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História divertida com um animal 9 a 10 anos Leitura 14 min.

O grande trambolhuf: a palavra que fez o vale rir

Mimosa, a marmota meticulosa, inventa a palavra "Trambolhuf" e, com o esquilo Pompom, espalha-a pelo vale, provocando risos, pequenas confusões e encontros inesperados entre os animais.

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Mimosa, a marmota, está ao centro feliz e orgulhosa, sorriso largo, pelagem castanha macia, segurando um pequeno troféu de madeira coberto de pólen; Pompom, o esquilo, ao lado, empolgado, cauda laranja farta, salto, coroa de folhas torta estendendo as patas para Mimosa; a raposa fotógrafa sentada atrás com pelo ruivo e câmera de casca apontada; Grinalda, a rã, flutuando num pequeno lago com chapéu de vitória-régia e batendo palmas fazendo respingos; a coruja bibliotecária empoleirada numa rama acima, penas cinzentas e óculos, observando; cena numa clareira noturna com troncos como palco, lâmpadas de vaga-lumes, lanternas quentes e céu estrelado; cerimônia pequena e divertida com confetes de pólen e farinha, animais rindo e aplaudindo. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A Marmota Minuciosa e o Som do Nada

Mimosa, a marmota mais meticulosa do Vale das Folhas Enroladas, acordou com o nariz a farejar poeira de pinheiro e a cabeça a contar coisas. Contava pedrinhas na entrada da toca (dezassete), contava os fios de relva que lhe faziam cócegas na orelha (três, teimosos), e contava até as nuvens, só para ver se alguma tentava fugir.

Naquela manhã, porém, havia um problema grave: Mimosa tinha uma ideia a saltitar-lhe na língua, mas faltava-lhe uma palavra. Uma palavra nova, redondinha, tão divertida que desse vontade de rir só de a dizer.

Ela endireitou os bigodes, pegou num graveto como se fosse uma caneta importante e escreveu no pó: “PALAVRA RIGOLA”.

“Preciso de um som que faça cócegas,” murmurou.

Nesse momento apareceu Pompom, o esquilo fiel, com olhos brilhantes e um ar de quem se tinha perdido… no próprio rabo.

“Mimosa! Eu trouxe-te… ah… trouxe-te isto!” Ele estendeu uma bolota tão pequena que parecia uma vírgula.

“Obrigada, Pompom,” disse Mimosa, colocando a bolota numa pilha organizada por tamanho, brilho e… simpatia. “Preciso da tua ajuda. Vou inventar uma palavra nova.”

Pompom arregalou os olhos. “Uma palavra? Como… ‘bolota'? Isso já existe!”

“Uma palavra que não existe. Ainda.” Mimosa respirou fundo, como quem prepara um truque de magia. “Tem de ser engraçada. Tem de parecer que tropeça e cai de barriga no chão.”

Pompom tentou ajudar imediatamente, como sempre. “E se for… ‘plim'?”

Mimosa torceu o focinho. “Muito curtinha. Parece espirro de passarinho.”

“Então… ‘plim-plom-plum'!”

“Agora parece uma panela a cair das escadas,” disse Mimosa, mas os olhos dela começaram a brilhar. “Hum… isso não é mau.”

Pompom deu uma cambalhota, satisfeito, e aterrou de lado. “Eu sou bom nisto!”

Mimosa fez uma lista de sons: plof, trum, tlim, puf. Depois parou. Um mosquito zumbiu perto da sua orelha e ela tentou afugentá-lo com um abanão tão preciso que parecia uma dança.

“Já sei,” disse, de repente. “A palavra vai ser… ‘TRAMBOLHUF'!”

“Tram… bolh… uf?” Pompom repetiu, com a língua a fazer curvas. “Isso soa a alguém a carregar uma melancia e a escorregar numa casca de banana!”

“Exatamente!” Mimosa bateu palmas, orgulhosa. “Trambolhuf. É perfeita. Agora temos de a testar no mundo.”

