Capítulo 1 — A Colina Onde os Papagaios Fazem Birra
Na Colina dos Papagaios Teimosos, o vento nunca soprava “normal”. Ele assobiava, gargalhava, fazia cócegas nas orelhas e, de vez em quando, empurrava alguém colina abaixo só para ver a cara de surpresa.
Lupito, um pequeno lobo aplicado, subia a encosta com um caderno preso por um cordel ao pulso. Tinha feito uma lista bem caprichada:
1) Não perder o caderno.
2) Não perder a coragem.
3) Se perder, fingir que era parte do plano.
Lá em cima, dezenas de papagaios de papel coloridos puxavam as linhas como se fossem cabras malcriadas. Alguns rodopiavam no ar e depois… plof! Desciam só para enroscar em arbustos, como quem diz: “Apanha-me, se fores capaz!”
Uma pega tagarela, chamada Pica, pousou numa pedra e anunciou, como se fosse trombeta:
— Atenção, atenção! Chegou a época do Desafio Impossível!
Os olhos de Lupito brilharam. Ele adorava desafios. Principalmente os que davam vontade de rir.
Pica estendeu a asa e apontou para o alto do céu, onde um papagaio enorme, com cauda em forma de espiral, dava voltas e voltas sem parar.
— Esse é o Sir Vento-Teimoso, o papagaio mais insistente da colina. A linha dele está presa… lá em cima. No NÓ DOS NÓS.
— NÓ DOS NÓS? — Lupito engoliu em seco, mas só um bocadinho.
Um esquilo de bochechas cheias, chamado Castorim (ninguém sabia porquê; ele jurava que era “nome artístico”), explicou:
— É um nó tão complicado que até o próprio nó esquece onde começa.
Uma coruja de sobrancelhas dramáticas, Dona Sombra, completou:
— Dizem que quem tenta desfazê-lo fica com as patas trocadas por uma semana.
Lupito olhou para as próprias patas, como se estivesse a fazer uma contagem rápida.
— Duas patas dianteiras… duas traseiras… tudo no sítio. Ainda.
Pica abriu um sorriso que parecia um ponto de exclamação.
— A missão: libertar o Sir Vento-Teimoso e trazê-lo para aterrar sem rasgar. Impossível, claro!
— Impossível é uma palavra que eu gosto de mastigar devagar — respondeu Lupito, ajeitando o cordel do caderno. — Mas não vou mastigar sozinho. Quem vem comigo?
No mesmo instante, Castorim ergueu as duas patinhas.
— Eu! Tenho nozes. As nozes ajudam em tudo, até em decisões.
Dona Sombra bateu as asas com solenidade.
— Eu vou. Alguém precisa narrar o drama… e rir no momento certo.
E, do meio das flores, surgiu uma lebre veloz, Lili, com uma fita presa na orelha.
— Eu vou também. Se o nó for muito teimoso, eu corro em volta dele até ele ficar tonto!
Lupito fechou o caderno com um estalo animado.
— Equipa formada. Vamos ao NÓ DOS NÓS.
E a colina, como se tivesse ouvido, soltou uma rajada de vento que fez todos os papagaios abanarem, ofendidos.
Capítulo 2 — A Trilha dos Assobios Trocados
A trilha para o NÓ DOS NÓS era marcada por estacas com fitas. O problema: as fitas eram papagaios em miniatura e gostavam de mudar de lugar.
— Esta seta estava a apontar para a direita! — protestou Lili.
Um papagaiozinho, amarelo como limão, piscou o olho e virou a fita para a esquerda.
— Agora aponta para a esquerda. Surpresa.
Castorim mastigou uma noz com ar filosófico.
— Isto é um labirinto com senso de humor.
Lupito respirou fundo, aplicado como sempre.
— Certo. Plano simples: seguimos o som do vento.
Dona Sombra inclinou a cabeça.
— O vento hoje está a tocar… uma espécie de “fiu-fiu-fiu” com final em “pffff”.
— Perfeito — disse Lupito. — Vamos atrás do “pffff”. Parece um destino.
Eles caminharam, e o vento assobiava como um pássaro desafinado. De repente, uma rajada levantou folhas e as atirou para cima de Lupito, cobrindo-o como um disfarce de arbusto ambulante.
