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História de pequenos investigadores 5 a 6 anos Leitura 14 min.

O mistério do porta-moedas da avó Lina

Dois amigos pequenos tornam-se detetives numa casa animada para seguir pistas — migalhas, fios de lã e gotas de água — e descobrir onde desapareceu o porta-moedas da avó.

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Há 4 personagens: Tomás, 5 anos, cabelo castanho curto, olhos curiosos, casaco amarelo, joelheiras azuis, ajoelhado à frente à esquerda, estendendo a mão para uma pequena carteira marrom no chão; Benjamim, 5 anos, cabelo loiro despenteado, sorriso largo, segura uma caixinha azul junto ao peito, ao lado de Tomás, olhando a carteira com excitação; Avó Lina, cerca de 70 anos, cabelo grisalho apanhado, óculos redondos, suéter laranja, agachada atrás das crianças com as mãos no peito, aliviada e emocionada; e o gato Sultão, pelagem preta brilhante, olhos verdes, mancha branca no peito, sentado perto da carteira com a cauda levantada. Local: arrecadação luminosa e acolhedora com prateleiras de madeira, caixas de papelão empilhadas, uma vassoura encostada, lâmpada amarela pendente que cria sombras suaves, chão de azulejo claro e porta aberta deixando entrar uma faixa de luz. Situação: as crianças reencontraram a pequena carteira marrom com uma estrela dourada entre caixas; cena de descoberta e alívio, rostos expressivos, composição próxima, cores quentes, contrastes suaves, estilo vetorial de traços simples e contornos fortes, ambiente alegre e tranquilizador. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: O Mistério do Porta-Moedas

Na casa grande da Rua das Laranjeiras moravam várias pessoas juntas. Era uma colocation familiar: tinha a Tia Joana, o Primo Rui, a Avó Lina e até o Senhor Vasco, que cozinhava sopas cheirosas. No meio dessa confusão boa, viviam também dois amigos de cinco anos: o Tomás e o Benjamim.

Tomás gostava de observar tudo. Reparava em migalhas no chão, em pegadas molhadas e em botões perdidos. Benjamim gostava de fazer perguntas e de guardar coisas importantes numa caixa azul. Às vezes, Benjamim andava no seu cadeirão com rodas, muito tranquilo, e isso só fazia com que ele chegasse a todo o lado com um “vruuum” divertido.

Nessa manhã, a casa estava alegre. Cheirava a pão torrado. Ouviam-se talheres, risos e passos.

De repente, a Avó Lina bateu as mãos uma na outra e fez uma cara de surpresa.

O porta-moedas dela tinha desaparecido.

Era pequeno, castanho, com uma estrela dourada. Lá dentro havia moedas para comprar maçãs e um papel com uma lista: “leite, arroz, canela”.

A Avó não estava zangada. Estava preocupada.

— Sem o meu porta-moedas, não sei como vou ao mercado — disse ela, devagar.

Tomás e Benjamim olharam um para o outro. Um mistério tinha acabado de nascer ali, mesmo ao lado da mesa do pequeno-almoço.

Tomás endireitou as costas, como um detetive num livro.

— Nós podemos ajudar.

Benjamim assentiu e apertou a caixa azul contra o peito.

— Vamos procurar com calma. E com método.

A Tia Joana sorriu.

— Muito bem. Mas com cuidado e sem corridas dentro de casa.

Tomás já tinha uma ideia. Em mistérios, era importante começar pelo começo.

— Avó, onde viu o porta-moedas pela última vez?

Avó Lina pensou, com os olhos no teto, como quem procura uma lembrança escondida.

— Ontem à noite. Eu sentei-me no sofá verde para tricotar. Depois fui buscar água à cozinha. E depois… acho que fui arrumar as plantas na varanda.

Tomás fez um “humm” baixinho, como se guardasse a informação numa gaveta.

Benjamim levantou um dedo.