E assim, com a palavra nova a saltar-lhes no bolso como um grilo, os dois amigos partiram pelo vale, prontos para espalhar o Trambolhuf por todo o lado.

Capítulo 2: Testes Científicos (Quase) Sérios

O primeiro sítio onde foram foi ao Lago Espelhado, onde uma rã chamada Grinalda ensaiava croc-crocs como se estivesse a dar um concerto.

“Mimosa! Pompom! Querem ouvir o meu solo de croc em dó molhado?” perguntou Grinalda, inflando as bochechas como balões verdes.

“Depois,” disse Mimosa, abrindo o caderno de gravetos imaginário. “Estamos a testar uma palavra nova.”

“Uma palavra?” Grinalda ficou tão curiosa que quase se desinflou. “Diz lá!”

Mimosa pôs-se direita, com pose de professora. “TRAMBOLHUF.”

Grinalda piscou. “Isso… é um tipo de insecto?”

“Não,” disse Pompom, muito sério, embora estivesse a sorrir por dentro. “É… é quando a tua cara quer rir e os pés querem dançar e tudo sai ao mesmo tempo.”

Grinalda tentou repetir: “Tram-bolhuf.” E, sem querer, deu um salto tão forte que caiu dentro do lago com um PLÓF enorme.

Os patos, que passavam por ali em fila, olharam e começaram a rir em quacks abafados.

Mimosa apontou com o graveto. “Perfeito! Trambolhuf provoca mergulhos inesperados.”

Grinalda emergiu com uma folha de nenúfar na cabeça, como um chapéu. “Eu gostei! Posso usar quando eu cair de novo. Quer dizer… se eu cair de novo.”

“Vai cair,” disse Pompom, com uma convicção inocente. “É a ciência.”

Depois foram ao Prado dos Caracóis, onde o caracol Brilhozito polia a sua concha com tanta calma que parecia que o tempo tinha adormecido.

“Bom dia,” disse Mimosa, com cuidado para não assustar a lentidão. “Temos uma palavra nova.”

Brilhozito levantou uma antena. “Leva muito tempo a dizer?”

“Não, é rápida e tropeçante: TRAMBOLHUF!”

Brilhozito tentou, mas como falava devagar, saiu assim: “Traaaam… boooool… huuuuf.”

Ao dizer “huuuf”, soltou um suspiro tão forte que levantou pólen e fez cócegas no nariz de Pompom.

Pompom espirrou. “ATCHIMBOLHUF!”

Mimosa ficou imóvel, como quem viu um arco-íris a cair do céu. “Oh! Um derivado! Isto está a crescer!”

O vento levou o “atchimbolhuf” pelo prado, e uma abelha que passava achou que era uma flor nova e foi investigar… indo parar ao chapéu de nenúfar da rã Grinalda, que tinha vindo atrás deles por pura curiosidade.

Grinalda, com a abelha no chapéu, começou a correr em círculos sobre a água. Os patos aplaudiram com as asas.

Mimosa anotou mentalmente: “Trambolhuf também causa confusão alegre em cadeia.”

Pompom, muito orgulhoso, perguntou: “Então já podemos ganhar alguma coisa por isto?”

“Primeiro temos de espalhar a palavra até ficar famosa,” disse Mimosa. “E depois… talvez haja um prémio.”

A palavra “prémio” fez Pompom imaginar uma montanha de bolotas douradas. Ele salivou um bocadinho, sem dar conta.

Capítulo 3: A Festa do Eco e o Grande Mal-entendido

No coração do vale havia uma gruta com uma acústica fantástica: a Gruta do Eco Saltitante. Ali, os animais iam para ouvir as suas próprias vozes voltarem com uma pequena gargalhada, como se a gruta tivesse cócegas.

