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História louca e absurda 11 a 12 anos Leitura 13 min. Disponível em história em áudio

gustavo e o mistério do queijo falante

Gustavo descobre que o queijo do seu pequeno-almoço ganhou vida e, juntos, embarcam numa aventura mágica para encontrar a Espátula Esvoaçante e resolver um dilema no supermercado FantastiCoisas, onde objetos absurdos se reúnem para decidir o futuro de suas excentricidades.

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Um garoto de 12 anos, com cabelos castanhos bagunçados e um sorriso travesso, está no centro do palco, com os olhos arregalados de surpresa e excitação. Ele usa uma camiseta listrada e um short de jeans, segurando uma espátula voadora em uma mão, enquanto a outra mão está levantada, como se estivesse pronto para pegar algo. Ao lado dele, um queijo em forma de rosto sorridente, com olhos redondos e uma boca alegre, desliza em um prato, preso a uma pequena colher de prata. O queijo parece preocupado, mas divertido, com uma expressão de camaradagem em relação ao garoto. Ao fundo, vê-se um supermercado fantástico, com prateleiras coloridas cheias de produtos estranhos: frutas que cantam, legumes que dançam e latas que se movem. As luzes brilham e guirlandas coloridas decoram o teto. A cena principal mostra o garoto e o queijo em plena aventura, tentando pegar a espátula flutuante que voa ao redor deles, enquanto objetos mágicos os observam com curiosidade. A atmosfera é alegre e cheia de magia, com risadas e cores vibrantes. reportar um problema com esta imagem

A versão de áudio está disponível gratuitamente para esta história:

Duração da história em áudio: 13:15

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Capítulo 1: Um Pequeno Problema de Pão com Queijo

Era um dia perfeitamente comum para Gustavo. Ou, ao menos, era o que ele pensava quando acordou, coçou os olhos e tropeçou no par de chinelos do avô, que estavam misteriosamente embaixo da sua cama. Gustavo, 11 anos, um miúdo de cabelo despenteado e riso fácil, não esperava nada de extraordinário naquele sábado, até porque a maior aventura era decidir se o pequeno-almoço seria pão com queijo ou torrada com mel.

Mas, ao entrar na cozinha, Gustavo deparou-se com a primeira coisa estranha do dia: a torradeira estava a fazer… música! Isso mesmo. Em vez dos “cliques” e “pops” normais, a torradeira soltava uma melodia animada, quase como se tentasse animar o ambiente às oito da manhã. Gustavo aproximou-se, curioso, e, de repente, a torrada saltou, rodopiou no ar e caiu direitinha no prato. E nisso, ouviu-se uma vozinha fina:

— Cuidado com o queijo saltitante!

Gustavo olhou em volta. Quem tinha falado? A mãe estava de costas a cortar fruta e o pai lia o jornal de pernas cruzadas. Mas, ao fitar o prato, percebeu que o queijo derretido da torrada mexia-se! Uns olhinhos e uma boca sorridente tinham-se formado entre as fatias.

— Não fiques aí a olhar! Ajuda-me, que estou a escorregar! — disse o queijo, deslizando perigosamente para fora do pão.

Gustavo arregalou os olhos e, num salto, salvou a fatia de queijo antes que ela fizesse uma queda dramática no chão.

— Muito obrigado! — disse o queijo, piscando-lhe o olho. — Agora, podemos conversar.

Gustavo sentou-se, intrigado. Era impossível, mas estava a acontecer. E foi aí que o queijo revelou o mistério: tinha sido atingido por um raio de magia absurda na noite passada, lançado por um duende desastrado que morava no bairro.

Capítulo 2: A Fuga do Queijo Falante

Gustavo percebeu que aquele dia não seria normal. Mais ainda quando o queijo lhe explicou:

— Preciso da tua ajuda para voltar ao normal. Se eu for comido enquanto estou mágico, podes acabar com um nariz roxo e falar só em rimas durante uma semana!

A ideia de falar só em rimas assustou Gustavo. Ele decidiu ajudar o queijo. Mas, primeiro, precisavam de sair da casa sem levantar suspeitas. Afinal, quem acreditaria que ele falava com queijo?

Escondendo o queijo falante dentro de um guardanapo e simulando que ia deitar o lixo, Gustavo escapou de casa. Lá fora, sentaram-se num banco do jardim. O queijo explicou-lhe que existiam objetos mágicos absurdos espalhados pela cidade, e que só um deles poderia curar a magia: o “Espátula Esvoaçante”, uma espátula de cozinha que voava e contava piadas secas.

