Carregando...
História de pequenos investigadores 11 a 12 anos Leitura 20 min.

O mistério do balão vermelho e da pulseira azul

Um menino segue um balão vermelho que o leva por pistas — purpurina, um bilhete e marcas de ténis — até uma caixa na berge, e com a amiga Marta enfrenta o medo de um colega para desvendar o mistério.

Baixar esta história em PDF

Ideal para compartilhar ou imprimir esta história!

Baixar o e-book (.epub)

Leia esta história no seu leitor de e-books.

Um menino tímido de 11 anos, cabelo castanho curto e orelhas ligeiramente de abano, olhar curioso, segura suavemente uma caixa metálica aberta com uma pulseira de pedra azul no colo; uma menina faladora e enérgica, cabelos trançados e sorriso maroto, de mãos na cintura atrás dele à esquerda, segura e protetora, com papel brilhante no bolso; Tomás, um garoto corado e preocupado, jaqueta manchada de purpurina e sapatos de sola zigzag, segura um balão vermelho preso a um arbusto à beira do rio, recuado à direita; cenário numa margem de rio ao crepúsculo com trilha de terra, ervas altas, um abrigo de madeira gasto com ferramentas de pesca e banco, e manchas de purpurina no chão como um caminho de estrelas; cena principal: crianças reunidas diante do abrigo aberto, caixa metálica brilhante ao centro revelando a pulseira azul, balão vermelho flutuando e migalhas de purpurina formando um rastro desde a festa, atmosfera suave em tons quentes alaranjados-rosados, luz ténue, estilo ilustrativo limpo com texturas a lápis e pequenos doodles de setas e estrelas guiando o olhar. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O balão que não era meu

Eu não gosto de fazer barulho. Prefiro ouvir. Ouvir o rangido do portão da escola, o “toc-toc” das bolas no recreio, as conversas que escapam como pássaros. É assim que descubro coisas.

Naquele fim de tarde, a festa da escola estava quase a acabar. Havia música baixa, cheiro a pipocas e um mar de fitas coloridas. Eu estava encostado ao muro do pátio, com o meu caderno pequeno no bolso, a observar.

Foi quando vi o balão.

Vermelho, brilhante, com uma estrela dourada colada. Flutuava preso por um fio… mas sem mão nenhuma a segurá-lo. O fio roçava o chão como uma cauda.

O balão passou por mim como se me chamasse.

— Ei, esse balão é teu? — perguntou a Marta, a minha colega mais faladora. Ela tinha sempre a sensação de que o mundo precisava de ser comentado em voz alta.

Balancei a cabeça.

— Então de quem é?

Olhei em volta. As crianças já estavam a ir embora. Os adultos carregavam caixas. Ninguém parecia procurar por um balão.

De repente, uma rajada de vento empurrou o balão para o portão aberto. Ele escapou para a rua, leve e decidido, como se tivesse um plano.

Eu não sei porquê, mas senti um aperto no peito. Um balão perdido é uma coisa pequena… mas coisas pequenas podem ser pistas grandes.

Respirei devagar, como me ensinou a avó: “Quando o coração corre, a cabeça tropeça.”

E comecei a segui-lo.

O balão avançava aos saltinhos, puxado pelo vento. Às vezes subia, às vezes descia e batia num sinal de trânsito com um “plim!”. Parecia estar a rir de mim.

— Vais atrás dele? — a Marta apareceu ao meu lado, sem pedir licença, como uma vírgula numa frase curta.

— Só… um bocado — murmurei. Eu falava pouco. Mas pensava muito.

O balão virou numa rua estreita. Nós virámos também.

No chão, perto de uma sarjeta, vi uma coisa: um pedaço de fita adesiva dourada, igual à estrela do balão, mas amassada, como se tivesse sido arrancada depressa.

Guardei-a no bolso.

A Marta abriu os olhos.

— Estás a colecionar lixo?

— Pistas — corrigi, baixinho.

O balão continuou, sem olhar para trás. Como se soubesse que eu tinha reparado.

Capítulo 2 — Um rasto de brilhos

A rua levou-nos ao mercado do bairro. As bancas estavam a fechar. Os vendedores empilhavam caixas de fruta e varriam cascas de laranja. O ar cheirava a manjericão e a pão quente.

O balão deslizou por cima de uma banca de tecidos e quase ficou preso num cabide. Um senhor gorducho, com bigode, levantou a mão e tentou agarrá-lo.

Falhou. O balão subiu com orgulho.

