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História de desafio impossível 11 a 12 anos Leitura 14 min.

O desafio do silêncio perfeito na Rádio Bolota

Rico, um raposo atrapalhado, tenta cumprir na Rádio Bolota o desafio impossível de ficar sessenta segundos em silêncio, contando com a ajuda de amigos e objetos improváveis enquanto enfrenta apitos, relógios e espirros.

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Rapazinho raposa ruiva de traços suaves, olhos arredondados e orelhas pontiagudas, com ar concentrado e nervoso, enfiando o focinho numa grande almofada em forma de rã verde com motivos amarelos para sufocar um espirro; à esquerda, uma arara azul de plumagem viva, olhar sério e penas eriçadas, empoleirada no balcão com uma pata perto de um botão vermelho, preocupada; atrás da mesa, uma coruja velha de óculos redondos e plumagem castanho-clara, solene mas benevolente, com um cronômetro ao pescoço observando atentamente; cenário: pequeno estúdio de rádio acolhedor em madeira, mesa bagunçada com botões coloridos, microfones com espuma vermelha parecendo morangos, pilhas de papéis, copos de lápis tombados e esponjas coladas, cartaz "DESAFIO IMPOSSÍVEL" na parede e um relógio antigo marcando o tic-tac; situação: momento tenso e cômico durante uma transmissão ao vivo, o raposo tenta segurar um espirro em silêncio cercado por objetos amortecedores e colegas inquietos, a luz vermelha "ON AIR" acesa e atmosfera de leve suspense. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Estúdio das Patas Nervosas

O estúdio da Rádio Bolota era pequeno, mas barulhento como um ninho de gralhas em dia de festa. Havia botões coloridos, luzes que piscavam como pirilampos elétricos e um microfone com uma espuma vermelha que parecia um morango gigante.

Rico, o raposo, entrou de lado — como sempre — e o rabo varreu uma pilha de papéis.

— Ups… foi só uma brisa artística — murmurou, tentando apanhar as folhas com as patas, que tinham a coordenação de duas colheres a jogar xadrez.

Do outro lado da mesa, a arara Azulinda (técnica de som e rainha dos olhares desconfiados) bicou um botão e uma sirene fez “PÉÉÉM”.

— Rico! — ela gritou. — Isso era o alarme de “NÃO TOCAR”!

Rico sorriu com a inocência de quem acabou de inventar um desastre novo.

— Ótimo! Funciona. Progresso! — e levantou uma pata como se estivesse a brindar. — Eu celebro tudo.

Na parede, um cartaz anunciava o evento do dia: “DESAFIO IMPOSSÍVEL AO VIVO: fazer silêncio perfeito durante 60 segundos”.

Rico engoliu em seco. Silêncio perfeito. Dentro de um estúdio cheio de coisas que apitam, rangem e… com ele, que conseguia tropeçar na própria sombra.

— Quem teve esta ideia? — perguntou.

A porta do estúdio abriu-se e entrou a diretora, Dona Coruja Dóris, com óculos redondos e ar de “eu já vi de tudo, inclusive um peixe a querer voar”.

— A ideia foi do público — disse ela. — E a Rádio Bolota não foge de desafios. Rico, és o nosso apresentador. Vais conseguir.

Rico endireitou-se, muito sério… e bateu com o cotovelo num pote de lápis. Os lápis caíram em dominó, tocando no botão da risada gravada: “HA-HA-HA-HA!”

A coruja piscou os olhos devagar.

— Começamos em dez minutos.

Rico respirou fundo.

— Dez minutos? — disse ele, olhando para o microfone como se fosse um monstro de espuma. — Perfeito. Tempo suficiente para… aprender a ser uma pedra.

E, como sempre, decidiu celebrar:

— Primeiro progresso: ainda não fugi. Viva eu!

Capítulo 2: O Manual do Silêncio Impossível

Rico abriu uma gaveta e encontrou um “Manual do Estúdio”. Era tão grosso que podia servir de travesseiro para um urso.

— Se existe silêncio perfeito, deve estar aqui — disse, folheando com pressa.

