Capítulo 1 – O plano atrapalhado de Galo Gastão
No galinheiro mais animado do Vale do Pó-de-Palha, Galo Gastão acordou com uma ideia brilhante. Quer dizer… brilhante para alguém tão distraído quanto ele. Entre um pio e outro, ele tropeçou num punhado de milho e exclamou:
— Hoje vou inventar o Despertador de Plumas Automático! Todos vão acordar na hora, até a Dona Maricota, que vive dormindo nas nuvens!
Gastão rabiscou um plano enrolado num pedaço de casca de ovo. Tinha molas, penas, uma buzina de bicicleta, duas colheres e um elástico enorme. Sabia que precisava de ajuda, e ninguém melhor do que seu vizinho, o Pato Evaristo, famoso por sempre errar o alvo, seja ao jogar milho, seja ao cantar.
Gastão bateu com a asa no portão do lago de Evaristo, que já veio correndo, batendo as patas e quase caindo de costado.
— Galo Gastão! Já de pé com ideias malucas? Conta, que eu tô pronto!
Com um sorriso torto, Gastão explicou o plano. Evaristo arregalou os olhos e, antes que Gastão terminasse, já estava segurando o elástico (pela ponta errada), pronto para começar a construção mais atrapalhada do bairro.
Capítulo 2 – As peças voadoras
Gastão e Evaristo reuniram tudo o que encontraram nos galinheiros e quintais: cataventos, penas perdidas, uma velha meia do Sapo Sabino, fitas de presente, três botões brilhantes e até um sino minúsculo.
O entusiasmo era tanto que, a cada peça encaixada, outra caía. Quando Gastão tentava prender o elástico, Evaristo puxava do lado oposto e — CATAPUM! — o elástico voava no bico da Dona Maricota, que soltava um cacarejo estridente.
— Ops, não era pra ir aí! — ria Evaristo, sempre errando de alvo, mas acertando no bom humor.
Os dois amigos tentavam imaginar como tudo aquilo podia se transformar num despertador. Entre cada tentativa, Gastão se distraía com qualquer coisa: uma borboleta, um grilo, até uma nuvem engraçada no céu.
Evaristo, por sua vez, queria ajudar, mas era só pegar um parafuso que ele deixava cair um parafuso, um botão, um sino… Suas asas pareciam ter vontade própria. Mas ninguém desanimava.
Capítulo 3 – O teste mais confuso do mundo
Depois de muita trapalhada, risadas e penas voando, o Despertador de Plumas Automático finalmente estava pronto. Quer dizer… de algum jeito as peças ficaram juntas, com cheiro de milho e barulho de lata velha.
Gastão subiu em cima de uma caixa para fazer o grande teste. Evaristo, ansioso, ficou com uma corda enrolada na pata (sem querer, claro).
— Preparado, Evaristo? Na hora certa, você puxa! — gritou Gastão, confiante.
Evaristo puxou, mas não na hora certa. Puxou antes… ou será que depois? O elástico arremessou uma chuva de penas coloridas nos dois e, de repente, o sino começou a tilintar feito louco, enquanto uma chuva de milho saiu disparada, pegando de surpresa até o Cachorro Tobias, que passava pelo portão com cara de quem não entendeu nada.
No final da confusão, Gastão e Evaristo estavam cobertos de penas, milho e pedaços de fita. Maricota riu tanto que quase perdeu o chapéu!
Capítulo 4 – Problemas? Só rindo mesmo!
Em vez de ficarem bravos, Gastão e Evaristo caíram na gargalhada. Cada tentativa do Despertador de Plumas Automático resultava em uma nova trapalhada: na segunda vez, tocou uma música estranha; na terceira vez, saiu espuma do catavento; na quarta, um botão girou loucamente e foi parar no ninho de um passarinho.
Gastão se divertia tanto com os erros que quase esqueceu de tentar acertar. Evaristo, apesar de sempre puxar para o lado errado, tinha ideias engraçadas para consertar tudo — ideias que não ajudavam muito, mas faziam todo mundo rir.
Logo, uma plateia de animais se formou ao redor, torcendo pelo sucesso da dupla. Sapo Sabino até trouxe pipoca (de milho do próprio Gastão) e apostou quantos botões voariam no próximo teste.
No meio da animação, Gastão percebeu que, mesmo errando muito, eles estavam se divertindo como nunca. E, a cada tentativa, sentia-se mais confiante.
Capítulo 5 – O despertar mais alegre do Vale
Depois de mais dez tentativas (e um susto num passarinho que ganhou uma fita no bico), por milagre — ou talvez por pura sorte — o Despertador de Plumas Automático funcionou. Às seis da manhã, a buzina tocou, o sino tilintou, o catavento girou, uma chuva de penas caiu devagar e… todos acordaram pulando de tanta alegria!
O som era estranho, mas ninguém se importou. Maricota dançou, Tobias latiu e até Sapo Sabino pulou no lago de felicidade. Gastão, com as penas todas arrepiadas, abriu as asas e, vibrando de orgulho, gritou:
— CONSEGUIMOS, EVARISTO! FUNCIONOU! EU SABIA!
Evaristo, meio enrolado numa fita azul, sorriu de lado:
— Sabia mesmo, Gastão! E eu… quase acertei tudo hoje!
Entre gargalhadas e abraços de penas e patas, Gastão percebeu que confiar (mesmo nos planos mais malucos) era tudo que precisava para transformar erros em vitórias. E, é claro, acordar todo o Vale do Pó-de-Palha no melhor estilo: ao som de trapalhadas e de um doce grito de vitória!