Mimosa decidiu que era o lugar ideal para lançar o Trambolhuf ao mundo. Juntaram-se ali uma coruja bibliotecária, um texugo cozinheiro com avental cheio de farinha, uma raposa fotógrafa com uma câmara feita de casca de árvore e até um ouriço que trazia uma almofada às costas “para emergências de sentar”.

Mimosa subiu a uma pedra plana, alinhou as patas da frente com precisão e anunciou:

“Animais do Vale! Trago-vos uma palavra nova, inventada com cuidado, alegria e… uma bolota de inspiração. A palavra é: TRAMBOLHUF!”

O eco respondeu, muito animado: “Trambolhuf! Bolhuf! Huf!”

Os animais riram só por ouvir o som. O texugo, que tinha vindo com uma travessa de bolinhos de mel, riu tanto que deixou cair um bolinho. O bolinho rolou, bateu numa pedra, e fez “tum”.

O eco resolveu ajudar: “Tum-bolhuf!”

A raposa fotógrafa achou aquilo perfeito e tirou uma fotografia no momento exato em que o bolinho ainda estava no ar, como se fosse um pequeno planeta.

Pompom, entusiasmado, quis demonstrar o uso correto da palavra e proclamou: “Quando eu… eu… eu faço um TRAMBOLHUF!”

E fez, de facto: tentou dar um salto elegante, mas a cauda decidiu ir primeiro. Ele rodopiou, acertou de leve numa pilha de folhas secas e levantou uma nuvem que parecia uma barba gigante a crescer do chão.

A coruja bibliotecária tossiu com delicadeza. “Hum-hum. Muito… expressivo.”

Só que o ouriço, que estava sentado na almofada, ouviu mal por causa da tosse e pensou que Mimosa tinha dito “Trambolhuf” como se fosse “Trambolho-FU”, o nome de um golpe de artes marciais.

“Ah!” gritou o ouriço, de repente heróico. “Então é um golpe secreto! Eu também sei!” E lançou-se para a frente com tanta vontade que… tropeçou na própria almofada.

A almofada voou, o ouriço rolou (com cuidado, porque picos são picos), e foi parar aos pés do texugo, que se assustou e atirou farinha para o ar como se fosse neve.

Em segundos, a gruta transformou-se numa tempestade branca. O eco, feliz, começou a repetir: “Huf! Huf! Huf!”

Mimosa tentou manter a ordem, mas acabou com um bigode coberto de farinha, parecendo um velhote respeitável e muito confuso. Pompom ria tanto que não conseguia respirar direito.

No meio daquela confusão alegre, a raposa fotógrafa disparava fotos sem parar. “Isto vai ficar histórico!”

Mimosa percebeu, então, que a palavra tinha feito o que devia fazer: tinha soltado o jogo escondido em cada animal, como uma mola.

Quando a poeira assentou, a coruja bibliotecária levantou uma asa. “Proponho que isto… seja celebrado oficialmente. Com uma cerimónia. E prémios.”

Pompom ficou tão quieto que até a cauda parou. “Prémios?”

“Sim,” disse a coruja, ajustando uns óculos feitos de gota de resina. “Prémios farfelos.”

Mimosa sorriu, com farinha a cair-lhe do nariz como neve. “Então o Trambolhuf merece uma gala.”

Capítulo 4: A Gala dos Prémios Trambolhuf

Na noite seguinte, o vale inteiro parecia estar a preparar um aniversário do próprio riso. Lanternas de pirilampo foram penduradas em ramos, folhas brilhantes serviram de toalhas de mesa, e um palco foi montado com troncos bem alinhados (Mimosa insistiu em alinhar tudo ao milímetro, o que demorou mais, mas ficou lindo).

Pompom ficou responsável pelos convites. Fez um por animal, mas como era um pouco distraído, entregou alguns convites a uma pedra, a um arbusto e a um cogumelo. Mesmo assim, a plateia encheu—porque no Vale, a notícia corria mais rápido do que um coelho em dia de vento.

