Parte 1
O Tomás e o Rui eram dois meninos quase com 3 anos. Eles gostavam de brincar de detetives. O Tomás tinha um caderno pequeno. O Rui tinha uma lupa de plástico.
Nessa manhã, a mamã disse: “Meninos, sumiu o ursinho do sofá!”
O ursinho chamava-se Pompom. Era fofinho e castanho.
O Rui abriu muito os olhos. “Um caso!”
O Tomás assentiu. “Um mistério!”
A mamã sorriu. “Calma. Vamos procurar juntos. Sem pressa.”
O Tomás pegou no caderno. “Eu vou anotar as pistas.”
Eles foram até ao sofá. O lugar do Pompom estava vazio.
O Rui olhou para o chão. “Vejo migalhas!”
O Tomás escreveu devagar: “Pista 1: migalhas.”
De repente, o Tomás tocou no braço do sofá. “Está molhado.”
O Rui encostou o dedo. “Hum… húmido!”
O Tomás escreveu: “Pista 2: humidade.”
O Tomás falou baixinho, como detetive: “Quem deixou isto assim?”
A mamã disse: “Não sei. Mas deve ter sido sem querer.”
O Rui apontou para a cozinha. “Vamos lá!”
E lá foram, a passos pequenos e rápidos.
Parte 2
Na cozinha, o chão estava limpo. Na mesa havia uma caneca de leite.
O Rui cheirou o ar. “Cheira a bolacha.”
O Tomás escreveu: “Pista 3: cheiro a bolacha.”
O Tomás olhou para a caneca. “Há gotinhas ao lado.”
Ele tocou com cuidado. “Outra vez… húmido.”
O Rui riu. “O mistério gosta de água!”
A mamã falou com voz doce: “A humidade é água que ficou em algum lugar. Pode ser de uma caneca. Pode ser de mãos molhadas. Pode ser de um pano.”
O Tomás acenou. “Então precisamos seguir as gotinhas.”
Eles viram duas gotinhas no chão, perto da pia.
O Rui colocou a lupa em cima delas. “São gotinhas redondas!”
O Tomás disse: “E para onde vão?”
As gotinhas iam até à porta da varanda.
Lá fora, o sol estava a entrar devagar.
O Tomás sentiu o ar. “Aqui está fresquinho.”
O Rui tocou no corrimão. “Também está húmido!”
O Tomás escreveu: “Pista 4: varanda húmida.”
Depois ele perguntou ao Rui: “Quem gosta de ir à varanda?”
O Rui pensou. “Nós!”
O Tomás pensou também. “E… o gato Bolinha!”
O gato Bolinha apareceu logo ali, a espreguiçar-se, muito calmo.
O Rui falou com o gato: “Bolinha, viste o Pompom?”
O gato piscou os olhos. “Miau.”
O Tomás disse: “Esse ‘miau' parece um ‘talvez'.”
Os meninos viram uma patinha no chão. Era uma marca molhada, pequena.
O Rui apontou. “Patinha!”
O Tomás escreveu: “Pista 5: patinha molhada.”
A mamã explicou: “Talvez o Bolinha tenha passado por água e depois andou por aqui. Isso faz humidade.”
O Rui riu. “Bolinha detetive… ou Bolinha suspeito!”
O Tomás não ficou zangado. Ele falou com voz gentil: “Não faz mal. Só queremos achar o Pompom.”
Eles seguiram as patinhas. Tinham poucas, como um caminho curto.
As patinhas iam até ao quarto de brincar.
No tapete, o Rui viu uma coisa. “Olha! Um fio castanho!”
O Tomás escreveu: “Pista 6: fio castanho.”
O Rui levantou uma almofada pequena. Nada.
O Tomás abriu a caixa dos brinquedos. Só carrinhos e blocos.
O Tomás respirou fundo. “Vamos usar método.”
A mamã perguntou: “Que método, detetive?”
O Tomás contou nos dedos: “Olhar. Anotar. Seguir. Perguntar.”
O Rui disse: “Então vamos perguntar à Ana!”
A Ana era a irmã mais velha. Estava a desenhar.
A Ana ouviu e respondeu: “Eu vi o Pompom. Ele foi passear.”
O Rui arregalou os olhos. “Passear?”
A Ana riu. “Com vocês, sem querer. Foi no carrinho grande.”
O Tomás inclinou a cabeça. “Qual carrinho grande?”
A Ana apontou para o carrinho de empurrar bonecos, perto da porta.
Parte 3
O carrinho grande estava ali. E havia uma toalhinha em cima.
O Tomás tocou na toalhinha. “Húmida!”
O Rui deu uma risadinha. “A humidade voltou!”
A mamã disse: “Ah… essa toalhinha é para limpar mãos. Vocês usaram depois de lavar as mãos.”
O Tomás olhou para o Rui. “Mãos molhadas… toalha… carrinho…”
O Rui completou: “E o Pompom foi junto!”
O Tomás levantou a toalhinha com cuidado.
Debaixo dela… estava o ursinho Pompom, quietinho, com uma orelha a espreitar.
O Rui bateu palminhas. “Encontrámos!”
O Tomás sorriu grande. “Caso resolvido!”
A mamã pegou no Pompom e abraçou os dois meninos. “Muito bem. Vocês foram calmos e atentos.”
O Tomás mostrou o caderno. “Eu anotei tudo.”
O Rui mostrou a lupa. “Eu vi as gotinhas!”
A Ana perguntou: “E a humidade?”
O Tomás explicou, bem simples: “Humidade é quando fica molhado. As pistas molhadas mostraram o caminho.”
O Rui acrescentou: “As gotinhas falaram conosco. Plim, plim!”
Todos riram.
A mamã disse: “Vamos secar a toalhinha e pôr o Pompom no sofá.”
O Rui colocou o ursinho no lugar dele. “Fica aqui, Pompom. Sem passeios escondidos.”
O Tomás fez um desenho no caderno: um ursinho e uma gotinha.
Depois, os dois detetives sentaram no tapete.
O Rui perguntou: “Amanhã há mais casos?”
A mamã respondeu: “Talvez. Mas agora há lanche.”
O Tomás fechou o caderno. “Fim do mistério. Hora de bolachas.”
E a casa ficou calma, quentinha e feliz.