— Desculpe! — disse eu ao senhor, só por educação.

Ele encolheu os ombros.

— Balões têm alma de gato. Escapam sempre.

A Marta riu.

— Ou têm alma de ladrão.

Eu parei. “Ladrão.” A palavra ficou a ecoar.

Ao lado de uma banca de bijuterias, havia purpurinas no chão. Um pequeno rasto de pó brilhante, como um caminho de estrelas.

Ajoelhei-me. O brilho não parecia ter caído ao acaso: eram pontinhos que seguiam na mesma direção que o balão.

— Vês? — sussurrei para a Marta. — Não é só vento.

Ela inclinou-se, curiosa.

— Alguém está a… polvilhar o chão?

— Ou alguém tem isso na roupa — disse eu. — E está a deixar cair.

O balão fez uma curva para fora do mercado. Nós seguimos, agora com mais cuidado. Eu tentava não correr. Se corres, não vês nada.

Numa esquina, um gato cinzento apareceu e começou a perseguir o fio do balão, como se fosse um brinquedo. Saltou, falhou, e ficou a olhar para nós com cara de “a culpa é vossa”.

A Marta fez uma voz dramática:

— Agente felino, qual é o relatório?

O gato miou e sentou-se. Muito profissional.

O balão avançou para uma avenida com árvores. Ao longe, ouviu-se água. Não era chuva. Era o rio.

O vento mudou. O balão baixou, como se tivesse ficado mais pesado de repente. A estrela dourada tremeu.

E eu vi mais uma coisa no chão: uma marca de sapato, bem nítida numa poça de lama seca, com um desenho em zig-zag.

Eu tinha visto aquele desenho antes.

No ginásio da escola.

O meu colega Tomás tinha uns ténis assim. Gostava de fazer barulho a arrastar os pés. E tinha estado na festa.

Olhei para a Marta.

— Lembras-te dos ténis do Tomás?

Ela franziu o nariz.

— Os que parecem ter mordidas de tubarão na sola?

Acenei.

— São esses.

O rasto de purpurina seguiu pela avenida. O balão também. E nós atrás.

O rio chamou-nos com o seu som calmo, como se dissesse: “Devagar, devagar.”

Capítulo 3 — A berge e o sussurro da água

A berge do rio era o lugar mais tranquilo do bairro. Tinha um caminho de terra batida, bancos de madeira e caniços altos que faziam “shhh” quando o vento passava.

O balão desceu mais e quase tocou na água. O reflexo vermelho tremia, como um peixe curioso.

Eu parei antes de chegar muito perto da margem. A água podia ser enganadora.

— Não vás cair — avisou a Marta, desta vez num tom sério. — Não quero ter de te pescar.

— Eu também não — respondi.

O balão prendeu-se, por um segundo, num ramo baixo. O fio enrolou-se. Parecia um nó de marinheiro.

Aproveitei. Aproximei-me com cuidado, estiquei a mão… e o vento soltou o ramo. O balão escapou outra vez, como se tivesse esperado mesmo esse momento.

— Ele está a gozar contigo — disse a Marta.

Eu não respondi. Estava a olhar para o chão. Ali, na berge, o rasto de purpurina era mais evidente. Brilhava na terra escura.

E havia outra coisa: um papel pequeno, meio amarrotado, preso entre duas pedras. Eu apanhei-o. Era um bilhete.

No bilhete, uma letra grande e apressada dizia:

“DEVOLVE.”

Só isso. Sem assinatura.

A Marta aproximou-se para ler.

— Devolve o quê?

Eu pensei. “Devolve” podia ser um pedido. Ou uma ordem. Ou um aviso.

Olhei para o balão. Estrela dourada. Fio solto. Caminho de purpurina. Marca de ténis. Bilhete.

— Alguém quer recuperar algo — disse eu. — E usou o balão para guiar.

A Marta piscou os olhos.

— Um balão guia pessoas?

Eu encolhi os ombros.

— Guia-me a mim.

O balão avançou ao longo da berge, sempre perto da água, como se seguisse o próprio rio. À frente, vi um pequeno abrigo de madeira, onde os pescadores deixavam baldes e cordas.

De dentro do abrigo veio um som: “clac… clac… clac”.

Eu levantei um dedo, pedindo silêncio.

A Marta fez um gesto de fechar a boca com uma chave imaginária. Desta vez, ela ajudou.

Aproximei-me devagar. O “clac” parecia… uma tampa a abrir e fechar.