— Onde podemos encontrar essa espátula? — perguntou Gustavo, já meio habituado à ideia de conversar com produtos lácteos.

— Dizem que está no supermercado FantastiCoisas, no corredor dos produtos impossíveis, logo ao lado das cenouras que tocam violino.

Para chegar lá, teriam de atravessar o parque, passar pela casa do senhor Pimenta (um vizinho que só vestia roupa cor-de-rosa e tinha um cachorro chamado “Salsicha”) e evitar ser apanhados pelos Gansos do Lago, conhecidos por roubarem sandes dos incautos.

Capítulo 3: Gansos Patetas e as Cenouras Músicas

Já a caminho, Gustavo e o queijo falante começaram a sentir-se observados. De trás do arbusto, um bando de gansos de olhar suspeito espreitava-os. O líder dos gansos, um de penas especialmente despenteadas, caminhou em direção a eles com um passo decidido.

— O que trazem aí? — grasnou o ganso, olhando de lado para o guardanapo.

Gustavo tentou disfarçar, mas o queijo, nervoso, soltou um guincho “derretido”.

— Só um lanche. Nada de especial — respondeu Gustavo, mas o ganso não parecia convencido.

— Sabemos distinguir queijo normal de queijo mágico. Entreguem-no ou terão de dançar a “macarena dos gansos”!

Gustavo olhou em volta. A última coisa que queria era dançar em público, ainda para mais com gansos. Mas lembrou-se de que levava um pacote de bolachas no bolso. Ofereceu-o aos gansos, que logo se distraíram, deixando o caminho livre.

— Boa jogada! — agradeceu o queijo, ainda um pouco trémulo.

Por fim, chegaram ao supermercado FantastiCoisas. Lá dentro, o universo era ainda mais estranho: os carrinhos de compras tinham rodas quadradas e andavam de marcha-atrás, as etiquetas dos produtos cantavam óperas e, no corredor das cenouras, havia mesmo uma pequena orquestra vegetal.

— Espátula Esvoaçante, onde estará? — murmurou Gustavo, enquanto se desviava de um pacote de arroz que dançava o samba.

— Procurem no topo da prateleira! — sugeriu uma cenoura com bigode.

Gustavo trepou até lá acima, e, de repente, ouviu um zumbido. Uma espátula prateada, com asas de borboleta e óculos de sol, voava de um lado para o outro, contando piadas.

— O que é vermelho e mau para os dentes? — perguntava a espátula a uma lata de feijão.

— Não sei — respondeu o feijão, desconfiado.

— Um tijolo!

A lata revirou os olhos (literalmente). Gustavo, animado, esticou-se para apanhar a espátula, mas ela fugiu.

— Para me apanhares, tens de responder a uma charada absurda! — disse a espátula, voando para perto do teto.

Capítulo 4: A Charada da Espátula Esvoaçante

Gustavo olhou para o queijo, à espera de apoio.

— Vai, tu consegues! — encorajou o queijo. — Afinal, ninguém conhece as piadas secas como tu!

A espátula disse, com voz de apresentadora de televisão:

— O que é que tem seis pernas, anda de patins e gosta de gelado de sardinha?

Gustavo pensou. Pensou mais ainda. O queijo suava (o que era estranho, porque já era derretido por natureza).

— Um polvo patinador? — arriscou Gustavo.

A espátula riu-se tanto que quase largou as asas.

— Quase! Mas não, a resposta certa é “O teu tio Alfredo em dia de férias!” — gargalhou ela. — Mas como fizeste uma boa tentativa, vou deixar-te apanhar-me.

Com um giro acrobático, a espátula pousou diretamente nas mãos de Gustavo, que sorriu, triunfante.

— Agora, presta atenção, para usar os meus poderes tens de girar três vezes sobre ti próprio, cantar o hino das batatas fritas e fazer cócegas ao queijo — explicou a espátula, muito séria (ou o mais séria que uma espátula com óculos de sol pode ser).

Gustavo obedeceu. Girou três vezes, tropeçou num saco de massa, cantou o hino das batatas fritas (“Crocante, crocante, batata gigante!”), e fez cócegas no queijo, que se riu até quase se desmanchar.

Um brilho mágico encheu o corredor e, de repente, o queijo voltou ao normal. Já não falava nem tinha olhos. Era só… queijo.

— Conseguimos! — exclamou Gustavo, mas sentiu um vazio. Afinal, começava a gostar do amigo de pequeno-almoço falante.

Capítulo 5: O Encontro dos Objetos Absurdos

Enquanto Gustavo se preparava para sair, ouviu um choro baixinho.

