Capítulo 1 — A lista do Tomás e o laço misterioso
Tomás tinha onze anos e uma coisa que, segundo o Miguel, era “um superpoder meio chato”: organização. No dia 31 de outubro, ele acordou cedo, fez a cama com cantos tão esticadinhos que dava para pousar um livro em pé, e abriu a sua caderneta de Halloween.
— “Plano de Halloween: 1) Fantasia impecável. 2) Doces sem exageros (para não acordar a minha mãe com tosse de açúcar). 3) Entregar o laço.” — leu em voz alta, com solenidade.
Miguel, também com onze, entrou no quarto como um vento com ténis.
— Entregar o laço? Que laço? Um laço de fita? Um laço de… caça?
Tomás mostrou um rolo de fita cor de abóbora com estrelas douradas. Estava dentro de uma caixinha transparente, como se fosse um objeto precioso.
— Um laço. Para a Dona Celeste. Ela vive no fim da Rua do Chafariz. A minha avó disse que é importante.
— “Importante” é uma palavra que os adultos usam quando não querem explicar — respondeu Miguel, já a pegar na fita. — Uau, isto brilha! Parece que foi feito por um pirilampo com curso de design.
Tomás arrancou a fita das mãos dele com cuidado.
— Não amasses. Está tudo medido. O laço tem de ficar perfeito.
— Claro, claro… o teu Halloween é basicamente uma missão secreta com fita adesiva.
Os dois olharam pela janela. A tarde prometia: folhas secas a rodopiar, nuvens cor de leite com café, e aquele cheirinho no ar que só aparece no outono — mistura de castanhas, frio e aventura.
— Então — disse Miguel, com um sorriso maroto —, qual é a fantasia do Senhor Perfeição?
Tomás abriu o armário e tirou um uniforme de “detetive clássico”: sobretudo castanho, chapéu e uma lupa enorme.
— Vou de detetive. Porque… mistérios.
Miguel ergueu uma sobrancelha.
— Tu, mistérios? Tu que organizas os lápis por ordem de altura?
— Justamente. Os mistérios ficam menos assustadores quando têm uma lista.
Miguel abriu a sua mochila e puxou uma capa preta com forro roxo.
— Eu vou de vampiro, mas do tipo que tem medo de ketchup.
Tomás riu. E, por um momento, os dois sentiram aquela eletricidade boa de quando a noite vai ser especial.
Lá fora, o sol já começava a descer. E a fita cor de abóbora, dentro da caixinha, pareceu cintilar como se piscasse um olho.
Capítulo 2 — A rua das abóboras e o sussurro do vento
Ao entardecer, Tomás e Miguel saíram para a Rua do Chafariz. As casas estavam enfeitadas com abóboras sorridentes, teias de aranha de algodão e lanternas que tremeluziam como pequenos fogos presos em frascos.
Miguel caminhava de lado, como se tivesse ensaiado passos de vampiro num vídeo.
— “Boa noite, mortais…” — murmurou ele, tentando uma voz assustadora. — “Ofereçam-me… sumo de tomate!”
— Pára — disse Tomás, rindo. — Se alguém te dá ketchup, é culpa tua.
No passeio, um gato preto passou. Parou, olhou para os dois, e miou com uma expressão de quem estava a avaliar o nível de seriedade da missão.
— Viste? — Miguel sussurrou. — O gato julgou-te. Achou o teu chapéu demasiado arrumado.
Tomás endireitou o chapéu, ofendido.
— Ele é que tem bigodes desalinhados.
O vento soprou, levantando folhas que bateram no chão como dedos a estalar. Uma sombra comprida atravessou a rua… mas era só um ramo de árvore a dançar.
Mesmo assim, os dois abrandaram. A Rua do Chafariz tinha uma parte mais escura, onde os candeeiros eram antigos e a luz fazia círculos amarelados no chão, como ilhas.