O balão parou mesmo em frente ao abrigo, como um ponto de exclamação vermelho no ar.

Eu senti o meu coração querer correr. Eu obriguei-o a andar.

— Vamos ver — sussurrei.

E entreabri a porta do abrigo.

Capítulo 4 — A caixa que não devia estar ali

Lá dentro cheirava a madeira molhada e a rio. Havia um balde velho, uma rede enrolada e… uma caixa metálica brilhante, do tamanho de uma lancheira.

O “clac” vinha dela.

A caixa estava entreaberta, como se alguém tivesse tentado fechá-la à pressa. E por baixo, no chão, havia mais purpurina.

A Marta ficou com os olhos a brilhar quase tanto quanto o chão.

— Encontrámos o tesouro?

— Talvez encontrámos um problema — corrigi.

Eu não toquei logo. Primeiro observei. A caixa tinha um autocolante com uma estrela dourada igual à do balão. Não era coincidência.

Respirei fundo. Peguei na caixa com cuidado e abri mais um pouco.

Lá dentro havia… uma coisa pequena e brilhante, enrolada num pano. Parecia uma pulseira. Ou uma corrente. Um objeto delicado, prateado, com uma pedrinha azul.

— Uau — murmurou a Marta. — Isso é caro.

Eu senti um frio na barriga. Porque eu lembrava-me de ter visto algo assim.

Na professora Helena. Ela usava uma pulseira com uma pedrinha azul. Dizia que era “a pulseira da sorte” e tocava nela antes das reuniões.

Mas… porquê estaria aqui, numa caixa escondida na berge?

Fechei a caixa com cuidado.

— Não vamos tirar — disse eu. — Vamos pensar.

A Marta cruzou os braços, impaciente.

— Pensar é lento.

— Lento é seguro — respondi.

O balão, do lado de fora, batia de leve no poste do abrigo: “toc… toc”. Como se pedisse pressa.

Eu olhei para o bilhete “DEVOLVE”. Olhei para o rasto de purpurina. Olhei para a marca de ténis em zig-zag.

Havia três perguntas que eu escrevi mentalmente, como faço quando estou nervoso:

1) Quem perdeu?

2) Quem levou?

3) Quem quer devolver… e porquê não devolve direto?

Eu ouvi passos no caminho da berge. Alguém vinha a assobiar, distraído.

A Marta arregalou os olhos e apontou.

Pela fresta da porta, vi um rapaz a aproximar-se. Cabelo despenteado. Casaco com manchas de purpurina. E ténis com sola em zig-zag.

Tomás.

Ele parou a dois metros do abrigo. Olhou em volta, como quem procura algo escondido. Depois olhou para o balão.

E fez uma careta, como se estivesse zangado com ele.

Eu encostei o ouvido à porta. O meu corpo queria encolher-se, mas a minha cabeça queria respostas.

Tomás aproximou-se do abrigo e puxou a porta.

Eu dei um passo atrás. A Marta prendeu a respiração.

A porta abriu-se. Tomás ficou cara a cara connosco.

— O que é que vocês estão a fazer aqui?! — ele sussurrou, assustado e irritado ao mesmo tempo.

Eu levantei as mãos, sem ameaça.

— A seguir um balão — disse, com a voz calma. — E a seguir pistas.

Tomás olhou para a caixa metálica. Engoliu em seco.

— Vocês não deviam… isto… não é…

A Marta cortou:

— Isso é da professora Helena?

Tomás fechou os olhos por um segundo, como quem leva um “ai” no pensamento.

— Eu não roubei! — disse ele, rápido. — Eu só… eu só peguei.

Eu inclinei a cabeça.

— Para devolver?

Ele mordeu o lábio.

— Sim. Mas… não consigo. Se eu for lá, ela vai pensar que fui eu que roubei. E eu não fui eu que… quer dizer… fui eu que peguei, mas foi sem querer!

A Marta fez uma cara de “isso não existe”.

Eu mantive a voz baixa.

— Conta desde o início. Devagar.

O rio, ao lado, continuava a correr. Como se concordasse.

Capítulo 5 — A verdade com cheiro a purpurina

Tomás sentou-se no banco da berge, de cabeça baixa. O balão ficou preso num arbusto perto dele, como se finalmente tivesse decidido ouvir.

— Na festa — começou Tomás — eu estava a ajudar a arrumar as coisas. A professora Helena deixou a mala em cima da mesa, perto da bancada das rifas. Eu vi a pulseira lá… brilhava, com a pedra azul.

