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História de pequenos investigadores 11 a 12 anos Leitura 19 min. Disponível em história em áudio

O mistério do caderno azul no elevador de vidro

Lico, um lobo curioso, investiga o desaparecimento do caderno azul de ideias do prédio, seguindo pistas e ouvindo moradores enquanto descobre segredos e decisões inesperadas.

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Personagem principal: pequeno lobo antropomórfico de pelagem cinza com tons azulados, olhos grandes e curiosos, expressão concentrada e benevolente, agachado junto à porta da sala de manutenção a segurar delicadamente um gancho metálico para puxar um caderno azul amassado; personagem secundário 1: adolescente Tomás de gorro torcido e cabelo castanho, rosto aliviado, em pé atrás do lobo com mãos cruzadas no peito; personagem secundário 2: dona Rosa, bibliotecária de vestido creme e cabelo grisalho em coque, sorriso terno, estende a mão para alcançar o caderno à esquerda; personagem secundário 3: menina Bia de cabelo com glitter e roupa colorida, surpresa e entusiasmada, ajoelhada à direita segurando uma régua translúcida para guiar o objeto; local: corredor interno de prédio luminoso com paredes creme, piso de azulejo bege, porta metálica da manutenção entreaberta com uma fresta escura, jardim interno ao lado e elevador de vidro ao fundo; situação: recuperação do caderno azul preso atrás da porta, atmosfera terna e de suspense discreto, iluminação suave tipo aquarela e sensação de alívio e camaradagem. reportar um problema com esta imagem

A versão de áudio está disponível gratuitamente para esta história:

Duração da história em áudio: 19:49

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Capítulo 1 — O sumiço do caderno azul

O Lico era um lobo pequeno, de focinho curioso e orelhas sempre em alerta. No prédio onde morava, ele era conhecido por duas coisas: saber ouvir sem interromper e fazer perguntas que pareciam chaves.

Naquela tarde, a biblioteca do condomínio estava cheia de vozes e risadinhas. Era dia de “Troca de Histórias”: cada um trazia um texto, um desenho ou uma ideia maluca.

A dona Rosa, a bibliotecária, bateu palmas.

— Atenção, investigadores… quer dizer, crianças! O caderno azul de ideias sumiu.

— Caderno azul? — Lico inclinou a cabeça. — O que tinha nele?

Dona Rosa suspirou, mas seus olhos ainda brilhavam.

— Ideias para o Concurso de Criatividade do prédio. Rascunhos, jogos, invenções. Era o nosso tesouro.

O Nuno, que vivia com um skate debaixo do braço, arregalou os olhos.

— Mas alguém roubaria… ideias?

— Ideias valem muito — disse Lico. Ele falava baixo, como se o silêncio fosse uma lupa.

Dona Rosa explicou: o caderno ficava sempre na gaveta da mesa. Pela manhã, ela o vira lá. Depois do almoço, quando foi preparar a oficina, a gaveta estava vazia. A janela estava fechada. A porta da biblioteca, trancada.

— Trancada por fora? — perguntou Lico.

— Por dentro — respondeu dona Rosa. — Só eu tenho a chave. E a porta não tem marca de arrombamento.

Lico olhou ao redor. A biblioteca cheirava a papel, cola e suco de uva. Na mesa havia tesouras, canetinhas e um pote de biscoitos com migalhas espalhadas como um mapa.

Ele não correu. Não gritou “Eureka!”. Apenas se aproximou da gaveta, devagar, e ouviu: os passos das crianças, o zumbido do ar-condicionado, e um som bem leve… “tic-tic”.

— O relógio de parede — disse o Nuno. — Ele sempre faz esse barulho.

Lico sorriu.

— Às vezes, a pista é o que parece normal.

Ele abriu seu caderninho de anotações (verde, com um adesivo de lua) e escreveu três perguntas grandes, para quem lê ajudar também:

1) Quem esteve na biblioteca entre a manhã e o almoço?

2) O que mudou no lugar, mesmo que pareça pequeno?

3) Como algo pode sumir de uma sala trancada?

