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História de pequenos investigadores 5 a 6 anos Leitura 13 min.

O mistério do sino desaparecido e o gatinho Bolinha

Tomás e Bento, dois pequenos detetives, investigam o desaparecimento de um sino do pavilhão, juntando pistas e ouvindo vizinhos e um gatinho travesso enquanto seguem o mistério.

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Quatro personagens: Tomás, menino de 6 anos, cabelo castanho curto, camiseta amarela e calção azul, agachado diante de um grande vaso de barro segurando um caderninho aberto; Bento, menino de 6 anos, cabelo preto, em cadeira de rodas vermelha com jaqueta verde, à esquerda de Tomás, apontando para uma marca de pó no chão e sorrindo; Inês, jovem adulta de cabelo castanho preso em rabo de cavalo, bata clara e regador azul na mão, atrás à direita, inclinada para ouvir um pequeno sino; Bolinha, gato cinza de pelo curto e olhos verdes, empoleirado junto ao vaso com o focinho junto a um pequeno sino dourado meio enterrado. Local: pequeno pavilhão de bairro em madeira clara com porta aberta, chão de tábuas empoeiradas, tapete gasto e plantas em vasos ao fundo, luz suave da manhã criando sombras quentes. Situação: as crianças descobrem um sino dourado parcialmente enterrado num vaso de barro molhado, trilhas de metal riscam o pó até a porta e um fio dourado pendurado está partido, atmosfera calma e alegre em tons pastéis. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: O Caso do Sino Desaparecido

O Tomás e o Bento tinham 6 anos e gostavam de brincar aos detetives. Tinham um “clube” secreto no quarto do Tomás, com uma lanterna, um caderno e um lápis bem afiado.

Nessa manhã, o pavão do jardim (um pavão de papel que eles tinham feito com a professora) estava pendurado na parede do pavilhão do condomínio. O pavilhão era uma casinha grande, com mesas, cadeiras e janelas que deixavam entrar sol.

E ali, na porta do pavilhão, havia um sino pequeno, dourado, que fazia “trim-trim” quando alguém entrava.

Mas… naquela manhã, não fez nada.

O Tomás empurrou a porta devagar.

— Estranho… — sussurrou ele. — Não ouvi o “trim-trim”.

O Bento, sentado na sua cadeira com rodas, aproximou-se e inclinou a cabeça.

— Talvez o sino esteja só cansado! — disse ele, com um sorriso.

A dona Clara, a vizinha, entrou atrás deles com um tabuleiro de bolachas.

— Meninos, que bom! — disse ela. — Só que… oh! O sino desapareceu! Sem o sino, eu nem sei quando alguém entra. Que chatice.

O Tomás endireitou-se, importante.

— Não se preocupe, dona Clara. Nós somos detetives.

O Bento levantou o lápis como se fosse uma varinha.

— Vamos resolver! Mas precisamos de pistas.

A dona Clara baixou-se para ficar ao nível deles.

— Eu vi o sino ontem à noite. Hoje de manhã, já não estava.

O Tomás abriu o caderno.

— Primeira pergunta: quem esteve aqui?

A dona Clara pensou.

— De manhã cedo, passou o senhor Rui, o jardineiro. E a Inês veio regar as plantas no pátio. Depois… só eu.

O Tomás olhou para o Bento.

— Temos suspeitos?

O Bento abanou a cabeça.

— Primeiro: pistas. Depois: suspeitos. Assim é mais justo.

O Tomás concordou.

— Certo. Vamos procurar com calma. E… vamos ouvir bem o que as pessoas dizem.

Eles entraram no pavilhão. Cheirava a madeira e a bolachas.

O Tomás apontou para o chão, perto da porta.

— Olha! Há riscos na poeira. Como se alguém tivesse arrastado algo.

O Bento aproximou-se e observou.

— São riscos pequeninos… parecem de metal a roçar.

O Tomás anotou: “Riscos no chão. Perto da porta.”

Depois, o Bento reparou numa coisa brilhante no tapete.

— Tomás! Vê isto.

Era um fio dourado, fininho, como um pedacinho de corda.

O Tomás pegou com cuidado.

— Parece do cordão do sino.

O Bento sorriu.

— Boa! Uma pista brilhante.

De repente, ouviram um “ploc… ploc… ploc” lá fora, no pátio.

O Tomás fez sinal para o Bento.

— Vamos ver.

No pátio, a Inês segurava um regador azul e molhava as plantas. O som “ploc” vinha da água a cair.

— Olá, Inês! — disse o Tomás. — Viste o sino do pavilhão?

A Inês arregalou os olhos.

— O sino? Não! Eu só vim regar. Mas ouvi um barulho cedo… tipo “tin-tin”, bem fraquinho.

O Bento inclinou-se.

— Onde ouviste?

A Inês apontou para trás do pavilhão.