— Então temos três lugares: sofá, cozinha, varanda.

Tomás pegou numa folha grande e num lápis. Era a sua “carta”. Ele desenhou um quadrado para a sala, outro para a cozinha, outro para a varanda, e uma linha para o corredor. Desenhou também a mesa grande e o tapete azul.

Ele abriu a carta no chão, bem esticadinha.

— Assim não nos perdemos.

Benjamim apontou.

— Primeiro a sala! Porque foi o primeiro lugar.

A investigação ia começar.

Parte 2: Pistas no Tapete Azul

Na sala, o sol entrava pela janela e fazia manchas douradas no chão. O sofá verde parecia um grande crocodilo a dormir. O tapete azul tinha desenhos de nuvens.

Tomás olhou devagar. Um detetive não mexe em tudo logo. Primeiro, vê.

— Vamos procurar pistas — disse ele.

Benjamim aproximou-se do tapete e baixou a cabeça.

— Eu vejo… migalhas.

Tomás ajoelhou-se.

— Migalhas de bolacha.

As migalhas iam do sofá até à porta da cozinha, como um caminho pequenino.

— Quem comeu bolacha ontem? — perguntou Benjamim.

Da cozinha, o Primo Rui respondeu, alto, porque estava a bater ovos.

— Eu comi! Mas só duas!

Tomás não ficou convencido nem desconfiado. Só anotou na cabeça: “Rui + bolacha”.

No braço do sofá, havia um fio de lã cor de laranja. A Avó Lina usava lã cor de laranja para fazer um cachecol.

— Avó, este fio é seu — disse Tomás.

— Sim, meu querido. Eu tricotei aqui.

Tomás levantou a almofada do sofá, com cuidado, como se fosse uma tampa de tesouro. Nada. Levantou a outra almofada. Nada. Olhou debaixo do sofá. Só encontrou uma meia perdida e uma bolinha de brincar.

Benjamim riu-se.

— A meia parece um fantasma cansado!

Tomás também riu. Mas depois apontou para a bolinha.

— Esta bolinha é do gato, o Sultão.

Nesse instante, o gato passou, com ar de quem não devia nada a ninguém. A cauda dele estava muito direita, como uma bandeira.

Tomás seguiu o gato com os olhos. O Sultão foi até ao corredor, cheirou o ar e desapareceu.

— O gato pode ter empurrado o porta-moedas? — perguntou Benjamim, curioso.

Tomás encolheu os ombros.

— Pode. Mas precisamos de mais pistas.

Eles voltaram à carta no chão. Tomás fez uma bolinha no desenho da sala e uma setinha para a cozinha.

— Próximo lugar: cozinha.

Na cozinha, havia cheiro a canela. Em cima do balcão, estavam três coisas: uma jarra com flores, um pano amarelo e uma cesta de pão.

Tomás olhou para o chão. Havia marcas molhadas. Pequenas. Como pingos.

— Olha! — disse ele. — Pingos de água.

Benjamim seguiu os pingos com os olhos. Os pingos iam da torneira até à porta da varanda.

— Então a Avó realmente veio buscar água — disse Benjamim. — E depois foi para a varanda.

Tomás abriu a carta outra vez e desenhou gotinhas no caminho.

— Pista número um: migalhas para a cozinha. Pista número dois: pingos para a varanda.

Um mini-reviravolta apareceu quando a Tia Joana entrou com um saco.

— Meninos, encontrei isto no corredor — disse ela.

Era um botão dourado.

Tomás pegou no botão, com cuidado, como se fosse uma joia.

— Isto é do porta-moedas?

A Avó Lina veio ver.

— Não, meu querido. O meu porta-moedas não tem botões. Tem um fecho.

Benjamim franziu a testa.

— Então o botão é de outra coisa. Talvez de um casaco.

Tomás guardou o botão no bolso. Um detetive não deita pistas fora.