— É ali — disse Tomás, apontando para o fim da rua. — Casa da Dona Celeste.
A casa era pequena, com uma porta azul e uma campainha em forma de lua. Na janela, havia uma abóbora desenhada com um sorriso meio torto, como quem guardava um segredo divertido.
Miguel aproximou-se e tocou na campainha. Soou um “trim” baixinho, como um sininho cansado.
Silêncio.
Tomás engoliu em seco.
— Talvez ela esteja a… a fazer chá. Ou a… a conversar com as plantas.
Miguel encostou a orelha à porta.
— Eu ouvi… alguma coisa.
— O quê?
— Um “shhh”. Tipo… “shhh, não contem a ninguém”.
Tomás apertou a caixinha com a fita.
— Pode ser o vento.
Nesse momento, a maçaneta mexeu-se. A porta abriu-se só um bocadinho. O suficiente para aparecer um olho muito vivo, brilhante como uma conta de vidro.
— Meninos? — perguntou uma voz gentil, mas com um toque de mistério. — Vieram… por causa do laço?
Tomás ficou tão surpreendido que quase respondeu “vim por causa da matemática”, mas conseguiu dizer:
— Sim, Dona Celeste. Tenho aqui.
O olho sorriu. E a porta abriu-se mais, revelando uma senhora com cabelo branco preso num coque e um avental com desenhos de morcegos que pareciam estar a fazer cócegas uns aos outros.
— Entrem, entrem. Mas limpem os pés. O meu chão é tão velho que range se alguém trouxer folhas lá de fora.
Miguel sussurrou para Tomás:
— A tua missão secreta acabou de ficar cem por cento mais secreta.
Capítulo 3 — A sala das sombras e o recado esquecido
A sala da Dona Celeste cheirava a canela e a papel antigo. Havia fotografias em molduras tortas, livros empilhados como torres e uma manta no sofá com desenhos de estrelas. Num canto, um espelho alto, com moldura dourada, refletia a luz das velas e fazia a sala parecer maior… e um bocadinho mais misteriosa.
— Não se assustem com o espelho — disse Dona Celeste, como se lesse pensamentos. — Ele tem ar de importante, mas só gosta de ver pessoas a pentear o cabelo e a fazer caretas.
Miguel fez uma careta ao espelho de propósito. O seu reflexo devolveu-lhe a careta, claro, mas Miguel fingiu estar impressionado.
— Uau. Ele copia tudo. Que falta de criatividade.
Tomás deu um passo à frente e entregou a caixinha.
— Aqui está o laço.
Dona Celeste pegou nela com cuidado, como se fosse uma borboleta que não devia acordar. Abriu a tampa, puxou a fita com as pontas dos dedos e… franziu o sobrolho.
— Hmm. Está lindo. Perfeito. Exatamente como devia.
Tomás endireitou os ombros, satisfeito.
— Eu medi duas vezes.
— Acredito. Só há um problema — disse ela, baixando a voz. — Eu… esqueci-me de onde o laço deve ser colocado.
Miguel arregalou os olhos.
— Esqueceu-se?
— Esqueci-me — confirmou Dona Celeste, com uma expressão tão séria que era quase cómica. — A minha cabeça é ótima para lembrar histórias, mas péssima para lembrar… detalhes. E este detalhe é essencial.
Tomás ficou gelado.
— Mas… o objetivo era… entregar o laço.
— Entregar, sim. Mas também… ajudar-me a pô-lo no sítio certo. — Ela apontou para uma porta estreita, no corredor. — É lá dentro. No meu sótão.
Miguel coçou o pescoço, e a capa de vampiro fez “flap”.
— Sótão. Sótãos são o habitat natural de… barulhos esquisitos.
— São o habitat natural de caixas e pó — corrigiu Tomás, tentando soar corajoso. — E eu tenho alergia a pó. Isto é… extremamente arriscado.
Dona Celeste riu.