— Vou investigar — declarou Lico. — E vou escutar tudo. Até o que ninguém acha importante.

Capítulo 2 — As vozes do corredor

O Lico começou pelo básico: ouvir as pessoas, uma por uma, como se cada frase fosse uma peça de quebra-cabeça.

Primeiro, a dona Rosa.

— Quem entrou aqui hoje?

— De manhã, só a senhora Marta veio devolver livros. Depois, o senhor Álvaro passou para pegar o jornal antigo. E… ah, o Tomás veio buscar a mochila que esqueceu ontem.

— O Tomás? — perguntou Nuno. — Aquele do quinto andar?

— Esse mesmo — disse dona Rosa. — E a pequena Bia veio comigo arrumar as estantes.

Lico anotou. Depois foi ao corredor. O prédio tinha paredes claras e um elevador de vidro no centro, que subia e descia como uma bolha transparente.

A senhora Marta estava perto das caixas de correspondência, abanando cartas como se fossem leques.

— Senhora Marta, posso perguntar uma coisa?

— Se for rápido, meu chá está esfriando — respondeu ela, mas com um sorriso.

— O que a senhora fez na biblioteca hoje?

— Devolvi dois romances e um livro de receitas. E vi uma coisa engraçada: um papelzinho azul preso na sola do meu sapato. Tirei e joguei no lixo lá do corredor. Pensei que fosse sujeira.

Lico piscou.

— Um papelzinho azul? A senhora lembra o que estava escrito?

— Não. Mas tinha… uns rabiscos. Como um desenho de foguete, talvez.

Nuno soltou um assobio.

— Azul, rabisco… pode ser do caderno!

Lico levantou uma pata.

— Calma. Pistas gostam de calma.

Ele seguiu até o senhor Álvaro, que lia um jornal como se ele fosse um bicho raro.

— Senhor Álvaro, o senhor esteve na biblioteca?

— Estive. Peguei o jornal de 1998. Gosto de ver as previsões do passado. Quase sempre erradas, o que é um consolo.

— Viu algo diferente?

— Vi o pote de biscoitos. Estava cheio. Peguei dois. — Ele apontou as migalhas no chão da biblioteca, vistas pela porta entreaberta. — E vi a Bia com cola brilhante nas mãos.

Bia apareceu atrás deles, com glitter no cabelo, parecendo uma estrela que escapou do céu.

— Eu só estava fazendo marcadores de página! — disse ela.

Lico se abaixou para ficar na altura dela.

— Bia, você mexeu na mesa da dona Rosa?

— Só para pegar fita adesiva. E eu ouvi… alguém mexendo na gaveta. Mas achei que fosse a dona Rosa. Eu estava atrás da estante grande.

— Você viu essa pessoa?

Bia franziu o nariz.

— Eu vi uma sombra e… um cheiro. Cheiro de menta! Igual chiclete.

Nuno riu.

— Cheiro como pista. Essa é nova.

Lico anotou mais uma pergunta para o leitor:

4) Quem no prédio costuma mastigar chiclete de menta?

Capítulo 3 — O elevador de vidro e a pista que sobe

O Lico decidiu observar o lugar onde todo mundo se cruza: o elevador de vidro. Dentro dele, as pessoas ficam expostas como personagens numa vitrine. E, quando acham que ninguém está prestando atenção, fazem coisas curiosas: ajeitam a mochila, escondem uma sacola, conferem bolsos.

Lico e Nuno entraram no elevador. A porta deslizou com um “shhh” satisfatório. O vidro mostrava o átrio do prédio: plantas em vasos, um tapete vermelho que parecia uma língua esticada, e o quadro de avisos com cartazes coloridos.

— Para qual andar? — perguntou Nuno, apertando botões como se fosse um piano.

— Primeiro, vamos subir devagar — disse Lico. — Quero ver quem entra e sai.

No segundo andar, entrou a senhora Marta com uma sacola de compras.

— Ah, o lobinho detetive — disse ela. — Já achou o caderno?