— Não vás já, Gustavo — pediu a espátula esvoaçante, pousando-lhe no ombro.

— Porquê?

— Porque tu és o escolhido! O único capaz de nos ouvir e ajudar. Aqui no supermercado, todos os objetos mágicos têm problemas que precisam de um humano destemido e com imaginação.

— Mas eu só queria um pequeno-almoço tranquilo! — brincou Gustavo.

A espátula explicou-lhe que havia uma reunião urgente da Associação dos Objetos Absurdos e que precisavam dele para decidir o futuro do supermercado.

No centro do supermercado, cercados de frutas que falavam em línguas inventadas, rolhas de garrafas acrobatas e panelas que faziam beatbox, Gustavo sentou-se numa cadeira de rodas… que andava para trás.

— Gustavo, precisamos de ti para resolver uma questão — declarou o presidente da Associação, que era um relógio de pulso gigante com chapéu de palha. — A secção dos Legumes Cantores quer organizar um festival de música, mas os Laticínios Falantes querem uma prova de stand-up comedy. Só tu podes decidir qual será o evento principal.

Gustavo pensou, sentindo o peso da responsabilidade mais absurda de sempre. Os legumes afinavam instrumentos, o leite fazia ensaios de piadas. Ele não queria desiludir nenhum dos dois grupos.

— E se misturássemos as duas ideias? — sugeriu, depois de um instante. — Um espetáculo de música e comédia! Cada legume apresenta uma música e cada laticínio conta uma piada entre as canções!

O entusiasmo foi geral. A cenoura de bigode começou a improvisar uma rapsódia, enquanto o iogurte morango contava piadas sobre vacas malucas.

Capítulo 6: O Festival Mais Louco do Mundo

Naquela mesma tarde, Gustavo foi nomeado apresentador do festival. Tinha direito a um microfone em forma de colher e uns óculos de sol emprestados pela espátula esvoaçante.

O festival foi um enorme sucesso. As batatas faziam solos de guitarra elétrica com palitos, as cebolas choravam de emoção (e faziam todos chorar também), enquanto o queijo derretido, agora em paz, era o assistente de palco.

Gustavo anunciou os números com entusiasmo:

— Agora, a couve-flor trapezista!

— Segue-se o stand-up do leite fresco!

O público ria, dançava e até o senhor Pimenta apareceu, vestido de cor-de-rosa dos pés à cabeça, batendo palmas com o cachorro Salsicha.

A certa altura, os gansos do lago invadiram o palco, exigindo uma oportunidade de mostrar o seu talento. Fizeram uma dança sincronizada de… sapateado com penas. Toda a gente aplaudiu. No final, Gustavo foi aplaudido de pé e recebeu, como prémio, um troféu feito de pão e chocolate, decorado com confetis mágicos.

Capítulo 7: O Regresso a Casa e a Surpresa Final

Depois de tanta animação absurda, Gustavo despediu-se dos novos amigos mágicos e voltou para casa. Era noite já, e sentia-se cansado mas muito feliz. E pensativo — afinal, vivia num mundo onde os objetos podiam ganhar vida e onde, com imaginação, até o mais normal dos miúdos podia ser um herói.

Ao chegar, percebeu que a família nem tinha dado pela sua ausência tão longa. A mãe olhou para ele, desconfiada:

— Onde estiveste este tempo todo, Gustavo?

Ele sorriu, pensando se devia contar a verdade. Optou por uma resposta segura:

— Fui só ao supermercado… mas estava muito animado hoje!

No seu quarto, encontrou uma pequena caixa embrulhada. No topo, um bilhete:

“Para o nosso herói absurdo. Com amizade, todos os teus amigos mágicos.”

Dentro da caixa estava… uma esferográfica que escrevia piadas cada vez que alguém tentava fazer os deveres de casa. Gustavo soltou uma gargalhada e percebeu que, a partir daquele dia, nada seria aborrecido outra vez.

Terminou a noite a escrever no diário:

“Hoje, ajudei um queijo falante, negociei com gansos ladrões e inventei o festival mais louco do mundo. O melhor de tudo? Amanhã é só o começo.”

E, quem sabe, talvez a torradeira voltasse a cantar logo de manhã.

Fim.

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Zumbido
Um som contínuo e monótono, como o que um inseto faz ao voar.
Torradeira
Um aparelho elétrico usado para torrar pão, tornando-o crocante e quente.
Desastrado
Alguém que comete erros com frequência ou que é desajeitado em suas ações.
Esvoaçante
Algo que voa ou se move rapidamente pelo ar, como se estivesse flutuando.

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