— Não se preocupem. O meu sótão tem mais luz do que susto. Só precisa de… imaginação.
Ela entregou a fita a Tomás e pegou numa lanterna.
— Venham. E tragam esse vosso espírito de Halloween. Vai ser útil.
Tomás olhou para Miguel. Miguel olhou para Tomás. Era aquela troca de olhares que dizia: “Isto é uma má ideia” e “Vamos na mesma”.
— Vamos — disse Miguel, já a andar. — Se eu desaparecer, digam à minha mãe que eu fui mordido por… uma aranha vegetariana.
— Se desapareces, eu faço uma lista de procura — respondeu Tomás. — Com pontos por ordem alfabética.
No corredor, o chão rangeu. Uma folha seca entrou pela fresta da porta, como se também quisesse participar.
E o espelho, lá na sala, apanhou o reflexo dos dois a seguir a Dona Celeste — e pareceu brilhar por um segundo, como se piscasse de novo.
Capítulo 4 — O sótão, a caixa das recordações e um susto gentil
A escada para o sótão era estreita e inclinada, com degraus que gemiam baixinho a cada passo. A lanterna da Dona Celeste desenhava círculos de luz nas paredes, onde havia desenhos antigos: estrelas, luas e… um gato com bigodes ainda mais desalinhados do que o da rua.
— Fui eu que desenhei quando era miúda — explicou ela. — Eu achava que gatos deviam parecer… surpreendidos.
No topo, a porta do sótão abriu-se com um “creeeek” que fez Miguel agarrar-se ao próprio braço.
— Isso foi só a porta a reclamar — disse Tomás. — Portas velhas reclamam muito.
O sótão era amplo, com vigas de madeira e janelas pequenas. Havia caixas por todo o lado, mas tudo parecia… curiosamente arrumado. Tomás quase sorriu. Mesmo no caos, havia um esforço de ordem.
— Eu organizo por “sentimentos” — disse Dona Celeste, apontando para as caixas. — Esta é “coisas que me fizeram rir”, aquela é “coisas que me deram coragem”, e aquela ali… é “coisas que eu não quero perder”.
Miguel aproximou-se de uma caixa com um desenho de abóbora.
— E esta?
— “Coisas que cheiram a Halloween” — respondeu ela, como se fosse a categoria mais óbvia do mundo.
Tomás segurou a fita cor de abóbora e perguntou:
— E o laço… vai onde?
Dona Celeste apontou para um objeto coberto com um pano cinzento, no meio do sótão.
— Ali.
Miguel deu um passo atrás.
— Isso parece um… um…
— Um cabide grande? — sugeriu Tomás.
— Um monstro educado a fazer yoga — corrigiu Miguel.
Dona Celeste puxou o pano com um gesto teatral.
Por baixo, apareceu… um espelho alto, parecido com o da sala, mas ainda mais antigo. A moldura tinha pequenas luas entalhadas e, no topo, um espaço vazio como se faltasse alguma coisa.
— Um espelho no sótão — murmurou Miguel. — Clássico. Falta só a música “tchan tchan tchan”.
Tomás aproximou-se e viu que havia um pequeno gancho na moldura.
— O laço é para isto — concluiu ele, aliviado. — Eu consigo.
Quando Tomás levantou a fita, algo caiu de uma caixa lá ao fundo: uma máscara de bruxa, com nariz comprido, que rolou pelo chão e parou mesmo aos pés do Miguel.
Miguel deu um salto tão alto que a capa pareceu abrir asas.
— EU SABIA! — gritou ele. — Bruxaria com entrega ao domicílio!
Tomás apanhou a máscara e virou-a.
— É de plástico. E está a rir-se de ti.
De facto, a máscara tinha um sorriso torto e parecia muito satisfeita por ter pregado uma partida.
Dona Celeste riu-se com vontade, uma risada que aqueceu o sótão como um cobertor.
— Desculpem, meninos. As minhas caixas às vezes… têm sentido de humor.