— Vamos à varanda — decidiu ele.

Parte 3: A Carta Aberta e a Visita ao Corredor

A varanda era cheia de plantas. Havia uma planta com folhas grandes, outra com flores roxas, e um vaso com morangos pequeninos. A Avó Lina cuidava delas como se fossem bebés.

Tomás e Benjamim entraram devagar. O vento fazia “shhh” nas folhas.

— Avó disse que veio arrumar as plantas — lembrou Benjamim.

Tomás apontou para o regador azul. Estava no chão.

— Ela deve ter regado.

De repente, Benjamim viu algo brilhante perto do vaso dos morangos.

— Ali!

Tomás aproximou-se. Era uma moeda. Só uma.

— Uma moeda do porta-moedas! — disse Benjamim, animado.

Tomás olhou em volta.

— Se caiu uma moeda, o porta-moedas pode ter estado aqui.

Ele abriu a carta outra vez, mesmo na varanda, e esticou-a sobre um banquinho. O papel tremia um pouco com o vento.

— Vamos fazer o “caminho da Avó” — disse Tomás. — Sala, cozinha, varanda.

Benjamim apontou para o corredor desenhado na carta.

— E se o porta-moedas foi para o corredor depois? Como as migalhas foram para a cozinha.

Tomás gostou da ideia. Era uma dedução: uma ideia que nasce das pistas.

— Precisamos de ver o corredor.

Eles foram até ao corredor. Era comprido e tinha quadros de família. Havia um tapetinho vermelho no meio. E ao lado da porta, um cesto de sapatos.

Tomás agachou-se.

— Detetives procuram nos lugares onde as coisas gostam de cair.

Benjamim olhou para o tapetinho vermelho.

— Eu vejo mais migalhas. E… um fio de lã!

Tomás seguiu o fio de lã cor de laranja. O fio ia até perto do cesto de sapatos.

E ali, no canto, estava uma coisa castanha.

Mas não era o porta-moedas.

Era um pequeno saco de pano, com cordão. Parecia um saquinho de cheiros.

Tomás pegou nele e cheirou. Cheirava a lavanda.

— Isto é da Avó também — disse ele.

Avó Lina apareceu atrás deles.

— Ah, sim. Eu ponho isso nos armários.

Benjamim apontou para as migalhas.

— Quem trouxe migalhas para o corredor?

Nesse momento, o Primo Rui passou com um prato.

— Eu fui levar bolachas ao Senhor Vasco ontem à noite — disse ele. — Ele estava na sala a ver um jogo e pediu uma.

Tomás levantou as sobrancelhas.

— Então as migalhas podem ser suas. Mas isso não quer dizer que pegou no porta-moedas.

Rui abanou a cabeça, rápido.

— Eu não peguei em nada. Eu só levei bolachas e depois lavei as mãos. Eu até vi o gato a correr com uma coisa na boca… mas achei que era um brinquedo.

Tomás e Benjamim congelaram um segundo.

— Uma coisa na boca? — perguntou Benjamim, com olhos grandes.

Rui apontou para a porta do quarto do Senhor Vasco.

— Ele correu para ali. Para perto da arrecadação.

A arrecadação era um quarto pequeno onde guardavam vassouras, caixas e coisas que faziam “clac” quando se mexia.

Tomás respirou fundo.

— Agora temos um novo lugar no mapa.

Ele abriu a carta mais uma vez e desenhou uma portinha: “arrecadação”.

— Vamos com calma — disse ele. — E devagarinho, para não assustar o gato.

Benjamim fez um “vruuum” baixinho, só por brincadeira, e depois parou.

Eles foram juntos. Tomás à frente, Benjamim ao lado, e a Avó Lina atrás, a torcer o avental com as mãos.

A porta da arrecadação estava encostada.

Tomás empurrou um pouco.

Lá dentro estava escuro, mas havia uma fresta de luz. Via-se uma vassoura, uma caixa de brinquedos e uma pilha de sacos.

