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História de pequenos investigadores 5 a 6 anos Leitura 14 min.

A caneta azul da Matilde e o mistério da estrela perdida

Matilde e Tomás, a “banda dos pequenos detetives”, procuram a caneta azul desaparecida pela escola, seguindo pistas na sala e na oficina de robótica com a ajuda dos colegas e aprendendo a investigar com calma.

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Quatro crianças de 6 anos num pequeno atelier de robótica escolar: Matilde, cabelos castanho-claro em duas marias‑chiquinhas, vestida com vestido amarelo às bolinhas brancas, ajoelhada à frente à direita segurando uma caneta azul levemente empoeirada e uma tampinha azul com estrela ao lado; Tomás, cabelo preto curto, t-shirt verde e calção bege, ajoelhado à esquerda a fazer anotações num caderno de autocolantes e apontando para uma caixa cheia de peças; Inês, cabelo loiro trançado, sweat rosa, em pé atrás de Matilde a aplaudir com alegria; Miguel, cabelo castanho encaracolado, calça azul escura e t-shirt às riscas, agachado ao fundo esquerdo a mostrar uma roda e olhando um robô sobre rodas. Cena: caixas translucidas e ferramentas coloridas em mesas de madeira, rampa grande em madeira e uma caixa baixa de “achados” com rodas, molas e botões junto à rampa, luz suave de uma janela com vitral; atmosfera de equipa feliz, tensão resolvida e cores quentes com texturas visíveis de tinta acrílica. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: O Caso do Estojo Vazio

A Matilde e o Tomás tinham 6 anos e uma coisa em comum: gostavam de resolver problemas. Eles chamavam-se, a brincar, “a banda dos pequenos detetives”. Não tinham gabardinas nem lupas grandes. Mas tinham olhos atentos, ouvidos curiosos e um caderno com autocolantes.

Naquela manhã, a sala da professora Lurdes estava cheia de cores. Havia desenhos nas paredes e caixas de lápis em cada mesa. Era dia de escrever uma carta para a turma do lado.

A professora disse:

— Peguem nas canetas. Vamos começar.

A Matilde abriu o seu estojo. E parou.

— Tomás… a minha caneta azul não está aqui.

A caneta azul era especial. Tinha uma tampinha com uma estrelinha. E a Matilde usava-a para fazer o “ponto final perfeito”.

O Tomás espreitou para dentro do estojo.

— Tens a borracha, tens o lápis… tens o apontador. Mas a caneta não.

A Matilde respirou fundo. Não parecia zangada. Parecia determinada.

— Então… temos um mistério.

O Tomás endireitou-se na cadeira, como se fosse um chefe de polícia pequenino.

— Primeiro, calma. Segundo, perguntas.

Eles olharam à volta. A sala estava normal. O Miguel brincava com um carrinho. A Inês colava estrelas num papel. O Ricardo procurava a tampa da cola.

A Matilde sussurrou:

— Última vez que a vi foi ontem, antes do lanche. Eu escrevi o meu nome na folha.

O Tomás anotou no caderno:

“1. Última vez: ontem, antes do lanche.”

— Onde guardaste o estojo depois? — perguntou ele.

— Fui ao recreio. Depois voltámos. Eu acho que fechei o estojo… mas posso ter deixado aberto.

O Tomás fez uma cara séria, mas com um brilho divertido.

— Um estojo aberto é como uma porta aberta. Coisas podem sair. Ou alguém pode… achar.

A Matilde não gostava de acusar ninguém.

— Vamos investigar sem culpar. Só com pistas.

Eles começaram com o mais simples: procurar perto da mesa da Matilde. Olharam no chão. Debaixo da cadeira. Dentro da mochila. Nada.

A professora aproximou-se.

— Está tudo bem?

A Matilde levantou a mão, educada.

— Professora, a minha caneta azul desapareceu. Podemos procurar?

A professora sorriu de forma tranquila.

— Claro. Mas com calma e sem confusão. Eu também gosto de mistérios bem resolvidos.