— Olhem! Um arbusto com olhos! — gritou Castorim, alarmado, e depois… riu tanto que quase engasgou.
— És tu, Lupito! Pareces salada com pernas!
Lupito sacudiu as folhas, com dignidade ferida.
— Anotação: o vento hoje está particularmente… criativo.
Passaram por uma clareira onde papagaios teimosos faziam “queda livre” só para se enrolarem nas patas de quem passava. Um deles agarrou a cauda de Lili.
— Ei! Larga! — Lili saltou, rodopiou e ficou pendurada por um segundo, como se tivesse virado um enfeite.
Dona Sombra comentou, num tom de narradora:
— A lebre dança com o papagaio. É uma cena comovente e ridícula.
Lupito não puxou com força. Em vez disso, fez uma reverência para o papagaio.
— Senhor Papagaio, aceita trocar? Dou-te esta fita vermelha… e tu deixas a cauda da minha amiga.
O papagaio hesitou, como se estivesse a avaliar a elegância da proposta. Depois soltou a cauda e agarrou a fita vermelha com orgulho, como se tivesse ganho um prémio.
Castorim arregalou os olhos.
— Negociar com um papagaio! Isso funciona?
— Nem sempre — respondeu Lupito. — Mas é mais divertido do que discutir.
Continuaram até ouvirem um “pffff” muito forte, como se o vento estivesse a soprar uma vela gigante. Chegaram a um arco natural de rochas, e lá estava: uma árvore baixa, cheia de linhas emaranhadas, como se alguém tivesse usado o céu para fazer tricô.
No alto, quase invisível, brilhava o NÓ DOS NÓS.
Lili apontou.
— Parece… um ninho de macarrão.
— Um macarrão zangado — completou Castorim.
Dona Sombra fez uma cara séria, só para estragar.
— O impossível espera por nós.
Lupito sorriu.
— Ótimo. Eu trouxe fome… de ideias.
Capítulo 3 — O NÓ DOS NÓS e a Gargalhada Proibida
Ao pé da árvore, havia um aviso pendurado numa linha:
“PROIBIDO RIR. O NÓ APERTA.”
Lili leu em voz alta e já começou a tremer de vontade.
— Proibido rir? Isso é… impossível por si só.
Castorim tapou a boca com as patas.
— Eu consigo. Acho.
Dona Sombra pigarreou com solenidade.
— O nó é sensível. Se rir, ele faz birra.
Lupito aproximou-se e observou com atenção. O NÓ DOS NÓS não era só complicado: era convencido. Tinha voltas com voltas em cima de voltas, e parecia brilhar com um ar de “sou importante demais para ser desatado”.
— Bem — disse Lupito — não vamos puxar, nem cortar, nem fazer “força de herói”. Vamos fazer o nó… cooperar.
— Como se convence um nó? — perguntou Lili, com os olhos a saltar de curiosidade.
— A primeira regra é não o chamar de “macarrão zangado” — murmurou Dona Sombra, olhando de lado para Castorim.
Castorim fingiu inocência, com uma noz já na boca.
Lupito puxou do caderno e desenhou o nó, com cuidado. Depois desenhou uma cara no meio.
— Se o nó gosta de ser importante, vamos dar-lhe um cargo.
Pica, a pega, apareceu de repente, como se tivesse estado a espiar desde o início.
— Um cargo? Que cargo se dá a um nó?
— O cargo de… Chefe de Segurança das Linhas — respondeu Lupito. — Se ele for chefe, vai querer que as linhas estejam organizadas, não engolidas umas nas outras.
Lili levou a pata à boca.
— Isso é genial… e muito estranho.
— Estranho é o meu confortável — disse Lupito.
Ele aproximou-se do nó e falou com voz respeitosa, como se estivesse a falar com um guardião de castelo:
— Senhor NÓ DOS NÓS, precisamos da sua ajuda. Há um papagaio lá em cima, o Sir Vento-Teimoso, que está preso por aqui. O senhor, como Chefe de Segurança, não vai querer um papagaio preso, certo? Isso é… inseguro.
O nó, claro, não respondeu com palavras. Mas a linha estremeceu, como se tivesse ouvido.
