Parte 1
A Lara tinha 4 anos e uma lupa de brinquedo. Ela gostava de dizer: “Sou detetive!”
Nessa manhã, ela procurou a sua peluche preferida, o Coelhinho Nuno.
“Coelhinho Nuno?” chamou Lara, baixinho e com um sorriso.
Nada.
A mamã dobrou uma manta no sofá. “Não te preocupes, Lara. Vamos procurar juntas.”
O papá apontou para o relógio da cozinha. “Temos tempo. E o Coelhinho não vai para longe sozinho.”
A Lara pôs a lupa no olho, muito séria. “Caso do Coelhinho Desaparecido!”
A mamã riu. “Detetive Lara, por onde começamos?”
A Lara pensou. “Pelo último lugar onde eu vi.”
Ela lembrou-se: ontem à noite, abraçou o Coelhinho na cama. Depois, foi beber água.
“Vamos ao quarto!” disse ela.
No quarto, a Lara levantou a almofada. Nada. Olhou debaixo do cobertor. Nada.
Ela viu uma meia no chão. “Pista!”
A mamã perguntou: “Isso ajuda?”
A Lara cheirou a meia e fez careta. “Não. Essa pista é… fedorenta.”
O papá abriu o armário um bocadinho. “Será que ele entrou aqui?”
A Lara espreitou. Só havia camisolas. “Coelhinho não gosta de escuro.”
Ela reparou numa coisa: havia migalhas pequenas no lençol.
“Migalhas!” disse Lara. “Eu comi bolacha na cama… eu não devia.”
A mamã falou com voz doce: “Obrigada por dizeres a verdade. Isso é ser responsável.”
A Lara respirou fundo. “Então… talvez eu levei o Coelhinho quando fui buscar bolacha.”
Parte 2
Na cozinha, a Lara andou devagar, como um gato. A lupa brilhava na luz.
Ela viu uma trilha: uma migalha aqui, outra ali, até perto da mesa.
“Vês?” disse Lara. “Pistas de bolacha!”
O papá cochichou: “Uma detetive segue as pistas.”
A Lara abriu a gaveta dos guardanapos. “Coelhinho, estás aqui?”
Só havia guardanapos coloridos. Ela pegou num e fez uma capa. “Sou a Superdetetive!”
A mamã apontou para a cadeira. “Olha ali, Lara. O teu casaco.”
O casaco estava pendurado e tinha um bolso grande.
A Lara tocou no bolso. Estava cheio.
Ela perguntou, animada: “O que será?”
A mamã disse: “Antes de abrir, pensa. O que colocaste aí ontem?”
A Lara fechou os olhos. “Eu peguei o Coelhinho… e levei um carrinho… e uma bolacha.”
O papá disse: “Então, o bolso pode ser o esconderijo.”
A Lara enfiou a mão. Primeiro, tirou um carrinho. “Vruuum!”
Depois, um guardanapo amassado. “Ops.”
E por fim… um pedaço de orelha macia apareceu.
“Coelhinho Nuno!” gritou Lara.
O Coelhinho saiu do bolso, com uma migalha na cabeça, como um chapéu.
A Lara riu e riu. “Tu estavas a fazer piquenique!”
A mamã abraçou a Lara. “Encontraste-o. Bom trabalho.”
O papá fez voz de narrador: “Mistério resolvido!”
Parte 3
A Lara sentou-se à mesa e pôs o Coelhinho ao lado.
Ela olhou para o casaco. “Eu guardei o Coelhinho sem querer.”
A mamã assentiu. “Acontece. O importante é cuidarmos das nossas coisas.”
A Lara trouxe uma caixinha e colocou nela um laço azul.
“Esta é a caixa do Coelhinho,” disse ela. “Quando eu não estiver a brincar, ele descansa aqui.”
O papá perguntou: “E as bolachas na cama?”
A Lara fez cara pensativa. “Bolacha é na cozinha. Para não fazer migalhas.”
Ela limpou a mesa com um pano pequeno. “Sou responsável,” falou baixinho.
O Coelhinho ficou encostado, como se escutasse.
Antes da sesta, a Lara deu um beijo na peluche.
“Agora eu sei,” disse ela. “Pistas mostram o caminho. E eu vou lembrar onde guardo.”
A mamã apagou a luz devagar. “Boa noite, detetive Lara.”
A Lara fechou os olhos, tranquila. “Boa noite. Caso fechado.”