E ouviu-se um “miau” bem pequeno, como se alguém tivesse sido apanhado.

Parte 4: O Tesouro Encontrado

Tomás acendeu a luz. Tudo ficou amarelinho.

No canto, entre uma caixa e um saco de compras, estava o Sultão. Ele tinha ar inocente. Muito inocente.

E ao lado dele… estava o porta-moedas castanho com a estrela dourada.

Benjamim abriu a boca, feliz.

— Encontrámos!

Tomás não correu. Ele lembrou-se do método. Primeiro, confirmar.

Ele pegou no porta-moedas e mostrou à Avó.

— É este?

A Avó Lina levou a mão ao peito.

— É sim! O meu porta-moedas!

Ela abriu o fecho. Lá dentro estava a lista do mercado e as moedas, menos a que tinha caído na varanda.

Benjamim correu os olhos pela carta, como se estivesse a ler uma história desenhada.

— As pistas fazem sentido! O gato deve ter empurrado do sofá, ou pegado quando viu brilhar, e levou para aqui.

Tomás assentiu.

— E a moeda caiu na varanda quando a Avó mexeu nas plantas. O fio de lã mostrou onde ela esteve. As migalhas mostraram o caminho do Rui com as bolachas. E o Rui viu o gato a correr.

Rui, que tinha chegado à porta, coçou a cabeça.

— Desculpa, Avó. Eu devia ter dito logo.

A Avó sorriu e fez um carinho no cabelo dele.

— Não faz mal. Agora aprendemos todos. Quando vemos uma pista, contamos.

Benjamim olhou para o Sultão.

— Sultão, tu gostas de tesouros, hein?

O gato piscou os olhos, como quem diz: “Talvez”.

Tomás riu-se.

— Mas nós também gostamos de devolver tesouros.

A Avó Lina ajoelhou-se devagar e fez um carinho no gato também.

— Obrigada, meus pequenos detetives. Vocês foram cuidadosos. Fizeram perguntas. Usaram uma carta. Seguiram pistas.

Tomás sentiu o peito quentinho.

— Foi o método.

Benjamim completou:

— E a calma.

A Tia Joana apareceu com um copo de sumo.

— Para celebrar, vamos ao mercado juntos. E a Avó compra maçãs. E vocês escolhem uma bolacha.

Benjamim segurou a caixa azul e colocou dentro a moeda encontrada na varanda, só por um momento, para não a perder. Depois devolveu-a à Avó com muita atenção.

Tomás dobrou a carta com cuidado, como se fosse um mapa de piratas, e guardou-a numa gaveta.

Antes de saírem, Tomás olhou para a arrecadação e para o Sultão.

— Mistério resolvido — disse ele, baixinho.

E o Sultão respondeu com um “miau” que parecia dizer: “Até ao próximo.”

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Colocation
Casa onde várias pessoas moram juntas e partilham espaços.
Migalhas
Pequenos pedaços de pão ou bolacha que caem ao comer.
Cadeirão
Cadeira grande e confortável, onde alguém pode sentar-se devagar.
Vassouras
Ferramentas com cerdas para varrer o chão e limpar a casa.
Tricotei
Ação de fazer peças com lã usando agulhas, como cachecóis.
Fecho
Pequena peça que abre e fecha um saco ou porta-moedas.
Arrecadação
Quarto pequeno para guardar coisas como caixas e ferramentas.
Lavanda
Planta com cheiro suave, usada para perfumar roupas e armários.
Pistas
Sinais ou coisas que ajudam a descobrir onde está algo perdido.
Método
Jeito organizado de fazer algo, passo a passo e com cuidado.
Cachecol
Peça de lã que se põe ao pescoço para aquecer.
Regador
Recipiente com bico para levar água às plantas.
Balcão
Parte alta numa cozinha onde se põem pratos e objetos.

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