Castorim sussurrou:
— Eu juro que ele mexeu.
Dona Sombra fixou o nó com olhar de quem avalia uma peça de teatro.
— A audiência está atenta.
Lupito continuou:
— Propomos uma inspeção. Lili, tu és rápida: vais seguir a linha azul e dizer onde ela entra e onde ela sai. Castorim, tu tens dedos bons para mexer em coisas pequenas… e nozes. Vais marcar as voltas com estas folhas secas, uma em cada cruzamento. Dona Sombra, tu tens olhos de noite: vais ver o caminho lá em cima e avisar se a linha estiver a apertar.
— E tu? — perguntou Lili.
— Eu vou conversar com o nó — disse Lupito, sério, como se fosse o trabalho mais normal do mundo.
Eles começaram. Lili correu em volta da árvore, seguindo a linha azul. Castorim colocava folhas secas como etiquetas, mas às vezes esquecia e enfiava uma noz no lugar.
— Castorim! — chamou Lupito. — Isso é marcação ou lanche?
— As duas coisas — respondeu o esquilo. — Assim, se eu me perder, como as pistas.
Dona Sombra apontava:
— Atenção, a linha verde está a fazer um “O” dramático… e depois um “Ai” trágico.
Lupito manteve a voz calma.
— Senhor Nó, repara como a linha verde está em sofrimento. Um chefe competente não deixa linhas a sofrerem.
Nesse exato momento, um papagaio pequenino, preso num ramo, soltou um “piii” e caiu em cima de Castorim, que deu um salto tão exagerado que parecia um foguete com pelo.
Lili viu e… explodiu em riso.
O aviso balançou: “PROIBIDO RIR.”
O NÓ DOS NÓS apertou com um “tchic!” assustador.
— Ai! — disse Castorim, ficando preso pela própria cauda na linha amarela. — Estou oficialmente ligado ao problema!
Lupito levantou as patas.
— Sem pânico! Lili, respira. Dona Sombra, conta até cinco com voz de funeral. Castorim, não te mexas, ou vais virar um laço.
Dona Sombra começou:
— Um… dois… três… tragédia… quatro… cinco…
Lili tentou parar de rir e acabou por fazer um som estranho: “hrrr-hrrr-hrrr”, como um motor velho.
Lupito inclinou-se para o nó e sussurrou:
— Senhor Chefe de Segurança, isto foi um teste. O senhor reagiu rápido. Excelente. Agora, para mostrar liderança, precisa também de saber… afrouxar com elegância.
A linha tremelicou, hesitou e, surpreendentemente, afrouxou um pouco.
Castorim respirou.
— Acho que… o nó gostou do elogio.
Lupito piscou.
— Quem não gosta?
Capítulo 4 — A Ideia Mais Parva (E a Mais Brilhante)
Mesmo com o nó a “colaborar” um pouco, ainda faltava soltar o Sir Vento-Teimoso sem rasgar nada. O papagaio enorme puxava lá em cima como se estivesse a tentar rebocar o céu inteiro.
Lili olhou para o topo da árvore.
— Se puxarmos, ele rasga. Se não puxarmos, ele fica preso. Portanto… precisamos de uma terceira coisa.
Castorim ergueu uma noz.
— Comer a linha?
— Não — disse Dona Sombra, ofendida em nome da lógica. — A linha não é comida. A linha é… destino.
Lupito rabiscou no caderno, a língua de fora, concentrado.
— Precisamos que o nó se desfaça sozinho, mas sem ficar nervoso. E precisamos que o papagaio perca vontade de puxar por uns minutos.
Pica, a pega, apareceu outra vez e meteu o bico onde não era chamada:
— Podem cantar uma canção de acalmar papagaios.
— Eu canto horrivelmente — disse Lili. — O vento foge de mim quando eu canto.
— Isso pode ser útil — murmurou Lupito, e todos o olharam.
Lupito levantou-se com um ar decidido.
— Está bem. A ideia é parva. Por isso mesmo, pode funcionar.