— Ainda não — respondeu Lico. — Posso fazer uma pergunta? A senhora joga muito papel no lixo do corredor?

— Só quando alguém me dá panfleto — disse ela. — Por quê?

— Por nada… por enquanto.

No terceiro andar, entrou o Tomás, ofegante, com um boné torto e uma mochila enorme. Ele mascava chiclete. E, quando viu Lico, engoliu em seco e parou de mascar por um segundo, como se o chiclete tivesse virado uma prova viva.

Lico não acusou. Apenas observou. E escutou.

O chiclete voltou: “nhac, nhac”. E tinha cheiro de menta, bem claro, como se o elevador tivesse virado uma pasta de dente ambulante.

O elevador subiu. A luz do corredor do quarto andar piscou duas vezes.

— Odeio quando a lâmpada faz isso — murmurou Nuno.

Tomás apertou o botão do quinto andar e ficou encarando o chão. A mochila dele tinha uma mancha azul pequena, perto do zíper.

Lico apontou com o focinho, mas sem encostar.

— Tomás… você esteve na biblioteca hoje, né?

— Fui buscar minha mochila — respondeu ele rápido demais. — Esqueci ontem.

— E achou?

— Achei.

— E… fez mais alguma coisa lá?

Tomás deu de ombros.

— Só peguei. E comi um biscoito. A dona Rosa deixa.

Nuno arregalou os olhos para Lico, como quem diz: “Biscoito! Migalhas!”

O elevador parou no quinto. Tomás saiu depressa, quase tropeçando. No vidro, o reflexo dele pareceu um fantasma apressado.

— Você viu a mancha azul? — cochichou Nuno.

— Vi — disse Lico. — Mas mancha não é confissão. Pode ser tinta, caneta, suco… ou um pedaço de ideia.

Quando o elevador desceu, Lico reparou em algo no canto do chão: um pedacinho de papel azul, amassado, preso na borracha da porta.

Ele pegou com cuidado.

Havia um desenho de um foguete e, ao lado, uma palavra cortada: “inven…”

Invenção — sussurrou Nuno. — É do caderno!

Lico olhou para o leitor, como se pudesse ver do outro lado da página.

Agora, pense:

5) Como um pedaço do caderno foi parar no elevador?

6) Isso significa que o caderno passou por aqui… ou que alguém passou com ele?

Capítulo 4 — A oficina de criatividade e o truque do silêncio

Em vez de correr atrás do Tomás, Lico fez uma coisa diferente. Ele voltou à biblioteca e pediu para dona Rosa manter a voz baixa.

— Vamos preparar uma “oficina relâmpago” — disse ele. — E observar. Quem estiver escondendo algo pode se revelar sem perceber.

— Como assim? — perguntou dona Rosa, desconfiada.

— Criatividade é ótima para investigar. Ela faz as pessoas mostrarem o que têm por dentro… e por fora também.

Em poucos minutos, a biblioteca virou um laboratório. Lico colocou folhas brancas, canetas e fitas na mesa. Escreveu no quadro:

“Desafio: invente uma máquina que guarda segredos.”

As crianças começaram a desenhar. Nuno desenhou uma mochila com cadeado e alarme que tocava funk (segundo ele, “ninguém aguenta, então devolve na hora”). Bia desenhou um cofre em forma de cupcake.

Então Tomás apareceu na porta, fingindo que não estava interessado.

— Posso… olhar?

— Claro — disse Lico, gentil. — Senta com a gente. Só precisa de uma folha.

Tomás sentou. Pegou uma caneta azul do pote, mas sua mão tremia um pouco. Ele começou a desenhar um elevador… de vidro.

Lico percebeu outro detalhe: Tomás tinha um pedacinho de fita adesiva colado no dedo, como quem tentou remendar algo rasgado e esqueceu de tirar.

Lico ficou em silêncio, deixando o silêncio trabalhar. Às vezes, o silêncio é como uma lanterna apontada para dentro.

— Tomás — disse Lico, por fim —, você parece preocupado. Quer me contar?

Tomás apertou a caneta.