Azulinda aproximou-se, curiosa.

— Lê a parte dos microfones. Se espirrares, o estúdio inteiro vai ouvir até o teu pensamento.

Rico leu em voz alta, tropeçando nas palavras:

“Regra um: não bater com a cauda. Regra dois: não bater com as patas. Regra três: não respirar… muito.” — Ele levantou o focinho. — Como assim “não respirar muito”? Querem que eu seja um enfeite?

— Um enfeite silencioso — corrigiu Azulinda.

Dona Coruja Dóris voltou com um cronómetro enorme pendurado ao pescoço, como uma medalha de atleta.

— O desafio é simples: sessenta segundos sem som. Nem um “ai”. Nem um “hmm”. Nem o estômago a cantar.

Ao ouvir “estômago”, o estômago de Rico, ofendido por ser lembrado, fez “GRRUUU”.

Azulinda tapou o bico com a asa.

— Isso foi um solo musical ou uma despedida?

Rico corou (o que num raposo parece só… um raposo a aquecer).

— Eu celebro o aviso do meu estômago. Progresso: ele está vivo.

A coruja apontou para uma caixa com objetos estranhos: rolos de fita, algodão, esponjas, meias grossas e… uma almofada com cara de sapo.

— Podes usar o que quiseres para te ajudar. Mas nada de desligar a emissão ou sair do estúdio.

Rico arregalou os olhos.

— Então o impossível vem com acessórios. Gosto disso.

Ele começou a traçar um plano em voz baixa, como um espião desastrado:

— Vou domar o estúdio. Se o estúdio for um bicho, eu vou fazer-lhe cócegas até ele ficar quieto.

Azulinda inclinou a cabeça.

— Isso… não soa muito silencioso.

— Por isso mesmo vai ser engraçado — respondeu Rico, e apertou as patas uma na outra. — E eu vou ter paciência. Um segundo de cada vez.

— Ainda faltam seis minutos — avisou Dona Coruja.

Rico fez uma pequena dança silenciosa… mas pisou um saco de plástico que estava no chão. “CRAC-CRAC!”

Ele congelou.

— Progresso — sussurrou, com os olhos enormes. — Descobri onde está o plástico assassino.

Capítulo 3: A Armadura Anti-Barulho

Rico começou a construir a sua “Armadura Anti-Barulho”. Primeiro, calçou duas meias grossas nas patas, como se fossem botas de neve.

— Agora ando como um fantasma — disse, testando um passo. — Um fantasma elegante.

— Um fantasma com meias — corrigiu Azulinda. — O terror verdadeiro.

Depois, colou pequenas esponjas em cantos perigosos da mesa, nos botões e até na cadeira que rangia. Quando sentou, a cadeira fez “nhic… nhic…”, como se estivesse a rir baixinho.

Rico olhou para ela com severidade.

— Xiu. Isto é sério. Estamos a treinar paciência.

Ele colocou algodão no pote de lápis, para que não fizessem “clac” ao cair. Colocou a almofada-sapo em cima de uma alavanca que costumava saltar.

Azulinda observava, com um sorriso quase invisível.

— Nunca vi alguém preparar-se tanto para não fazer nada.

— Não fazer nada é muito difícil — respondeu Rico. — Especialmente para mim, que faço “coisas” sem querer.

De repente, a luz “NO AR” acendeu. O relógio da coruja começou a contar em silêncio, mas só o olhar dela fazia barulho.

Dona Coruja Dóris falou com voz baixa e cerimonial:

— O público está a ouvir. Rico, tens trinta segundos para te posicionar. Depois… silêncio perfeito.

Rico aproximou-se do microfone. A espuma vermelha parecia ainda mais morango. Ele sorriu, mas o sorriso tremia.

— Olá, ouvintes da Rádio Bolota… — começou, e o estúdio ficou atento como um gato à espera de um rato. — Hoje vou tentar o desafio mais impossível do mundo: ficar calado.

Azulinda apontou para o cronómetro, avisando: cinco… quatro…

Rico levantou uma pata.