A coruja bibliotecária foi a apresentadora. Subiu ao palco com um microfone feito de cana e anunciou:

“Bem-vindos aos Primeiros Prémios Trambolhuf, onde a regra número um é: ninguém precisa de fazer sentido!”

A plateia aplaudiu. Um pato tentou assobiar e fez um som de chaleira.

A coruja continuou: “Primeiro prémio: Melhor Queda Sem Mágoa!”

O vencedor foi o ouriço, por ter tropeçado na própria almofada com tanta dignidade que parecia uma bola de lã espinhosa a dançar. Ele recebeu uma fita de erva com um sino minúsculo preso. O sino tocava “tlim” sempre que ele respirava.

Segundo prémio: “Riso Mais Contagioso.”

O texugo ganhou, porque a sua gargalhada fazia as folhas tremerem e os bolinhos de mel parecerem mais doces. Recebeu uma colher de pau com um bigode desenhado.

Terceiro prémio: “Melhor Uso Acidental de Farinha.”

A vencedora foi… a própria farinha, segundo a raposa fotógrafa, que mostrou uma fotografia onde a nuvem parecia um dragão a fazer cócegas na gruta. A plateia riu tanto que ninguém contestou.

Então chegou o momento mais esperado. A coruja abriu um envelope feito de pétala seca.

“E o prémio especial… Inventora do Ano e Guardiã Oficial do Jogo… vai para Mimosa, a marmota minuciosa!”

Mimosa subiu ao palco, com Pompom ao lado, que carregava o troféu: uma bolota de madeira pintada com purpurina de pólen. Em cima, estava gravada a palavra “TRAMBOLHUF” com letras tortas (porque a raposa insistiu que torto era mais divertido).

Mimosa limpou a garganta. Queria fazer um discurso perfeito, com três partes e duas vírgulas bem colocadas… mas viu a plateia a sorrir, os pirilampos a piscarem como se estivessem a rir, e Pompom a olhar para ela como quem espera uma bolota cair do céu.

Ela decidiu não complicar.

“Obrigada,” disse. “Eu adoro organizar. Mas hoje percebi que o melhor é quando a alegria desorganiza um bocadinho… só o suficiente para nos fazer rir.”

O eco das árvores, lá fora, pareceu responder baixinho: “...bolhuf.”

A coruja anunciou o último prémio, surpresa: “Prémio Amigo Fiel (Mas Um Bocadinho Naïf).”

Pompom levou um susto. “Na… o quê?”

“Quer dizer… maravilhoso,” explicou a coruja, com um sorriso.

Pompom ganhou uma coroa feita de folhas em forma de bolota e um certificado que dizia: “Especialista em Atchimbolhuf.”

Ele colocou a coroa torta, claro. Toda a gente aplaudiu mais ainda por isso.

No fim, dançaram ao som do croc-concerto da rã Grinalda, que agora incluía um refrão obrigatório: “Trambolhuf! Trambolhuf!”

Mimosa e Pompom olharam para o vale iluminado, cheio de risos a saltarem de ramo em ramo, e a palavra nova parecia viver ali, a brincar com todos.

E, quando a noite terminou, Mimosa guardou o troféu na toca—bem alinhado, claro—mas deixou a porta aberta, para o caso de o Trambolhuf querer entrar e sair quando lhe apetecesse.

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Marmota
Um animal parecido com um rato grande que vive em tocas e campos.
Meticulosa
Que presta muita atenção a cada pequena parte do trabalho.
Acústica
Como o som se comporta num lugar, se é claro ou abafado.
Derivado
Algo que vem de outra coisa ou que nasceu a partir dela.
Convicção
Uma ideia ou sentimento muito forte que alguém acredita ser verdade.
Cerimónia
Uma festa ou ato formal para celebrar algo importante.
Histórico
Que tem importância para a memória ou para a história de um lugar.
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Comportar-se com honra e respeito, mesmo em situações difíceis.
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