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História louca e absurda 11 a 12 anos Leitura 12 min.

o guarda-chuva que sussurrava segredos

Sofia e suas amigas encontram um guarda-chuva falante que as leva a uma cidade mágica cheia de objetos perdidos e rabanetes espiões, onde precisam passar por desafios divertidos para voltar para casa. Juntas, elas formam o Clube das Aventuras Absurdas e descobrem que a amizade pode transformar qualquer experiência em uma grande aventura.

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Há 4 crianças: - Sofia: uma menina de 11 anos com cabelos castanhos e cacheados, vestindo uma camiseta amarela e um short de jeans. Ela está no centro, segurando um grande chapéu preto com padrões coloridos, seu rosto radiante de excitação. - Madalena: uma menina de 11 anos com cabelos loiros trançados, vestida com um vestido de flores. Ela está à esquerda de Sofia, rindo alto, com os braços levantados como se estivesse dançando. - Leonor: uma menina de 11 anos com cabelos ruivos e óculos redondos, vestida com um suéter azul. Ela está à direita de Sofia, fazendo uma careta engraçada, com as mãos na cintura. - Beatriz: uma menina de 11 anos com cabelos negros e lisos, vestindo uma camiseta listrada. Ela está um pouco atrás, apontando para um rabanete travesso que os observa, com um sorriso malicioso. O local é uma floresta encantada, onde as árvores têm raízes no ar e flores coloridas flutuam ao redor. O chão está coberto de musgo verde brilhante, e rabanetes com olhos redondos e curiosos se escondem atrás de folhas gigantes, observando as crianças com expressões divertidas. A situação principal mostra as quatro crianças rindo e dançando ao redor do chapéu mágico, enquanto uma brisa leve faz flutuar pétalas de flores ao seu redor. Os rabanetes, escondidos atrás das árvores, parecem prontos para se juntar à festa, acrescentando um toque de absurdo e magia à cena. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Guarda-chuva que Sussurra

Era uma manhã de quarta-feira que prometia ser como todas as outras no pacato bairro de Vila Cacto. Mas logo se percebeu que algo esquisitíssimo estava prestes a acontecer. Sofia, uma rapariga de onze anos, adorava passar pelo parque a caminho da escola, porque era ali que encontrava os objetos mais estranhos e esquecidos que alguém poderia imaginar. Havia sempre, inexplicavelmente, um novo chinelo, uma colher de pau semi-roída ou, certa vez, uma caixa de dentaduras de plástico.

Mas, naquela manhã, Sofia parou em frente a um guarda-chuva aberto e enterrado de ponta-cabeça na relva. O céu estava azulão, o sol brilhava sem vergonha e, mesmo assim, o guarda-chuva parecia ter sido deixado ali de propósito. Parecia chamar por ela. Aproximou-se, curiosa.

— Olá, posso saber quem te esqueceu aqui? — perguntou a Sofia, rindo consigo mesma.

Para seu espanto, o guarda-chuva respondeu, num sussurro rouco:

— Chiu! Não fales tão alto! Os rabanetes podem ouvir!

Sofia soltou uma gargalhada. Certamente estava a sonhar. Mas o guarda-chuva voltou a falar:

— Se me levas contigo, prometo uma aventura de deixar os cabelos em pé. Mas só se trouxeres mais três amigas.

Sofia, que nunca dizia não a uma boa brincadeira, apanhou o guarda-chuva e correu para encontrar as suas amigas: Madalena, Leonor e Beatriz.

Capítulo 2: O Clube das Aventuras Absurdas

No recreio, Sofia contou tudo às amigas entre risos, caretas e saltos de alegria.

— Um guarda-chuva falante? — exclamou Madalena, sempre a mais desconfiada. — E o que é que ele quer?

— Nem eu sei, mas ele falou de rabanetes espiões! — respondeu Sofia, sacudindo o objeto esquisito.

Leonor, que adorava coisas fora do comum, já estava convencida:

— Vamos! Se há rabanetes, deve haver coelhos gigantes também! Ou cenouras cantoras!

Beatriz, a mais imaginativa do grupo, sugeriu logo um nome para o clube:

— Somos oficialmente o Clube das Aventuras Absurdas! E a nossa primeira missão é descobrir para onde este guarda-chuva quer levar-nos.

O guarda-chuva pareceu vibrar de entusiasmo.

— Apertem bem os cintos... quer dizer, segurem bem nos cabos! — sussurrou ele, com voz misteriosa.

