O pequeno Tomé acorda cedo. Ele tem três anos. Ele gosta de brincar. Hoje ele quer ser detetive.
Tomé põe seu chapéu de pano. O chapéu é amarelo. Ele segura uma lanterninha de brinquedo. A lanterninha é azul. Tomé faz "shhh". Ele sorri. Vai começar a investigação.
Na cozinha, a mamã faz pão. O pão cheira bem. Tomé vê uma linha no chão. É uma linha de giz. O giz é rosa. A linha vai até a porta. Tomé fica curioso.
"Quem fez esta linha?" pergunta Tomé baixinho.
Mamã sorri. "Vamos ver juntos?" diz ela.
Tomé segue a linha. Ele pisa devagar. A linha de giz passa pela sala. Passa pelo tapete com flores. Passa pela mesa com cadeiras pequeninas. A linha sobe um degrau. Tomé pula feliz.
A trilha de giz desenha setas. As setas são desenhadas com cuidado. Tomé conta as setas. "Uma, duas, três." Ele canta baixinho. Seguir a linha é divertido.
No corredor, o gato Mio aparece. Mio ronrona. Tem pó de giz no bigode. Mio olha para Tomé. Tomé ri. "Será que o Mio sabe?" pergunta Tomé.
Mio mia e pula. Ele toca a linha com a pata. A pata deixa um risquinho de giz no chão. Tomé pensa. Ele pega uma lupa de brinquedo. A lupa é grande e redonda. Ele olha com atenção para o risquinho. O risquinho é menor que a mão do Mio. Tomé sorri. "Não é só do Mio", diz ele.
A linha continua até ao quarto do irmão mais velho. A porta está entreaberta. Tomé empurra com o pé. A linha passa por cima da cama. Há desenhos de nuvens na parede. Perto da janela, Tomé vê pedacinhos de papel colorido. Papéis de várias cores. Azul, verde, amarelo. Tomé apanha um papel. No papel há um carimbo de um sol. Tomé mostra à mamã.
"Este carimbo é da escola?" pergunta Tomé.
Mamã toca o papel. "Parece o carimbo do teu amigo João", diz ela. "Ele ama desenhar."
Tomé pensa. João esteve ontem em casa? Mamã lembra que sim. João veio brincar. Talvez João desenhou a trilha.
Tomé segue a linha de giz outra vez. A linha desce a escada. Tomé segura o corrimão. Ele desce devagar. No degrau, há uma pegada pequena. A pegada é redonda. Tomé a toca com o dedinho. Está fria. "Pegada de sapatinho", murmura ele.
Lá em baixo, na sala dos brinquedos, a trilha termina num grande tapete vermelho. No tapete, há uma casinha de papel. A casinha tem uma porta cortada. A casinha tem janelinhas desenhadas. Do lado, uma caixa de lápis aberta. Muitos lápis de cor estão espalhados. Um lápis tem a ponta quebrada e giz rosa ao lado.
Tomé senta-se. Ele observa tudo. Ele gosta de observar. Ele respira fundo. "Onde está a pessoa que fez isto?" ele pergunta.
Uma voz pequena responde: "Surpresa!" É João. João aparece com um grande sorriso. Ele tem mãos coloridas de tinta. Está com um chapéu de papel. João pula. "Eu desenhei a trilha!" ele diz.
Tomé sorri. "Porquê desenhaste a trilha?" pergunta ele.
João explica: "Queria levar-te a uma festa de desenho. Fiz pistas para te encontrar. Gostaste?"
Tomé pensa nas pistas. Conta as setas, mostra o risquinho do Mio, aponta a pegada do sapatinho. "Tu fizeste tudo muito gentil", diz Tomé. "Fizeste pistas e partilhaste os lápis."
Mamã aproxima-se. Ela traz biscoitos. "E era para o gato Mio também?" pergunta ela, rindo.
João faz festa no ar. "Claro!" diz ele. "Mio pode ter uma bolinha." Mio mia contente.
Tomé sente-se bem. Ele acolhe João com um abraço. Abraço quentinho. João ri. "És um bom detetive", diz João. "Seguiste as pistas."
Tomé fica orgulhoso. A investigação é resolvida. Ele aprendeu a olhar com calma. Ele aprendeu a perguntar. Ele aprendeu a ajudar.
Mamã senta-se e dá um biscoito a cada um. "Obrigada por arrumarem a casinha depois", diz mamã. João e Tomé juntam os lápis. Eles guardam os papéis. Eles limpam o pó de giz com um paninho.
Antes de irem para o sofá, Tomé pega na sua lupa. Ele olha para a última setinha de giz. "Posso deixar uma pista para ti, João?" pergunta ele.
João sorri grande. "Sim!"
Tomé desenha uma pequena flor com giz azul. Ele coloca-a no tapete. "Para mais aventuras", diz ele.
Mamã chama: "Hora da sesta." Todos vão para o sofá. Tomé encosta a cabeça no ombro da mamã. O sol entra pela janela. Tudo está calmo.
Tomé adormece a sonhar com pistas e flores. Ele sonha com o próximo jogo. Ele sonha com o próximo mistério. Mas sabe que, quando acordar, haverá amigos, respeito, e muitos lápis para desenhar juntos.