A Colher de Pau Lili acordou na gaveta da cozinha. Espreguiçou o cabo e bocejou baixinho.
“Bom dia, cozinha!”, disse ela.
Na mesa havia um prato com biscoitos redondos e dourados. Era para partilhar depois do lanche. Mas… faltava um. Um biscoito tinha sumido.
O Pano de Pratos Tito balançou as pontas. “Eu contei. Eram seis. Agora são cinco.”
A Lili pôs um ar sério, mas com olhos sorridentes. “Caso do Biscoito Desaparecido. Eu vou investigar.”
Ela tinha um dossiê. Era uma pasta de papel com desenhos e rabiscos. A Lili gostava de reler o dossiê quando havia mistério. Abriu com cuidado.
No dossiê estava escrito, com letra grande: “Como resolver um caso: 1) Olhar bem. 2) Ouvir. 3) Cheirar. 4) Perguntar. 5) Partilhar.”
A Lili leu em voz alta, devagar. “Olhar bem. Vamos lá.”
Ela olhou a mesa. Viu migalhas pequenas perto do prato. Migalhas fazem pistas.
“Hum”, disse a Lili. “Para onde vão as migalhas?”
As migalhas faziam um caminho curtinho até a beira da mesa. Lá embaixo, no chão, havia mais duas migalhas.
A Lili desceu, com cuidado, apoiando-se na cadeira. “Não se preocupem”, chamou ela. “Eu estou aqui. É um mistério doce, só isso.”
O Tito respondeu: “Vai dar tudo certo!”
A Lili olhou o chão. Havia uma marca redondinha, como uma rodinha de brinquedo. E havia um fio de lã azul.
“Ah! Uma pista azul”, disse a Lili. “Quem tem lã azul por aqui?”
A Lili foi até o tapete da sala, que ficava pertinho. Ali estava o Cesto de Brinquedos Beto, cheio de carrinhos e bonecos.
O Beto disse, animado: “Olá, Lili! Vai brincar?”
“Agora não, Beto”, falou a Lili. “Estou num caso. Você viu um biscoito passeando por aqui?”
O Beto pensou. “Eu vi o Carrinho Pipo passando bem rápido. Ele parecia feliz. E tinha… cheirinho de biscoito!”
A Lili abriu o dossiê outra vez. “Passo dois: ouvir. Passo três: cheirar.”
Ela ficou quietinha e ouviu. Lá no corredor… “Vruuum… vruuum…”
Ela cheirou o ar. “Cheiro de biscoito. Um cheirinho doce e amanteigado.”
A Lili seguiu o som e o cheiro, devagar. No corredor, viu o Carrinho Pipo. As rodas brilhavam, e na frente dele havia… um farelinho preso.
“Pipo!”, chamou a Lili, com voz calma. “Posso te fazer perguntas?”
O Pipo parou. “Pode, detetive Lili!”
A Lili falou como no dossiê: “Passo quatro: perguntar. Onde você esteve?”
O Pipo respondeu: “Eu estava na mesa. Eu vi o biscoito. Ele estava sozinho na ponta do prato. Eu pensei: ‘Ele vai cair!' Aí eu empurrei com meu para-choque… para salvar!”
A Lili inclinou a cabeça. “Salvar é bom. Mas… para onde ele foi?”
O Pipo apontou com uma rodinha. “Ele rolou. Plim! Caiu no chão. Aí eu empurrei de novo, para ele não ser pisado. Eu levei para um lugar seguro.”
“Qual lugar?”, perguntou a Lili.
O Pipo sorriu. “Atrás do vaso da planta. Lá ninguém pisa.”
A Lili abriu bem os olhos. “Então o biscoito não foi roubado. Foi resgatado!”
“Eu sou um herói?”, perguntou o Pipo.
“Você teve uma boa intenção”, disse a Lili, gentil. “Mas quando pegamos algo que é para partilhar, a gente avisa. Assim todo mundo fica tranquilo.”
“Desculpa”, disse o Pipo, baixinho. “Eu não queria dar susto.”
“Não teve susto grande”, respondeu a Lili. “Vamos buscar juntos. E depois… partilhar.”
A Lili e o Pipo foram até a planta. Atrás do vaso, estava o biscoito, inteirinho, só com um pouco de pó.
A Lili pegou o biscoito com cuidado e voltou para a cozinha. O Tito deu uma volta no ar, como se fosse uma dança.
“Caso resolvido!”, disse a Lili.
Ela releu o último passo do dossiê: “Passo cinco: partilhar.”
A Lili colocou o biscoito de volta no prato. “Agora são seis outra vez.”
O Pipo ficou perto, esperando.
A Lili falou: “Na hora do lanche, vamos repartir. Um para cada um. E se sobrar… a gente divide de novo.”
O Tito riu. “Dividir de novo é a melhor parte!”
O Pipo também riu. “Eu vou ajudar. Sem empurrar escondido.”
A Lili piscou. “Ajuda é ótima. E falar é ainda melhor.”
A cozinha ficou quentinha e calma. O mistério virou brincadeira. E o prato de biscoitos ficou bem no meio da mesa, pronto para um lanche feliz, com partilha e amizade.