Ele suspirou.

— E eu… toquei. Só toquei. Para ver se era pesada. Mas ela escorregou e caiu para dentro da minha caixa de purpurina.

— Caixa de purpurina? — repetiu a Marta.

Tomás apontou para as próprias mangas. Estavam cheias de brilho.

— Eu estava a fazer o cartaz do palco. Com cola e purpurina. Tudo ficou colado em mim. E a pulseira ficou lá dentro. Eu nem reparei.

Eu fechei os olhos por um segundo. Fazia sentido. Purpurina é como areia: aparece em todo o lado, até no dia seguinte, até na sopa.

— E quando reparaste? — perguntei.

— Já em casa — disse Tomás. — A pulseira estava na caixa. Eu entrei em pânico. Se a minha mãe visse, ia achar que eu tinha roubado. Então saí para devolver. Mas fiquei com medo.

Ele apontou para o balão.

— Eu encontrei esse balão preso num arbusto na rua. Peguei nele e pensei: “Se eu o soltar e seguir, ele vai levar-me para algum lugar onde eu consiga deixar a pulseira sem ser visto.” Parece estúpido, eu sei.

A Marta abriu a boca, mas eu levantei a mão.

— Não é estúpido — disse eu. — É… criativo. Só que agora a pulseira está escondida e a professora continua sem ela.

Tomás olhou para mim, com olhos húmidos.

— Eu queria devolver. Escrevi o bilhete. “Devolve”. Era para mim mesmo, para eu ter coragem.

A Marta relaxou um pouco.

— Então o balão foi tipo… treinador de coragem?

Tomás deu um sorriso mínimo.

— Mais ou menos.

Eu pensei no problema como uma equação simples: objeto perdido + medo + tempo a passar = confusão a crescer.

— Temos de devolver hoje — disse eu. — Mas com calma e com prova.

A Marta endireitou-se.

— Prova! Eu adoro essa parte.

Eu tirei do bolso o pedaço de fita dourada que eu tinha apanhado no início.

— Esta estrela do balão estava a desfazer-se — expliquei. — E temos purpurina no caminho todo até aqui. Tudo aponta para ti… mas não como ladrão. Como alguém que tentou corrigir.

Tomás franziu a testa.

— E isso ajuda?

— Ajuda se falarmos a verdade primeiro — respondi. — E se entregarmos a pulseira de um jeito que não pareça segredo.

A Marta estalou os dedos.

— Vamos chamar a professora Helena para a porta da escola! Dizemos que encontrámos uma caixa na berge! E o Tomás explica. Simples.

Tomás arregalou os olhos.

— Eu vou desmaiar.

— Então desmaia depois — disse a Marta. — Agora, anda.

Eu olhei para o rio. A água não se apressava. Mesmo assim, chegava sempre ao mar.

— Um passo de cada vez — murmurei. — É assim que se resolve.

Tomás pegou na caixa metálica, com cuidado, como se fosse uma panela quente.

E nós voltámos, com o balão a seguir-nos atrás, preso ao arbusto… até que uma brisa o soltou e ele veio, leve, por cima das nossas cabeças, como se fosse o nosso farol vermelho.

Capítulo 6 — A devolução e o olhar complice

A escola estava quase vazia quando chegámos. As luzes do corredor faziam sombras compridas. No átrio, a professora Helena falava com o porteiro, a organizar chaves e listas.

Eu senti a minha garganta apertar. Falar com adultos é como falar com uma montanha: parece que a tua voz fica pequena.

Respirei fundo. Calma primeiro. Palavras depois.

A Marta, que não tinha medo de montanhas, avançou.

— Professora Helena! Podemos falar consigo um minuto?

A professora virou-se, surpresa, mas sorriu.

— Claro. O que se passa?

Tomás apertou a caixa. As mãos tremiam.

Eu dei um passo à frente, porque alguém tinha de manter o chão firme.

— Seguimos um balão… até à berge — comecei. — E encontramos isto num abrigo de pescadores.

A professora franziu o sobrolho, intrigada.

— Um balão?

A Marta apontou para a porta de vidro, onde o balão vermelho tinha ficado preso do lado de fora, abanando como um aceno.

— Ele é praticamente um membro da equipa — disse ela.

A professora pareceu confusa… e depois divertiu-se um pouco.

— Está bem — disse ela. — E o que encontraram?

Tomás abriu a caixa e revelou o pano. As palavras dele saíram como pedrinhas a cair, uma a uma.