A Matilde e o Tomás trocaram um olhar: autorização dada.

No recreio, a Matilde reparou numa coisa: havia uma marca azul pequenina no canto da sua mesa. Como um risquinho.

— Olha! — disse ela. — Tinta azul.

O Tomás inclinou-se.

— Isso é uma pista. A caneta esteve aqui. Ou passou por aqui.

A Matilde sentiu uma pontinha de esperança. A caneta não tinha desaparecido no ar. Estava algures, à espera de ser encontrada.

— Vamos fazer uma lista de lugares onde pode estar — disse o Tomás. — E vamos por ordem.

A Matilde completou:

— E vamos pedir ajuda. Porque bons detetives trabalham em equipa.

Eles chamaram a Inês e o Miguel.

— Perdemos uma caneta azul com estrela — explicou a Matilde. — Se virem, avisem. Não é para brincar. É importante.

A Inês assentiu com força.

— Eu posso olhar na caixa dos achados e perdidos!

O Miguel abriu muito os olhos.

— Eu posso olhar perto do tapete de leitura. Às vezes caem coisas lá.

A Matilde sorriu. A investigação já tinha quatro detetives.

Parte 2: Pistas na Oficina de Robótica

À tarde, a turma tinha “Clube de Robôs”. Era numa sala especial, ali ao lado. Chamavam-lhe oficina de robótica. Tinha uma mesa grande, caixas com rodas, fios coloridos e pequenos robots que piscavam luzinhas.

O senhor André, o responsável, disse:

— Hoje vamos consertar o RoboZico. Ele anda a fazer “bip” quando devia fazer “boop”.

O RoboZico era um robot redondo, com olhos que pareciam duas bolachas.

— Bip… bip… — fez ele, meio envergonhado.

A Matilde adorava aquela sala. Ali aprendia-se uma coisa importante: quando algo falha, não se deita fora logo. Primeiro tenta-se reparar.

Enquanto o senhor André distribuía chaves de fendas pequenas (de plástico), o Tomás reparou numa coisa brilhante no canto de uma prateleira. Era azul? Não. Era um parafuso com tinta.

Ele apontou discretamente para a Matilde.

— Vês aquilo?

A Matilde viu. Um parafuso tinha um risquinho azul, igual ao da mesa.

— A tinta azul está a seguir-nos!

A Matilde pensou alto, bem baixinho:

— Ontem, antes do lanche… nós viemos aqui? Não. Mas ontem tivemos o clube? Sim! Ontem também tivemos robôs.

O Tomás bateu com o lápis no caderno.

— Então a caneta pode ter vindo parar à oficina.

A Matilde levantou a mão para o senhor André.

— Senhor André, posso fazer uma pergunta?

— Claro, detetive Matilde — disse ele, rindo.

— Se uma caneta caísse aqui, onde poderia ficar presa?

O senhor André olhou em volta.

— Humm… atrás das caixas, dentro das gavetas, ou… dentro do carrinho de ferramentas.

O Tomás cochichou:

“Carrinho de ferramentas” parece lugar de filme policial.

Eles começaram a procurar, mas sem atrapalhar o conserto do RoboZico. Isso também fazia parte do trabalho: investigar com cuidado.

A Inês veio com uma novidade:

— Eu vi o Ricardo ontem com uma caneta azul. Mas não tinha estrela.

A Matilde não quis concluir nada rápido.

— Pode ser outra caneta. Vamos só perguntar.

O Miguel apareceu com pó no joelho.

— No tapete não tinha caneta. Só uma peça de lego e um botão.

A Matilde agradeceu:

— Boa procura, Miguel. Um detetive nunca desiste.

O Tomás teve uma ideia:

— Matilde, se a caneta estiver no carrinho de ferramentas, pode ter rolado. Vamos ouvir.

Ele empurrou o carrinho devagar. Fez “cloc cloc” de peças a mexer. E… um som diferente:

— Tac… tac…

A Matilde arregalou os olhos.

— Isso parece… uma caneta a bater?