— Ali, perto das caixas de arrumos.

O Tomás escreveu no caderno: “Inês ouviu ‘tin-tin' atrás do pavilhão.”

O Bento levantou a mão.

— Obrigado por dizeres com atenção. Isso ajuda.

A Inês sorriu, contente.

— Posso ajudar também?

O Tomás pensou, como um detetive de verdade.

— Podes! Mas em silêncio por um bocadinho, para ouvirmos pistas.

Eles foram os três, em bicos de pés, até atrás do pavilhão. Havia caixas, um vaso grande e um carrinho de mão encostado.

E então… “clinc”.

O Tomás parou logo.

— Ouviram?

O Bento apontou para o vaso grande.

— Veio dali.

A Inês tapou a boca com as mãos.

— Está alguém escondido?

O Tomás aproximou-se do vaso, devagar, e falou com voz doce:

— Se estiveres aí, não tens de ter medo. Somos amigos.

Silêncio.

Depois… “miau”.

O Tomás e o Bento olharam um para o outro.

— Um gato! — disse o Bento, a rir.

O Tomás levantou o vaso um pouquinho. Lá dentro, um gatinho cinzento, com olhos verdes, estava encolhido. E, ao lado dele… algo dourado.

O Tomás piscou os olhos.

— O sino!

O Bento bateu palmas baixinho.

— Encontrámos! Mas… como foi parar ao vaso?

O gatinho saiu a correr, muito rápido, e deixou uma pegada molhada no chão.

A Inês apontou.

— Ele tinha a patinha molhada! Deve ter passado pelas plantas que eu reguei… mas eu só reguei agora.

O Tomás franziu a testa.

— Então foi outra água. Mais cedo.

O Bento falou com calma.

— Um mistério dentro do mistério.

Parte 2: Seguir a Pista Dourada

O Tomás pegou no sino com cuidado. Tinha um cordão partido, e por isso havia aquele fio dourado no tapete.

— O cordão partiu-se — disse ele. — Talvez alguém puxou com força.

O Bento olhou para o chão.

— Vamos seguir as marcas. Lembras-te dos riscos na poeira?

O Tomás assentiu.

— Eles iam para dentro, não para fora. Então… o sino entrou no pavilhão e depois saiu?

A Inês coçou a cabeça.

— Como é que um sino entra sozinho?

O Bento riu-se.

— Não entra. Alguém levou… ou o gato levou.

O Tomás apontou para o gatinho, que agora estava a cheirar o carrinho de mão.

— Um gato consegue levar um sino?

A Inês encolheu os ombros.

— Talvez tenha empurrado. Ou brincado.

O Bento inclinou-se para ver as rodas do carrinho de mão.

— Ei… há pelos aqui, presos na roda.

O Tomás aproximou-se.

— Pelos cinzentos! Iguais ao gatinho.

O Bento falou como se estivesse a dar uma aula divertida:

— Quando temos uma pista, não corremos. Primeiro pensamos.

O Tomás respirou fundo.

— Certo. O gatinho esteve no carrinho de mão. E o carrinho de mão pertence ao senhor Rui, o jardineiro.

Nesse momento, ouviram assobios e passos. O senhor Rui apareceu com luvas verdes e um chapéu de palha.

— Bom dia, detetives! — disse ele. — Que fazem aí atrás?

O Tomás mostrou o sino.

— Encontrámos isto num vaso. Sabe como foi parar lá?

O senhor Rui arregalou os olhos.

— Ora essa! O sino! Eu dei por falta dele. Até pensei: “alguém vai achar estranho.”

O Bento perguntou, com educação:

— O senhor viu o gatinho?

O senhor Rui sorriu.

— Ah, o Bolinha! Apareceu aqui ontem. Muito curioso. Subiu para o carrinho de mão e tudo.

A Inês apontou para o cordão partido.

— O cordão está quebrado.

O senhor Rui coçou a barba.

— Ontem à noite, eu fechei o pavilhão. O sino estava na porta. Mas o Bolinha estava ali a brincar com uma fita dourada que eu tinha no bolso… uma fita para amarrar sacos de folhas. Talvez ele tenha confundido e puxado no cordão do sino.

O Tomás abriu a boca.

— Então… o gato puxou e o sino caiu!

O Bento levantou um dedo.

— Espera. Ainda falta uma parte: como foi para dentro do vaso?

O senhor Rui riu.

— Isso eu sei! Hoje de manhã, eu trouxe este vaso grande para aqui, para lavar o chão do pavilhão. Eu enchi o balde com água e… o Bolinha veio atrás. Deve ter empurrado o sino pelo chão, a brincar, e depois… puf… o sino caiu no vaso quando eu o levantei.

A Inês lembrou-se.

— Foi por isso que eu ouvi “tin-tin” cedo! Era o sino a bater no chão.

O Tomás anotou tudo, sério.