Assim que as quatro agarraram o guarda-chuva, uma ventania impossível levantou-as do chão e atirou-as, numa revoada de riso e espanto, por cima dos telhados, dos gatos e até das velhinhas que regavam as plantas. O mundo girava e girava, entre nuvens de algodão-doce e passarinhos que usavam óculos de sol.

Capítulo 3: A Cidade dos Objetos Perdidos

Quando aterraram (com uma aterragem que mais parecia um tropeção coletivo), deram por si numa cidade estranha, onde tudo era feito de coisas perdidas: meias desirmanadas, lápis mastigados, peúgas voadoras e patinhos de borracha que saltitavam pelas ruas. Um polícia gorducho, de chapéu feito de tampa de panela, aproximou-se a marchar, com grande cerimónia.

— Bem-vindas à Cidade dos Objetos Perdidos! — anunciou ele, com voz solene, mesmo enquanto tentava apanhar um avião de papel fugitivo. — Por aqui, tudo o que desaparece no vosso mundo, vem parar aqui!

As raparigas estavam boquiabertas. Madalena logo se lembrou de um brinco que perdera no verão anterior.

— Querem ver que está aqui também?

Ao longe, ouviram um grupo de rabanetes de fato e gravata, muito apressados, a cochichar e a olhar desconfiados para elas.

— Acho que são os espiões... — sussurrou Sofia, com ar conspirativo.

— E têm cara de quem não brinca em serviço! — acrescentou Leonor, tentando não rir dos bigodes postiços que alguns rabanetes usavam.

O polícia de tampa de panela piscou-lhes o olho.

— Cuidado com eles, meninas. Dizem que andam à procura de um guarda-chuva mágico que pode mudar tudo aqui...

O guarda-chuva sussurrou-lhes baixinho:

— Somos nós! Quer dizer, sou eu...

Capítulo 4: O Desafio das Meias e das Palavras

De repente, um megafone feito de funil anunciou:

— Atenção, atenção! Concurso de dança das meias solitárias vai começar! Quem vencer recebe o Passe Dourado para atravessar a cidade sem ser interrogado pelos rabanetes!

As raparigas trocaram olhares cúmplices. Era a oportunidade perfeita para fugir à atenção dos rabanetes. Formaram um grupo, cada uma calçando uma meia diferente (afinal, não havia pares na cidade) e lançaram-se para a pista de dança, onde as meias pulavam, rodopiavam e até faziam piruetas no ar!

Madalena, com uma meia azul de bolinhas, inventou um passo chamado “o salta-canguru desajeitado”. Leonor, com uma meia cor-de-laranja fluorescente, girava como um pião. Beatriz e Sofia, por sua vez, fizeram uma coreografia hilária chamada “o polvo desorientado”.

O público delirava! Até os rabanetes dançavam, meio contrariados, meio entusiasmados. No final, as raparigas venceram o concurso, com direito a medalhas feitas de tampas de iogurte e um Passe Dourado reluzente.

— Temos de atravessar rapidamente, antes que os rabanetes mudem de ideias! — exclamou Beatriz, já puxando as amigas para a próxima etapa.

Capítulo 5: O Enigma da Ponte dos Sorrisos

Para sair da cidade, era preciso atravessar a Ponte dos Sorrisos, uma ponte feita de escovas de dentes e ganchos de cabelo, que só se abria perante uma piada realmente boa.

Diante da ponte, um boneco de neve de cartão, com voz de apresentador de televisão, anunciou:

— Quem quiser passar, tem de contar a piada mais disparatada e fazer-me rir até a barriga me doer!

As quatro hesitaram. Qual seria a piada ideal? Madalena tentou com:

— Qual é o animal mais esquecido? O rinoceronte, porque tem “rino” no nome e nunca se lembra onde pôs o “ceronte”!

O boneco sorriu, mas não abriu a ponte.

Leonor arriscou:

— Por que é que a banana foi ao médico? Porque não estava a descascar bem!

Beatriz tentou em seguida:

— O que diz uma panela para outra? — Estou a ferver de curiosidade!

Mas só quando Sofia, com um brilho nos olhos, declarou:

— Por que é que o lápis foi à aula de música? Para aprender a fazer notas!

O boneco de neve de cartão desatou a rir, tão forte que quase se desmontava.

— Ahahah! Podem passar! Mas cuidado: não deixem cair o Passe Dourado, senão a ponte transforma-se num escorrega gigante!