O senhor André aproximou-se, curioso.

— Vamos ver. Mas com organização. Aqui tudo tem lugar.

Ele tirou uma caixa de parafusos. Depois uma fita métrica. Depois um rolo de fita isoladora.

E então apareceu um objeto comprido, azul, mas… não era a caneta. Era uma chave de fendas com cabo azul.

A Matilde suspirou, mas não triste. Só mais pensativa.

— Ok. Não é.

O Tomás escreveu no caderno:

“2. Pista falsa: cabo azul.”

A Matilde sorriu.

— Em histórias de detetives, isso acontece.

O senhor André apontou para uma balança pequena, em cima da bancada.

— Já agora, para consertar o RoboZico, precisamos pesar uma peça. Quem quer ajudar?

O Tomás levantou a mão tão alto que quase tocou no teto.

— Eu!

Ele colocou uma pecinha metálica na balança. O visor mostrou um número.

— Pesa… quinze gramas! — disse o Tomás, orgulhoso.

O senhor André explicou:

— Se a peça for pesada demais, o RoboZico fica lento. Se for leve demais, ele perde a força. Reparar é equilibrar.

A Matilde gostou da frase. “Reparar é equilibrar.” Parecia uma dica para o mistério também.

Enquanto o Tomás pesava outra peça, a Matilde viu algo no chão, junto a um robot com rodas. Um pontinho brilhante. Ela ajoelhou-se.

Era uma tampinha. Pequena. Azul. Com… uma estrelinha!

O coração da Matilde fez tum-tum, mas ela manteve a voz calma:

— Tomás. Acho que encontrei parte dela.

O Tomás aproximou-se, quase em bicos de pés.

— A tampa com estrela! Então a caneta esteve mesmo aqui.

A Matilde pegou com cuidado, como se fosse um tesouro.

— Se a tampa está aqui, o resto da caneta está perto. Ou alguém tirou a tampa e…

O Tomás completou:

— …e a caneta pode ter rolado para outro sítio.

Eles olharam para o robot de rodas. Ao lado havia uma rampa de madeira, usada para testes. E por baixo da rampa havia uma caixa baixa, cheia de “peças perdidas”.

A Matilde apontou:

— Ali! A caixa de peças perdidas.

O senhor André ouviu e disse:

— Ah, a caixa dos “achados técnicos”. Às vezes aparecem coisas que não são do robot. Vamos ver juntos.

Parte 3: A Dedução da Banda e o Final Feliz

O senhor André puxou a caixa para a luz. Havia rodas, molas, tampas, um lápis pequenino e até um botão cor-de-rosa.

A Matilde ficou atenta a cada canto. O Tomás segurava o caderno, pronto para marcar a vitória.

A Inês e o Miguel chegaram também, curiosos. Até o RoboZico parou de fazer “bip”, como se quisesse assistir.

O senhor André disse:

— Vamos fazer como detetives: primeiro olhar, depois mexer.

A Matilde olhou. Viu algo azul entre duas rodas. Mas não tinha certeza.

O Tomás sussurrou:

— Podes pedir ao leitor para ajudar?

A Matilde virou-se para “quem está a ler”, como se o leitor estivesse ali, ao lado.

— Agora é a tua vez. Olha bem comigo: se tu fosses uma caneta azul, onde te escondias numa caixa assim? Perto das rodas? Perto das molas? Ou no fundo?

Ela respirou fundo e decidiu:

— Eu acho que está no fundo. Porque coisas compridas escorregam para lá.

Ela meteu a mão com cuidado, tirando as rodas primeiro. Depois as molas. E então… sentiu um objeto liso e comprido.

A Matilde puxou devagar.

Era a caneta. Azul. Um pouco empoeirada, mas inteira. Sem a tampa.

A Matilde sorriu tão grande que quase parecia uma lua.

— Encontrei!

A Inês bateu palmas.

— Viva!

O Miguel saltou um bocadinho.

— A caneta estava presa!

O Tomás fez a sua voz de chefe de polícia:

— Caso resolvido. Mas falta explicar “como”.