Miguel respirou fundo.
— Ok. Eu aceito sustos, mas prefiro que sejam avisados com antecedência. Tipo um e-mail: “Caro Miguel, vou assustar-te às 19h.”
Tomás ergueu-se na ponta dos pés para prender o laço no gancho. Mas o degrau rangia e ele balançou.
— Preciso de… apoio — admitiu, com a voz apertada. Para ele, pedir ajuda era quase tão difícil como deixar um livro fora do lugar.
Miguel aproximou-se e segurou-lhe na cintura, firme.
— Vai lá, Detetive. Eu sou o teu… assistente vampiro. Não deixo cair ninguém. A não ser que seja uma gelatina, porque gelatina é traiçoeira.
Tomás riu, ganhou coragem, e deu o nó. Um laço perfeito, com pontas iguais, como se tivesse sido desenhado com régua.
Assim que o laço ficou preso, o espelho pareceu ganhar mais brilho. Não um brilho assustador, mas como quando acendes uma luz num quarto e tudo fica mais acolhedor.
— Muito bem — disse Dona Celeste, com os olhos brilhantes. — Está completo.
— E agora? — perguntou Miguel, ainda desconfiado. — O espelho dá doces?
— Quase — respondeu ela. — Dá… uma coisa melhor.
Capítulo 5 — O reflexo que faltava e a coragem emprestada
Dona Celeste aproximou-se do espelho do sótão e passou a mão pela moldura, como quem cumprimenta um velho amigo.
— Este espelho chamava-se, na minha cabeça, “Espelho das Lembranças Boas”. Quando eu era pequena, a minha mãe punha um laço aqui em cima na noite de Halloween para lembrar que, mesmo com sombras e histórias de arrepiar, a casa era um lugar seguro.
Tomás olhou para o laço cor de abóbora. De repente, a missão fazia sentido.
— Então… é uma tradição.
— Era. Eu parei quando fiquei mais velha e comecei a esquecer coisas. — Dona Celeste suspirou. — Este ano, prometi a mim mesma que voltava a fazer. Mas o laço estava guardado e eu… não queria subir sozinha. As escadas já não me perdoam como antigamente.
Miguel cruzou os braços, num exagero dramático.
— As escadas são inimigas de toda a gente. Eu, por exemplo, tenho um conflito antigo com escadas rolantes.
Tomás olhou para Dona Celeste e depois para Miguel. Sentiu uma pontada estranha, misto de orgulho e ternura, como quando se encontra uma moeda no bolso e dá para comprar um chocolate para dividir.
— Nós ajudamos — disse ele, simples. — Era só isso.
Dona Celeste sorriu.
— Era “só isso”, sim. Mas “só isso” é enorme.
O espelho refletiu os três: a senhora com o avental de morcegos, o detetive demasiado arrumado e o vampiro com medo de ketchup. E, por um momento, pareceu que o reflexo tinha um calor diferente — como se a imagem guardasse a cena para mais tarde.
Miguel aproximou-se do espelho e fez uma pose de vampiro elegante.
— Espelho, espelho meu… quem é o vampiro mais… — ele interrompeu-se e baixou a voz. — Ok, eu ia dizer “assustador”, mas eu sou mais “simpático”.
Tomás apontou com a lupa para o próprio reflexo, fingindo ser sério.
— Investigação concluída: o laço está no sítio certo. E ninguém foi atacado por bruxas de plástico.
Dona Celeste bateu palmas devagar.
— Agora, uma coisa. — Ela abriu uma caixa pequena com a etiqueta “coisas que me fizeram rir” e tirou dois saquinhos de doces. — Merecem isto. Mas atenção: não é suborno. É… agradecimento crocante.
Miguel pegou no saquinho como se fosse um troféu.
— Crocante é a minha língua do amor.
Tomás aceitou o dele, mas olhou de novo para o espelho.
— E… por que é que há outro espelho na sala?