— Temos uma explicação.

O Bento olhou para o senhor Rui.

— Mas precisamos de confirmar: o senhor viu o sino no chão?

O senhor Rui assentiu.

— Vi sim, perto da porta, e ia apanhá-lo depois. Mas o Bolinha foi mais rápido. Quando voltei, já não estava. Procurei um bocadinho e… não vi. Deve ter ido parar ao vaso.

O Tomás sorriu.

— Caso quase resolvido.

O Bento falou baixinho para o Tomás:

— Gostei de como ele explicou devagar. E nós ouvimos sem interromper.

O Tomás concordou.

— A escuta ajuda a resolver.

Parte 3: O Último Tour de Pista

Os três voltaram para a porta do pavilhão com o sino. A dona Clara esperava, com as bolachas.

— Encontraram? — perguntou ela, ansiosa.

O Tomás mostrou o sino como se fosse um tesouro.

— Encontrámos, sim!

O Bento explicou, com calma:

— O Bolinha, o gatinho, puxou o cordão e o sino caiu. Depois empurrou-o pelo chão, a brincar. E acabou dentro do vaso.

A dona Clara levou a mão ao peito.

— Um gatinho detetive… ou gatinho travesso!

O senhor Rui riu.

Travesso, isso sim. Mas é querido.

A dona Clara olhou para o Tomás e o Bento.

— Vocês fizeram uma boa investigação. Como souberam onde procurar?

O Tomás contou, apontando para o chão:

— Vimos riscos na poeira. Achámos um fio dourado no tapete. E a Inês ouviu “tin-tin” atrás do pavilhão. Nós juntámos tudo, como um puzzle.

O Bento acrescentou:

— E fizemos perguntas com educação. E ouvimos as respostas com atenção.

A dona Clara acenou, feliz.

— Isso é muito importante. Ouvir é uma superforça.

O senhor Rui tirou do bolso uma fita dourada nova.

— Vamos arranjar o cordão do sino.

Enquanto ele amarrava, o Bolinha apareceu, miou e roçou-se na perna do Tomás.

O Tomás falou com ele:

— Bolinha, da próxima vez, brinca com uma bola, não com um sino, está bem?

O gato piscou os olhos, como se dissesse: “talvez”.

Quando o senhor Rui acabou, a dona Clara abriu e fechou a porta do pavilhão.

— Vamos testar!

“Trim-trim!”

O som foi claro e alegre. Todos riram.

A Inês bateu palmas.

— Funcionou!

Mas o Tomás levantou o caderno.

— Ainda falta o último tour de pista.

O Bento sorriu.

— Isso mesmo. Revisão final.

O Tomás falou como um narrador de mistério:

— Pista 1: riscos na poeira perto da porta. Mostraram que o sino foi arrastado.

— Pista 2: fio dourado no tapete. Era do cordão partido.

— Pista 3: “tin-tin” ouvido pela Inês. O sino bateu no chão atrás do pavilhão.

— Pista 4: pelos cinzentos no carrinho de mão. O Bolinha esteve ali.

O Bento concluiu:

— E a explicação do senhor Rui juntou tudo direitinho. Nós ouvimos, pensamos e confirmámos.

A dona Clara ofereceu uma bolacha a cada um.

— Detetives merecem recompensa.

O Tomás deu uma bolacha à Inês.

— Obrigado por ajudares e por contares o que ouviste.

A Inês sorriu.

— Eu ouvi com atenção! E vocês também.

O Bento olhou para o sino na porta.

— Agora, quando alguém entrar, vai fazer “trim-trim” e ninguém se assusta.

O Tomás fechou o caderno.

— Caso resolvido. E sem zangas.

A dona Clara inclinou-se.

— E com amizade. É assim que gosto.

Quando foram embora, o pavilhão ficou a brilhar ao sol. O sino novo tilintava suave ao vento, como se dissesse: “Bom trabalho, detetives!”

E o Bolinha, muito quietinho, brincava com uma folha… só uma folha. Por enquanto.

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Pavilhão
Uma construção grande e aberta onde as pessoas se juntam para brincar ou trabalhar.
Lanterna
Objeto que dá luz quando está escuro, funciona com pilhas ou bateria.
Detetives
Pessoas que procuram pistas para descobrir o que aconteceu.
Caderno
Livro de folhas onde se escreve para guardar notas e desenhos.
Cordão
Fio grosso ou fita que serve para pendurar ou atar coisas.
Arrumos
Lugar onde se guardam objetos que não se usam todos os dias.
Carrinho de mão
Ferramenta com uma roda para carregar coisas pesadas empurrando.
Pegada
Marca deixada no chão pela pata ou pé de um animal ou pessoa.
Poeira
Pó fino que fica sobre móveis e no chão quando não se limpa.
Travesso
Que gosta de fazer pequenas traquinices ou brincadeiras maliciosas.

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