A Matilde adorava essa parte. Resolver não era só encontrar. Era entender.

Ela olhou para a rampa e para o robot de rodas.

— Ontem eu estava a escrever o meu nome numa etiqueta. A caneta deve ter caído da mesa aqui da oficina. Depois, quando alguém puxou a rampa, a caneta rolou… e caiu nesta caixa.

O senhor André assentiu.

— Faz sentido. A oficina tem muitas “descidas”. As coisas rolam.

A professora Lurdes, que tinha vindo buscar a turma, ouviu tudo.

— E o mais importante: ninguém foi acusado sem prova. Vocês usaram pistas e calma.

A Matilde pegou na tampa com estrela e encaixou-a na caneta. Fez um “clique” perfeito.

O Tomás apontou para a caneta.

— Mas espera… Matilde, isto não é uma caneta. Isso é um…?

A Matilde riu.

— Em português, caneta. Mas a professora diz muitas vezes “a caneta ou o stylus do tablet”. Hoje é mesmo caneta de escrever.

A professora Lurdes inclinou-se e perguntou:

— E agora, o que fazemos com a caixa de peças perdidas?

A Matilde pensou na frase do senhor André: “Reparar é equilibrar.”

— Podemos organizar. E consertar o que estiver estragado.

O senhor André abriu um sorriso.

— Excelente. Reparar também é cuidar do espaço.

Então, por alguns minutos, a banda dos pequenos detetives virou “banda dos pequenos reparadores”. Separaram as peças por cor e tamanho. Colocaram as rodas numa caixa. As molas noutra. E os objetos que não eram de robots, numa caixinha com uma etiqueta: “Achados da Sala”.

O RoboZico, já com a peça certa (pesada na balança), fez:

— Boop! Boop!

E piscou as luzes, como se agradecesse.

No fim do dia, já na sala, a Matilde sentou-se com a sua folha. Tirou a caneta e escreveu a carta para a outra turma. O ponto final ficou perfeito.

O Tomás inclinou-se para ver e disse:

— Sabes o que eu gostei mais?

— O quê? — perguntou a Matilde.

— Que o mistério virou uma aventura. E a aventura ensinou a reparar, a organizar e a ajudar.

A Matilde fechou o estojo, desta vez com cuidado.

— E eu gostei que tu pesaste uma peça como um cientista-detetive.

O Tomás riu.

— Eu sou “detetive das gramas”.

A Matilde guardou a caneta no lugar certo e falou baixinho, feliz:

— Obrigada por ajudares. Às vezes, o que está perdido só precisa de uma boa equipa… e de olhos atentos.

E assim, com a caneta encontrada, a tampa com estrela brilhando e o RoboZico a fazer “boop”, o dia terminou leve, seguro e contente. O mistério tinha sido resolvido. E o melhor de tudo: ninguém ficou triste. Todos aprenderam que, quando algo desaparece ou avaria, a primeira ideia pode ser procurar, pensar e reparar.

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Detetives
Pessoas que procuram pistas para resolver um mistério ou problema.
Gabardinas
Casacos compridos que protegem da chuva e do vento.
Autocolantes
Figurinhas com cola que se colam em cadernos ou papéis.
Oficina de robótica
Sala onde se constroem e consertam robots e peças eletrónicas.
Robótica
Área que estuda e faz robots e máquinas que se movem sozinhas.
Parafuso
Peça de metal com rosca que segura coisas apertando com uma chave.
Balança
Aparelho que mede quanto pesa um objeto.
Organização
Maneira de pôr as coisas no lugar certo e com ordem.
Investigar
Procurar e juntar pistas para descobrir o que aconteceu.
Tampinha
Parte pequena que fecha a ponta de uma caneta ou garrafa.
Recreio
Tempo no dia da escola para brincar e descansar no pátio.
Rampa
Plano inclinado onde as coisas podem rolar ou descer.
Achados e perdidos
Lugar onde se guardam objetos que alguém encontrou na escola.

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