As raparigas atravessaram a ponte, equilibrando-se como malabaristas em circo, e por pouco não caíram quando uma escova de dentes começou a cantar ópera.

Capítulo 6: O Esconderijo dos Rabanetes Espiões

Do outro lado da ponte, entraram numa floresta onde tudo crescia ao contrário: árvores com raízes nos galhos, flores que voavam e, claro, rabanetes que espreitavam atrás de cada folha.

Subitamente, o chão abriu-se debaixo dos pés das quatro amigas e caíram (de novo!) para dentro de uma sala cheia de mapas desenhados em papel higiénico, binóculos feitos de rolos de fita-cola e um computador gigante com teclas de gelatina. Era o quartel-general dos rabanetes espiões!

— Apanhamo-las! — exclamou o chefe dos rabanetes, torcendo o bigode postiço. — Agora vão dizer-nos o segredo do guarda-chuva mágico!

As raparigas olharam umas para as outras e resolveram ser mais loucas do que nunca.

Sofia falou primeiro:

— O segredo é... dançarem a valsa dos polvos às avessas!

Leonor acrescentou:

— E depois, têm de cantar o hino das meias perdidas!

Beatriz completou:

— Só assim o guarda-chuva revela a sua magia especial!

Os rabanetes, que nunca tinham ouvido nada tão disparatado, começaram a tentar: dançaram, cantaram, tropeçaram uns nos outros e acabaram todos enrolados numa corda gigante feita de linguados de sapateira (não perguntem como...).

Aproveitando a confusão, as quatro escaparam sorrateiramente, rindo até às lágrimas.

Capítulo 7: O Regresso Surpreendente

Quando finalmente acharam que estavam perdidas para sempre naquele mundo absurdo, o guarda-chuva sussurrou-lhes:

— Fechem os olhos e pensem no sítio onde gostariam de estar agora.

As quatro fecharam os olhos. Cada uma imaginou a sua sala, o cheiro do pequeno-almoço, o som dos pais, o toque do despertador. Num instante, sentiram um rodopio de vento, e abriram os olhos...

... estavam novamente no parque, com o guarda-chuva pousado aos pés delas.

Leonor olhou em volta, desconfiada:

— Foi tudo um sonho? Ou temos mesmo medalhas de tampas de iogurte e meias desirmanadas nos sapatos?

Beatriz apontou para as sapatilhas: lá estavam as meias, cada uma diferente.

— Acho que foi real! — exclamou, rindo.

Madalena ergueu a medalha e gritou:

— Viva ao Clube das Aventuras Absurdas!

Naquele momento, uma senhora idosa aproximou-se:

— Meninas, por acaso viram o meu guarda-chuva? Tinha um sussurro esquisito...

As quatro entreolharam-se, sorriram e levantaram o guarda-chuva, que piscou um olho só para elas.

Capítulo 8: Celebração e Promessa de Novas Aventuras

Ao regressarem a casa, as quatro amigas não conseguiam parar de rir com tudo o que tinha acontecido.

— Aposto que até os rabanetes, agora, acham que somos completamente malucas! — disse Sofia, tentando imitar o bigode postiço do chefe dos espiões.

— E eu espero que sim! — respondeu Madalena. — Ser normal é aborrecido.

Na tarde seguinte, encontraram-se de novo no parque, onde enterraram uma caixa cheia de objetos improváveis: a meia azul, a medalha de tampa de iogurte, um pedaço de papel higiénico com um mapa e, claro, uma foto delas com o guarda-chuva mágico.

Leonor, com um sorriso malandro, declarou:

— Se um dia a realidade ficar demasiado monótona, sabemos exatamente onde procurar por mais uma aventura absurda.

Beatriz acrescentou:

— Ou talvez ela venha ter connosco, a qualquer momento. Afinal, já sabemos que por aqui tudo é possível!

E assim, debaixo do céu azul, no parque onde começa tudo o que é estranho, as quatro raparigas celebraram a sua amizade e as suas travessuras, prontas para o próximo capítulo do Clube das Aventuras Absurdas. Porque, afinal, o mundo pode ser muito mais divertido quando se olha para ele de pernas para o ar.

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Que é muito estranha ou absurda.
Quartel-general
Sede ou lugar onde se coordenam as atividades de um grupo.
Apresentador
Pessoa que apresenta um programa ou evento.
Tampa
Cobertura de um recipiente, como uma panela ou garrafa.
Enrolados
Que estão presos ou emaranhados uns nos outros.

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