— Antes de começar, vou celebrar: eu preparei-me! Eu não caí! Eu… — a contagem chegou a um… — Eu… já vou.

Silêncio.

Rico fechou a boca com cuidado, como quem fecha uma porta sem fazer “clac”. E então, um detalhe terrível aconteceu: o nariz dele começou a fazer cócegas.

O raposo abriu os olhos como pratos.

“Não espirres”, gritou o cérebro dele, sem som. “Paciência. Paciência. Paciência.”

O espirro cresceu, gordo e ameaçador, como uma bolha prestes a rebentar.

Rico esticou a pata devagar até ao bolso e puxou… uma pena.

— Não! — pensou. — Isso faz pior!

A cócega aumentou.

Ele tentou uma técnica: mordeu a própria língua com delicadeza. Doeu. Funcionou? Por dois segundos.

O espirro voltou com mais força, como um trompete a aquecer.

Azulinda arregalou os olhos. Dona Coruja Dóris inclinou-se, pronta para declarar o desastre.

Rico, em desespero, enfiou o focinho na almofada-sapo e espirrou para dentro.

“PFFFT!”

O som foi abafado. Parece que o sapo engoliu um trovão pequeno.

O estúdio continuou… quase silencioso.

Rico levantou a cabeça, vitorioso, e sussurrou para si:

— Progresso! O sapo salvou-me!

A almofada, esmagada, fez um “croac” baixinho.

Rico congelou outra vez.

Capítulo 4: O Inimigo Invisível: o Relógio a Ticar

O “croac” foi tão pequeno que até parecia um segredo. Dona Coruja Dóris fechou um olho, avaliando se aquilo contava como som.

Azulinda mexeu os dedos no ar, como quem mede um fio.

— Foi… “croac” de tecido — sussurrou, quase sem mover o bico. — Não sei se o público ouviu.

Rico respirou tão devagar que parecia uma estátua com medo. O cronómetro marcava: 42 segundos restantes.

E então, do nada, apareceu o pior barulho de todos: “tic… tic… tic…”

Rico não tinha notado antes. O relógio de parede, antigo e orgulhoso, estava a trabalhar com entusiasmo.

“tic… tic… tic…”

Rico olhou para Azulinda como se pedisse socorro.

Ela apontou para o aviso pendurado no relógio: “NÃO TOCAR. RELÍQUIA”.

Rico leu com os olhos: “não tocar”. Depois olhou para o desafio: “silêncio perfeito”. Depois para o relógio: “tic tic tic”, insolente.

— Progresso — pensou. — Descobri o vilão.

Com uma paciência heroica (e um pouco teatral), ele deslizou em meias até ao relógio. Cada passo era uma negociação com o destino. O estúdio inteiro segurava o ar.

“tic… tic…”

Rico estendeu a pata… mas lembrou-se: não pode tocar.

Ele precisava de uma ideia sem contacto. Olhou em volta: fita adesiva, rolo de pano, um cartão com “APLAUSOS” escrito, e a almofada-sapo, ainda traumatizada.

Rico puxou o cartão “APLAUSOS” e, com um movimento lento, colocou-o entre o relógio e a parede, como se estivesse a pôr um cobertor numa janela.

“tic… tic…”

O som diminuiu um pouco, mas ainda escapava como um rato.

Rico pegou numa esponja e, sem tocar no relógio, encostou a esponja ao cartão, criando uma parede de maciez.

“tic… tic…”

Mais baixo.

Ele acrescentou uma segunda esponja. E uma fita, para segurar tudo.

“tic…”

Quase nada.

O cronómetro marcava: 18 segundos.

Rico voltou a deslizar até ao microfone, com a calma de quem está a atravessar um lago cheio de patos nervosos.

E então… o chão decidiu pregar uma partida: uma mola solta da cadeira (que ele tinha “consertado” com esponjas) saltou e fez “plim!” no ar.

O som foi pequeno, mas claro.

Azulinda levou as asas à cabeça.

Dona Coruja Dóris abriu os dois olhos.