— Professora… eu… a sua pulseira… estava na minha caixa de purpurina. Eu toquei nela na festa e ela caiu sem eu perceber. Eu entrei em pânico. Eu não roubei. Eu tentei devolver. Escondi. Escrevi um bilhete. Eu… desculpe.

A professora Helena levou a mão à boca, mais surpreendida do que zangada. Depois olhou para a pulseira e, com cuidado, pegou nela.

— A minha pulseira… — disse ela, aliviada. — Eu procurei por todo o lado.

Tomás ficou à espera do pior, como quem fecha os olhos antes de uma injeção.

Mas a professora respirou fundo.

— Obrigada por teres vindo dizer — falou, com voz calma. — E obrigada por não teres ficado preso ao medo.

Tomás abriu os olhos.

— A senhora… não está…?

— Zangada? — ela inclinou a cabeça. — Estou mais contente por isto ter sido resolvido com verdade. E com ajuda.

Ela olhou para mim e para a Marta.

— Vocês ajudaram o Tomás a pensar com clareza. Isso é raro. E muito valioso.

A Marta endireitou-se como se tivesse recebido uma medalha invisível.

— Eu também dei ordens — confessou, orgulhosa.

A professora riu.

Eu reparei numa coisa: quando a professora colocou a pulseira no pulso, a pedrinha azul apanhou a luz e brilhou. Um brilho pequeno, mas firme.

Tomás soltou o ar, como se tivesse estado a prender a respiração desde a festa inteira.

Lá fora, o balão vermelho soltou-se da porta e subiu um pouco, dançando no ar da noite.

A professora seguiu o meu olhar.

— Esse balão… era de alguém?

Eu encolhi os ombros.

— Talvez fosse só… uma pista.

A Marta cutucou-me com o cotovelo.

— Ou um detetive muito redondo.

Eu quase sorri. Quase. Mas a minha boca traiu-me e sorriu mesmo.

A professora Helena aproximou-se e baixou a voz, como se partilhasse um segredo.

— Sabes uma coisa? — disse ela, olhando para mim. — Há pessoas que resolvem mistérios aos gritos. E há pessoas que resolvem com calma.

Ela piscou-me o olho.

Eu retribuí com um olhar cúmplice, silencioso e claro, como o rio quando não tem pressa.

Sem publicidade 3 € por mês

Deseja uma leitura sem interrupções? Apoie Oh My Tales, remova todos os anúncios e aproveite outras vantagens incluídas a partir de 3€ por mês.

Veja os planos e tarifas
Compartilhar

reportar um problema com esta história

O que você achou desta história?

Dê sua opinião atribuindo uma nota a esta história com base no que você e/ou seu filho acharam. Obrigado antecipadamente!

Obrigado! Sua nota foi levada em conta!

O quiz: você entendeu bem a história?

Rangido
Som seco e comprido que algo faz ao mover-se, como uma porta velha.
Sarjeta
Espaço junto à beira da rua onde a água corre ou se junta.
Rajada
Soprada de vento forte e curta, que aparece de repente.
Purpurina
Pequenos pedaços brilhantes usados para decorar cartazes e roupa.
Berge
Margem ou lado do rio onde se pode andar e ver a água.
Caniços
Plantas altas e finas junto da água, que fazem barulho com o vento.
Entreaberta
Algo ligeiramente aberto, não fechado nem totalmente aberto.
Autocolante
Adesivo com imagem ou texto que se cola em superfícies.
Zig-zag
Traçado em linhas que vão para a esquerda e para a direita em ângulo.
Arbusto
Planta de ramos baixos e muitos folhas, menor que uma árvore.
Reflexo
Imagem que se vê na água ou num espelho quando algo é refletido.

Crie uma história mágica e única para o seu filho!

Crie em poucos minutos uma aventura personalizada onde seu filho se torna o herói. Com nossa ferramenta exclusiva, é fácil, gratuito e divertido!

Criar uma história

Baixe esta história:

Baixar esta história em PDF Baixar o e-book (.epub)

Receba novas histórias todos os domingos à noite!

Receba 7 histórias emocionantes e cativantes, adaptadas à idade e aos gostos do seu filho, todo domingo às 17h*. É grátis e garantido sem spam!
*E-mail enviado às 16h00, hora de Lisboa.
Nós também não gostamos de spam. Assim, nós só lhe enviaremos histórias. Você poderá se descadastrar quando desejar.