Dona Celeste piscou um olho.
— Porque um espelho é para nos vermos. Dois espelhos são para nos lembrarmos. E às vezes… para nos fazer rir.
Miguel inclinou a cabeça.
— Isso soa a frase de alguém que tem um sótão muito filosófico.
— Talvez — disse ela. — Agora vão. Aproveitem a noite.
Os dois desceram as escadas com cuidado, já menos tensos. O susto tinha sido gentil, e o mistério tinha um coração quente no meio.
Capítulo 6 — Doces, risos e um último piscar no corredor
De volta à rua, a noite estava viva. Crianças fantasiadas corriam com sacos de doces, alguém tocava uma música engraçada numa coluna, e uma abóbora iluminada numa varanda parecia estar a contar uma piada silenciosa.
Miguel abriu o saquinho e cheirou.
— Cheira a caramelo… e a vitória.
Tomás, sempre organizado, colocou o saquinho na mochila.
— Primeiro, passamos pelas casas do quarteirão. Depois, voltamos para casa antes das nove. E não comemos tudo de uma vez.
Miguel olhou para ele como se ele tivesse dito “vamos respirar em ordem”.
— Tu és o único ser humano que consegue transformar doces em dever de casa.
— Eu chamo-lhe “estratégia” — respondeu Tomás, mas sorriu.
Fizeram “doce ou travessura” em várias portas. Numa, uma senhora vestida de múmia ofereceu pastilhas e disse, muito séria:
— “Não se assustem. Eu só estou… a desenrolar a vida.”
Noutra, um homem com chapéu de feiticeiro entregou chocolates e perguntou:
— “Quem aqui tem coragem?”
Miguel apontou para Tomás.
— Ele. Ele subiu a um sótão e deu um nó perfeito. Isso é coragem e matemática ao mesmo tempo.
Tomás corou, mas não discutiu. No fundo, sentia-se bem por ter aceitado ajuda e por ter ajudado também.
Quando passaram novamente pela casa da Dona Celeste, Tomás parou um instante. A janela da sala mostrava o espelho lá dentro, refletindo a luz de uma vela. E, embora ele soubesse que espelhos não fazem coisas sozinhos, teve a sensação de que o reflexo… os acompanhava com os olhos.
Miguel notou.
— Estás a ver fantasmas?
— Não — disse Tomás. — Só estou a… confirmar que está tudo bem.
— Isso é a definição de ser tu — respondeu Miguel. — “Confirmar que está tudo bem” devia ser o teu lema de super-herói.
Tomás riu, e os dois seguiram.
Mais tarde, já a caminho de casa, o vento trouxe um arrepio leve, daqueles que não assustam, só lembram que a noite é grande e bonita. Tomás pensou no laço no alto do espelho do sótão. Uma coisa tão pequena… e tão certa.
Ao entrarem no prédio, passaram pelo espelho do corredor, aquele onde os vizinhos verificavam se o cabelo estava em modo “normal” antes de sair.
Miguel parou e fez uma última pose de vampiro.
— Boa noite, espelho. Não me denuncies a ninguém.
Tomás, por impulso, ajustou o seu chapéu de detetive, alinhou a gola do sobretudo e olhou para o próprio reflexo. O espelho devolveu-lhe a imagem — organizada, sim, mas agora com um brilho diferente, como se a noite lhe tivesse acrescentado uma pequena desarrumação boa no peito.
E, ao lado do seu reflexo, viu o do Miguel a sorrir.
Tomás aproximou-se um pouco e sussurrou, como se contasse um segredo ao vidro:
— Missão cumprida.
O reflexo pareceu piscar-lhe o olho — ou talvez fosse só a luz do corredor a tremeluzir. Tomás decidiu que, naquela noite de Halloween, era permitido acreditar nas duas coisas.
E foram para casa, com doces na mochila, risos na garganta e um mistério doce guardado do outro lado do espelho.