse uma missão.

Começaram a decorar a árvore. A árvore era verde, cheirosa, e parecia um abraço de pinheiro. As luzes acendiam: amarelo, amarelo, amarelo. Depois piscavam: azul, vermelho, azul.

A avó pegou numa bola brilhante e disse: “Inês, queres pôr esta aqui?”

A Inês ia dizer “Sim!” logo, mas parou. Fez silêncio. Abriu bem as orelhas, como se fossem duas conchinhas. Olhou para a bola. Olhou para a avó. E ouviu a pergunta toda, até ao fim. Depois sorriu.

“Sim, avó. Eu ponho”, respondeu devagar.

A avó bateu palmas bem baixinho. “Muito bem. Ouviste primeiro.”

A Inês sentiu uma coisa boa por dentro, como um chocolate a derreter. Pôs a bola no ramo. A bola ficou a brilhar e a fazer “plim-plim” quando a árvore tremia um bocadinho.

O pai trouxe um prato de bolachas em forma de estrela. “Quem quer uma?”

A Inês já ia dizer “Eu!”, mas lembrou-se do jogo. Olhou para o pai. O pai ainda estava a falar.

“Uma para comer agora e outra para deixar ao Pai Natal”, disse ele.

A Inês ouviu tudo. Pensou. Uma para ela… e outra para o Pai Natal. Os olhos dela brilharam.

“Eu quero uma agora”, disse. “E outra para o Pai Natal.”

“Isso é gentileza”, disse o pai. “O Pai Natal vai ficar contente.”

A Inês pegou numa bolacha e deu uma pequena dentada. “Hmmm.” Era doce e crocante. Ela mastigou devagar, como se o Natal morasse ali dentro.

Depois, a mãe tirou de uma gaveta uma cartinha pequena com um envelope azul. “É a tua carta, Inês. Queres dizer o que desejas?”

A Inês sentou-se no tapete, perto da árvore. As luzes faziam pintinhas de cor no chão. A mãe tinha um lápis.

A Inês ia dizer logo: “Uma boneca!” Mas parou. Fechou os olhos um segundo e ouviu o silêncio da sala. Ouviu o “tic-tac” do relógio. Ouviu a avó a respirar com calma. Ouviu o pai a mexer nas luzes.

E ouviu, lá dentro, o seu próprio coração.

“Eu desejo…”, começou ela, bem baixinho. “Eu desejo ouvir antes de responder.”

A mãe piscou os olhos, emocionada, e sorriu. “Que desejo bonito.”

A avó fez um carinho na cabeça da Inês. “Isso é um presente para toda a gente.”

A Inês pensou mais um pouco. “E também desejo… um abraço grande. Para mim. E para os outros.”

A mãe escreveu tudo com letras redondinhas. Depois desenhou uma estrelinha no canto.

Mais tarde, quando a noite já estava azul escura, bateram à porta. “Toc-toc.”

A Inês saltou. “É o Pai Natal?” perguntou, com voz de segredo.

O pai riu baixinho. “Vamos ver.”

Era o vizinho, o senhor Manuel, com um saco de laranjas e um sorriso. “Trouxe laranjas doces. Para a consoada.

“Obrigado!” disse a mãe.

A Inês queria contar logo que a árvore era linda, que tinha um bonequinho de neve, que tinha uma carta… mas lembrou-se. O senhor Manuel ainda falava.

“E trouxe também este sininho pequenino”, disse ele, e mostrou um sino dourado que fazia “tilim”.

A Inês ouviu. Esperou. E depois falou.

“Senhor Manuel, obrigada”, disse ela. “O sino é muito bonito. Posso pôr na árvore?”

“Claro, pequenina”, disse o senhor Manuel.

A Inês pôs o sininho num ramo baixo. “Tilim, tilim.” O som era suave, como uma risada de estrela.

A avó disse: “Quando ouvimos primeiro, o mundo fica mais calmo.”

A Inês encostou a bochecha no braço da avó. “Eu gosto do calmo.”

Chegou a véspera de Natal. A mesa tinha uma toalha branca. Havia pratos, copos, e velas que dançavam. A família falava manso, como se a casa fosse uma canção.

Depois da comida, a mãe trouxe um prato com a bolacha do Pai Natal e um copinho de leite. O pai abriu a janela um bocadinho para o ar frio entrar e cheirar a inverno.

A Inês colocou o prato perto da árvore. “Pai Natal”, disse ela, “esta é para ti.”

A avó perguntou: “E o que mais vamos deixar?”

A Inês ouviu a pergunta toda. Pensou um segundo.

“Vamos deixar… silêncio bom”, disse ela. “Para ele descansar.”

Ficaram todos a rir, mas baixinho, baixinho, para não acordar o silêncio bom.

Na hora de dormir, a Inês vestiu o pijama com desenhos de renas. A mãe deitou-a na cama e puxou o cobertor até ao queixo. A luz do corredor fazia uma linha dourada na porta.

“Queres uma história?” perguntou a mãe.

A Inês ia dizer “Sim!” como sempre. Parou. O jogo ainda estava a acontecer. Ouvia primeiro. E depois respondia.

“Sim, mamã. Eu quero uma história”, disse ela devagar, com uma voz macia.

A mãe contou uma história pequena, de uma estrela que ensinava a esperar. A Inês ouviu, ouviu, e o sono chegou de mansinho, como um floco de neve.

Antes de fechar os olhos, a Inês sussurrou: “Amanhã vou ouvir mais.”

A mãe beijou-lhe a testa. “E eu vou ouvir contigo.”

Lá fora, as luzes de Natal brilhavam. Dentro de casa, tudo era quente. E no coração da Inês, o desejo crescia, calmo e brilhante: ouvir antes de responder, para espalhar carinho, como quem espalha luzinhas na árvore.

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Cachecol
Peça de tecido que se enrola ao pescoço para ficar quente.
Cócegas
Sensação que faz rir quando alguém toca de leve na pele.
Canela
Especiaria com cheirinho doce que se usa nos bolos.
Enfeites
Coisas que se penduram na árvore para deixá‑la bonita.
Sinos
Objetos que fazem som quando se mexem, like 'tilim'.
Cenoura
Legume laranja que coisinhas como bonecos de neve têm como nariz.
Ajoelhou
Sentar com os joelhos no chão para ficar mais perto de alguém.
Consoada
Refeição especial que a família faz na noite de Natal.
Envelope
Pequeno saco de papel onde se põe uma carta.
Tic-tac
Som que um relógio faz quando marca o tempo.
Gentileza
Atitude doce, quando se faz algo bom por outra pessoa.
Derreter
Quando algo sólido fica mole, como chocolate no calor.

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