Rico fechou os olhos também, como quem espera uma tempestade.

Mas o cronómetro continuou. Dona Coruja não disse nada. Apenas apontou para o relógio: 9 segundos.

Rico entendeu: ainda havia esperança.

Ele sorriu por dentro, e manteve-se imóvel como um poste.

9… 8… 7…

O estúdio parecia prender a respiração junto com ele.

3… 2… 1…

A luz “NO AR” piscou.

Fim.

Capítulo 5: A Festa do Quase-Silêncio

Dona Coruja Dóris levantou uma asa, solene.

— Resultado do desafio: silêncio… quase perfeito.

Rico abriu a boca, mas parou a tempo de não gritar.

— Eu consegui? — disse num fio de voz.

Azulinda carregou num botão e soltou uma fanfarra gravada, porque fanfarra gravada não conta como “acidente de raposo”.

— Conseguimos — corrigiu ela. — Tu, o sapo e uma muralha de esponjas contra um relógio irritante.

Rico saltou para o ar, feliz… e a meia de uma pata escorregou. Ele aterrou de lado, mas desta vez sem bater em nada. Um milagre.

— PROGRESSO! — anunciou, apontando para o teto. — Eu caí sem fazer barulho!

A coruja deixou escapar um “hmm” que parecia um sorriso escondido.

— O público adorou — disse ela. — Principalmente a parte do “espirro engolido pelo sapo”. Já pediram repetição.

Rico abraçou a almofada-sapo com gratidão.

— Obrigado, sapo. Tu tens o peito de um herói e a cara de quem sabe segredos.

A almofada respondeu com um “croac” muito suave, como se estivesse a dizer “de nada”.

Azulinda inclinou-se para o microfone.

— Ouvintes, a lição de hoje é: a paciência é como andar de meias num chão perigoso. Vai devagar, presta atenção e… leva uma almofada-sapo, se possível.

Rico riu, agora com permissão.

— Eu aprendi que o silêncio não é só ficar quieto. É reparar nos pequenos barulhos antes que eles virem monstros.

Ele bateu com cuidado numa esponja, como se fosse um troféu.

— E eu celebro cada passo. Porque cada segundo foi uma vitória.

Dona Coruja Dóris endireitou os óculos.

— Muito bem. Mas… — ela olhou para a caixa dos desafios — amanhã há outro pedido do público.

Rico engoliu.

— Outro “impossível”?

Azulinda abriu um envelope que tinha chegado pela janela, trazido por um pombo-correio muito dramatizado.

— Diz aqui: “Desafio impossível número dois: fazer uma entrevista ao vivo com… uma caixa de grilos sem deixar que eles cantem.”

No canto da sala, como se tivesse ouvido o seu nome, uma caixinha de madeira tremeu ligeiramente. Lá dentro, algo fez “cri…”.

Rico apertou a almofada-sapo, olhou para o microfone-morango e sorriu com coragem meio trapalhona.

— Progresso — disse ele. — Eu já estou com medo… mas ainda não fugi.

E a luz “NO AR”, como se fosse cúmplice, piscou uma vez, prometendo confusão para depois.

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Ninho de gralhas
Lugar onde vivem muitas gralhas, aves barulhentas que fazem bando.
Cronómetro
Relógio usado para medir o tempo com muita precisão.
RELÍQUIA
Objeto antigo e valioso, muitas vezes guardado com cuidado.
Fanfarra
Música curta e festiva, tocada por instrumentos de metal.
Cerimonial
Modo formal e sério de falar ou agir numa ocasião importante.
Pirilampos elétricos
Insetos que brilham à noite; aqui usados como comparação para luzes.
Muralha de esponjas
Expressão que descreve uma parede feita de materiais macios e absorventes.
Pombo-correio
Pombo treinado para levar mensagens entre lugares diferentes.
Insolente
Alguém que age com falta de respeito ou atitude atrevida.
Espirro
Ação rápida e involuntária de expelir ar pelo nariz e boca.
Almofada-sapo
Almofada com forma ou imagem de sapo, usada para apoiar ou amortecer.
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