Ele explicou, gesticulando:
— Lili, tu vais cantar. Bem alto. Mas não para o papagaio… para o vento. Se o vento fugir, o Sir Vento-Teimoso deixa de ter tanta força para puxar. Ao mesmo tempo, Castorim vai fazer “massagem” no nó com folhas, para ele relaxar. Dona Sombra vai dar elogios ao nó, para ele se sentir importante e… afrouxar.
Dona Sombra estreitou os olhos.
— Eu elogiar um nó. Cheguei a este ponto da minha vida.
Castorim já tinha feito uma pilha de folhas.
— Massagem eu sei. Faço nas minhas bochechas quando estão cheias.
Lili inspirou fundo.
— Aviso: isto pode ser perigoso para os ouvidos.
Ela começou a cantar. Não era exatamente uma canção; era mais um conjunto corajoso de notas que se atropelavam como patos numa ponte estreita.
O vento, ofendido, fez um “HUH!” e recuou, como se alguém tivesse aberto uma janela para o silêncio.
Lá em cima, o Sir Vento-Teimoso perdeu força e ficou a planar, confuso, como um rei sem coroa.
Castorim esfregava o nó com folhas secas em movimentos circulares.
— Relaxa, nó. Relaxa. Imagina que és… um laço elegante numa caixa de presente.
Dona Sombra declamava, com voz de teatro:
— Ó nó, que beleza de voltas! Que cruzamentos inspiradores! Que… tensão tão bem distribuída!
O nó pareceu… corar. Ou talvez fosse o sol a bater numa linha vermelha. De qualquer forma, as voltas começaram a ceder, uma a uma, como se estivessem a bocejar.
Lupito, atento, aproveitou o momento e guiou as linhas com cuidado, seguindo as marcas de folhas (e algumas nozes) que Castorim tinha posto.
— Agora, linha azul para fora… verde por baixo… amarela… devagarinho… como se estivéssemos a convencer uma porta a abrir sem ranger.
Lili continuava a cantar e agora já estava a rir do próprio canto, o que tornava tudo ainda pior — ou melhor, dependendo do ponto de vista.
O nó tremeu, mas Dona Sombra foi rápida:
— Que tremor firme e profissional, senhor Chefe de Segurança! Um exemplo!
E então… plim.
Uma volta soltou.
Depois outra.
E com um “fof!” suave, o NÓ DOS NÓS desfez-se como se estivesse cansado de ser famoso.
A linha do Sir Vento-Teimoso ficou livre.
— Conseguimos! — gritou Castorim, e no mesmo instante uma noz caiu da marcação e acertou-lhe no próprio nariz.
— Ai! Eu comemoro com violência!
Lupito levantou o focinho para o céu.
— Agora a parte dois: fazê-lo aterrar sem birra.
O papagaio enorme deu um puxão, como se quisesse provar que ainda mandava. Mas sem o vento forte, ele desceu em círculos, resmungando com o papel.
— Ele parece uma panela a arrefecer — disse Lili.
Dona Sombra assentiu.
— Um final majestoso, com um toque de “quase desastre”.
Capítulo 5 — A Aterragem Mais Dramática da Colina
O Sir Vento-Teimoso descia lentamente, mas com personalidade. A cauda em espiral rodopiava, tentando enroscar-se em tudo.
— Não deixem ele abraçar uma árvore! — avisou Lupito. — Papagaios teimosos gostam de abraços longos.
Eles correram colina abaixo, segurando a linha com cuidado. Só que o papagaio tinha a mania de mudar de ideias no meio do caminho.
De repente, uma rajada pequena voltou, como um vento curioso, e o papagaio desviou para a esquerda, direto para um monte de urzes.
Lili foi mais rápida e saltou na frente, esticando uma fita vermelha que Lupito tinha usado antes.
— Sir Vento-Teimoso! Aqui! Olha a fita bonita!
O papagaio, vaidoso, virou-se para a fita, como se fosse um espelho. Isso foi o suficiente para ele perder o alvo das urzes.
Castorim, com o caderno de Lupito aberto (ninguém sabe quando ele pegou), lia a lista:
— “Não perder o caderno.” Já perdeste?
Lupito olhou para o pulso. O cordel estava lá, mas o caderno estava… nas patas de Castorim.
— Eu não perdi. Ele saiu para passear.