— Eu… não roubei. Eu só… peguei emprestado.

Nuno caiu da cadeira.

— Pegou emprestado o caderno das ideias?!

Tomás ficou vermelho até as orelhas.

— Eu queria ganhar o concurso. Todo mundo tem ideias incríveis. Eu… eu só tenho umas ideias meio tortas. E eu vi o caderno… e pensei… “só vou copiar um pouco”.

Dona Rosa levou a mão ao peito, mais surpresa do que brava.

— Tomás…

— Mas eu não consegui! — Tomás falou rápido, as palavras tropeçando. — Eu abri na página de invenções e fiquei com vergonha. As ideias eram tão legais… e eu comecei a escrever as minhas do lado, pra ver se eu conseguia melhorar. Aí o papel rasgou, eu tentei colar… e no elevador caiu um pedaço.

Lico inclinou a cabeça.

— Onde está o caderno agora?

Tomás mordeu o lábio.

— Eu escondi… pra ninguém ver. Atrás da… — Ele parou.

Lico não pressionou. Ele apenas ouviu a pausa, que dizia mais do que a frase.

— Atrás da… o quê? — perguntou Bia, baixinho.

Tomás respirou fundo.

— Atrás da porta da sala de manutenção do elevador. Eu fiquei com medo de devolver e levar bronca.

Nuno soltou um “ahá!” tão alto que o “tic-tic” do relógio pareceu ficar ofendido.

Lico colocou uma pata no ombro de Tomás.

— Você errou. Mas também pode consertar. Isso é parte da criatividade: inventar um jeito melhor de agir.

Capítulo 5 — Descendo com coragem

Eles foram juntos até o elevador de vidro: Lico, Tomás, Nuno, Bia e dona Rosa. O elevador parecia mais claro, como se estivesse curioso também.

— Eu vou junto — disse dona Rosa. — Não para brigar. Para resolver.

Tomás olhava para os próprios tênis.

— Eu não queria ser ladrão.

— Você não é uma etiqueta — disse Lico. — Você é uma escolha. E agora vai escolher devolver.

O elevador desceu até o térreo. Cada andar que passava parecia uma página virando. No vidro, dava para ver o reflexo do grupo: um lobo pequeno, uma bibliotecária, três crianças e um segredo prestes a ficar leve.

No térreo, eles saíram. A sala de manutenção ficava perto do jardim interno, atrás de um corredor estreito que cheirava a limpeza e plantas molhadas.

A porta da sala de manutenção tinha uma plaquinha: “Acesso restrito”. E uma maçaneta que parecia sempre desconfiada.

Tomás apontou.

— É aí.

Lico falou baixo, como quem conta uma história para não assustar ninguém.

— Vamos fazer do jeito certo. Dona Rosa, a senhora tem alguém responsável para abrir?

— O senhor Álvaro é síndico — disse ela. — Vou chamá-lo.

Minutos depois, o senhor Álvaro apareceu com um chaveiro enorme, parecendo carregar um pequeno piano de metal.

— O que aconteceu agora? — perguntou ele, já com cara de “isso vai dar trabalho”.

Lico explicou com poucas palavras, sem exageros e sem humilhar Tomás. O senhor Álvaro ouviu, coçou o queixo e disse:

— Hm. Ideias valem. Mas aprender também vale. Vamos abrir.

Tomás engoliu em seco.

A chave girou. “Clac.”

O senhor Álvaro empurrou.

E a porta… não abriu.

— Ué — disse Nuno. — Tá trancada por dentro?

— Não — murmurou o síndico, testando de novo. — Parece presa.

Lico se agachou e olhou a fresta embaixo.

— Tem alguma coisa encostada atrás.

Bia se ajoelhou também.

— Eu vejo… um canto azul!

Tomás arregalou os olhos.

— O caderno!

Lico pensou rápido, mas com calma. Criatividade, de novo. Ele olhou ao redor e viu um cabide comprido de metal no corredor, usado para pendurar placas durante pinturas.

— Nuno, segura a porta firme. Bia, você tem aquela régua grande?