Dona Sombra pousou num tronco e coordenou:
— À direita, equipe! Não, à outra direita! A direita que dói menos!
O papagaio desceu mais um pouco e fez uma sombra enorme no chão. As cores vibravam: azul-escuro, laranja, verde-lima e um desenho de bigodes, porque, aparentemente, alguém tinha achado que papagaios com bigodes inspiravam respeito.
— Ele tem bigode! — riu Lili. — Um bigode sério demais!
O papagaio fez um “tlec” no ar, como se estivesse ofendido com a observação.
Lupito falou para ele, como tinha falado com o nó:
— Sir Vento-Teimoso, pousar é uma arte. Pousar sem rasgar é uma obra-prima. Vamos fazer uma obra-prima juntos.
Como se entendesse, o papagaio abrandou. Ainda assim, a cauda tentou dar um último golpe dramático e enroscou no chapéu de folhas de Dona Sombra (ninguém sabia que ela usava chapéu de folhas; ela também não sabia até aquele momento).
— Eu virei decoração! — disse a coruja, imóvel, com dignidade.
— Uma decoração muito respeitável — respondeu Lupito, segurando a linha e desfazendo o enrosco com cuidado.
Finalmente, o papagaio tocou o chão com um “shhh” suave, deslizando na relva. Não rasgou. Não amassou. Apenas ficou ali, grande e orgulhoso, como um sofá colorido.
Por um segundo, ninguém disse nada. Depois Castorim fez uma reverência exagerada e caiu para trás.
— Está tudo bem? — perguntou Lili.
— Sim — disse ele, deitado. — Só estou a sentir o peso da vitória.
Pica apareceu outra vez e gritou:
— Incrível! O impossível virou… possível!
Lupito coçou a orelha, sorrindo.
— Não foi só possível. Foi engraçado.
Dona Sombra ajeitou o chapéu de folhas, agora assumido.
— Admito. O humor foi… estrategicamente útil.
Lili tocou de leve no papel do Sir Vento-Teimoso.
— E ele até parece menos teimoso agora.
O papagaio, claro, não respondeu. Mas uma ponta da cauda tremelicou, como se estivesse a segurar um riso.
Capítulo 6 — Um Desejo Simples no Alto da Colina
Ao fim da tarde, a equipa subiu de novo a colina, desta vez sem pressa. O céu estava limpo, com nuvens que pareciam almofadas amassadas.
O Sir Vento-Teimoso estava preso a uma estaca, tranquilo, como se tivesse aceitado que, às vezes, aterrar também é uma aventura.
Pica anunciou:
— Pelo feito, cada um pode fazer um desejo!
Castorim foi o primeiro:
— Eu desejo… uma montanha de nozes do tamanho desta colina.
— Isso não é um desejo — disse Dona Sombra. — É um plano de armazenamento.
Lili saltitou:
— Eu desejo… que o vento nunca mais me ouça cantar.
O vento, ao longe, fez um “fiu” ofendido.
Dona Sombra pensou e disse:
— Eu desejo… um chapéu que não seja sequestrado por papagaios. Embora este… tenha personalidade.
Todos olharam para Lupito. Ele ficou em silêncio um momento, olhando a linha do papagaio, as folhas no chão, as marcas de noz, e os amigos ali, com as patas sujas de relva e os olhos brilhantes.
— E tu? — perguntou Lili.
Lupito sorriu, simples como um copo de água quando se tem sede.
— Eu desejo… que a nossa equipa continue junta, para os próximos “impossíveis”. Porque sozinho, até um nó é só um nó. Mas com amigos… até um nó vira piada.
Castorim levantou-se num pulo.
— Então desejo a mesma coisa. E também as nozes.
Dona Sombra suspirou, mas a voz saiu macia:
— Concordo. A colina fica menos assustadora quando há risos… bem distribuídos.
Lili deu uma volta completa e apontou para o céu:
— Próximo desafio: ensinar o Sir Vento-Teimoso a não fazer birra!
O papagaio tremelicou a cauda, como se dissesse: “Boa sorte.”
E o vento, que adora plateia, soprou de leve, empurrando todos para a frente, como quem convida:
“Vão lá. Eu estou a ver.”