Bia tirou da mochila uma régua transparente com glitter (porque, segundo ela, “medir é mais divertido brilhando”).

Lico pegou o cabide e, com cuidado, deslizou pela fresta, usando a régua para guiar e não raspar o caderno.

— Devagar — ele sussurrou. — Como se estivéssemos puxando um segredo dormindo.

Tomás segurava a respiração, os olhos fixos na fresta.

O cabide enganchou algo. Lico puxou milímetro por milímetro, até aparecer uma ponta azul, amassada, mas inteira.

— Peguei — disse Lico.

O caderno deslizou para fora, como um peixe escapando de uma rede.

Dona Rosa pegou o caderno com as duas mãos e fechou os olhos por um segundo.

— Está aqui… ainda tem cheiro de biblioteca.

Tomás deixou escapar um riso nervoso, que virou quase choro.

— Desculpa.

O senhor Álvaro cruzou os braços.

— Isso vai virar conversa com os pais, claro. Mas… obrigado por devolver.

Lico olhou para Tomás.

— E agora, o mais importante: o que você vai fazer com essa história?

Tomás limpou o nariz com a manga.

— Eu posso… escrever no concurso… uma investigação. Uma máquina de guardar segredos… que, na verdade, ensina a devolver.

Nuno cutucou.

— E coloca um elevador de vidro no meio. Fica dramático.

Bia riu.

— E glitter. Tudo fica melhor com glitter.

Lico sorriu.

— Criatividade não é copiar. É transformar. Até um erro pode virar um começo.

Capítulo 6 — A porta aberta

De volta à biblioteca, dona Rosa abriu o caderno azul sobre a mesa. Algumas páginas estavam com cantos dobrados e havia uma colagem mal feita tentando remendar o rasgo.

— Eu conserto — disse Tomás, rápido. — Mas de verdade, dessa vez.

Lico entregou a ele fita adesiva e uma folha de papel colorido.

— Faça um remendo criativo. Não precisa esconder as marcas. Pode contar a história delas.

Tomás respirou fundo e fez uma moldura em volta do rasgo com papel amarelo, desenhando pequenas engrenagens e um foguete sorridente. Embaixo, escreveu: “Ideias também precisam de reparo.”

Dona Rosa leu e soltou uma risada suave.

— Isso ficou… bonito.

O senhor Álvaro, que fingia ser sério, espiou por cima do jornal.

— Hm. Admito: ficou esperto.

Nuno apontou para o quadro.

— Então o concurso vai ter uma história de detetive?

Tomás assentiu.

— Vai. E o detetive vai ser um lobo pequeno que sabe ouvir.

Lico coçou a orelha, sem graça.

— O detetive também aprende a não latir… digo, não uivar… antes da hora.

Bia levantou um marcador de página recém-feito.

— E a gente vai ajudar com ideias, porque ideia boa cresce em grupo.

Dona Rosa fechou o caderno e o guardou na gaveta. Depois, em vez de trancar, ela deixou a chave em cima da mesa, bem visível.

— Confiança também é uma porta — disse ela. — Mas agora, a biblioteca fica aberta enquanto estivermos aqui.

Lico olhou para a porta da biblioteca. Ela estava escancarada para o corredor, deixando entrar luz e o som distante do elevador de vidro subindo: “shhh… clac… shhh”.

Uma porta aberta. Um mistério resolvido. E um prédio inteiro cheio de ideias, circulando sem medo.

Lico anotou a última frase no seu caderno verde:

“Quando a gente escuta bem, até o silêncio conta a verdade.”

E, do lado de fora, o corredor parecia convidar o próximo caso, com a porta aberta como um começo.

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Quando alguém admite algo que fez, dizendo a verdade.
Laboratório
Lugar onde se experimenta ou se cria coisas com cuidado.
Trancada
Fechada com chave, sem poder abrir sem quem tem a chave.
Detetive
Pessoa que investiga mistérios e procura pistas para resolver casos.
Invenção
Criação nova, ideia transformada em objeto ou solução prática.

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